Um sacerdote que foi ferido no dedo envolve-o com junco no Templo, mas não no resto do país; se é para fazer sangrar, é proibido em ambos os lugares. — o junco tem propriedade curativa, e um sacerdote ferido no dedo pode envolvê-lo com ele durante o serviço, tanto para tratar a ferida quanto porque não é digno que uma ferida fique visível enquanto ele realiza a avodá; essa permissão vale apenas no Templo, pois no resto do país tratar feridas em Shabat é proibido por decreto rabínico de proteção contra a moagem de remédios; mas envolver o dedo com o propósito específico de apertar e fazer sair o sangue da ferida é proibido em qualquer lugar, Templo incluído, pois essa ação constitui a categoria principal de trabalho de "ferir", que nenhuma necessidade do serviço tem o poder de afastar.
Espalha-se sal sobre a rampa, para que os pés não escorreguem; e enche-se água do poço da Golá e do poço grande com roda em Shabat, e do poço frio em Yom Tov. — a rampa de acesso ao altar ficava coberta de sangue e gordura dos sacrifícios, tornando-se escorregadia; espalhar sal sobre ela em Shabat é permitido, apesar de parecer uma ação de "consertar", pois se trata de simples segurança para os sacerdotes durante o serviço. Já o uso de uma roda para puxar água — algo normalmente proibido por fazer barulho e por facilitar demais o trabalho, levando ao uso indevido em outros poços — foi excepcionalmente permitido pelos próprios profetas para dois poços específicos das dependências do Templo, usados pelos peregrinos que subiam para as festas; essa permissão histórica não se estende a nenhum outro poço, e um terceiro poço, o "frio", recebeu a mesma permissão apenas para Yom Tov.
"Estarão diante de Mim para servir" descreve um serviço que exige continuidade e dignidade — daí a permissão de envolver o dedo ferido com junco, para que a ferida não interrompa nem desonre a avodá. Mas essa mesma frase, "para Me oferecer gordura e sangue", também explica por que a rampa precisava de sal: o próprio sangue e gordura das ofertas, produtos diretos do serviço descrito por Yechezkel, tornavam o caminho ao altar perigoso. E a permissão da roda nos poços da Golá e do "grande" completa o quadro com uma dimensão histórica adicional: segundo a Guemará, foi uma permissão dada pelos próprios profetas — Chagai, Zacarias e Malachi — aos peregrinos que subiam ao Templo nas festas, mostrando que mesmo profetas posteriores à Torá tinham autoridade para ajustar, dentro de limites, as leniências rabínicas do Shabat em benefício do povo que vinha "estar diante" do Eterno.
O Rambam preserva a permissão da roda apenas para os dois poços do Templo, atribuindo-a à autoridade histórica dos profetas.
Enche-se água do poço da Golá e do poço grande com roda em Shabat, pois assim lhes permitiram os primeiros profetas; e não se aprende deles para nenhum outro poço.
Rambam identifica os poços e a permissão dos profetas; Bartenura explica o motivo do decreto contra os demais poços; Rashi, na Guemará, esclarece por que o junco precisou ser mencionado explicitamente.
"Um sacerdote que foi ferido no dedo envolve-o com junco no Templo etc.": "Espalha-se sal sobre a rampa etc.": O junco é conhecido por ajudar a ferida, e deve amarrá-lo com um pedaço de tecido, e assim realizar o serviço, sem ser desqualificado por causa desse acréscimo de tecido, com a condição de que não haja separação entre a carne de sua mão e a bacia de aspersão ou a faca no momento de realizar o serviço.
"Espalha-se" é como "lança-se". "Para que não escorregue" — para que seu pé não deslize por causa da gordura da carne que escorre ali. E o poço da Golá era um poço numa das câmaras, com uma roda por cima, e ao usar essa roda se ouvia um grande som no momento de puxar água; e do mesmo modo o poço grande. E os profetas lhes permitiram, ao subirem para a festa de peregrinação, tirar água desses poços com essas rodas, e o povo continuou tirando água apenas deles por causa da permissão dos profetas, e não estenderam esse dinim a outros poços.
"Envolve-o com junco" — e ainda que o junco cure a ferida, já que agora é sobretudo necessidade do serviço, pois não é conveniente que sua ferida fique visível durante o serviço, ele a cobre com junco.
"Mas não no resto do país" — pois curar em Shabat é "shevut" e proibido.
"Se é para fazer sangrar" — que aperta com o junco para fazer sair o sangue.
"É proibido em ambos os lugares" — pois isso é "ferir", categoria principal de trabalho não permitida nem no Templo.
"Espalha-se sal" — trituram e espalham sal sobre a rampa pela qual sobem ao altar, pois é lisa e às vezes caem dela, pois seus pés escorregam nela.
"Enche-se água do poço da Golá e do poço grande" — e apenas desses dois poços permitiram encher água com roda em Shabat; mas nos demais poços é proibido, por decreto, para que não venha a encher para seu jardim ou sua ruína.
"E do poço frio" — este poço era necessário aos filhos da diáspora na peregrinação, e os profetas entre eles Chagai, Zacarias e Malachi lhes permitiram encher dele com roda na peregrinação.
"E segundo teu raciocínio, também para Rabi Eliezer" — que a retirasse com a mão.
"Antes, se dizes que é Rabi Eliezer" — quanto aos preparativos de um mandamento, ele trata como permitida uma proibição de "shevut" e mesmo uma proibição bíblica, e o motivo é que, sempre que é possível fazer diferente, fazemos diferente.
"Pois o junco cura" — por causa do Shabat foi necessário ensinar especificamente "junco", pois, embora cure, é permitido no Templo.