Disse Rabi Yehudá: se assim é, por que se mencionam as palavras do indivíduo entre a dos muitos, em vão? Para que, se um homem disser: "Assim eu recebi por tradição" — se lhe diga: "Segundo as palavras de fulano tu ouviste". — Rabi Yehudá reconhece a razão dada na mishná anterior (que um tribunal futuro maior pode se apoiar na opinião individual), mas nota que ela não explica por que ainda se registram opiniões que já foram definitivamente rejeitadas mesmo por esse critério — casos em que nenhum tribunal jamais decidirá segundo elas. Sua resposta acrescenta uma função adicional: preservar essas opiniões por escrito permite identificar e refutar quem, mais tarde, alegar falsamente ter recebido uma tradição diferente da halachá estabelecida — mostrando que aquilo que ele "recebeu" é, na verdade, a opinião já rejeitada de um sábio específico.
Rambam explica que, depois de já ter sido dito o proveito de preservar as palavras do indivíduo entre as da maioria — a possibilidade de um tribunal futuro decidir segundo aquele indivíduo — Rabi Yehudá pergunta por qual razão ainda se registram palavras de um indivíduo já definitivamente rejeitadas, isto é, que nenhum tribunal jamais decidirá segundo elas. E responde que a razão é: se alguém aprendeu aquele assunto e pensou que todos concordavam com ele, mas depois vê que se pratica o oposto, gerando dúvida em seu coração — informa-se a ele que aquilo que aprendeu é opinião de um único sábio, já rejeitada.
Bartenura parafraseia a pergunta de Rabi Yehudá: por que se mencionam as palavras do indivíduo entre as da maioria, apenas para anulá-las — uma vez que nenhum tribunal jamais adotou aquela opinião, e ela está rejeitada e anulada? E responde: para que, se um homem disser "assim eu recebi por tradição" e se espantar ao ver que não se pratica segundo o que recebeu, se lhe diga "segundo as palavras de fulano ouviste" — e essa opinião já foi rejeitada.