Cinco pátios abertos uns aos outros e abertos a um beco: fizeram eiruv nos pátios e não fizeram shituf no beco, ficam permitidos nos pátios e proibidos no beco. — o eiruv de cada pátio resolve apenas a circulação interna daquele pátio entre suas próprias casas; sem o shituf que une todos os pátios ao beco comum, ninguém pode carregar do pátio para o beco, ainda que dentro de cada pátio tudo esteja permitido. E se fizeram shituf no beco, ficam permitidos aqui e ali. — quando, além do eiruv de cada pátio, os moradores também reúnem um shituf comum para todo o beco, os dois níveis de domínio se resolvem juntos, permitindo a livre circulação tanto dentro de cada pátio quanto entre os pátios e o beco. Fizeram eiruv nos pátios e shituf no beco, e um dos moradores de um pátio esqueceu e não fez eiruv, ficam permitidos aqui e ali. — quando a rede de shitufim do beco já está completa, o esquecimento pontual de um único morador dentro de seu próprio pátio não prejudica ninguém, pois todos os pátios já estão unidos pelo shituf do beco, que cobre a falha local. Mas se foi um dos moradores do beco quem não fez shituf, ficam permitidos nos pátios e proibidos no beco, pois o beco está para os pátios como o pátio está para as casas. — a falha muda de nível: quando quem esquece pertence ao próprio nível do beco, o beco inteiro fica proibido, ainda que cada pátio, isoladamente, continue permitido — pois a relação entre o beco e os pátios reproduz, numa escala maior, a mesma relação que existe entre o pátio e as casas que o compõem.
Uma hierarquia de "lugares": casa, pátio e beco, cada um exigindo seu próprio consenso. A mishná revela que "cada um em seu lugar" opera em camadas concêntricas: assim como várias casas só se tornam um pátio único mediante o eiruv, vários pátios só se tornam um beco único mediante o shituf — e a falha em qualquer camada permanece isolada nela, sem contaminar automaticamente as demais, exceto quando ocorre exatamente na camada que une o nível superior. É por isso que o esquecimento de um morador comum de pátio não prejudica o beco já unido pelo shituf, mas o esquecimento de um responsável pelo próprio shituf do beco derruba a permissão em todo aquele nível.
O Rambam explica por que, mesmo quando o shituf do beco já teoricamente bastaria, os Sábios exigiram também o eiruv de cada pátio: para que as crianças, que reconhecem o pão do eiruv mas não presenciam o que se faz no beco, não esqueçam o preceito.
Os que fazem shituf no beco precisam também fazer eiruv nos pátios, para que as crianças não esqueçam o preceito do eiruv, pois as crianças não têm como reconhecer o que se faz no beco. Por isso, se fizeram o shituf do beco em pão, apoiam-se nele e não precisam fazer eiruv nos pátios, pois as crianças reconhecem o pão.
Rambam, Bartenura e Rashi explicam a estrutura de dois níveis da mishná, e por que a regra final — de que o beco está para os pátios como o pátio está para as casas — resume toda a arquitetura da lei do eiruv em becos com vários pátios.
"Cinco pátios abertos uns aos outros e abertos a um beco..." — o princípio entre nós é que o beco não se torna permitido apenas com poste lateral ou trave até que haja casas e pátios abertos para dentro dele; mas quando os pátios estão abertos uns aos outros e abertos ao beco, eles são como uma única casa, e não basta o eiruv desse beco quando feito apenas com poste ou trave.
E toda esta mishná está construída sobre o princípio que mencionamos: que se precisa de eiruv nos pátios e de shituf no beco, e a razão disso é para que as crianças não esqueçam o preceito do eiruv — pois, segundo o assunto, fazemos o eiruv nos pátios para que as crianças o vejam, ainda que já tenha havido shituf no beco. E por isso, quando um morador do pátio esqueceu e não fez eiruv, ficam permitidos no pátio e no beco, pois o shituf do beco basta; e o que dissemos — "para que não se esqueça o preceito do eiruv" — não se anula, pois todos já fizeram eiruv nos pátios, e a este único indivíduo não se dá atenção.
"Abertos uns aos outros e abertos a um beco" — na Guemará se demonstra que, na versão correta da mishná, não consta "abertos uns aos outros", pois estabelecemos que o beco não se torna permitido com poste ou trave até que haja casas e pátios abertos para dentro dele — isto é, duas casas abertas a cada pátio e dois pátios abertos ao beco; e como todos estão abertos uns aos outros e unidos por suas portas, contam-se como um só, e a mishná ensina apenas "cinco pátios abertos a um beco".
"Pois o beco está para os pátios como o pátio está para as casas" — assim como é proibido tirar das casas para o pátio sem eiruv, também é proibido tirar do pátio para o beco sem shituf; e não se diga que não se comparam, porque casa e pátio são um domínio privado e o outro é uma extensão dele, pois pátio e beco são, ambos, domínios de uso coletivo.
"Mishná: fizeram eiruv nos pátios" — inclusive de um para o outro. "E ficam proibidos no beco" — pois não se apoia num eiruv onde é necessário um shituf.
"Pois o beco está para os pátios como o pátio está para as casas" — assim como é proibido tirar das casas para o pátio sem eiruv, também é proibido tirar do pátio para o beco sem shituf, e não se diga que os casos não se comparam por serem domínios de natureza diferente, pois pátio e beco são, ambos, domínios coletivos, um dentro do outro.