E, do mesmo modo, três aldeias dispostas em triângulo — não um triângulo exato, mas uma aldeia intermediária afastada, de frente para o espaço entre as duas externas. Se entre as duas externas há cento e quarenta e um côvados e um terço — de modo que, ao se imaginar a aldeia intermediária colocada entre elas, restariam setenta côvados e fração de cada lado, exatamente o karpaf que une duas cidades. A intermediária faz com que as três se tornem como uma só — e assim se mede o techum de dois mil côvados para fora das três, como se fossem uma única cidade, desde que também a distância entre a aldeia intermediária e cada uma das externas não exceda dois mil côvados.
O mesmo princípio do karpaf, aplicado a três pontos. Esta mishná estende o raciocínio da anterior: se duas cidades se unem quando cada uma tem setenta côvados e fração de folga entre si, o mesmo vale quando há uma terceira aldeia no meio, desde que a distância entre as duas externas comporte, virtualmente, esse mesmo karpaf duplicado de cada lado da intermediária. A Torá, ao descrever o arrabalde como uma medida fixa que se soma à cidade antes de começar a medição do techum, fornece a régua com que os Sábios calculam até que ponto duas ou mais localidades próximas deixam de ser tratadas como separadas e passam a ser tratadas como uma só, para efeito de até onde se pode caminhar em Shabat.
O Rambam fixa a medida exata e a condição adicional: além da distância de cento e quarenta e um côvados e um terço entre as externas, é preciso que a distância entre a aldeia intermediária e cada uma delas não passe de dois mil côvados.
Havia três aldeias em triângulo: se entre a intermediária e cada uma das externas há dois mil côvados ou menos, e entre as duas externas há duzentos e oitenta e três côvados menos um terço — de modo que, imaginando-se a intermediária colocada entre elas, haveria entre cada uma delas e o meio cento e quarenta e um côvados e um terço —, as três se tornam como uma única cidade, e medem-se dois mil côvados em cada direção para fora das três.
Os comentadores explicam a geometria do triângulo: por que a soma dá cento e quarenta e um côvados e um terço, e a condição de que a distância às externas não ultrapasse dois mil côvados.
"E, do mesmo modo, três aldeias em triângulo etc." — sendo a fração dois terços, é evidente que a medida de dois karpafim é de cento e quarenta e um côvados e um terço.
E a intenção é que, quando há entre as duas externas uma distância tal que, imaginando-se a aldeia intermediária colocada entre elas, restaria de cada lado a medida de dois karpafim; e com a segunda condição, de que a aldeia intermediária esteja, em relação a cada uma das duas externas, a dois mil côvados ou menos — então as três voltam a ser como uma única cidade, e a medida se faz para fora delas.
"E, do mesmo modo, três aldeias em triângulo" — não em triângulo exato, mas a terceira fica de longe, de frente para o espaço entre as duas externas. E sempre que, ao trazer-se imaginariamente a intermediária para entre elas, não houver entre uma e outra senão cento e quarenta e um côvados e um terço — que são setenta côvados e dois terços para esta e setenta côvados e dois terços para aquela —, e da mesma forma, do lado da outra aldeia externa, não há entre a intermediária e ela senão cento e quarenta e um côvados e um terço, então as três se contam como uma só; e quem sai de uma delas para ir por meio das outras conta a partir da muralha externa da última.
E quanto deve haver entre a intermediária e a externa? Dois mil côvados. Pois, já que a intermediária pode ir até a externa e a externa até a intermediária sem erúv, dizemos: considera-se como se a intermediária estivesse colocada entre elas. Mas se está mais distante que dois mil côvados, não dizemos "considera-se".
"Mishná: dá-se um karpaf à cidade" — quando se vem medir os techumin, não se mede a partir da muralha, mas se afasta setenta côvados e fração, como o pátio do Mishcán, e só então se começa a medir — o mesmo princípio de folga que rege tanto o caso de duas cidades quanto o das três aldeias em triângulo desta mishná.