Os moradores de uma cidade grande caminham toda uma cidade pequena — quando a cidade pequena está inteiramente contida dentro dos dois mil côvados do techum da cidade grande, seus moradores podem atravessá-la de ponta a ponta como se ela toda contasse apenas quatro côvados, completando o restante da medida para além dela. Mas os moradores de uma cidade pequena não caminham toda uma cidade grande — pois, ao entrarem na cidade grande, sua medida de dois mil côvados se esgota dentro dela mesma, e eles não podem contá-la como se fosse só quatro côvados, já que a cidade grande, sendo maior que a extensão de sua própria medida restante, não se "engole" inteira dentro dela. Como assim? Quem estava numa cidade grande e colocou seu erúv numa cidade pequena, ou numa cidade pequena e colocou seu erúv numa cidade grande, caminha toda ela e mais dois mil côvados além dela — pois, uma vez que o erúv o transporta legalmente para dentro da outra cidade, ele é tratado, dali, como um de seus próprios moradores, com direito a percorrê-la inteira e ainda dois mil côvados para além de suas muralhas. Mas Rabi Akiva diz: não tem senão dois mil côvados a partir do lugar de seu erúv — segundo sua opinião de que mesmo quem coloca o erúv dentro de um domínio próprio não ganha o direito de percorrê-lo inteiro como se fosse quatro côvados, mas sempre se mede a partir do ponto exato onde o erúv foi colocado.
Toda a cidade é "um lugar" só, mas seu tamanho importa. Os Sábios já ensinaram que uma pessoa pode caminhar livremente toda a extensão de sua própria cidade, por maior que seja, pois ela toda é considerada "seu lugar". A disputa desta mishná é o que acontece quando a medida dos dois mil côvados de "seu lugar" termina dentro de uma cidade diferente da sua: pela mishná, se essa cidade cabe inteira dentro da medida restante, ela também vira "um lugar só" para quem chegou até ali, e pode ser percorrida por completo; se não cabe, só se pode andar até onde a medida realmente chega. Rabi Akiva discorda dessa distinção e sustenta que a regra de "seu lugar" vale apenas para a cidade onde a pessoa mora ou faz seu erúv por completo, nunca para uma cidade alcançada apenas pela ponta da medida.
O Rambam formula o princípio geral: quando a medida de dois mil côvados termina dentro de um domínio privado (como uma cidade), só se conta como "quatro côvados" — e portanto se pode percorrê-lo inteiro — se esse domínio estiver totalmente contido dentro da medida; se a medida termina no meio dele, anda-se apenas até onde ela chega.
Quem caminha os dois mil côvados que tem para caminhar, e sua medida se completa dentro de um curral, ou pátio, ou caverna, ou dentro da cidade, não caminha senão até o fim de sua medida; e não dizemos: "já que sua medida terminou dentro de um domínio privado, caminha-o inteiro". Quando isso é dito? Quando sua medida termina no meio da cidade ou no meio da caverna. Mas se esse domínio privado está totalmente contido dentro de seus dois mil côvados, todo esse domínio se conta para ele como quatro côvados, e completa-se-lhe o restante.
Os comentadores explicam a lógica da assimetria entre cidade grande e pequena, e como Rabi Akiva discorda inclusive quanto ao erúv, medindo sempre a partir do ponto exato onde ele foi colocado.
"Os moradores de uma cidade grande caminham toda uma cidade pequena etc." — segundo esses princípios, quando há duas cidades próximas, uma grande e outra pequena, de modo que, ao medirmos dois mil côvados para fora da grande, a pequena fica absorvida dentro desses dois mil côvados, e ao medirmos dois mil côvados para fora da pequena a medida alcança apenas parte da cidade grande — segundo esses princípios que já expusemos, é permitido aos moradores da grande caminhar toda a pequena, e os moradores da pequena não caminham toda a grande, senão até o ponto aonde chega sua medida.
E tudo isso quando se mede os dois mil côvados; mas quando os moradores da cidade colocaram o erúv noutra cidade, caminham-na inteira e mais para fora dela. E Rabi Akiva discorda disso, pois sustenta que, mesmo que a pessoa tenha colocado seu erúv num domínio privado, não caminha dois mil côvados senão a partir do lugar do erúv. E não é a halachá segundo Rabi Akiva.
"Os moradores de uma cidade grande" — que têm uma cidade pequena dentro de dois mil côvados, e saem de sua cidade e contam e caminham em direção à pequena vizinha: caminham toda a cidade pequena vizinha como se fosse quatro côvados, e completam sua medida para além dela.
Disse Rava: e qual é a novidade disso? Ambas as coisas já as ensinamos na mishná dos moradores de uma cidade grande que tinham uma cidade pequena dentro de dois mil côvados, saindo de sua cidade e caminhando em direção à pequena: caminham toda a cidade pequena vizinha a eles. E por força se entende: caminham-na inteira como se fosse quatro côvados, e completam sua medida para além dela — pois, se pensasses que a medida da cidade os consome inteiramente, o que viria ensinar-nos? É óbvio que até dois mil côvados pode caminhar.
"E os moradores de uma cidade pequena não caminham a grande" — inteira, como se fosse quatro côvados, pois a cidade lhes consome da medida do techum.
"E para o medidor" — a partir do lugar de seu repouso, ou do lugar de seu erúv, disseram que se lhe dá dois mil côvados; mesmo que o fim da medida de dois mil termine dentro de uma caverna, não entra além dos dois mil e adiante — logo, ensinamos que, quando a medida termina no meio da cidade, a medida da cidade lhe consome; e qual seria então a novidade?