Como se faz o shituf nos limites? — a mishná abre o Perek Chet explicando o procedimento do eiruv techumin, que permite a quem o constitui caminhar dois mil covados a partir do ponto onde o eiruv foi depositado, e não apenas a partir de sua própria casa. Deposita-se o barril e diz-se: eis que isto é para todos os moradores da minha cidade, para todo aquele que for à casa de luto ou à casa da festa. — um só barril de comida, deixado no ponto desejado, pode servir de eiruv para toda a cidade de uma só vez, desde que se declare explicitamente que ele está à disposição de qualquer um que dele necessite — e o exemplo dado é justamente o de quem precisa se deslocar por um motivo de mitzvá, como visitar um enlutado ou participar de uma festa de casamento além do limite da própria cidade. E todo aquele que o aceitou sobre si enquanto ainda era dia está permitido; a partir do escurecer, está proibido, pois não se faz eiruv a partir do escurecer. — a condição decisiva é o momento da aceitação: quem resolveu confiar nesse eiruv como sua base de Shabat antes do pôr do sol pode usá-lo livremente; mas quem só decide fazê-lo depois que a noite já caiu chega tarde demais, pois o eiruv, por definição, precisa estar constituído e aceito antes de o Shabat começar.
O Perek Chet abre justamente onde o Perek Zayin fechou. Ali, Rabi Yehuda distinguiu o eiruv dos limites — que exige o conhecimento do interessado — do eiruv das casas, que não exige. Agora a mishná mostra como esse conhecimento é obtido na prática: por meio de uma declaração pública, feita enquanto ainda é dia, de que um barril de comida está à disposição de toda a cidade. "Ninguém saia de seu lugar" permanece a base bíblica de todo eiruv techumin — mas os Sábios ensinaram que o "lugar" de alguém pode ser redefinido para onde ele deposita seu alimento de Shabat, desde que o faça, e o aceite, antes que o sétimo dia comece.
O Rambam detalha, em Hilchot Eruvin, o que pode servir de alimento para este tipo de shituf — questão que a própria mishná seguinte (8:2) desenvolverá quanto à quantidade.
Todo alimento que se come tal como é, como pão, cereais e carne crua, se com ele se fez o shituf, sua medida é o alimento de duas refeições. E tudo que serve de acompanhamento e é hábito do povo comer seu pão com ele, como vinho cozido, carne assada, vinagre, molho de peixe, azeitonas e cabeças de cebola, sua medida é a suficiente para comer com ele duas refeições.
Abertura do Perek Chet: os comentadores explicam o procedimento do eiruv por barril comunitário e o limite temporal da aceitação — antes ou depois do escurecer.
"Como se faz o shituf nos limites? Deposita-se o barril..." — o motivo de o exemplo citar a casa de luto e a casa de festa é que ambas envolvem um assunto de mitzvá, um ato de bondade, pois o princípio entre nós é que não se faz eiruv senão para um assunto de mitzvá. E quando diz "todo aquele que o aceitou sobre si a partir do escurecer está proibido", isso vale apenas quando não lhe avisaram enquanto ainda era dia; mas se lhe avisaram enquanto ainda era dia, mesmo que ele só o tenha aceitado depois do escurecer, está permitido.
"Como" — para todo aquele que for à casa de luto etc. Pois são assuntos de mitzvá, e temos por firme que não se faz eiruv dos limites senão para um assunto de mitzvá.
"E todo aquele que o aceitou sobre si" — para se apoiar neste eiruv, está permitido.
"E a partir do escurecer está proibido" — isso vale apenas quando não lhe avisaram enquanto ainda era dia; mas se lhe avisaram enquanto ainda era dia, mesmo que ele só tenha aceitado com certeza se apoiar neste eiruv depois do escurecer, está permitido.
Sobre a mishná "Como se faz o shituf... e todo aquele que o aceitou enquanto ainda era dia" — para se apoiar neste eiruv e ir, está permitido.
Na Guemará: "não se faz eiruv" — os Sábios não permitiram sair além do limite por meio de eiruv senão para um assunto de mitzvá.