Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok sobre o resgate do burro primogênito que morreu, que não há nele nada para o sacerdote — pois Rabi Eliezer diz: são responsáveis por sua garantia, como as cinco selaim do filho. Mas os Sábios dizem: não são responsáveis por sua garantia, senão como o resgate do segundo dízimo. — O Perek Zayin abre uma nova série de edviot — testemunhos formais de sábios sobre halachot recebidas ou observadas na prática. O caso: um dono separa um cordeiro para resgatar seu burro primogênito (mandamento de Shemot 13:13), mas o cordeiro morre antes de o resgate se consumar. Rabi Eliezer compara este caso ao resgate do filho primogênito — se o dinheiro separado para o pidyon haben se perde, o pai continua obrigado a pagar as cinco selaim novamente, pois a Torá justapõe explicitamente o resgate do burro ao resgate do filho ("e o burro primogênito resgatarás com um cordeiro... e todo primogênito de teus filhos resgatarás"). Os Sábios comparam o caso, em vez disso, ao resgate do segundo dízimo: se o dinheiro separado para resgatar o segundo dízimo se perde antes de ser usado, o dono não é obrigado a repor, pois aquele dinheiro específico — não uma obrigação genérica — era o objeto do mandamento. Segundo os Sábios, o versículo de Bamidbar 18:15 justapõe o resgate do primogênito humano ao da besta impura apenas quanto ao ato de resgatar, não quanto às consequências de sua perda. A lei segue os Sábios.
Rambam explica que Rabi Eliezer justapõe (hekesh) o resgate do burro ao do filho pelo primeiro versículo, concluindo que a mesma responsabilidade contínua se aplica a ambos; os Sábios respondem que o segundo versículo justapõe o resgate do primogênito humano ao do animal impuro apenas quanto à obrigação de resgatar — "para o resgate eu o justapus, e não para outra coisa."
Rambam explica que a Torá diz "e o primogênito do burro resgatarás com um cordeiro... e todo primogênito de teus filhos resgatarás" — e Rabi Eliezer justapõe o primogênito do burro ao primogênito humano, entendendo que assim como o pai continua responsável pelas cinco selaim mesmo que o dinheiro se perca, também o dono do burro continua responsável pelo cordeiro do resgate mesmo que este morra. Já os Sábios trazem prova do versículo "resgatarás sem falta o primogênito do homem, e o primogênito do animal impuro resgatarás" — entendendo que quer dizer petter chamor (o primogênito do burro), como se explica nos Sifrei: "e disseram: para o resgate eu o justapus, e não para outra coisa." E a lei segue os Sábios — este mesmo testemunho aparece também no início do tratado Bechorot.
Bartenura esclarece o caso concreto: não é o burro que morre, mas o cordeiro que o dono havia separado para o resgate do burro primogênito. Quando isso ocorre, discute-se se o dono continua devendo outro cordeiro ao sacerdote. "Como as cinco selaim do filho" refere-se ao resgate do filho primogênito, cuja responsabilidade continua mesmo que o dinheiro separado se perca. Já "como o resgate do segundo dízimo" significa que, se o dinheiro separado para resgatar o segundo dízimo se perde, o dono não é responsável por repô-lo — pois o Misericordioso obrigou apenas que aquele dinheiro específico fosse consumido em Jerusalém, e este já se foi. A razão de Rabi Eliezer: encontramos que o versículo justapõe o primogênito do burro ao primogênito do homem, como está escrito "e o primogênito do burro resgatarás com um cordeiro... e todo primogênito de teus filhos resgatarás." E os Sábios dizem: o versículo declara "resgatarás sem falta o primogênito do homem, e o primogênito do animal impuro resgatarás" — para o resgate eu o justapus, e não para outra coisa.