Uma árvore que se inclina para o campo do seu companheiro: corta-se até a altura de uma vara de aguilhão sobre o arado. — Quando os galhos de uma árvore comum se estendem para além da divisa e pairam sobre o campo do vizinho, eles não precisam ser cortados exatamente na linha da divisa — basta cortá-los na altura suficiente para que a vara usada para guiar os bois durante a lavoura passe por baixo deles sem obstrução, permitindo o trabalho normal do arado no campo vizinho.
E na alfarrobeira e no sicômoro, conforme o prumo. — Para a alfarrobeira e o sicômoro — árvores de sombra particularmente densa e prejudicial às plantações abaixo delas — a regra é mais rigorosa: seus galhos devem ser cortados exatamente na linha vertical imaginária traçada sobre a divisa entre os dois campos, sem tolerar qualquer parte da copa pendendo sobre o terreno alheio.
No campo irrigado, toda árvore, conforme o prumo. — Num campo de cultivo irrigado — terra naturalmente seca que depende de rega constante —, a mesma exigência rigorosa de corte na linha do prumo se aplica a qualquer espécie de árvore, não apenas à alfarrobeira e ao sicômoro, porque nesse tipo de solo a sombra de qualquer copa bloqueia o orvalho e a umidade de que as plantações dependem para sobreviver.
Aba Shaul diz: toda árvore estéril, conforme o prumo. — Aba Shaul propõe um critério diferente para estender a regra mais rigorosa: para ele, o que importa não é o tipo de solo, mas se a árvore produz frutos ou não — toda árvore estéril, por ter utilidade menor, deve ser cortada exatamente na linha do prumo, enquanto uma árvore frutífera comum mantém a tolerância mais branda da altura da vara de aguilhão. A halachá não segue Aba Shaul.
Rambam explica os termos técnicos — a vara de aguilhão, o campo irrigado e a linha do prumo — e confirma que a halachá não segue Aba Shaul; Bartenura acrescenta a leitura alternativa da disputa entre o Tana Kama e Aba Shaul.
Rambam descreve a mardêa como uma vara comprida com pontas de ferro nas duas extremidades, usada pelo lavrador para guiar os bois durante a lavoura; identifica beit hashlachin como uma terra seca e sedenta, sem rio próprio, para a qual a sombra das árvores é prejudicial por bloquear o orvalho de que ela depende; e explica que "conforme o prumo" significa nivelar os galhos exatamente na linha da divisa entre os dois campos. Confirma, por fim, que a halachá não segue a opinião de Aba Shaul.
Bartenura esclarece a que parte da mishná Aba Shaul está reagindo: o Tana Kama (autor anônimo da primeira parte da mishná) havia dito que se corta até a altura de uma vara de aguilhão mesmo numa árvore estéril comum, reservando a regra mais rigorosa do prumo apenas para a alfarrobeira e o sicômoro; Aba Shaul discorda especificamente desse ponto, insistindo que toda árvore estéril — não apenas essas duas espécies — deve ser cortada conforme o prumo.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 27b, incluindo a leitura alternativa de que Aba Shaul poderia estar discordando de uma parte diferente da mishná.
Rashi confirma a mesma definição do mardêa como a vara de guiar os bois, explica que os galhos são cortados até a altura suficiente para não obstruir a passagem do arado, e identifica a sombra especialmente densa da alfarrobeira e do sicômoro como o motivo da exigência mais rigorosa. Sobre a expressão "conforme o prumo", esclarece que se refere ao fio de chumbo usado pelos construtores de muros para verificar o alinhamento vertical — a mesma imagem aplicada aqui para traçar a linha exata da divisa entre os dois campos.
Rashi reforça que a exigência do prumo, no caso do campo irrigado, se aplica a qualquer espécie de árvore — mesmo as que normalmente teriam a tolerância mais branda —, precisamente porque esse tipo de solo depende do orvalho e da umidade que a sombra de qualquer copa bloquearia.
A Guemará explora duas leituras possíveis de qual afirmação exata Aba Shaul está contestando — se a primeira parte da mishná, sobre árvores comuns, ou a segunda, sobre o campo irrigado — e Rashi explica ambas as possibilidades: na primeira leitura, Aba Shaul apenas amplia a categoria de árvores estéreis sujeitas ao prumo; na segunda, ele na verdade restringe a regra do campo irrigado, limitando-a apenas às árvores estéreis e devolvendo às árvores frutíferas a tolerância mais branda da vara de aguilhão.