Afastam as carcaças, os túmulos e o curtume da cidade cinquenta cúbitos. — Carcaças de animais mortos, sepulturas e o curtume — local onde se processam peles de animais, atividade notoriamente malcheirosa — devem ficar todos a pelo menos cinquenta cúbitos de distância da cidade, para proteger seus moradores do odor forte e persistente que essas três instalações produzem.
Não se faz curtume senão a leste da cidade. — Além da distância mínima, o curtume tem uma restrição adicional de localização: só pode ser instalado no lado leste da cidade. O raciocínio é climático — o vento vindo do leste sopra tipicamente de forma branda e constante, sem trazer normalmente o mau cheiro de volta para dentro da cidade, ao contrário do que ocorreria com ventos de outras direções.
Rabi Akiva diz: para qualquer lado se pode fazê-lo, exceto para o seu lado oeste, afastando cinquenta cúbitos. — Rabi Akiva discorda da restrição exclusiva ao leste: para ele, o curtume pode ser instalado em qualquer direção ao redor da cidade, desde que respeitada a distância de cinquenta cúbitos — com a única exceção do lado oeste, que deve ser evitado por completo. Essa exceção reflete uma tradição segundo a qual a Presença Divina (Shechiná) está associada ao oeste, voltado para o antigo Templo, tornando inapropriado instalar ali uma atividade tão malcheirosa como o curtume.
Rambam apresenta duas razões possíveis para a preferência pelo lado leste e explica a posição de Rabi Akiva sobre o oeste; Bartenura confirma que a halachá não segue Rabi Akiva.
Rambam propõe duas explicações para a preferência exclusiva pelo lado leste: primeiro, que o vento leste sopra apenas raramente na região da Terra de Israel e da Babilônia, minimizando o incômodo; segundo, que quando o vento leste de fato sopra, ele tende a dissipar e enfraquecer o mau cheiro do curtume antes que ele cause dano aos moradores. E confirma que a halachá não segue Rabi Akiva, mantendo-se a restrição exclusiva ao lado leste da mishná anônima.
Bartenura explica que o vento leste, quando sopra em seu padrão natural, é quente e brando — e por isso não carrega o mau cheiro de volta à cidade, ao contrário de quando sopra de forma anormal, como sinal de castigo. Sobre a posição de Rabi Akiva, esclarece que ele proíbe totalmente o lado oeste — mesmo respeitando os cinquenta cúbitos — porque os fiéis voltam-se para essa direção em oração, já que a Presença Divina está associada ao oeste.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 25a, que discute longamente a orientação das direções cardeais na tradição e na prece.
Rashi resume, num único comentário breve, o motivo comum a todas as três instalações mencionadas no início da mishná: carcaças, túmulos e curtume compartilham a mesma razão de exigir distância — o mau cheiro que produzem.
Rashi apoia a explicação sobre o vento leste citando o versículo de Yoná (4:8), "um vento leste calmo", como prova de que essa direção sopra normalmente de forma branda e quente — e não traz o mau cheiro de volta à cidade, exceto quando sopra de modo anormal, como sinal de castigo divino. Sobre a exceção do oeste na opinião de Rabi Akiva, remete à discussão mais detalhada que a Guemará desenvolve em seguida.
Num trecho da extensa discussão talmúdica sobre por que o lado oeste é especial, a Guemará descreve a Presença Divina como residindo permanentemente voltada para o oeste — a direção do Santo dos Santos no Templo —, e Rashi confirma essa leitura, que fundamenta a proibição de Rabi Akiva contra instalar ali um curtume malcheiroso.