Não se faz um espaço vazio sob o domínio público: poços, valas, ou cavernas. Rabi Eliezer permite, desde que uma carroça carregada de pedras possa passar. — É proibido escavar qualquer cavidade subterrânea — poço, vala ou caverna — por baixo de uma via pública, mesmo que o proprietário assuma inteira responsabilidade por qualquer dano que venha a causar, porque as pessoas em geral não têm interesse em correr o risco de ser prejudicadas e depois ter de recorrer à justiça para cobrar o responsável. Rabi Eliezer discorda e permite a escavação, desde que a cobertura sobre o espaço vazio seja construída com resistência suficiente para suportar o peso de uma carroça cheia de pedras passando por cima, garantindo que ninguém corra risco de afundar. A halachá não segue Rabi Eliezer.
Não se estendem saliências e sacadas para o domínio público. Mas, se quiser, recua para dentro do que é seu e estende. — Da mesma forma, é proibido projetar vigas salientes (zizin) ou sacadas maiores (guezuztraot) sobre a via pública, pelo risco de que transeuntes tropecem nelas. A solução permitida é recuar a parede do próprio prédio para dentro do terreno particular, e só então projetar a saliência ou sacada até a linha original da propriedade — de modo que ela não avance além do limite legítimo do domínio privado.
Comprou um pátio que já tinha saliências e sacadas, eis que isto permanece em sua chazaká. — Se alguém compra um pátio ou prédio que já possui, desde antes, saliências ou sacadas avançando sobre a via pública, não é obrigado a removê-las nem a provar como foram construídas legitimamente — presume-se, em seu favor, que o construtor original as ergueu de forma permitida, recuando adequadamente sua própria parede, e a chazaká já estabelecida protege o novo comprador.
Rambam explica o risco prático de apodrecimento das estruturas subterrâneas; Bartenura confirma a rejeição de Rabi Eliezer e a proteção do comprador de boa-fé.
Rambam explica a razão prática por trás da proibição dos Sábios: com o passar do tempo, as vigas e a estrutura de uma construção subterrânea tendem a apodrecer, e o solo sobre ela pode ceder sob o peso de quem caminha ali, mesmo que a princípio tenha sido construída com solidez. Define as sacadas (guezuztraot) como vigas grandes que se projetam da parede, capazes de sustentar um teto e reboco — ou seja, estruturas habitáveis, não apenas decorativas. E aplica aqui o princípio geral de que "alegamos em favor do herdeiro e alegamos em favor do comprador": presumimos a seu favor a explicação mais provável e legítima para o que ele encontrou já construído.
Bartenura esclarece que a proibição vale mesmo que o proprietário assuma inteira responsabilidade por eventuais danos, porque o interesse público em evitar acidentes é maior do que a disposição individual de arriscar-se e depois processar o responsável. Confirma a rejeição da posição de Rabi Eliezer. E explica por que o comprador de um pátio com saliências já existentes não precisa provar nada: presumimos, em seu favor, que quem as construiu originalmente o fez de forma legítima, recuando sua própria parede antes de projetar a saliência sobre o espaço público.
O perush de Rashbam sobre a Guemará em Bava Batra 60a, que fecha o perek com um caso análogo de Rabi Yanai, retomando o tema dos galhos de árvore sobre a via pública do fim do Perek Bet.
Rashbam distingue as duas palavras da mishná: zizin são vigas pequenas, enquanto guezuztraot são vigas grandes que se projetam da casa para fora — em ambos os casos, o risco é que os transeuntes do domínio público tropecem nelas. E explica por que a posse anterior protege o comprador: alegamos a seu favor que quem quer que tenha construído a saliência recuou devidamente sua própria parede antes de projetá-la, cumprindo a exigência da mishná, ainda que não haja mais como comprovar isso depois de tanto tempo.
Imediatamente após a discussão desta mishná sobre saliências e sacadas, a Guemará passa a um caso análogo envolvendo o amora Rabi Yanai, que tinha uma árvore cujos galhos se inclinavam sobre a via pública — retomando exatamente o tema com que o Perek Bet se encerrou (mishná 2:14), fechando um círculo temático entre os dois perakim: tanto galhos de árvores quanto vigas e sacadas de prédios que avançam sobre o espaço público estão sujeitos à mesma preocupação central — o risco e o incômodo causado a quem passa pela rua.
Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Guimel de Massechet Bava Batra — o perek dedicado à chazaká, a posse continuada como prova de propriedade. O perek percorreu a lista dos bens sujeitos à chazaká clássica de três anos e a exceção do campo de sequeiro (3:1); as três regiões de Eretz Israel relevantes para a validade da posse (3:2); a exigência de uma alegação válida e as categorias que nunca geram chazaká — artesãos, sócios, meeiros, tutores, e as relações familiares (3:3); as testemunhas conspiradoras (3:4); os usos que geram e não geram chazaká no pátio comum (3:5); a calha, a escada e a janela do vizinho (3:6); as aberturas para o pátio comum e para a via pública (3:7); e fechou com os espaços subterrâneos e as saliências sobre o domínio público, retomando o tema dos galhos de árvore com que o Perek Bet já havia terminado.
O estudo de Massechet Bava Batra prossegue agora no Perek Dalet, que tratará da venda de casa, cidade, campo e navio — os detalhes do que se inclui ou não numa transação de compra e venda de imóveis, dando início a um novo bloco temático do tratado.