Se tomou dela madeira, é proibido dela se beneficiar. Se acendeu com ela o forno — se novo, deve ser demolido; se velho, deve ser resfriado. Se assou nele o pão, é proibido dele se beneficiar. Se se misturou com outros pães, todos ficam proibidos quanto ao benefício. Rabi Eliezer diz: leva-se o valor do benefício ao Mar Salgado. Disseram-lhe: não há resgate para a idolatria. Se tomou dela uma lançadeira, é proibido dela se beneficiar. Se com ela teceu uma veste, a veste é proibida quanto ao benefício. Se se misturou com outras, e outras com outras, todas ficam proibidas quanto ao benefício. Rabi Eliezer diz: leva-se o valor do benefício ao Mar Salgado. Disseram-lhe: não há resgate para a idolatria.
Rambam explica que o primeiro aquecimento de um forno novo completa a cozedura de sua argila, tornando-o apto para uso futuro — daí, se essa primeira queima foi feita com madeira proibida, o forno precisar ser demolido, já que o benefício obtido é permanente. A halachá final, porém, determina que tanto o forno novo quanto o velho apenas precisam esfriar; depois disso, pode-se reacendê-lo com madeira permitida e assar normalmente. Rambam nota que a mishná menciona a disputa duas vezes — uma para o pão, outra para a lançadeira — precisamente para esclarecer que Rabi Eliezer permite o resgate monetário mesmo quando o próprio objeto proibido ainda existe fisicamente (como a lançadeira), e não apenas quando ele já se dissolveu no produto final (como a lenha consumida no pão). A halachá segue Rabi Eliezer em todos os casos, inclusive quanto a um barril de vinho de libação misturado entre outros permitidos.
Bartenura explica que o primeiro aquecimento de um forno novo o endurece e o consolida, de modo que ele já se beneficiou permanentemente de material proibido — por isso, na lei final, tanto o forno novo quanto o velho devem simplesmente esfriar antes de assar pão neles com lenha permitida, evitando qualquer proveito residual da madeira proibida. Identifica "karkor" como a peça de madeira em forma de agulha usada pelos tecelões para passar o fio da urdidura. Confirma que a halachá segue Rabi Eliezer em todos os casos, permitindo o resgate monetário até mesmo para um barril inteiro de vinho de libação misturado entre barris permitidos, liberando o restante para venda e uso.
Rashi traduz "karkor" pelo termo vernacular "devuelo", designando a lançadeira usada na tecelagem. Sobre a disputa acerca do resgate, explica que a mishná precisou repeti-la tanto para o pão quanto para a lançadeira: no caso do pão, o próprio material proibido (a lenha) já não é mais fisicamente reconhecível, tendo se dissolvido no produto final; ainda assim, quando esse pão se mistura com outros, todo o conjunto fica proibido quanto ao benefício, do mesmo modo que ocorre quando um barril de vinho de libação se mistura entre barris de vinho permitido.