Quem constrói um sótão sobre duas casas, e do mesmo modo pontes que atravessam — carrega-se por baixo delas em Shabat, palavras de Rabi Yehuda; e os sábios proíbem. — a mishná encerra o perek com o caso de um sótão apoiado sobre duas casas que ficam em lados opostos de uma via pública, de modo que, por baixo do sótão, só existem paredes onde estão as próprias casas, enquanto o espaço entre elas, sobre a via, fica sem parede alguma; Rabi Yehuda permite carregar debaixo desse sótão porque considera que a borda do teto do sótão, nos dois extremos, desce e fecha, como se fosse ela mesma uma parede; e a mesma lógica ele aplica a pontes que atravessam de um lado a outro de uma rua, apoiadas sobre pilares que ficam em cada margem; os sábios discordam e proíbem carregar sob o sótão ou sob a ponte, pois não aceitam que a borda do teto sozinha, sem parede real embaixo, seja suficiente para fechar um espaço voltado para a via pública.
E disse ainda Rabi Yehuda: faz-se eiruv para o beco aberto dos dois lados; e os sábios proíbem. — Rabi Yehuda leva seu próprio raciocínio um passo adiante: já que ele considera que duas paredes reais, mesmo sem as outras duas, já bastam, por lei da própria Torá, para tornar um espaço domínio privado, ele permite fazer eiruv também para um beco que está aberto nos dois lados — sem porta, poste ou trave em nenhuma das pontas —, contanto que tenha ao menos duas paredes de fato; os sábios voltam a discordar e proíbem, pois exigem sempre algum fechamento reconhecível nas próprias extremidades abertas do beco, e não apenas a existência de duas paredes laterais.
O Perek Tet se fecha voltando à pergunta com que começou: quanto de construção real é preciso para que um espaço conte como "lugar" nos termos de Shemot 16:29. Rabi Yehuda sustenta que duas paredes já bastam por lei da própria Torá — a borda do teto, para ele, apenas torna visível uma fronteira que, no fundo, a Torá já reconhecia; por isso ele permite tanto carregar sob o sótão construído sobre duas casas quanto fazer eiruv para um beco aberto dos dois lados, contanto que existam essas duas paredes. Os sábios discordam nos dois casos: para eles, sem um fechamento reconhecível nas próprias aberturas, o espaço continua sendo, na prática, uma extensão da via pública, e ninguém pode ali "ficar em seu lugar" sem primeiro fechar o que falta.
O Rambam registra, a propósito de um alpendre aberto no campo, o mesmo princípio que sustenta a opinião de Rabi Yehuda nesta mishná: a borda do teto que desce e fecha o quarto lado ausente.
Um alpendre no campo aberto — é permitido transportar em toda a sua extensão, ainda que tenha apenas três paredes e um teto, pois consideramos como se a borda do teto descesse e fechasse o quarto lado. E quem lança do domínio público para dentro dele fica isento, como quem lança para um beco fechado que tem trave.
Rambam explica o raciocínio de Rabi Yehuda sobre as duas paredes; Bartenura detalha por que o sótão e a ponte precisam de paredes dos dois lados; Rashi, na Guemará, encerra o perek situando cada frase da mishná.
"Quem constrói um sótão sobre duas casas etc.": Rabi Yehuda entende que o domínio privado, uma vez que tem duas paredes, já se distingue do domínio público, e por isso disse que duas paredes bastam por lei da própria Torá; por isso, para ele, o eiruv é permitido com apenas duas paredes. E não é a halachá como Rabi Yehuda.
"Sobre duas casas" — que estão em dois lados de uma via pública, carrega-se sob o sótão, pois a borda do teto, de um lado e do outro, desce e fecha.
"E do mesmo modo pontes que atravessam" — e têm paredes embaixo dos dois lados.
"Faz-se eiruv para o beco aberto dos dois lados" — já que há duas paredes, pois ele entende que um beco com duas paredes já é, por lei da própria Torá, domínio privado. E não é a halachá como Rabi Yehuda.
Sobre a mishná — "sobre duas casas": e estão em dois lados de uma via pública, carrega-se sob o sótão, pois a borda do teto, de um lado e do outro, desce e fecha.
"E do mesmo modo pontes que atravessam" — que têm paredes embaixo dos dois lados.
"Faz-se eiruv para o beco aberto dos dois lados" — já que há duas paredes.