A mancha esbranquiçada e as lágrimas contínuas. Qual é a mancha esbranquiçada contínua? Toda aquela que persistiu oitenta dias. Rabi Chananya ben Antigonus diz: examina-se o animal três vezes dentro de oitenta dias. E estas são as lágrimas contínuas: se comeu forragem úmida e seca de sequeiro, ou úmida e seca de irrigação. Se comeu a seca e depois comeu a úmida, não é mácula, até que coma a seca depois da úmida.
— A mishná passa a duas condições oculares que só contam como mácula se forem crônicas, e não passageiras: a mancha esbranquiçada (chavarvar, uma espécie de catarata) e o lacrimejamento constante. Para a mancha, o critério é temporal: oitenta dias de persistência comprovada. Rabi Chananya ben Antigonus refina esse critério, exigindo três exames dentro desse período, para garantir que a mancha não tenha ido e voltado sem que ninguém percebesse. Para as lágrimas, o critério é um teste terapêutico: alimenta-se o animal com forragem úmida e seca — de terra de sequeiro (chuva) ou de terra irrigada — para ver se ele se cura. A ordem importa: se comeu primeiro a seca e depois a úmida, isso não é considerado um tratamento válido, e a ausência de cura não prova nada; só quando come a úmida e depois a seca, na ordem terapêutica correta, é que a persistência das lágrimas comprova que a condição é de fato permanente.
Rambam explica o chavarvar como uma condição que subitamente prejudica a visão, e as “águas” como a catarata conhecida entre os homens. Detalha o regime terapêutico: o animal deve comer ao menos o equivalente a um figo seco da forragem apropriada, antes e depois de beber, sem estar amarrado, acompanhado, e no campo, não na cidade — e só se, cumpridas todas essas condições, ele não sarar, é que se declara a mácula permanente. Conclui que a lei segue Rabi Chananya ben Antigonus.
Bartenura descreve a mancha esbranquiçada como pequenas gotas brancas no olho, e as águas como o que desce sobre o olho e impede a visão. Detalha o calendário dos três exames (a cada cerca de vinte e sete dias) e confirma que a lei segue Rabi Chananya. Explica que a mishná está elíptica e deve ser completada: comeu úmido e seco de sequeiro é mácula; de terra irrigada não é, pois essa não é considerada verdadeira cura. E fixa que só a sequência correta — úmido primeiro, seco depois — é o teste terapêutico válido.
Rashi define o chavarvar como uma doença de manchas brancas no olho, e esclarece que o requisito de ser “contínuo” se aplica tanto ao chavarvar quanto às águas. Explica a razão dos três exames dentro dos oitenta dias: se o dono não examinou o animal ao longo do período, mesmo que a mancha seja encontrada exatamente no octogésimo dia, isso não basta para declará-la permanente, pois é possível que ela tenha ido embora e voltado nesse ínterim, já que essa é sua natureza.