Aquele que vende um lugar a seu próximo para lhe fazer um túmulo, e igualmente aquele que recebe de seu próximo encargo de lhe fazer um túmulo — faz o interior da câmara quatro cúbitos por seis, e abre nela oito nichos: três daqui e três dali e dois em frente à entrada, e os nichos têm quatro cúbitos de comprimento, sete palmos de altura e seis palmos de largura. — Quando o tamanho não é especificado, a câmara funerária escavada deve ter essas dimensões mínimas: quatro por seis cúbitos, com oito nichos abertos em suas paredes nas proporções descritas, cada um deles medindo quatro cúbitos de comprimento, sete palmos de altura e seis de largura.
Rabi Shimon diz: faz o interior da câmara seis cúbitos por oito, e abre nela treze nichos: quatro daqui e quatro dali e três em frente, e um à direita da entrada e um à esquerda. — Rabi Shimon discorda quanto às proporções, exigindo uma câmara maior — seis por oito cúbitos — capaz de acomodar treze nichos, distribuídos nas paredes laterais, na parede do fundo e ladeando a própria entrada.
E faz um pátio à entrada da câmara, de seis por seis, equivalente ao comprimento do leito fúnebre e de seus carregadores, e abre nele duas câmaras, uma daqui e uma dali. — Antes das câmaras propriamente ditas, deve-se escavar um pátio de seis por seis cúbitos — espaço suficiente para acomodar o esquife funerário e quem o carrega — a partir do qual se abrem as câmaras, uma de cada lado.
Rabi Shimon diz: quatro, para seus quatro lados. — Rabi Shimon, consistente com sua exigência de câmaras maiores, prevê um pátio com quatro câmaras, uma abrindo-se em cada um de seus quatro lados.
Rabán Shimon ben Gamliel diz: tudo depende da rocha. — Rabán Shimon ben Gamliel encerra a mishná — e o próprio Perek Vav — relativizando todas essas medidas fixas: a quantidade e o espaçamento dos nichos dependem, na prática, da dureza ou maciez da própria rocha onde se escava.
Rambam explica que o "nicho" (kukh) é a cova que abriga o corpo do falecido. A partir da descrição do primeiro tanna e das proporções mencionadas por Rabi Shimon, esclarece-se a forma da câmara funerária. Quanto ao dito de Rabán Shimon ben Gamliel, "tudo depende da rocha" — refere-se à dureza ou à maciez do próprio terreno: se a rocha é dura, o empreiteiro não é obrigado a escavar mais que uma câmara pequena, nas proporções menores descritas; mas se a rocha é macia, deve escavar uma câmara maior, segundo as proporções que Rabi Shimon menciona. E a lei segue o primeiro tanna.
Bartenura esclarece que se trata de um empreiteiro contratado para escavar um túmulo para outrem. As medidas de "quatro cúbitos" referem-se à largura, e "seis" ao comprimento. Os "oito nichos" são oito covas: três de cada lado ao longo do comprimento da câmara, e dois voltados para quem entra na câmara; cada cova mede quatro cúbitos de comprimento, seis palmos de largura e sete de altura — resultando num espaçamento de um cúbito e meio entre as covas laterais, e de dois cúbitos entre as duas voltadas para a entrada. Quanto a "tudo depende da rocha": se o local é de rocha dura, o empreiteiro só é obrigado a escavar seis cúbitos de comprimento por quatro de largura, segundo o primeiro tanna; mas se o local é de rocha macia e solta, o empreiteiro é obrigado a escavar seis por oito, segundo Rabi Shimon. E a lei segue o primeiro tanna.
Rashbam observa, de início, que os antigos não costumavam sepultar cada pessoa isoladamente, mas toda a família era sepultada numa única catacumba, cada membro em seu próprio nicho — por isso quem vende a outro um lugar para túmulo vende-lhe espaço para duas câmaras com um pátio entre elas, mais o espaço necessário para os nichos além das próprias câmaras: quatro cúbitos sob a terra em todas as paredes da câmara, conforme se explica adiante — e, segundo Rabi Shimon, quatro câmaras. Explica que "faz o interior da câmara" significa escavar o vão da câmara com quatro cúbitos de largura por seis de comprimento, sendo a altura da câmara — conforme a Tosefta — de quatro cúbitos. "Abre nela" significa escavar nas paredes da câmara, de modo que os nichos fiquem abertos para o vão central. Rashbam detalha minuciosamente a disposição geométrica dos nichos e dos espaços entre eles nas paredes, explicando por que cada nicho mede quatro cúbitos de comprimento — pois o corpo do falecido mede três cúbitos, e o quarto cúbito é necessário para acomodar o caixão em que é depositado — e por que sua altura é de sete palmos: para permitir a introdução do caixão com folga, e para que reste um palmo de ar entre o chão e o caixão, de modo a não impurificar quem passa pela câmara.