Utensílios acabados em pureza precisam de imersão para o sagrado, mas não para a oferenda sacerdotal. O utensílio une o que está dentro dele para o sagrado, mas não para a oferenda sacerdotal. O quarto grau é desqualificado no sagrado, e o terceiro na oferenda sacerdotal. E na oferenda sacerdotal, se uma de suas mãos ficou impura, a outra permanece pura. E no sagrado, imerge-se as duas, pois a mão contamina a outra mão no sagrado, mas não na oferenda sacerdotal. — A mishná apresenta mais três diferenças de rigor. Primeiro: mesmo um utensílio fabricado do início ao fim por um artesão cuidadoso, sem nunca ter tocado nada impuro, ainda precisa de imersão antes de ser usado para o sagrado — por temor de que, durante sua fabricação, alguém do povo comum o tenha tocado sem que o artesão percebesse — mas essa mesma precaução não se aplica à oferenda sacerdotal. Segundo: quando várias porções de alimento estão reunidas dentro de um mesmo utensílio, o próprio recipiente as une numa só unidade de pureza para fins do sagrado, de modo que a impureza de uma porção contamina todas as demais; mas para a oferenda sacerdotal, cada porção mantém sua pureza independente. Terceiro: a cadeia de transmissão de impureza avança um grau a mais no sagrado do que na oferenda sacerdotal — o quarto grau de impureza já desqualifica o sagrado, enquanto para a oferenda sacerdotal basta chegar ao terceiro grau. E por fim, a mishná trata da impureza das mãos: para a oferenda sacerdotal, se uma das mãos da pessoa ficou impura por contato com algo que só contamina as mãos, a outra mão permanece pura e utilizável; mas para o sagrado, essa impureza se propaga de uma mão para a outra, exigindo que ambas sejam imersas.
Esse versículo, que descreve a impureza de um utensílio de barro contaminando tudo o que está em seu interior, é a base bíblica que a Guemará associa à regra de que “o utensílio une o que está dentro dele” quanto ao sagrado — tudo o que compartilha o mesmo recipiente é tratado como uma única unidade de pureza. A mesma lógica que o texto aplica à impureza — o que está dentro do utensílio compartilha seu destino de impureza — a tradição estende, no caso do sagrado, também à pureza compartilhada de várias porções reunidas: se uma parte se torna impura, todo o conteúdo do recipiente é considerado contaminado, um rigor que não se estende à oferenda sacerdotal, onde cada porção conserva sua condição independente.
Rambam explica o motivo pelo qual utensílios recém-fabricados precisam de imersão antes do uso sagrado, e detalha a regra da mão que contamina a outra mão.
Bartenura explica o receio concreto por trás da exigência de imersão para utensílios novos; Rashi, na Guemará, detalha a lógica da propagação de impureza entre as mãos.
Rambam confirma que o versículo sobre a colher de incenso do Templo é a base para a regra de que o utensílio une seu conteúdo numa única unidade de pureza quanto ao sagrado. Sobre a impureza que passa de uma mão para a outra, explica que isso só ocorre quando há umidade na mão impura no momento do contato — se a mão impura estiver seca, a outra mão só se torna impura ao tocá-la diretamente.
Bartenura explica o receio concreto por trás da exigência: mesmo que o artesão cuidadoso tenha terminado o utensílio com todo o cuidado, teme-se que, num momento em que ele o segurava, alguém do povo comum, não cuidadoso com a pureza, tenha cuspido inadvertidamente sobre o utensílio — e mesmo que naquele momento o objeto ainda não estivesse pronto para receber impureza, a saliva poderia ter permanecido úmida até que ele fosse concluído, contaminando-o retroativamente.
Rashi confirma a origem da escala progressiva de graus de impureza entre dízimo, oferenda sacerdotal e sagrado, derivada por um raciocínio a fortiori (kal vachomer): se aquele que imergiu no mesmo dia, mas ainda aguarda o anoitecer, já está desqualificado para o dízimo, com maior razão o terceiro grau de impureza deve desqualificar a oferenda sacerdotal — e, por extensão desse mesmo raciocínio, o quarto grau desqualifica o sagrado.