1 Rabi Elazar ben Azaria diz: não há oração de Mussaf senão com quórum da cidade.
2 E os Sábios dizem: com quórum da cidade e sem quórum da cidade.
3 Rabi Yehudá diz em seu nome: todo lugar onde há quórum da cidade, o indivíduo fica isento da oração de Mussaf.
A oração de Mussaf ("adicional") corresponde ao sacrifício adicional oferecido no Templo em Shabat, Rosh Chodesh e as festas — e esta Mishná discute se a sua natureza é, por essência, comunitária.
Por que esta Mishná gira em torno deste princípio. Os sacrifícios adicionais (musafin) prescritos pela Torá para Shabat, Rosh Chodesh e as festas eram oferecidas em nome de toda a comunidade de Israel, não de indivíduos particulares — daí a disputa: a oração que substitui esse sacrifício deveria, por analogia, manter o mesmo caráter estritamente comunitário? Rabi Elazar ben Azaria sustenta que sim — sem um quórum representativo da cidade (chever ir), a oração de Mussaf simplesmente não se aplica ao indivíduo isolado. Os Sábios discordam: mesmo sem esse quórum, o indivíduo continua obrigado a rezá-la por conta própria — a analogia com o sacrifício comunitário não chega ao ponto de isentar quem está sozinho.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná. Rashi não é citado aqui: não há, nos dapim de Guemará correspondentes, um comentário direto de Rashi sobre estas palavras específicas da Mishná.
"Rabi Elazar ben Azaria diz: não há oração de Mussaf senão com quórum da cidade...": "chaver" é o nome dado a um talmid chacham [erudito da Torá], e a expressão "chever ir" [quórum da cidade] designa o sábio da região — é uma alusão à oração da congregação, que não se reúne senão diante do sábio que está entre eles.
E Rabi Elazar ben Azaria diz que a oração de Mussaf só é rezada em congregação, e não é obrigação alguma sobre o indivíduo sozinho. E Rabi Yehudá diz em seu nome que ela é obrigação sobre o indivíduo quando não houver ali uma congregação que reze a oração de Mussaf; mas quando há uma congregação que reza a oração de Mussaf naquela região, o indivíduo fica isento da oração de Mussaf depois que a congregação já a rezou.
E a halachá segue os Sábios [de que o indivíduo é sempre obrigado].
"Não há oração de Mussaf senão com quórum da cidade": isto é, na reunião da cidade — em congregação, e não sozinho.