Estava montado sobre um animal e viu o achado, e disse ao seu companheiro: "dá-o a mim" — se este o tomou e disse: "eu o adquiri", ele o adquiriu. — Quando o cavaleiro pede ao companheiro que lhe "dê" o objeto, ele está designando o outro como seu agente para a aquisição — as mãos do companheiro agem em nome do cavaleiro, e por isso o objeto passa a pertencer a quem fez o pedido, não a quem fisicamente o pegou.
Se, depois de tê-lo dado a ele, disse: "eu o adquiri primeiro", não disse nada. — Uma vez que o companheiro já cumpriu a designação e entregou o objeto ao cavaleiro, sua alegação tardia de tê-lo adquirido para si mesmo não tem qualquer efeito — ele já demonstrou, pelo próprio ato de entregar, que agia como agente e não como adquirente por conta própria; sua palavra posterior não pode desfazer o que seu próprio gesto já consumou.
Rambam e Bartenura distinguem a expressão "dá-o a mim", que designa um agente, da expressão "adquire-o para mim", que produz o efeito jurídico oposto.
Rambam contrasta duas formulações possíveis, cujo efeito jurídico é oposto. Se o cavaleiro tivesse dito ao companheiro a pé "adquire-o para mim", este não poderia depois reivindicar tê-lo adquirido para si mesmo — pois foi expressamente designado como agente do cavaleiro, e é o próprio cavaleiro quem adquire o objeto por meio dele. Mas quando a ordem foi apenas "dá-o a mim" — como no texto da mishná —, a designação de agência é menos explícita, e por isso, enquanto o companheiro ainda segura o objeto e antes de entregá-lo, ele pode reivindicar a aquisição para si próprio.
Bartenura confirma o contraste apontado por Rambam: se o cavaleiro tivesse dito "adquire-o para mim", o cavaleiro adquiriria de imediato, e quem o ergueu do chão não poderia reivindicá-lo para si. Bartenura explica ainda por que a reivindicação tardia "não disse nada": o cavaleiro adquire precisamente no momento em que puxa o objeto da mão do companheiro para a sua própria — e durante todo o tempo em que o objeto estava apenas na mão de quem o ergueu, sem ordem explícita de aquisição para outrem, ele permanecia juridicamente sem dono (hefker), disponível para qualquer um.
O perush de Rashi sobre a Guemará, na sugyá dos meios de aquisição por agente (Bava Metzia 9b–10a).
Rashi explica o raciocínio da Guemará por trás da conclusão de que a segunda reivindicação "não disse nada" — mesmo segundo a opinião de que, em geral, "quem ergue um achado para o seu companheiro, o companheiro não adquire". A lógica funciona por duas vias possíveis, e ambas levam à mesma conclusão: se quem ergueu o objeto de fato o adquiriu primeiro para si mesmo, mesmo sem ter a intenção de transferi-lo ao companheiro, o próprio ato de entregá-lo ao cavaleiro constitui um presente válido, que o transfere. E se, por outro lado, quem o ergueu não o adquiriu, precisamente porque não tinha a intenção de adquiri-lo para si mesmo, então o objeto permaneceu sem dono até chegar às mãos do cavaleiro — que o adquire no momento em que o retira da mão do primeiro, com intenção explícita de aquisição.