Seder Moed · Massechet Eruvin · Perek Yud (último) · Mishná 1 de 15

Abrindo o Perek Yud: quem encontra tefilin no Shabat

הַמּוֹצֵא תְפִלִּין מַכְנִיסָן זוּג זוּג
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abrindo o último perek de Eruvin — dedicado a objetos esquecidos e carregados por engano no Shabat, e a diversos casos de limite entre domínios —, a mishná trata de quem encontra tefilin abandonados no campo, num lugar onde não ficam guardados com segurança: como a Torá é, para o tanna kama, tempo de se usar tefilin também no Shabat, permite-se trazê-los para casa vestindo-os, par por par, e voltando ao campo para buscar o par seguinte, tantas vezes quantas forem necessárias; Rabam Gamliel discorda e, considerando o Shabat um tempo em que não há mandamento de tefilin, restringe a permissão a apenas dois pares de cada vez, o máximo que ainda se pode considerar um enfeite normal e não uma carga; essa permissão vale somente para tefilin já usados, com o nó característico que comprova sua santidade, mas não para tefilin novos, cuja identidade ainda é incerta; se forem encontrados em maços ou amarrados, de modo que não dê tempo de trazê-los todos vestindo-os antes do anoitecer, espera-se sentado junto a eles até escurecer, e então se trazem todos de uma vez; e, em tempo de perseguição, quando até usar tefilin representa perigo, cobrem-se os tefilin no local e vai-se embora sem eles.

Quem encontra tefilin traz-nos par a par.abrindo o Perek Yud, a mishná trata de tefilin encontrados abandonados no campo em Shabat, num lugar onde não ficariam guardados com segurança até o fim do dia; para o tanna kama, que considera o Shabat também tempo de usar tefilin, é permitido trazê-los para dentro de casa vestindo-os da forma costumeira — um no braço e um na cabeça —, e depois voltar ao campo para vestir o par seguinte, repetindo o processo até trazer todos.

Rabam Gamliel diz: dois a dois.Rabam Gamliel discorda porque entende que o Shabat não é tempo de mandamento de tefilin; a permissão de trazê-los usando-os existe apenas porque, vestidos dessa forma, eles contam como um enfeite comum, e não como carga proibida; por isso ele limita a permissão a dois pares por vez — um par na cabeça e um par no braço —, que ainda pode passar por enfeite, mas não mais que isso, pois excederia o que se veste normalmente.

Em que caso se disse isso? Em tefilin velhos; mas em novos, está isento.essa permissão de trazer os tefilin vestidos vale apenas quando eles são antigos, com o nó já formado que comprova tratar-se de fato de tefilin sagrados; tefilin novos, sem esse nó característico, podem ser apenas um amuleto qualquer feito em forma de tefilin, sem santidade alguma — por isso não se transgride o Shabat para trazê-los.

Se os encontrou em maços ou em amarrados, espera até escurecer junto a eles e então os traz. E em tempo de perigo, cobre-os e vai embora.quando os tefilin encontrados são tantos que não daria tempo de trazê-los todos, par a par, vestindo-os antes do anoitecer, a pessoa senta-se ali mesmo e aguarda escurecer, e só então os traz todos de uma vez, já sem as restrições do Shabat; mas em tempo de perseguição religiosa, quando até usar tefilin abertamente representa risco de vida, cobrem-se os tefilin no próprio lugar, escondendo-os, e vai-se embora sem levá-los.

הַמּוֹצֵא תְפִלִּין, מַכְנִיסָן זוּג זוּג. רַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, שְׁנַיִם שְׁנָיִם. בַּמֶּה דְבָרִים אֲמוּרִים, בִּישָׁנוֹת, אֲבָל בַּחֲדָשׁוֹת, פָּטוּר. מְצָאָן צְבָתִים אוֹ כְרִיכוֹת, מַחְשִׁיךְ עֲלֵיהֶן וּמְבִיאָן. וּבַסַּכָּנָה, מְכַסָּן וְהוֹלֵךְ לוֹ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 13:9
וְהָיָה לְךָ לְאוֹת עַל־יָדְךָ וּלְזִכָּרוֹן בֵּין עֵינֶיךָ לְמַעַן תִּהְיֶה תּוֹרַת יְהוָה בְּפִיךָ כִּי בְּיָד חֲזָקָה הוֹצִאֲךָ יְהוָה מִמִּצְרָיִם׃
E será para ti por sinal sobre tua mão, e por lembrança entre teus olhos, para que a Torá do Eterno esteja em tua boca, pois com mão forte o Eterno te tirou do Egito.

O versículo de Shemot que institui o mandamento dos tefilin é também a raiz da disputa entre o tanna kama e Rabam Gamliel. "Será para ti por sinal" não especifica se esse sinal vale também no sétimo dia, que já é, em si, um sinal entre o povo e o Eterno (Shemot 31:17); por isso os sábios discutem se o Shabat, tendo seu próprio sinal, dispensa o de "sobre tua mão e entre teus olhos", ou se os dois sinais coexistem. Da resposta a essa pergunta depende toda a mishná: se o Shabat é tempo de tefilin, usá-los ao trazê-los para casa é apenas cumprir o mandamento normalmente, e a permissão pode ser ampla; se não é, usá-los é tolerado apenas como um enfeite comum, e por isso limitado ao que um enfeite comportaria.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam codifica a regra na sua forma final, já decidida contra Rabam Gamliel, permitindo trazer os tefilin par a par vestindo-os.

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Shabat 19:14
הַמּוֹצֵא תְּפִלִּין בְּשָׂדֶה בְּמָקוֹם שֶׁאֵינָן מְשֻׁמָּרוֹת שָׁם. אִם הָיוּ יְשָׁנוֹת שֶׁנִּכָּרוֹת שֶׁהֵן תְּפִלִּין וְדַאי מַכְנִיסָן זוּג זוּג לוֹבֵשׁ אֶחָד בָּרֹאשׁ וְאֶחָד בַּזְּרוֹעַ כְּדֶרֶךְ שֶׁלּוֹבְשִׁין בְּחל וְנִכְנָס לְעִיר וּפוֹשְׁטָן וְחוֹזֵר וּמוֹצִיא זוּג אַחֵר עַד שֶׁיַּכְנִיס אֶת כֻּלָּן. וְאִם הָיוּ חֲדָשׁוֹת שֶׁמָּא אֵינָן תְּפִלִּין אֶלָּא קָמֵעַ שֶׁל תַּבְנִית תְּפִלִּין הוּא זֶה. אֵין מְחַלְּלִין עֲלֵיהֶן אֶת הַשַּׁבָּת:

Quem encontra tefilin num campo, em lugar onde não ficam guardados — se forem velhos, reconhecíveis como sendo certamente tefilin, traz-nos par a par, vestindo um na cabeça e um no braço, da forma como se veste em dia comum, entra na cidade, tira-os, e volta a trazer outro par, até trazer todos. Mas se forem novos, talvez não sejam tefilin, mas apenas um amuleto em forma de tefilin — por eles não se transgride o Shabat.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam explica a diferença entre tefilin novos e velhos e a lógica do "casal"; Bartenura detalha por que Rabam Gamliel limita a dois pares; Rashi, na Guemará, abre o último perek do tratado.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Eruvin 10:1
הַמּוֹצֵא תְפִלִּין מַכְנִיסָן זוּג זוּג כו': זוּג זוּג פֵּרוּשׁוֹ תְפִלִּין שֶׁל רֹאשׁ וּתְפִלִּין שֶׁל יָד, וְהוּא שֶׁיַּנִּיחַ שֶׁל יָד בְּיָדוֹ וְשֶׁל רֹאשׁ בְּרֹאשׁוֹ, לְפִי שֶׁהוּא סוֹבֵר כִּי שַׁבָּת זְמַן תְּפִלִּין. וְרַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר שַׁבָּת לָאו זְמַן תְּפִלִּין הוּא, וְאָסוּר לְהַנִּיחָן בְּשַׁבָּת, אֲבָל הִתִּירוּ לוֹ לְלָבְשָׁן כְּדֵי לְהַצִּילָן שֶׁלֹּא יֹאבְדוּ, וּמִפְּנֵי זֶה מַצִּילִין שְׁנַיִם שְׁנַיִם, רְצוֹנִי שֶׁיִּקְשֹׁר שְׁנַיִם שֶׁל רֹאשׁ בְּרֹאשׁוֹ וּשְׁנַיִם שֶׁל יָד בְּיָדוֹ; וְהָנֵי מִלֵּי כְּשֶׁהֵם יְשָׁנִים בִּרְצוּעוֹתֵיהֶן וְקִשְׁרֵיהֶן, אֲבָל אִם הָיוּ חֲדָשִׁים בְּלֹא רְצוּעוֹת וּבְלִי קְשָׁרִים לֹא נַטְרִיחַ עָלָיו לְהַצְנִיעָן, כִּי שֶׁמָּא הוּא קָמֵעַ עָשׂוּי בְּצוּרַת תְּפִלִּין וְתַכְנִיתָן. וּצְבָתִים כְּמוֹ אֲגֻדּוֹת, וְהוּא מִגְּזֵרַת שֹׁל תְּשֹׁלּוּ לָהּ מִן הַצְּבָתִים; וּכְמוֹ כֵן כְּרִיכוֹת, וְהַהֶפְרֵשׁ בֵּינֵיהֶם כִּי צְבָתִים הוּא שֶׁיִּהְיוּ שֶׁל רֹאשׁ וְשֶׁל יָד בִּלְבַד קְשׁוּרוֹת אַחַת עִם הַשְּׁנִיָּה בִּלְבַד, וּכְרִיכוֹת הוּא שֶׁיִּהְיוּ רַבּוֹת קְשׁוּרוֹת קֶשֶׁר אֶחָד. וְזֶה שֶׁאָמַרְנוּ מַחְשִׁיךְ עֲלֵיהֶם בִּתְנַאי שֶׁיִּהְיוּ כָּל כָּךְ רַבּוֹת שֶׁלֹּא יוּכַל בְּמַה שֶּׁנִּשְׁאַר מִן הַיּוֹם לַהֲבִיאָן זוּג זוּג דֶּרֶךְ מַלְבּוּשׁ כְּמוֹ שֶׁזָּכַר. וְאָמַר וּבַסַּכָּנָה מְכַסָּן, כְּגוֹן שֶׁיִּהְיֶה עֵת צָרָה, בַּעֲלֵי מַלְכוּת שֶׁאִם נִמְצְאוּ בְיָדוֹ יַגִּיעֶנּוּ הֶזֵּק; אֲבָל אִם הוּא יָרֵא מִלִּסְטִים בִּלְבַד, יוֹלִיכֵם כֻּלָּם פָּחוֹת פָּחוֹת מֵאַרְבַּע אַמּוֹת כַּאֲשֶׁר בֵּאַרְנוּ בַּפֶּרֶק הָאַחֲרוֹן מִשַּׁבָּת. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל:

"Quem encontra tefilin traz-nos par a par etc.": "Par a par" significa tefilin da cabeça e tefilin do braço, sendo que coloca o do braço na mão e o da cabeça na cabeça, pois ele entende que o Shabat é tempo de tefilin. E Rabam Gamliel diz que o Shabat não é tempo de tefilin, e é proibido colocá-los em Shabat, mas permitiram vesti-los para salvá-los de se perderem; e por isso salvam-se dois a dois, isto é, que amarre dois da cabeça em sua cabeça e dois do braço em seu braço — e isso quando são velhos, com suas correias e nós; mas se fossem novos, sem correias e sem nós, não se exige que os guarde, pois talvez sejam apenas um amuleto feito em forma e estrutura de tefilin.

"Maços" é como "atados", da raiz de "puxa também para ela dos maços"; e do mesmo modo "amarrados" — e a diferença entre eles é que "maços" são quando são apenas os da cabeça e do braço amarrados um com o outro, e "amarrados" é quando são muitos amarrados num só nó. E o que dissemos, "espera até escurecer junto a eles", é com a condição de que sejam tantos que não seja possível, no que resta do dia, trazê-los par a par da forma de vestir mencionada. E disse "e em perigo, cobre-os" — como quando há tempo de aflição, autoridades do reino, que se forem encontrados em sua mão lhe causarão dano; mas se teme apenas ladrões, leva-os todos, avançando menos de quatro amas de cada vez, como já explicamos no último perek de Shabat. E não é a halachá como Rabam Shimon ben Gamliel.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Eruvin 10:1
הַמּוֹצֵא תְפִלִּין. בַּשָּׂדֶה בְּמָקוֹם שֶׁאֵינָן מִשְׁתַּמְּרִים: זוּג זוּג. אֶחָד בָּרֹאשׁ וְאֶחָד בַּזְּרוֹעַ כְּדֶרֶךְ שֶׁלּוֹבֵשׁ בַּחֹל, וְהַיְנוּ זוּג, וְחוֹזֵר תָּמִיד וּמַכְנִיס זוּג זוּג עַד שֶׁיַּכְנִיס אֶת כֻּלָּן. קָסָבַר שַׁבָּת זְמַן תְּפִלִּין הוּא, אֶלָּא שֶׁחֲכָמִים גָּזְרוּ עֲלֵיהֶן גְּזֵרָה שֶׁמָּא תִּפָּסֵק רְצוּעָה וִיבִיאֵם בְּיָדוֹ, וְאִם יִלְבַּשׁ יוֹתֵר מִזּוּג אִיכָּא בַּל תּוֹסִיף וְאָתֵי אִסּוּר בַּל תּוֹסִיף וּמַשְׁוֵי לְהוּ עֲלֵיהּ כְּמַשְּׂאוֹי, וְרַבָּן גַּמְלִיאֵל סָבַר שַׁבָּת לָאו זְמַן תְּפִלִּין הוּא, וְהַיְנוּ טַעֲמָא דְּשָׁרוּ לֵיהּ רַבָּנָן בְּהַצָּלָה מִשּׁוּם דְּתַכְשִׁיט הוּא, הִלְכָּךְ מַכְנִיסָן שְׁנֵי זוּגוֹת שְׁנֵי זוּגוֹת, דִּשְׁנֵי זוּגוֹת הָוֵי תַּכְשִׁיט. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל: בִּישָׁנוֹת. שֶׁנִּכָּר הַקֶּשֶׁר, דְּוַדַּאי תְּפִלִּין הֵן וְיֵשׁ בָּהֶן קְדֻשָּׁה, וְאָסוּר לְהַנִּיחָן בִּמְקוֹם בִּזָּיוֹן. אֲבָל בַּחֲדָשׁוֹת אֵין מְחַלְּלִין שַׁבָּת עֲלֵיהֶן לְהַכְנִיסָן, דִּלְמָא קָמֵעַ בְּעָלְמָא נִינְהוּ: מַחְשִׁיךְ עֲלֵיהֶן. יוֹשֵׁב וּמְשַׁמְּרָם שָׁם עַד שֶׁתֶּחְשַׁךְ, וּמִשֶּׁחֲשֵׁכָה מַכְנִיסָן כֻּלָּם בְּיַחַד: וּבְסַכָּנָה. שֶׁגָּזְרוּ שְׁמָד שֶׁלֹּא לְהָנִיחַ תְּפִלִּין. וּמַתְנִיתִין חַסּוֹרֵי מְחַסְּרָא: אֲבָל אִם מִתְיָרֵא לִשְׁהוֹת שָׁם מִפְּנֵי הַלִּסְטִים, מוֹלִיכָן פָּחוֹת פָּחוֹת מֵאַרְבַּע אַמּוֹת:

"Quem encontra tefilin" — no campo, em lugar onde não ficam guardados.

"Par a par" — um na cabeça e um no braço, do modo como se veste em dia comum, e isso é um "par", e volta sempre trazendo par por par até trazer todos. Ele entende que o Shabat é tempo de tefilin, mas os sábios decretaram sobre eles um decreto — para que a correia não se rompa e ele os traga na mão — e se vestisse mais que um par haveria transgressão de "não acrescentar", e isso os tornaria como carga; e Rabam Gamliel entende que o Shabat não é tempo de tefilin, e por isso os sábios permitiram salvá-los porque são um enfeite; portanto traz-nos dois pares de cada vez, pois dois pares ainda é enfeite. E não é a halachá como Rabam Gamliel.

"Em velhos" — em que o nó é reconhecível, que certamente são tefilin e têm santidade, sendo proibido deixá-los em lugar de vergonha. Mas em novos não se transgride o Shabat para trazê-los, pois talvez sejam apenas um amuleto.

"Espera até escurecer junto a eles" — senta-se e os guarda ali até escurecer, e ao escurecer traz todos juntos.

"E em perigo" — quando decretaram perseguição para não colocar tefilin. E a mishná está incompleta e deve-se completá-la; mas se teme apenas ladrões, leva-os avançando menos de quatro amot de cada vez.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Eruvin 95a-95b
מַתְנִי' הַמּוֹצֵא תְפִלִּין — בְּשָׂדֶה בְּמָקוֹם שֶׁנֶּאֱבָדִין: מַכְנִיסָן — לָעִיר וְלַבַּיִת: זוּג זוּג — אֶחָד בָּרֹאשׁ וְאֶחָד בַּזְּרוֹעַ וְהַיְנוּ זוּג כְּדֶרֶךְ שֶׁלּוֹבְשָׁן בְּחֹל וְחוֹזֵר תָּמִיד וּמַכְנִיסָן זוּג אַחַר זוּג עַד שֶׁיִּכְלוּ: שְׁנַיִם שְׁנַיִם — זוּג בָּרֹאשׁ וְזוּג בַּזְּרוֹעַ וּבַגְּמָרָא בָּעֵי טַעְמָא מַאי נִינְהוּ: בִּישָׁנוֹת — שֶׁנִּכָּר הַקֶּשֶׁר הֶעָשׂוּי כְּמִין שַׁדַּי דְּוַדַּאי תְּפִלִּין הֵן וְיֵשׁ בָּהֶן קְדֻשָּׁה וְאָסוּר לְהַנִּיחָן בְּבִזָּיוֹן: אֲבָל בַּחֲדָשׁוֹת פָּטוּר — מִלְּהַכְנִיסָן דִּלְמָא קָמֵעַ הֵן בְּעָלְמָא וְאֵין בָּהֶן קְדֻשָּׁה אֶלָּא בְּנַעֲשִׂים כְּהִלְכָתָן וְהַיְנוּ לִשְׁמָן, הִלְכָּךְ לָא מְחַלְּלִינָן שַׁבְּתָא עֲלַיְיהוּ: וּבַסַּכָּנָה — שֶׁאֵינוֹ יָכוֹל לְהַמְתִּין שָׁם וּמִתְיָירֵא מִפְּנֵי הַלִּסְטִים:

Sobre a mishná — "quem encontra tefilin": num campo, em lugar onde se perdem.

"Traz-nos" — para a cidade e para casa.

"Par a par" — um na cabeça e um no braço, e isso é um par, do modo como os veste em dia comum, e volta sempre trazendo par após par até acabá-los.

"Dois a dois" — um par na cabeça e um par no braço, e na Guemará se pergunta qual é o motivo.

"Em velhos" — em que o nó feito em forma de "Shadai" é reconhecível, que certamente são tefilin e têm santidade, sendo proibido deixá-los em vergonha.

"Mas em novos, está isento" — de trazê-los, pois talvez sejam apenas um amuleto, e só há santidade nos que são feitos conforme sua halachá, isto é, com essa intenção; por isso não se transgride o Shabat por eles.

"E em perigo" — quando não pode esperar ali e teme por causa de ladrões.