Testemunhou Rabi Tzadok sobre a salmoura de gafanhotos impuros, que ela é pura — pois a primeira mishná: gafanhotos impuros que foram conservados junto com gafanhotos puros não invalidaram sua salmoura. — Esta mishná é breve, mas precisa: uma versão mais antiga da mishná ("mishná rishoná") já havia estabelecido que, quando gafanhotos impuros são conservados em salmoura junto com gafanhotos puros, a presença dos impuros não torna a salmoura proibida para consumo com os puros — porque gafanhotos, ao contrário de outros animais, não possuem sangue verdadeiro, apenas um líquido residual sem status de "sangue" que transmita impureza alimentar. Rabi Tzadok vai além dessa formulação: não apenas a salmoura mista permanece permitida, mas a salmoura de gafanhotos impuros sozinha, sem mistura alguma, é pura em si mesma. Esta é uma ampliação (não uma contradição) do ensinamento anterior — o testemunho de Rabi Tzadok esclarece que a razão da permissão não é a diluição pelos gafanhotos puros, mas a natureza mesma do líquido dos gafanhotos, que nunca chega a ter status de sangue capaz de transmitir impureza.
Rambam explica que chagavim são espécies de gafanhotos, e sua tzir (salmoura) é o líquido que deles se exsuda. Este líquido não é proibido, mesmo quando exsudado de gafanhotos impuros, porque os gafanhotos não pertencem à categoria de animais "que têm sangue" — isto é, seu líquido corporal não tem o status halárico de sangue capaz de transmitir impureza a outros alimentos. E do mesmo modo, este líquido em si mesmo é puro para consumo — não é como líquidos impuros que transmitem impureza. E isto é o que disseram: "o que é puro para permitir [a mistura], também é puro para não transmitir impureza a nada" — pois a impureza alimentar, quando existe, se aplica a qualquer quantidade mínima. E a lei segue este testemunho, já antecipado no décimo capítulo do tratado Terumot.
Bartenura explica que os Sábios foram leves quanto à salmoura de gafanhotos impuros, não a proibindo mesmo quando misturada com salmoura de gafanhotos puros, porque os gafanhotos não têm sangue verdadeiro — o que deles escorre é mera umidade, sem status halárico de sangue. Esta era a "primeira mishná" (a versão anterior, mais antiga, do ensinamento). O testemunho de Rabi Tzadok acrescenta a essa primeira mishná: não bastava dizer que a salmoura mista não é proibida — ele afirma que a própria salmoura, mesmo isolada dos gafanhotos puros, é pura em si mesma.