Quem vende a casa não vendeu a galeria (yatsia), mesmo que esteja aberta para dentro dela, — A yatsia é uma construção anexa que corre ao longo da face externa das paredes da casa — como as galerias que cercavam o Templo — e que às vezes é usada a partir de dentro da própria casa. Ainda assim, por ser uma estrutura autônoma com utilidade própria, ela não é incluída automaticamente na venda: quem quiser vendê-la junto precisa dizê-lo explicitamente.
nem o cômodo que fica na parte de trás dela, — O mesmo vale para um cômodo interno situado atrás da casa, mesmo que só se possa entrar nele passando pela própria casa. Seu uso é distinto — guardar objetos, como um depósito fechado — e por isso ele não é considerado parte integrante da casa vendida.
nem o telhado, quando tiver um parapeito de dez palmos de altura. — Um telhado cercado por um parapeito (maakê) de dez tefachim deixa de ser um mero teto e passa a ser considerado um espaço habitável independente — como um andar superior —, motivo pelo qual não se inclui na venda simples da casa.
Rabi Yehuda diz: se tiver a forma de uma porta, mesmo que não tenha dez palmos de altura, não é vendido. — Rabi Yehuda amplia o critério: para ele, basta que a estrutura ao redor do telhado tenha o formato de uma porta — dois postes verticais com uma viga por cima — para que o telhado seja considerado autônomo, independentemente de sua altura. A halachá, porém, não segue Rabi Yehuda; segue-se o critério simples dos dez palmos.
Rambam esclarece a forma da yatsia com um diagrama próprio e confirma que a halachá não segue Rabi Yehuda; Bartenura detalha por que cada estrutura permanece autônoma diante da casa.
Rambam define a yatsia como um espaço vazio entre duas paredes — anexando um diagrama próprio para ilustrar a estrutura — e explica que o pronome "dela" (referindo-se à galeria estar "aberta para dentro dela") retorna gramaticalmente à própria casa. Confirma, por fim, que a halachá não segue Rabi Yehuda: o critério decisivo continua sendo a altura de dez palmos, não a forma de porta.
Bartenura precisa que a yatsia é como um cômodo construído ao redor das paredes externas da casa — semelhante às galerias que cercavam o Templo, conforme descrito em Reis I — e acrescenta um limite técnico: só é considerada estrutura autônoma se tiver ao menos quatro amot de área; abaixo disso, é vendida junto com a casa por não ter significância própria. Confirma também que um telhado com parapeito de dez palmos é considerado um domínio independente, e reitera que a halachá segue a maioria, não Rabi Yehuda.
A Guemará de Rashbam sobre o daf 61a esclarece, comentário a comentário, por que cada estrutura — apesar de ligada à casa — mantém sua identidade separada.
Rashbam explica que a razão pela qual a yatsia permanece fora da venda, mesmo estando aberta para dentro da casa e sendo usada a partir dela, é que se poderia argumentar o contrário — já que seu uso serve à casa, deveria ser vendida junto —, mas ainda assim a halachá a exclui, por ser reconhecida como estrutura à parte. Sobre o cômodo interno, esclarece que sua finalidade é diferente da de um cômodo comum de moradia: serve apenas para guardar objetos, como uma espécie de arca ou baú fechado, e por isso não se anula diante da casa. E sobre o telhado com parapeito, repete a fórmula central do perek inteiro: aquilo que é "importante por si mesmo" não se anula diante do imóvel principal vendido.