1 Rabi Eliézer diz: quem faz da sua oração algo fixo — a sua oração não é súplica.
2 Rabi Yehoshua diz: quem caminha em lugar de perigo, reza uma oração breve.
3 Diz: "Salva, ó Senhor, o Teu povo, o resto de Israel; em toda encruzilhada, sejam as suas necessidades diante de Ti. Bendito és Tu, Senhor, que ouves a oração."
Os dois ensinamentos desta Mishná tratam de duas faces da mesma exigência: que a oração seja, em essência, súplica de coração — e não apenas cumprimento formal de um dever.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Se a oração é "serviço do coração", como ensinaram os Sábios a partir deste versículo, então a sua essência não está apenas nas palavras pronunciadas, mas no estado interior de quem as pronuncia. Rabi Eliézer extrai daí a sua advertência: quando a oração se torna "kéva" — algo fixo, uma rotina mecânica cumprida como quem descarta uma obrigação, sem verdadeira súplica — ela deixa de cumprir a exigência de ser "serviço do coração", mesmo que as palavras estejam corretas. Rabi Yehoshua trata do caso oposto: quando as circunstâncias tornam impossível orar com toda a extensão e concentração devidas — como ao caminhar por um lugar de perigo — a Torá não exige o texto completo dos Dezoito, mas permite uma súplica breve e sincera, que ainda assim cumpre o "serviço do coração" em sua essência, ainda que abreviada em sua forma.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná. Rashi não é citado aqui: não há, nos dapim de Guemará correspondentes a esta Mishná, um comentário direto de Rashi sobre as suas próprias palavras de abertura.
"Rabi Eliézer diz: quem faz da sua oração algo fixo, a sua oração não é súplica...": quer dizer, no tocante a "algo fixo" — que a pessoa trate a sua oração como quem tem um assunto que é obrigado a cumprir, e o completa apenas para descansar do seu trabalho e livrar-se do seu esforço e do seu fardo.
E a halachá não segue Rabi Yehoshua [quanto ao texto exato citado na Mishná]; mas as palavras da oração que a pessoa reza em hora de aflição do coração e de pressa são estas: "As necessidades do Teu povo Israel são muitas, e o seu entendimento é limitado. Seja da Tua vontade, Senhor nosso D'us, que dês a cada um o sustento que lhe é necessário, e a cada corpo aquilo que lhe falta; e faze o que é bom aos Teus olhos. Bendito és Tu, Senhor, que ouves a oração." E pode-se recitá-la caminhando, ou montado, ou como se encontrar; e não há nela prostração.
"Quem faz da sua oração algo fixo": que a sua oração lhe parece como um fardo. E a expressão "kéva" [fixo] indica que ele diz: "é um dever fixo sobre mim orar, e preciso sair dele [cumpri-lo e passar adiante]."
"Reza uma oração breve": e qual é a oração breve? Que diz "Salva, D'us, o Teu povo...", etc. E a halachá não segue Rabi Yehoshua quanto ao texto específico citado; mas a oração que se reza em lugar de perigo é "as necessidades do Teu povo são muitas", etc. E a pessoa a recita enquanto caminha; e não reza nem as três primeiras nem as três últimas bênçãos.
E o significado de "em toda encruzilhada" — mesmo na hora em que se desviam para a transgressão, que as suas necessidades estejam reveladas diante de Ti, para teres piedade deles. "Parashat ha'ibur" é linguagem de desvio [prishá], "ha'ibur" da transgressão [avera].