Aquele que troca uma sela do segundo dízimo em Jerusalém: Beit Shamai diz: por toda a sela, moedas. E Beit Hilel diz: por um shekel de prata e um shekel de moedas. Os que discutiam perante os Sábios dizem: por três dinares de prata e um dinar de moedas. Rabi Akivá diz: por três dinares de prata e por um quarto [de dinar] em prata, um quarto em moedas. E Rabi Tarfon diz: quatro asperes de prata. Shamai diz: deixe-a na loja e coma contra ela. — Enquanto a mishná anterior tratava da troca antes da subida a Jerusalém, esta trata do inverso: já em Jerusalém, alguém quer trocar uma sela de prata por moedas miúdas para as compras diárias da refeição do dízimo. As posições se multiplicam em proporções cada vez mais refinadas — de metade (Beit Hilel) a um quarto (Rabi Akivá) a um vigésimo (Rabi Tarfon, calculando pelo aspero grego) — todas buscando equilibrar a conveniência das moedas miúdas com o risco de perdas ao dízimo pela variação do câmbio. Shamai propõe uma solução alternativa: não trocar nada, mas deixar a sela em depósito com o lojista e ir "descontando" dela aos poucos, à medida que compra.
Rambam explica: a "sela" equivale a dois shekalim, e o dinar é um quarto da sela — sendo o "quarto" mencionado um quarto do shekel, isto é, meio dinar. Os "asperes" (aspera, no plural) são dracmas na língua grega, e não é totalmente claro quantos há por sela.
Os "discípulos que discutiam perante os Sábios" são Shimon ben Azai, Shimon ben Zoma, Chanan o Egípcio e Chananiá, que propunham trocar dinar por dinar apenas; Rabi Akivá propõe trocar oitavo por oitavo; e Shamai propõe simplesmente entregar a sela ao lojista e retirar dela aos poucos, até se esgotar. E a lei é como Beit Hilel — esta mishná, com as duas anteriores, já foi explicada no segundo capítulo do tratado Maasser Sheni.
Bartenura explica que aqui se trata de quem troca a sela que tem em mãos por moedas para os gastos da refeição do dízimo, já dentro de Jerusalém. Beit Shamai permite trocar tudo; Beit Hilel exige guardar metade em prata, receoso de que o peregrino não permaneça na cidade tempo suficiente para gastar tudo, tendo então de depositar as moedas até a próxima festa (quando elas se corroeriam) ou de trocá-las de volta por prata, fazendo o cambista lucrar duas vezes à custa do dízimo.
Os "que discutiam perante os Sábios" são Shimon ben Azai, Shimon ben Zoma e Chanan o Egípcio, que propunham reduzir a proporção de moedas para um dinar em quatro; Rabi Akivá reduz ainda mais, para um quarto de dinar; e Rabi Tarfon calcula pela moeda grega do aspero (cinco por dinar), reduzindo a proporção de cobre a apenas um vigésimo da sela.
"Deixe-a na loja e coma contra ela" — Shamai propõe não trocar nada em moedas, por temor de que o peregrino esqueça e trate o dinheiro do dízimo como dinheiro comum; em vez disso, que deposite a sela com o lojista e vá comprando contra o seu valor, aos poucos, até esgotá-la. E a lei é apenas como as palavras de Beit Hilel.