Estas são as coisas dos gentios proibidas, e sua proibição é proibição de proveito: o vinho; e o vinagre dos gentios que desde o início era vinho; e a cerâmica adrianiana; e os couros perfurados no coração. Rabán Shimon ben Gamliel diz: quando o rasgo dele é redondo, é proibido; alongado, é permitido. A carne que entra para a idolatria é permitida; e a que sai é proibida, porque é como oferendas aos mortos — palavras de Rabi Akiva. Os que vão a festa de idolatria — é proibido negociar com eles; e os que voltam, são permitidos. — Esta mishná introduz uma categoria jurídica central para o restante do capítulo: itens "proibidos com proibição de proveito" (issur hanaá), ou seja, não apenas proibidos ao consumo, mas dos quais é vedado tirar qualquer benefício — vendê-los, usá-los como combustível, dá-los de presente. O primeiro item, o vinho de gentios, é o mais grave de todos e será o assunto central do Perek Hei; aqui a mishná já o inclui na lista, e estende a mesma severidade ao vinagre que originalmente era vinho — pois, tendo passado pelo processo de fermentação como vinho antes de azedar, presume-se que já foi objeto de libação idólatra antes de se transformar. A "cerâmica adrianiana" refere-se a um tipo de vasilha de barro não cozido, associada ao imperador Adriano, que, segundo a Guemará, era usada para transportar vinho de forma dissimulada — imersa em água, ela libera o vinho absorvido em suas paredes. Os "couros perfurados no coração" são peles de animais rasgadas ritualmente sobre a região do coração para retirar o órgão como oferenda idólatra; a esse respeito, Rabán Shimon ben Gamliel introduz um critério visual prático para distinguir o couro usado em culto idólatra do simples couro de açougue: se o corte ao redor do coração é redondo, denuncia intenção idólatra e o couro é proibido; se é alongado, como o corte comum de abate, é permitido. A mishná passa então à carne encontrada perto de um templo idólatra: a que está entrando é presumida ainda não oferecida, e portanto permitida; a que está saindo já foi, presume-se, oferecida e devolvida como uma espécie de "carne sacrificial", e Rabi Akiva a compara à carne de "oferendas aos mortos" — uma categoria bíblica de idolatria particularmente grave. Por fim, a mishná distingue entre gentios a caminho de um festival idólatra, com os quais é proibido negociar, pois o comércio poderia fornecer-lhes recursos ou mercadorias destinadas à própria celebração idólatra, e os que já estão voltando, com os quais o comércio é permitido, pois a festividade já passou e não há mais risco de cumplicidade direta.
Rambam explica a origem histórica da "cerâmica adrianiana": o imperador Adriano preparava um tipo especial de barro amassado com vinho durante muitos dias, e depois moldava dele vasilhas de cerâmica sem cozê-las por completo, levando-as consigo em viagem; sempre que precisava de vinho, mergulhava um pedaço dessa vasilha em água, o barro se dissolvia e afundava, e restava água misturada com o vinho que fora absorvido, pronta para beber — esse mesmo procedimento, explica Rambam, já era praticado pelas pessoas em geral na época da redação da mishná, e por isso a cerâmica recebeu o nome do imperador que a popularizou. Sobre "couros perfurados", esclarece que o termo deriva da palavra "coração" (lev), pois se referem a couros nos quais se perfurava sobre o coração do animal para retirá-lo como espécie de culto ao próprio dono do ídolo. Quanto aos que "voltam" de um festival idólatra, Rambam precisa que a permissão de negociar com eles vale apenas quando retornam sozinhos; se retornam em caravana organizada, permanecem proibidos, por temor de que pretendam regressar ao festival. Rambam conclui que a halachá segue tanto Rabán Shimon ben Gamliel quanto Rabi Akiva.
Bartenura precisa que "vinagre que desde o início era vinho" exclui o caso de um gentio que compra vinagre já pronto de um israelita: esse vinagre não é proibido com proibição de proveito, pois o motivo da proibição do vinho é o temor de que tenha sido derramado em libação idólatra, e o vinagre, por sua natureza, não se presta a esse uso ritual. Repete a explicação da cerâmica adrianiana ligada ao imperador Adriano. Sobre o corte alongado ser permitido, explica que os idólatras só praticam esse rito com corte redondo, nunca alongado — por isso a halachá segue Rabán Shimon ben Gamliel. E quanto à proibição de negociar com quem vai a um festival idólatra, explica que isso se deve a duas razões concorrentes: primeiro, porque negociar com eles equivale, em certo sentido, a reconhecer e assentir com a própria idolatria; segundo, porque é bem possível que o israelita esteja vendendo justamente algo de que o gentio precisa para a oferenda ritual da festividade — e por isso a halachá segue Rabi Akiva.
No início da Guemará sobre esta mishná, Rashi vai comentando termo por termo a lista de itens proibidos, confirmando e detalhando a explicação de Bartenura acima: "que desde o início era vinho" refere-se especificamente ao vinho que já estava em posse do gentio desde o começo — excluindo, portanto, o caso em que o gentio compra vinagre pronto de um israelita, pois a razão da proibição de proveito é o temor de que o líquido tenha sido usado em libação idólatra, e o vinagre não se presta a esse uso; "cerâmica adrianiana" — a Guemará explica que se trata de vasilhas que, quando embebidas em água, liberam o vinho nelas absorvido; "couros perfurados no coração" — peles rasgadas sobre a região do coração, prática comum entre os idólatras, que retiravam o coração pelo orifício e o ofereciam em culto, tornando o couro proibido por associação com "oferendas aos mortos". Sobre o critério de Rabán Shimon ben Gamliel, Rashi confirma: um corte alongado é permitido porque este formato de corte não é o utilizado no ritual idólatra.