Como é a pata avisada? Para quebrar em seu andar. O animal é avisado para andar em seu costume e quebrar. Se estava dando coices, ou se pedras eram lançadas de sob suas patas e quebrou os utensílios, paga metade do dano. Se pisou sobre o utensílio e o quebrou, e este caiu sobre outro utensílio e o quebrou, pelo primeiro paga o dano completo, e pelo último paga metade do dano. As galinhas são avisadas para andar em seu costume e quebrar. Se havia um fio atado à sua pata, ou se estava saltitando e quebrou os utensílios, paga metade do dano. — A mishná retoma a categoria da pata, já mencionada no Perek Alef, e explica em que consiste seu dano típico: o animal, ao caminhar normalmente, pode quebrar objetos que encontra pelo caminho — este é o pisoteio comum, pago integralmente. Mas há dois desvios desse padrão: o coice, que é um ato incomum e por isso classificado como "descendente" (toladá) da categoria do chifre (querén), pagando apenas metade; e as pedras lançadas involuntariamente por baixo das patas ao caminhar, que, embora sejam parte do andar comum, a tradição fixou como pagamento de metade do dano — uma halachá recebida sem explicação lógica plena. A mishná acrescenta um caso intermediário: se o animal pisou sobre um utensílio, quebrando-o, e o estilhaço desse utensílio caiu sobre um segundo, quebrando-o também, o primeiro é dano direto de pata (pagamento completo), mas o segundo é como as pedras lançadas (pagamento de metade), pois o animal não tocou diretamente nesse segundo objeto. Por fim, a mishná estende a mesma lógica às galinhas: seu andar normal, que quebra objetos, gera pagamento completo; mas se havia um fio de identificação atado à sua pata que se enroscou e quebrou algo, ou se ela estava saltitando de modo incomum, o dano é apenas de metade, por se tratar de um desvio do andar costumeiro.
Rambam explica o princípio geral que distingue o dano "normal" do "incomum", e Bartenura detalha o significado técnico de cada termo da mishná.
Rambam explica o princípio fundamental que governa toda esta categoria de danos: todo dano que provém do animal quando este faz o que costuma fazer sempre ou na maioria das vezes é chamado "em seu costume" (kedarká), e por ele se paga o dano completo. Já o dano "fora de seu costume" ocorre quando aquilo que o animal fez é algo raro, ou algo que veio por meio de uma ação intermediária, na qual o animal não foi o agente direto — por isso se paga apenas metade do dano; e é exatamente esta a metade do dano devida pelas pedras lançadas de sob as patas do animal, que se paga da melhor propriedade do dono, como se explicará no oitavo capítulo deste tratado. Rambam explica ainda que o "fio" (delil) é algo que estava atado à pata da ave, e que "saltitar" (mehadés) significa escavar com as patas no chão — algo que as galinhas fazem mais que outras aves.
Bartenura explica que o coice é considerado uma mudança (shinúi) em relação ao andar normal, sendo classificado como "descendente" do chifre — por isso paga apenas metade do dano. Já as pedras lançadas por baixo das patas, embora não sejam propriamente uma mudança, mas parte do modo costumeiro de caminhar, ainda assim pagam apenas metade — pois esta é uma halachá recebida por tradição, sem raciocínio lógico que a explique plenamente; e isto se refere ao domínio do prejudicado, pois no domínio público o dono está isento. Quanto ao utensílio que cai sobre outro: o primeiro é dano direto de pata, e paga-se o dano completo; o segundo se quebra por meio das pedras (o estilhaço), portanto paga-se apenas metade.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 17a), explicando o coice, o fio atado à pata da galinha, e o significado de "saltitar".
Rashi explica que a pergunta "como é a pata avisada?" busca esclarecer em que consiste exatamente esse tipo de dano. Sobre o coice, confirma que se trata de uma mudança em relação ao andar normal e um "descendente" da categoria do chifre — por isso o pagamento é de apenas metade do dano, e nada além disso. E explica que "fio" (delil) é o termo usado para qualquer objeto atado à pata da galinha, embora haja versões que leem "delí" (balde) em seu lugar.