Quem vende o burro não vendeu seu equipamento. Nachum, o medo, diz: vendeu seu equipamento. Rabi Yehudá diz: há vezes em que é vendido, e há vezes em que não é vendido. — Sobre o equipamento do burro — selas, alforjes e demais apetrechos —, a mishná anônima entende que não acompanha a venda simples do animal; Nachum, o medo, discorda e entende que acompanha; Rabi Yehudá propõe uma posição intermediária, que depende de como a venda foi formulada.
Como assim? Se o burro estava diante dele com seu equipamento sobre ele, e lhe disse: "vende-me este teu burro" — seu equipamento é vendido. Se lhe disse: "é teu burro? Quero comprá-lo" — seu equipamento não é vendido. — Rabi Yehudá distingue pela formulação exata: apontar para o burro "assim como está", carregado, inclui o equipamento visível sobre ele; já perguntar de forma neutra "é teu burro?", como quem inicia uma negociação genérica sobre o animal em si, exclui o equipamento mesmo que ele esteja ali no momento.
Rambam distingue os arreios de montaria — vendidos por consenso geral — dos apetrechos de carga, sujeitos à disputa; Bartenura confirma que a lei segue os Sábios contra Nachum, e explica a linguagem exata que decide a intenção do comprador.
Rambam esclarece o ponto central da disputa: quanto aos utensílios feitos para montaria — como a sela e a manta — todos concordam que se incluem na venda, estejam ou não sobre o animal no momento da venda. A disputa recai apenas sobre os utensílios de carga: os Sábios sustentam que não se incluem na venda mesmo estando sobre o animal no momento da transação, e a lei segue os Sábios.
Bartenura confirma: quanto aos utensílios de montaria como sela e manta, ninguém discorda de que se adquirem mesmo que não estejam sobre o animal no momento da venda. A disputa é apenas sobre os utensílios de carga, como saco e alforje — a opinião anônima entende que não se vendem mesmo que estejam sobre o animal, e Nachum, o medo, entende que sim; a lei segue a opinião anônima. Explica ainda a distinção de linguagem de Rabi Yehudá: dizer "este teu burro" implica o animal tal como está, com seu equipamento; já dizer "é teu burro? — vende-o para mim" equivale a uma venda genérica do burro, na qual o equipamento não se inclui mesmo estando sobre ele no momento da venda. E a lei não segue Rabi Yehudá.
Rashbam sobre o daf 78a situa a mishná e explica que a disputa da mishná anterior sobre "os Sábios" e Rabi Yehudá se refere precisamente à formulação usada na venda.
Rashbam observa que os detalhes técnicos dos utensílios — quais contam como equipamento de montaria e quais como de carga — são explicados adiante na Guemará, assim como toda a posição de Rabi Yehudá. Explica a fórmula "este teu burro" como referindo-se ao animal exatamente como está, com todo o equipamento que carrega sobre si; já "é teu burro?" equivale a uma pergunta neutra que leva a uma venda genérica do burro, na qual — segundo Rabi Yehudá — o equipamento não se inclui, mesmo estando sobre o animal no momento da venda.