Três coisas Rabi Tzadok declara impuras, e os Sábios declaram puras: o prego do trocador de moedas; a arca dos moedores de grão; e o prego do relógio de pedra. Rabi Tzadok declara impuro, e os Sábios declaram puro. — Três objetos utilitários cotidianos cujo status como "utensílio" — e portanto suscetível a receber impureza — é discutido. O prego do trocador de moedas era usado para pendurar a balança de pesagem (ou, segundo outra explicação, para fixar as venezianas da loja); a arca dos moedores de grão era uma espécie de caixa de madeira onde se recolhia o grão triturado no moinho; o prego do relógio de pedra (um mostrador solar rudimentar, com linhas marcando as horas) servia de gnômon, projetando sombra sobre as marcações. Rabi Tzadok considera os três verdadeiros utensílios, suscetíveis a impureza; os Sábios os consideram fixos ao chão ou destinados apenas a permanecer parados — não a serem manuseados como utensílios móveis — e por isso puros.
Rambam explica: o trocador de moedas tem, em sua bancada, um prego do qual pendura sua balança. "Grits" são feijões triturados; a arca dos moedores é onde se guarda esse produto — uma caixa de madeira não plenamente acabada como utensílio, cujo status é, por isso, discutido.
O relógio de pedra é uma pedra larga e lisa, fixa no chão, sobre a qual se traça um círculo; no centro fica um prego perpendicular cuja sombra, ao cair sobre uma das linhas marcadas com o nome de uma hora, indica quantas horas do dia já se passaram — instrumento conhecido pelos astrônomos, em árabe, como al-bana'ta. A Halachá não segue Rabi Tzadok; o tema retorna no décimo segundo capítulo de Kelim.
Bartenura acrescenta que alguns explicam o "prego do trocador" como um prego fixo no poste diante da banca, usado para fixar as venezianas da loja; os Sábios o declaram puro porque seu uso está ligado ao chão. A "arca dos moedores" é a caixa de madeira onde se guarda o grão triturado no moinho. O "relógio de pedra" tem linhas marcadas com os nomes das horas e um prego cravado nele para determinar a hora pela sombra — chamado em português antigo "orologio" e em árabe al-balata. Rabi Tzadok considera a arca um verdadeiro utensílio; os Sábios a consideram um utensílio de madeira feito para ficar parado, não para ser carregado — embora Rabi Tzadok responda que às vezes se conserta um utensílio desses justamente para ser carregado. A Halachá não segue Rabi Tzadok.