Disse-lhes Rabi Akiva: não me concedeis, ao menos, que quem coloca seu erúv numa caverna, não tem, a partir do lugar de seu erúv, senão dois mil côvados? — buscando apoio dos Sábios para sua própria posição na mishná anterior, ao menos neste caso particular. Disseram-lhe: quando é isso? Quando não há nela moradores — isto é, quando a caverna está vazia e não é habitável, os Sábios concordam com Rabi Akiva. Mas havendo nela moradores, caminha-a inteira e mais dois mil côvados além dela — pois, sendo habitada, a caverna se torna como uma cidade, e vale para ela a mesma regra da mishná anterior. Resulta que seu interior é mais leve que seu teto — pois quem está sobre o teto da caverna, ainda que a caverna esteja abaixo dele, se mede a partir do próprio lugar onde pisa; mas quem está dentro dela, sendo ela habitada, ganha o direito de percorrê-la inteira, um privilégio que o teto, por si só, não concede. E ao medidor de quem falaram, dão-se dois mil côvados, mesmo que o fim de sua medida termine dentro de uma caverna — fechando o capítulo com o caso oposto: quem não colocou erúv nem mora ali, mas apenas mede seus dois mil côvados a partir de onde estava, não ganha a caverna inteira quando sua medida termina em seu interior, mas caminha somente até onde a medida realmente alcança.
"Seu lugar" depende de haver vida ali — não apenas paredes. O capítulo se fecha reafirmando que o critério decisivo para saber se um espaço fechado conta como "um lugar só", livre para ser percorrido por inteiro, não é a existência de muros ou teto, mas a presença de moradores — de vida humana habitual naquele espaço. Uma caverna vazia, por mais que tenha paredes de rocha como qualquer casa, permanece sendo apenas um ponto de chegada da medida, tal como o campo aberto; uma caverna habitada se torna, para efeitos de "seu lugar", equivalente a uma cidade. Esse mesmo critério — presença de moradia versus mera estrutura — atravessou o capítulo inteiro, desde a primeira mishná sobre pontes e monumentos com bet-dirá.
O Rambam fecha o mesmo princípio geral que abriu a explicação da mishná anterior: um domínio privado só se conta como "quatro côvados" — permitindo percorrê-lo inteiro — quando está totalmente contido dentro da medida de dois mil côvados; quando a medida termina em seu meio, anda-se somente até onde ela chega.
Quem caminha os dois mil côvados que tem para caminhar, e sua medida se completa dentro de um curral, ou pátio, ou caverna, ou dentro da cidade, não caminha senão até o fim de sua medida; e não dizemos: "já que sua medida terminou dentro de um domínio privado, caminha-o inteiro". Quando isso é dito? Quando sua medida termina no meio da cidade ou no meio da caverna. Mas se esse domínio privado está totalmente contido dentro de seus dois mil côvados, todo esse domínio se conta para ele como quatro côvados, e completa-se-lhe o restante.
Fecho do Perek Hei: os comentadores explicam a distinção entre a caverna habitada e a vazia, o paradoxo de que o interior pode ser mais leve que o teto, e a regra final do medidor que fecha o capítulo.
"Disse-lhes Rabi Akiva: não me concedeis, ao menos, que quem coloca... etc." — disseram que a caverna sem moradores nem apta para moradia — quer dizer, quando suas divisórias estão desfeitas — mas quando as divisórias permanecem, mesmo estando sem moradores, caminha-a inteira e mais para fora dela.
E do mesmo modo, quem colocou seu erúv ou repousou numa cidade vazia e arruinada: se permanece sua muralha, caminha-a inteira e mais dois mil côvados para além dela, segundo a opinião dos Sábios.
E quando dizem "resulta que seu interior é mais leve que seu teto" — pois sobre seu teto, a partir do lugar de seu erúv apenas, caminhará; mas quando colocou seu erúv dentro dela, caminhará dois mil côvados para fora dela.
E o que disseram sobre "o medidor" já explicamos: que ele caminha apenas até o fim dos dois mil côvados, até o lugar onde a medida termina; e se ela termina em parte da caverna, não caminha por toda ela.
"Quando? Quando não há nela moradores" — quando suas divisórias foram rompidas e não é apta para moradia; pois, se é apta para moradia, mesmo que agora não haja nela moradores, ela não se conta toda, mas sim como quatro côvados, segundo os Sábios. E do mesmo modo, uma cidade em que ninguém habita, mas que tem uma muralha ao redor, na qual se colocou o erúv, conta-se como quatro côvados, ainda que seja tão grande quanto Antioquia.
"E o medidor" — que escureceu para ele, e disse "meu repouso é em meu lugar", e mede dois mil passos médios, talvez entrando no techum da cidade; e se seus dois mil côvados terminam um côvado fora do techum, não entra, pois mesmo que os dois mil o conduzissem para dentro dela, não lhe é permitido sair além dos dois mil.
Assim ensinamos: "e ao medidor de quem falaram, dão-se dois mil côvados", mesmo que o fim de sua medida termine dentro de uma caverna, não caminha além dos dois mil — pois, já que mediu dois mil além do lugar de seu repouso, que são quatro côvados, não pode ultrapassar os dois mil.
"Toda uma cidade pequena" — além da medida dos techumin.