Comem-se alimentos secos com mãos impuras junto com a oferenda sacerdotal, mas não com o sagrado. O enlutado no mesmo dia e quem ainda não completou sua expiação precisam de imersão para o sagrado, mas não para a oferenda sacerdotal. — A mishná traz a última diferença da série de rigores entre sagrado e oferenda sacerdotal: quando alguém tem as mãos impuras por contato com algo que só contamina as mãos, sem molhar o alimento, ele ainda pode comer alimento seco da oferenda sacerdotal sem problema, pois a impureza das mãos não se transmite ao alimento seco; mas para o sagrado, os Sábios decretaram uma precaução adicional, temendo que, ao segurar alimento sagrado seco na boca com as mãos impuras, a pessoa acabe tocando-o diretamente. Em seguida, a mishná trata de duas categorias de pessoas em transição: o enlutado que perdeu um parente próximo no próprio dia, ainda antes do enterro, e aquele que já imergiu para se purificar de uma impureza mas ainda não completou o processo por não ter trazido sua oferenda de expiação — ambos precisam de uma imersão adicional antes de poder comer alimento sagrado, mas não precisam dela para comer a oferenda sacerdotal, que tolera um padrão menos rigoroso de pureza para essas duas categorias intermediárias.
A Guemará deriva desse versículo, junto com a comparação implícita entre “alienação” (zarut) — a proibição do não-sacerdote comer coisas sagradas — e o estado do enlutado no mesmo dia, que a proibição de comer o sagrado se aplica ao onen, mas não a proibição paralela sobre a oferenda sacerdotal, que deriva de outra fonte. O status especial de quem ainda não completou sua expiação (mechusar kipurim), por sua vez, é tratado pela tradição como alguém que, tecnicamente, já passou por imersão purificadora mas cujo processo de purificação plena depende de trazer sua oferenda — e por isso, mesmo tendo o corpo já purificado da impureza original, ainda não tem status pleno para tocar o mais sagrado sem embaraço, embora possa comer a oferenda sacerdotal normalmente.
Rambam explica o motivo do decreto sobre alimentos secos e distingue as duas categorias finais — onen e mechusar kipurim — quanto ao contato direto com o sagrado.
Bartenura detalha o cenário concreto do decreto sobre alimentos secos; Rashi, na Guemará, confirma a base para a permissão do onen e mechusar kipurim quanto à oferenda sacerdotal.
Rambam recorda que já explicou em outros tratados a lei geral de que tanto o onen quanto o mechusar kipurim estão proibidos de comer coisas sagradas até imergirem. Sobre o contato, especifica a diferença: o mechusar kipurim desqualifica o alimento sagrado ao tocá-lo, enquanto o onen tem permissão de tocá-lo sem desqualificá-lo — uma distinção fina entre dois status que, à primeira vista, parecem semelhantes.
Bartenura descreve o cenário concreto: alguém colocou alimento sagrado na própria boca com um instrumento, sem tocar diretamente com as mãos, e agora deseja comer, junto com ele, um alimento comum seco segurado com as mãos impuras. Para a oferenda sacerdotal, confiamos que a pessoa será cuidadosa e não tocará o alimento diretamente; mas para o sagrado, os Sábios impuseram o decreto adicional, por temor de um deslize.
Rashi discute, no contexto próximo desta mishná, a diferença de rigor entre quem se prepara para comer a oferenda de Pêssach e quem come teruma, ilustrando o mesmo princípio geral que rege esta mishná: quanto mais urgente e vinculado a um prazo fixo é o consumo, maior a leniência prática permitida, e quanto mais tempo há disponível, mais se exige o procedimento completo de purificação antes do contato com o alimento consagrado.