1 Estava sentado num navio, ou numa carroça, ou numa jangada, deve dirigir o seu coração para o Santo dos Santos.
Continuação direta do princípio da Mishná anterior — a mesma exigência de se voltar para Jerusalém e o Templo, agora aplicada a quem viaja por água ou em veículo, onde nem a alternativa de "voltar o rosto" é sempre possível.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Onde a Mishná anterior (4:5) previa três graus decrescentes de cumprimento — descer, voltar o rosto, ou apenas dirigir o coração —, aqui, no caso de quem está num navio, numa carroça ou numa jangada, a Mishná salta direto ao último grau: dirigir o coração. Isso porque, em movimento sobre a água ou preso a um assento fixo, a pessoa muitas vezes não tem controle sobre a direção física do seu corpo. O princípio de Salomão permanece — a oração se volta para o Templo —, mas a sua realização passa a ser inteiramente interior, no coração, quando as circunstâncias externas não permitem mais que isso.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná. Rashi não é citado aqui: não há, nos dapim de Guemará correspondentes, um comentário direto de Rashi sobre estas palavras específicas da Mishná.
"Estava sentado num navio, ou numa carroça, ou numa jangada...": karon é um tipo de carroça, e asdá é um barco muito pequeno com o qual se atravessam grandes rios — e o seu nome conhecido, na língua árabe, entre as pessoas, é "maadía" [balsa].
"Numa jangada" [asdá]: muitos troncos amarrados e presos firmemente entre si, que se fazem flutuar no rio, e as pessoas caminham sobre eles. E na linguagem da Escritura (Divrei HaYamim II 2) chamam-se "rafsodot" [balsas].