A pálpebra do olho que foi perfurada, que ficou lesada, ou que se rachou; e do mesmo modo, se havia em seu olho uma névoa, um tevalul, ou um crescimento em forma de caracol, serpente, ou uva. E qual é o tevalul? Um fio branco que corta a íris e entra no negro [da pupila]. Se é um fio negro que corta a íris e entra no branco, não é mácula, pois não há máculas no branco.
— Depois da orelha, a mishná passa aos olhos. A pálpebra (ris) segue as mesmas três categorias já vistas — perfuração, lesão com falta, rachadura — e qualquer uma delas já desqualifica. Quanto ao globo ocular em si, a mishná lista uma névoa esbranquiçada (dak) e vários tipos de crescimento carnoso que se estendem sobre parte da pupila, comparados por seu aspecto a um caracol, uma serpente ou um grão de uva. O caso mais elaborado é o tevalul: um fio esbranquiçado que atravessa a íris (a “cerca” ao redor do negro do olho) e penetra na parte negra — a parte que efetivamente enxerga — e por isso é mácula. Mas se o movimento é o inverso, um fio escuro que sai do negro e penetra no branco do olho, a mishná ensina que isso não é mácula, porque o branco do olho não é órgão da visão, apenas gordura ocular, e por isso não se aplica a ele a categoria de mácula.
Rambam explica que “ris” é o nome de cada uma das duas pálpebras, e que o “lavan” (branco) é a esclera do olho. Define “dak” como um rastro ou marca, e reafirma que tudo o que ocorre apenas no branco não é mácula. Explica “chilazon” e “nachash” como dois nomes para o mesmo fenômeno — um crescimento de carne excedente que avança até cobrir parte do negro do olho. E deriva “tevalul” da raiz “balul”, mistura: quando o branco se mistura com o negro.
Bartenura identifica o “chilazon-nachash” como um único fenômeno com nome duplo, chamado “serpente” por seu aspecto malhado: carne excedente que avança e cobre parte do negro do olho. Define a “sira” como a faixa ao redor do negro do olho de onde vem a visão — e explica que o tevalul só é mácula quando o fio branco atravessa essa faixa e entra no negro, nunca no sentido inverso, pois o branco do olho não é órgão da visão, mas apenas sua gordura.
Rashi remete a explicação de cada termo — chilazon, nachash — ao que a Guemará desenvolve adiante, e traduz “dak” e “enav” para o vernáculo de sua época. Explica a “sira” como a faixa ao redor do negro do olho, de onde provém a visão, e detalha o mecanismo do tevalul: um fio branco que sai do branco do olho, atravessa essa faixa e entra no negro é mácula; o inverso não é, porque o branco do olho é apenas gordura, não órgão de visão.