Seder Kodashim · Massechet Bechorot · Perek Vav · Mishná 2 de 12

A pálpebra lesada e o tevalul — as máculas do olho do primogênito

רִיס שֶׁל עַיִן שֶׁנִּקַּב — מוּמֵי הָעַיִן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

As máculas do olho e da pálpebra: o tevalul e os crescimentos que cobrem a pupila

A pálpebra do olho que foi perfurada, que ficou lesada, ou que se rachou; e do mesmo modo, se havia em seu olho uma névoa, um tevalul, ou um crescimento em forma de caracol, serpente, ou uva. E qual é o tevalul? Um fio branco que corta a íris e entra no negro [da pupila]. Se é um fio negro que corta a íris e entra no branco, não é mácula, pois não há máculas no branco.

— Depois da orelha, a mishná passa aos olhos. A pálpebra (ris) segue as mesmas três categorias já vistas — perfuração, lesão com falta, rachadura — e qualquer uma delas já desqualifica. Quanto ao globo ocular em si, a mishná lista uma névoa esbranquiçada (dak) e vários tipos de crescimento carnoso que se estendem sobre parte da pupila, comparados por seu aspecto a um caracol, uma serpente ou um grão de uva. O caso mais elaborado é o tevalul: um fio esbranquiçado que atravessa a íris (a “cerca” ao redor do negro do olho) e penetra na parte negra — a parte que efetivamente enxerga — e por isso é mácula. Mas se o movimento é o inverso, um fio escuro que sai do negro e penetra no branco do olho, a mishná ensina que isso não é mácula, porque o branco do olho não é órgão da visão, apenas gordura ocular, e por isso não se aplica a ele a categoria de mácula.

רִיס שֶׁל עַיִן שֶׁנִּקַּב, שֶׁנִּפְגַּם, שֶׁנִּסְדַּק, הֲרֵי בְעֵינָיו דַּק, תְּבַלּוּל, חִלָּזוֹן נָחָשׁ, וְעֵנָב. וְאֵיזֶהוּ תְּבַלּוּל, לָבָן הַפוֹסֵק בַּסִּירָא וְנִכְנָס בַּשָּׁחוֹר. בַּשָּׁחוֹר וְנִכְנָס בַּלָּבָן, אֵינוֹ מוּם, שֶׁאֵין מוּמִים בַּלָּבָן:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Bechorot 6:2
ריס של עין שנקב שנפגם שנסדק הרי בעיניו כו': ריס העין שם העפעף האחד משני עפעפי העין ושם הלבן לובן העין: ודק פירושו רושם וכבר נתבאר שכל מה שאירע בלבן לבדו אינו מום... וחלזון נחש שני שמות נגררים על ענין אחד הוא שיצמח בעין בשר מותר וימשך עד שחופה קצת משחור העין... ותבלול הוא הערבוב ונגזר מן בלול והוא שיתערב הלבן עם השחור:

Rambam explica que “ris” é o nome de cada uma das duas pálpebras, e que o “lavan” (branco) é a esclera do olho. Define “dak” como um rastro ou marca, e reafirma que tudo o que ocorre apenas no branco não é mácula. Explica “chilazon” e “nachash” como dois nomes para o mesmo fenômeno — um crescimento de carne excedente que avança até cobrir parte do negro do olho. E deriva “tevalul” da raiz “balul”, mistura: quando o branco se mistura com o negro.

Bartenura · Bechorot 6:2
רִיס שֶׁל עַיִן. עַפְעַף שֶׁל עַיִן: הֲרֵי בְעֵינָיו. כְּלוֹמַר הֲרֵי שֶׁיֵּשׁ בְּעֵינָיו: דַּק. טיל"א בְּלַעַ"ז: חִלָּזוֹן נָחָשׁ. הַיְנוּ חִלָּזוֹן הַיְנוּ נָחָשׁ, וְקוֹרֵהוּ נָחָשׁ שֶׁעָשׂוּי מְנֻמָּר כְּנָחָשׁ. וְהוּא בָּשָׂר נוֹסָף הַנִּמְשָׁךְ וְחוֹפֶה קְצָת מִן הַשָּׁחֹר שֶׁבָּעַיִן: וְעֵנָב. שֶׁיֵּשׁ בְּעֵינוֹ כְגַרְגִּיר שֶׁל עֵנָב: לָבָן הַפּוֹסֵק בַּסִּירָא. סִירָא הַיְנוּ שׁוּרָה שֶׁבָּעַיִן סְבִיב הַשָּׁחֹר שֶׁמִּשָּׁם מַרְאִית הָעַיִן בָּאָה. וְאִם חוּט לָבָן יוֹצֵא מִן הַלָּבָן שֶׁבָּעַיִן וּפוֹסֵק אוֹתָהּ שׁוּרָה וְנִכְנָס בַּשָּׁחֹר הָוֵי מוּם: אֵינוֹ מוּם שֶׁאֵין מוּמִין בַּלָּבָן. דְּלָאו עַיִן הוּא אֶלָּא שֻׁמַּן הָעַיִן:

Bartenura identifica o “chilazon-nachash” como um único fenômeno com nome duplo, chamado “serpente” por seu aspecto malhado: carne excedente que avança e cobre parte do negro do olho. Define a “sira” como a faixa ao redor do negro do olho de onde vem a visão — e explica que o tevalul só é mácula quando o fio branco atravessa essa faixa e entra no negro, nunca no sentido inverso, pois o branco do olho não é órgão da visão, mas apenas sua gordura.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Sobre a Guemará, Bechorot 38a
מַתְנִי' רִיס שֶׁל עַיִן — מְפָרֵשׁ בַּגְּמָ': הֲרֵי בְעֵינוֹ דַּק — כְּלוֹמַר הֲרֵי שֶׁיֵּשׁ בְּעֵינוֹ דַּק טייל"א: תְּבַלּוּל — מְפָרֵשׁ מַאי הִיא: חִלָּזוֹן — חוֹלִי הִיא שֶׁקּוֹרִין לימו"ן: נָחָשׁ — מְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא: וְעֵצָב — מיי"ל: לָבָן הַפּוֹסֵק בַּסִּירָא — סִירָא הַיְנוּ שׁוּרָה שֶׁבָּעַיִן סָבִיב לַשָּׁחוֹר... וְאִם חוּט שֶׁל לָבָן יוֹצֵא מִן הַלָּבָן וּפוֹסֵק אוֹתָהּ שׁוּרָה וְנִכְנָס בַּשָּׁחוֹר הָוֵי מוּם: אֵינוֹ מוּם — שֶׁאֵין מוּמִין בַּלָּבָן דְּלָאו עַיִן הוּא אֶלָּא שׁוּמַן הָעַיִן:

Rashi remete a explicação de cada termo — chilazon, nachash — ao que a Guemará desenvolve adiante, e traduz “dak” e “enav” para o vernáculo de sua época. Explica a “sira” como a faixa ao redor do negro do olho, de onde provém a visão, e detalha o mecanismo do tevalul: um fio branco que sai do branco do olho, atravessa essa faixa e entra no negro é mácula; o inverso não é, porque o branco do olho é apenas gordura, não órgão de visão.