Aquele que compra do pobre — e, do mesmo modo, o pobre a quem deram fatias de pão ou pedaços de develá (bolo de figos secos) — dizima cada um separadamente. Mas em tâmaras e em grogarot (figos secos inteiros), mistura tudo e retira. Disse Rabi Yehudá: quando isso vale? Quando a doação é generosa; mas quando a doação é escassa, dizima cada uma separadamente.
Esta Mishná aplica o princípio de "não misturar fontes distintas" ao caso do pobre que recebe esmolas de várias mãos — com uma exceção prática para produtos que fisicamente se misturam bem.
Por que esta Mishná não tem fonte bíblica direta. A regra geral — a terumá e o dízimo devem corresponder ao produto do qual são separados, e não se pode dizimar de um lote sobre outro de fonte diferente — é uma extensão do princípio bíblico já discutido nas mishnayot anteriores deste perek. O caso específico aqui é o do pobre que recebe várias doações de várias mãos: como cada fatia de pão ou pedaço de bolo de figos vem, presumivelmente, de uma pessoa diferente (com dízimo separado ou não separado, sem relação entre si), a regra padrão exige dizimar cada doação à parte. A exceção — tâmaras e figos secos inteiros, que se pode misturar quando a doação é generosa — reflete uma consideração prática do Talmud Yerushalmi (citada pelo Bartenura): esses produtos se misturam fisicamente bem (permitindo uma "mistura efetiva", belilá), e quando a doação é generosa presume-se equidade entre os doadores, tornando a mistura menos arriscada.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam registra a Mishná quase textualmente, adotando a posição de Rabi Yehudá como halachá final — a distinção entre doação generosa (onde a mistura de tâmaras e figos secos é permitida) e doação escassa (onde se exige dizimar cada uma separadamente).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Mistura tudo e retira": ele mistura tudo e retira o dízimo do conjunto, e isso vale quando lhe deram muito, pois se raciocina: já que este doador deu uma doação grande, é uma pessoa generosa, e não lhe pesaria dizimar; por isso presumimos que, de todo modo, ele já separou os dízimos, e assim tudo se torna demai uniforme.
Mas se a doação foi escassa, presumimos que, de todo modo, o doador é mesquinho e não dizimou; por isso não se deve misturar tudo, para não se acabar separando de demai sobre certamente não dizimado. E a lei é como Rabi Yehudá.
"Aquele que compra do pobre": daquele que percorre as portas pedindo esmolas.
"Mistura tudo e retira": ele amassa as tâmaras ou os figos secos e os mistura juntos, e eles se combinam e se misturam de fato, resultando que separa efetivamente do produto obrigado. Mas fatias de pão e pedaços de develá não se misturam fisicamente, e correr-se-ia o risco de separar do isento sobre o obrigado.
"Quando a doação é generosa": quando todos dão uma doação grande, de modo que todas as doações são semelhantes, então a mistura é eficaz. "Mas quando a doação é escassa": talvez cada doador não tenha contribuído com sua parte equitativa, e tememos que se separe da maioria sobre a minoria (misturando indevidamente fontes desiguais).