Não se deve sentar à sua sombra; e se sentou, está puro. E não se deve passar debaixo dela; e se passou, está impuro. Se estava tomando [espaço] do público, e alguém passou debaixo dela, está puro. E semeiam-se debaixo dela verduras na estação das chuvas, mas não na estação do calor. E as alfaces, nem na estação do calor nem na estação das chuvas. Rabi Yossei diz: nem mesmo verduras na estação das chuvas, porque a folhagem cai sobre elas e se torna para elas adubo.
Rambam esclarece que "não se deve sentar à sua sombra" refere-se à sombra do próprio tronco da árvore; já a sombra dos galhos e da folhagem é permitida para se sentar. A regra de que "se passou está impuro" se justifica pela presunção de que ali há oferendas depositadas para a idolatria. Sobre o debate acerca do plantio, explica que a posição de Rabi Yossei aqui parece contradizer sua própria opinião anterior no capítulo — de que quando um efeito é causado tanto por um fator permitido quanto por um proibido (zeh vazeh gorem), o resultado é permitido —, mas a halachá segue Rabi Yossei nesse princípio geral, sendo o caso da folhagem tratado como exceção explicada na Guemará.
Bartenura explica que a sombra proibida para sentar-se não é a que fica diretamente sob a copa da árvore — pois, se fosse assim, a própria mishná não poderia depois ensinar "e se sentou, está puro" —, mas sim a sombra longa que a árvore projeta além de si mesma, ao nascer ou ao pôr do sol. Sobre a árvore cujos galhos invadem o domínio público, esclarece que quem passa por baixo permanece puro porque a impureza da idolatria é de origem rabínica, e os sábios não a decretaram nos casos em que prejudicaria o uso do espaço público. Confirma, por fim, que a halachá segue Rabi Yossei quanto ao princípio de que um efeito com causa mista — permitida e proibida — é permitido.
Rashi confirma que a sombra proibida para sentar-se não é a que se projeta diretamente sob a copa da árvore — pois, do contrário, a mishná não poderia ensinar em seguida que "se sentou, está puro". Sobre o plantio de verduras na estação das chuvas, explica que nessa época a própria árvore prejudica a plantação ao impedir que o sol a alcance, sendo por isso permitido plantar ali; já no verão, a sombra é benéfica às plantas, tornando o plantio proibido.