A casa e o sótão pertencentes a dois: rompeu-se o piso do sótão, e o dono da casa não quer consertar — eis que o dono do sótão desce e mora embaixo, até que lhe conserte o sótão. — Segundo os comentaristas, este caso trata especificamente de um proprietário que alugou a alguém um sótão construído sobre sua própria casa. Se o piso do sótão se danifica — tipicamente um buraco de certa dimensão mínima — e o dono da casa, responsável pelo reparo por ter alugado o espaço, se recusa a consertá-lo, o locatário adquire o direito de descer e morar integralmente na casa de baixo, pois o próprio contrato de aluguel do sótão implicitamente sujeitou a casa a servir de acesso e suporte a ele; o dono da casa não pode obrigá-lo a viver parcialmente em cima e parcialmente embaixo.
Rabi Yossei diz: o de baixo fornece o teto, e o de cima o reboco. — Rabi Yossei discorda da solução anterior e propõe, em vez disso, uma divisão de tarefas na reconstrução: o proprietário de baixo é responsável por fornecer a estrutura do teto — as vigas e pedras que formam o piso do sótão e sustentam a construção —, enquanto o de cima é responsável apenas pelo reboco de barro e argamassa aplicado sobre essa estrutura para nivelá-la e prepará-la para uso.
Rambam esclarece que esta mishná trata de alguém que alugou um sótão dizendo explicitamente ao locatário 'este sótão sobre esta casa eu te alugo' — e por isso, se o piso se rompe, o locatário pode descer e morar na casa; mas se disse apenas 'um sótão', sem mencionar a casa, não fica obrigado a consertar, e se disse 'um sótão' de forma genérica, fica obrigado a fornecer-lhe outro sótão equivalente, segundo o princípio já visto a respeito do aluguel de animais. Sobre a disputa entre Rabi Yossei e os sábios a respeito do reboco (a camada de barro e terra estendida sobre o teto): Rabi Yossei entende que o reboco serve para nivelar as depressões da superfície, e por isso cabe ao dono de cima fornecê-lo; os sábios entendem que o reboco serve para reforçar e sustentar o próprio teto, e por isso cabe ao dono de baixo construí-lo — e, se ele não quiser, o dono do sótão constrói a casa inteira e mora nela até que lhe sejam pagas todas as suas despesas.
Bartenura explica que se trata de alguém que alugou a um terceiro um sótão construído sobre sua própria casa, dizendo explicitamente 'este sótão sobre esta casa eu te alugo'; se o piso do sótão se rompe numa área de quatro palmos por quatro palmos — a ponto de o locatário, ao usar o sótão, precisar ficar parcialmente em cima e parcialmente embaixo —, e o dono da casa não quer consertar, o locatário desce e mora totalmente embaixo, pois a casa já estava vinculada ao uso do sótão, e não se pode forçá-lo a uma ocupação dividida entre os dois andares. Sobre o reboco, explica a disputa: para Rabi Yossei, ele serve para nivelar as depressões da superfície superior, e por isso cabe a quem usa essa superfície — o de cima; para os sábios, ele serve para reforçar o teto que sustenta toda a estrutura, e por isso cabe a quem se beneficia dessa sustentação — o de baixo. E a halachá segue os sábios.
Rashi observa que a leitura correta da mishná é 'rompeu-se o sótão', sem repetir 'de dois' — pois a Guemará esclarece que o caso trata de um locador, e não necessariamente de dois sócios proprietários — e explica 'e o dono da casa' como referindo-se especificamente ao locador. Sobre a palavra מַעֲזִיבָה (reboco), identifica-a como a camada de barro aplicada sobre o teto — comparável ao termo usado em Nechemiá para descrever o reparo dos muros de Jerusalém —, e remete à Guemará a explicação completa da disputa entre Rabi Yossei e os sábios sobre a quem cabe cada parte do reparo.