Há maior rigor no sagrado do que na oferenda sacerdotal: imergem-se utensílios dentro de outros utensílios para a oferenda sacerdotal, mas não para o sagrado. As leis da parte externa, da parte interna e do lugar de apoio do dedo aplicam-se à oferenda sacerdotal, mas não ao sagrado. Quem carrega o que tem status de midrás pode carregar a oferenda sacerdotal, mas não o sagrado. As roupas dos que comem oferenda sacerdotal têm status de midrás para o sagrado. A medida do sagrado não é como a medida da oferenda sacerdotal: pois no sagrado, desata-se, enxuga-se, imerge-se e depois amarra-se; e na oferenda sacerdotal, amarra-se e depois imerge-se. — A mishná abre o capítulo final do tratado com quatro diferenças de rigor entre o sagrado e a oferenda sacerdotal. Primeiro: é permitido imergir um utensílio impuro colocando-o dentro de outro utensílho maior e imergindo ambos juntos, quando se trata de purificar algo destinado à oferenda sacerdotal, mas essa prática não é aceita para o sagrado, por temor de que o peso do utensílio interno impeça a água de alcançar toda a sua superfície. Segundo: um utensílio pode ter sua parte externa, sua parte interna e seu lugar de apoio do dedo tratados como três superfícies de pureza independentes para a oferenda sacerdotal — se uma se torna impura, as outras permanecem puras — mas para o sagrado, a impureza de qualquer uma dessas partes contamina o utensílio inteiro. Terceiro: quem carrega um objeto com status de midrás pode, ao mesmo tempo, carregar oferenda sacerdotal sem receio, mas não pode carregar junto o sagrado. Quarto: as roupas de quem come oferenda sacerdotal são tratadas com suspeita de impureza — status de midrás — em relação ao sagrado. E a mishná fecha com uma diferença no próprio procedimento de imersão de roupas: para o sagrado, exige-se primeiro desatar todos os nós, enxugar bem o tecido e só então imergi-lo, amarrando-o de novo depois; já para a oferenda sacerdotal, pode-se amarrar antes e imergir depois, sem essas precauções adicionais.
Rambam e Bartenura citam esse versículo, que descreve o conteúdo de uma única colher usada no Templo, como fundamento para a regra de que “o utensílio une o que está dentro dele” quanto ao sagrado — tratando tudo o que está reunido numa mesma vasilha como uma única unidade de pureza. Como o texto descreve toda a colher de incenso como um só objeto, sem distinguir suas partes, a tradição deriva daí que, quando várias porções de alimento sagrado estão reunidas dentro de um mesmo utensílio, a impureza que toca uma delas se estende ao conteúdo inteiro — ao contrário do que ocorre com a oferenda sacerdotal, em que cada porção mantém sua pureza independente das demais que compartilham o mesmo recipiente.
Rambam explica cada uma das quatro diferenças de rigor entre sagrado e oferenda sacerdotal listadas pela mishná.
Bartenura detalha o episódio histórico por trás da proibição de carregar midrás junto ao sagrado; Rashi, na Guemará, esclarece os termos técnicos de pureza dos utensílios.
Rambam explica que carregar junto a oferenda sacerdotal e um objeto com status de midrás — a impureza transmitida pelo leito ou assento de quem sofre fluxo — é permitido, desde que ambos sejam colocados sobre uma tábua e carregados juntos sem contato direto; mas fazer o mesmo com o sagrado é proibido, dado o maior rigor de pureza exigido para ele.
Bartenura conta o episódio histórico por trás da proibição: certa vez, um homem carregava um barril de vinho para libações e a tira de sua sandália, que tinha status de midrás por contato com um zav, arrebentou; ele a segurou na mão e, sem querer, ela caiu dentro do próprio barril, contaminando o vinho sagrado. Foi por causa desse incidente que os Sábios decretaram que não se pode carregar juntos um objeto com status de midrás e algo sagrado — uma restrição que não se aplica à oferenda sacerdotal, precisamente porque o incidente original envolveu o sagrado.
Rashi explica que, quando um utensílio pressiona firmemente o outro, há risco de que essa pressão forme uma barreira que impede a água de tocar toda a superfície, e é justamente esse risco que motiva a proibição de imergir utensílios uns dentro dos outros quando se trata do sagrado — pois ali a preocupação com impureza remonta a uma fonte de nível bíblico, e não apenas a um decreto rabínico como no caso da oferenda sacerdotal.