Achou cartas de avaliação e cartas de sustento, documentos de chalitsá e de recusa, e documentos de arbitragem, e todo ato do tribunal — devolverá. — Ao contrário dos documentos da mishná anterior, estes são todos registros formais de atos já concluídos e executados por um tribunal — a avaliação de bens, a determinação de sustento, o procedimento de liberação do levirato ou de recusa matrimonial, a escolha de árbitros —, de modo que não há razão para suspeitar que o ato descrito ainda não tenha se consumado; por isso, a devolução é seguramente correta.
Achou dentro de uma bolsa ou de uma caixa de couro um maço de documentos, ou um feixe de documentos — devolverá. E quanto é um feixe de documentos? Três amarrados um ao outro. — Quando os documentos estão fisicamente amarrados ou embrulhados juntos, ou guardados dentro de um recipiente específico, essa condição material funciona como um sinal de identificação (siman) reconhecível pelo dono, tal como a cor ou a forma de um objeto perdido comum — e por isso a devolução se torna segura, mesmo sem conhecer o conteúdo exato de cada documento.
Rabban Shimon ben Gamliel diz: se um só tomou emprestado de três, devolverá ao devedor; se três tomaram emprestado de um só, devolverá ao credor. — O raciocínio de Rabban Shimon ben Gamliel segue a lógica de quem provavelmente reuniu os documentos em um só lugar: se há três documentos de dívida distintos, todos referentes ao mesmo devedor mas emprestados de três credores diferentes, é mais provável que tenham caído da mão do próprio devedor — que os reuniu para verificar ou quitar suas obrigações —, e por isso devem ser devolvidos a ele. Inversamente, se os três documentos são de devedores diferentes mas do mesmo credor, é mais provável que tenham caído da mão do credor, que os reuniu para cobrança.
Achou um documento entre seus próprios documentos e não sabe qual é a sua natureza, ficará guardado até que venha Elias. — Quando a própria pessoa que examina seus documentos encontra um cujo propósito e origem lhe são desconhecidos — sem saber se pertence a ela, a quem foi confiado como intermediária, ou se já foi pago —, nenhuma das partes possíveis pode reivindicá-lo com segurança; a expressão "até que venha Elias" é a fórmula talmúdica padrão para casos cuja resolução definitiva escapa à capacidade humana de julgamento, ficando em suspenso indefinidamente.
Se há junto a eles recibos de quitação, fará conforme o que está escrito nos recibos. — Quando, junto aos documentos de dívida, encontra-se também um recibo (simpon) atestando quitação total ou parcial, esse recibo prevalece e determina o destino do documento principal — mesmo que, a rigor, fosse de se esperar que tal recibo estivesse em posse do devedor, e não do credor, presume-se que o devedor confiou no credor para entregá-lo depois, e este acabou por esquecer.
Rambam define cada termo técnico da lista de documentos do tribunal e explica a lógica de Rabban Shimon ben Gamliel; Bartenura precisa os detalhes de cada instituto e a razão do recibo em posse do credor.
Rambam define cada categoria de documento nomeada pela mishná. As "cartas de avaliação" registram a avaliação formal de bens do devedor destinados ao credor, feita com o anúncio público prévio exigido pela lei. As "cartas de sustento" registram a determinação judicial de sustento para a esposa e os filhos, autorizando a venda de propriedade especificamente para esse fim. Os "documentos de arbitragem" registram o acordo prévio entre as partes de um litígio quanto aos juízes que as julgarão, cada uma escolhendo o seu. Rambam explica ainda a lógica por trás da posição de Rabban Shimon ben Gamliel — cuja opinião é a halachá —, mas com uma ressalva importante: a devolução ao devedor só se aplica quando os três documentos já foram formalmente validados pelo tribunal; do contrário, existe a possibilidade alternativa de terem caído da mão do próprio escrivão responsável por essa validação.
Bartenura acrescenta detalhes práticos a cada categoria: os "meunin" (documentos de recusa) registravam formalmente a declaração pública de uma jovem que recusa seu marido, casada ainda menor por sua mãe ou irmãos, sem necessitar de um documento formal de divórcio. Ele descreve a chafisá e a deluskema como recipientes de couro — uma pequena bolsa e uma caixa maior, onde os idosos costumavam guardar seus utensílios para não precisarem procurá-los depois —, cuja identificação específica pelo dono funciona como o sinal exigido para a devolução. Quanto ao recibo de quitação encontrado junto ao documento de dívida, Bartenura explica por que ele costuma estar, contra o que seria de esperar, em posse do credor: presume-se que o devedor confiou no credor, disse-lhe "entrega-o a mim amanhã", e o credor simplesmente esqueceu de devolvê-lo — não havendo, portanto, motivo para suspeitar de fraude nesse caso específico.