A casa caiu sobre ele e sobre sua mãe — estes e aqueles concordam que dividem. — No caso do desabamento sobre um filho e sua mãe viúva, sem outro filho, tanto Bet Shamai quanto Bet Hilel concordam em dividir os bens, pois ambos os lados — herdeiros do filho e herdeiros da mãe — apresentam a mesma força de reivindicação, sem que nenhum deles tenha a vantagem da posse presumida que decidia os casos anteriores.
Disse Rabi Akiva: eu concordo nisto, que os bens permanecem em sua posse anterior. — Rabi Akiva discorda da opinião unânime e sustenta que, também aqui, há uma posse presumida a favor de um dos lados — a Guemará explica: dos herdeiros da mãe, já que a herança do marido dela permanecera reconhecidamente em posse dela durante sua viuvez.
Disse-lhe Ben Azai: já sofremos com os pontos de discórdia — e você vem dividir-nos também sobre os pontos de concordância? — Ben Azai repreende Rabi Akiva com ironia mordaz: já é bastante penoso conviver com as disputas registradas entre Bet Shamai e Bet Hilel; agora ele vem introduzir uma nova controvérsia justamente onde, excepcionalmente, havia consenso.
Rambam esclarece o sentido da expressão de Rabi Akiva — “os bens permanecem em sua posse” refere-se à posse dos herdeiros da mãe — e decide a favor de Rabi Akiva contra a opinião unânime de Bet Shamai e Bet Hilel relatada no início da mishná.
Bartenura reconstrói as duas alegações em disputa: os herdeiros do filho afirmam que a mãe morreu primeiro, de modo que o filho a herdou antes de morrer, fazendo com que eles, por sua vez, herdem tudo dele; já os parentes da mãe pela família de seu pai afirmam o oposto — que o filho morreu primeiro —, de modo que são eles que herdam diretamente dela.
O Rashbam concretiza mais uma vez a hipótese com nomes bíblicos: Rachel, viúva de Yaacov, e seu filho Yossef, sem que ela tivesse outro filho de Yaacov ou de outro marido — de modo que as alegações de ambos os lados se equivalem exatamente. Ele explica por que este caso difere do desabamento entre pai e filho tratado antes: ali, um lado reivindicava por herança certa e o outro por um documento de dívida meramente provável; aqui, ambos os lados reivindicam pela mesma base — a herança que a mãe já possuía, com certeza, durante sua viuvez. Sobre a réplica irônica de Rabi Akiva, o Rashbam nota o jogo de palavras: como o primeiro sábio da mishná usou a expressão “concordam” (modim), Rabi Akiva ironicamente também disse “eu concordo” — mas, na verdade, para discordar. E explica a repreensão de Ben Azai: já é penoso conviver com os pontos em que Bet Shamai e Bet Hilel divergiram; vir agora dizer que eles também divergiam onde seus próprios discípulos relataram consenso é acrescentar discórdia onde antes havia, ao menos, um raro ponto de paz.
Aqui se encerra o Perek Tet de Massechet Bava Batra — "Mi Shemet". Segue-se o Perek Yud, "Get Pashut".