Mei HaShiloach · Volume III · Parashá 8

Emor

אֱמֹר
Rabi Mordechai Yosef Leiner de Izhbitz (1801–1854) · hebraico de domínio público · tradução original PT-BR

Vinte parágrafos sobre a oitava parashá do Sêfer Vayikra. Na Parte I, do Volume I do Sefaria: o sacerdote e a queixa contra a conduta divina diante da morte; o cozinheiro do rei e a alegria; o sacerdote como cabeça de Israel; Ben Zoma, “e na vossa terra não fareis” e as águas superiores e inferiores; o animal de sete dias e Shabat; o animal e a sua cria, e a misericórdia na oração; o ômer, Pessach e Shavuot, o sol e a lua; a contagem como guarda; as quatro espécies e as dez profundidades; os doze pães e os dois mundos; o pão da proposição e os sinais de cantilação; o blasfemo e a sucá; e as cinco passagens da parashá e as cinco festas. Na Parte II, do Volume II: o Sumo Sacerdote e a novidade; o portador de defeito e o interior que nada perde; a redenção do Egito e a contagem do ômer; o cordeiro do ômer; o primeiro de Tishrei; a menorá e o pão da proposição; e a flor de farinha — hebraico e português lado a lado.

Parágrafos

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Parte I · Sefaria Volume I
Parágrafo 1

“Fala aos sacerdotes, filhos de Aharon, e dize-lhes: não se contaminará pelo morto entre o seu povo” (Vayikra 21:1). Chama-se kohen sacerdote aquele que serve ao Eterno e enxerga que tudo o que acontece no mundo não é acaso, mas providência vinda do Nome, bendito seja, e sabe que a vontade do Nome é somente fazer o bem às criaturas. E justamente a um homem assim pode vir a tar'omot queixa, protesto contra a conduta divina, quando vê algum acontecimento que provém das medidas de julgamento do Santo, bendito seja. Pois quem concluiu em seu espírito que o mundo é obra do acaso não chega a tanta queixa ao ver uma ocorrência contrária à sua vontade, porque dirá: “é acaso”. Já o homem que sabe que tudo se faz por mãos do Céu, a este pode vir a queixa. Por isso o Santo, bendito seja, adverte os sacerdotes, isto é, os servos do Eterno: “não se contaminará pelo morto entre o seu povo”, quer dizer, que não tenham queixa contra as medidas de julgamento do Santo, bendito seja, pois contaminar-se pelo morto equivale a queixar-se do Santo, bendito seja. Porque o essencial da queixa que se encontra no mundo contra as medidas de julgamento nasce da perda e da carência que há no mundo, como se explica no Zohar. Por isso o Nome, bendito seja, ordenou “Fala aos sacerdotes… e dize-lhes”, o que, segundo o Zohar (Vayikra 88b), é dito em sussurro; isto é, o duplo “fala… e dize” indica que se deve sussurrar aos servos do Eterno que não tenham queixa nem mesmo contra as medidas de julgamento, pois a intenção do Nome, bendito seja, é sempre apenas fazer o bem: mesmo quando conduz o mundo pelas medidas de julgamento, também então a sua intenção, no fundo, é fazer o bem.

אֱמֹר אֶל הַכֹּהֲנִים בְּנֵי אַהֲרֹן וְאָמַרְתָּ אֲלֵהֶם לְנֶפֶשׁ לֹא יִטַּמָּא בְּעַמָּיו. כֹּהֵן נִקְרָא הָעוֹבֵד ה' וְרוֹאֶה כִּי כָּל הַמַּעֲשִׂים הַנַּעֲשִׂים בָּעוֹלָם אֵינָם בְּמִקְרֶה רַק בְּהַשְׁגָּחָה מֵאֵת הַש"י, וְיוֹדֵעַ כִּי רְצוֹן הַש"י הוּא רַק לְהֵיטִיב לַבְּרִיּוֹת. וּלְאָדָם כָּזֶה יוּכַל לָבוֹא תַּרְעוֹמוֹת כִּי יִרְאֶה אֵיזֶה מַעֲשֶׂה מִמִּדּוֹת דִּינוֹ שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא. כִּי הָאָדָם שֶׁנִּגְמַר בְּדַעְתּוֹ כִּי הָעוֹלָם מִקְרֶה הוּא, לֹא יָכוֹל לָבֹא כָּל כָּךְ לִידֵי תַּרְעוֹמוֹת כַּאֲשֶׁר יִרְאֶה דְּבַר הַנְהָגָה נֶגֶד רְצוֹנוֹ כִּי יֹאמַר מִקְרֶה הוּא. אַךְ הָאָדָם הַיּוֹדֵעַ כִּי הַכֹּל נַעֲשֶׂה בִּידֵי שָׁמַיִם לָזֶה יוּכַל לָבוֹא תַּרְעוֹמוֹת. וְעַל יְדֵי זֶה מַזְהִיר הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לַכֹּהֲנִים הַיְנוּ לְעוֹבְדֵי ה', "לְנֶפֶשׁ לֹא יִטַּמָּא בְּעַמָּיו", הַיְנוּ שֶׁלֹּא יִהְיֶה לָהֶם תַּרְעוֹמוֹת עַל מִדּוֹת דִּינוֹ שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא כִּי טָמֵא לָנֶפֶשׁ הַיְנוּ תַּרְעוֹמוֹת עַל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא. כִּי עִיקַּר תַּרְעוֹמוֹת הַמָּצוּי בָּעוֹלָם נֶגֶד מִדּוֹת הַדִּין, הוּא עַל הַהֶפְסֵד וְהַהֶעְדֵּר הַנִּמְצָא בָּעוֹלָם, כַּמְבוֹאָר בַּזוה"ק. לָכֵן צִוָּה הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ "אֱמֹר אֶל הַכֹּהֲנִים וְאָמַרְתָּ" הִיא בִּלְחִישָׁה (זוהר ויקרא פ"ח:) הַיְנוּ לִלְחֹשׁ לְעוֹבְדֵי ה' שֶׁלֹּא יִהְיֶה לָהֶם תַּרְעוֹמוֹת גַּם עַל מִדּוֹת הַדִּין, כִּי תָּמִיד כַּוָּנַת הַש"י אַךְ לְהֵיטִיב, אַף שֶׁיִּנְהַג בְּמִדּוֹת הַדִּין גַּם אָז כַּוָּנָתוֹ בָּעוֹמֶק לְהֵיטִיב.
Parágrafo 2

“Fala aos sacerdotes” (Vayikra 21:1). Pois consta no Midrash Tanchuma (Emor 1) uma parábola: um rei disse ao seu cozinheiro: “Peço-te que não vejas o morto em todos os teus dias, para não contaminares o meu palácio” no sentido da parábola, o Santuário. É que o cozinheiro é o homem encarregado de preparar a alegria do rei, e por isso o rei o adverte: “já que o teu serviço é acrescentar-me alegria, cuida de não causar tristeza, pois ver o morto é o oposto da alegria”. E é este o sentido de “Fala aos sacerdotes”: que cuidem de não causar o oposto, já que foram escolhidos para fazer descer hashpa'ot influxos, bênçãos que descem do alto de alegria e para dar nachat ruach prazer, satisfação ao Santo, bendito seja, com o seu serviço.

אֱמֹר אֶל הַכֹּהֲנִים. כִּי אִיתָא בְּמִדְרַשׁ תַּנְחוּמָא (אמור א') מָשָׁל לְמֶלֶךְ שֶׁאָמַר לַטַּבָּח שֶׁלּוֹ, בְּבַקָּשָׁה מִמְּךָ שֶׁלֹּא תִרְאֶה אֶת הַמֵּת כָּל יָמֶיךָ שֶׁלֹּא תְטַמֵּא פַּלְטֵרִין שֶׁלִּי. כִּי טַבָּח הוּא הָאִישׁ הַמְמֻנֶּה עַל הֲכָנַת שִׂמְחָה לַמֶּלֶךְ, וְעַל יְדֵי זֶה הִזְהִיר אוֹתוֹ הַמֶּלֶךְ מֵאַחַר שֶׁעֲבוֹדָתְךָ הוּא לְהוֹסִיף לִי שִׂמְחָה, רְאֵה שֶׁלֹּא תִגְרֹם עַצְבוּת, כִּי רְאִיַּת הַמֵּת הוּא הֵיפֶךְ מִשִּׂמְחָה. וְזֶה "אֱמֹר אֶל הַכֹּהֲנִים" שֶׁיִּרְאוּ שֶׁלֹּא יִגְרְמוּ הַהֵיפֶךְ מֵאַחַר שֶׁנִּבְחֲרוּ לְהוֹרִיד הַשְׁפָּעוֹת שִׂמְחָה וְלַעֲשׂוֹת נַחַת רוּחַ לְהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא בַּעֲבוֹדָתָם.
Parágrafo 3

“Fala aos sacerdotes, etc.: não se contaminará pelo morto entre o seu povo” (Vayikra 21:1). Pois o sacerdote foi escolhido para que, por meio dele, sejam corrigidos e aceitos diante do Santo, bendito seja, todos os atos de Israel. E por isso o texto adverte sobre a impureza do morto, já que o morto indica o oposto disso, o oposto de corrigir e aperfeiçoar. A explicação parte de uma comparação com o homem: encontram-se no homem nefesh, ruach e neshamá os três níveis da alma: a alma vital, o espírito e a alma superior, e a plenitude da vitalidade do nefesh só existe quando ele se une ao ruach e à neshamá. Por isso, à noite, quando o ruach e a neshamá se separam, o nefesh fica sem nenhuma força de ação; e é por isso que de manhã se pronuncia a bênção “que endireita os curvados”, pois quando o ruach e a neshamá se unem ao nefesh e ao corpo, também erguem o nefesh e o corpo, que estavam curvados, sem atividade. E como se encontra no homem, assim é no conjunto de Israel: o sacerdote é a cabeça do conjunto de Israel, o pensamento que comanda os membros, e é para a coletividade como o pensamento é para a alma do homem; depois dele vem todo Israel, em degraus diversos, um acima do outro, como os membros do homem, que começam na cabeça e descem até os membros de ação. Quando o homem está desperto, a cabeça conduz todos os seus membros, segundo a palavra do Baal Shem Tov: “no lugar em que o pensamento do homem pensa, ali está o homem inteiro”. Mas quando o homem dorme não há diferença entre a cabeça e os demais membros. Por isso o texto adverte que o sacerdote não se contamine pelo morto: porque ele é o encarregado e tem em seu poder corrigir todos os atos que Israel fizer, ao passo que o morto indica o oposto, pois nele não se encontra nenhuma força de ação para corrigir o que entortou durante a sua vida. O sacerdote, ao contrário, é designado para corrigir os atos de Israel, “para que nenhum banido seja banido dele” (Shemuel II 14:14) — alusão a esse versículo, que o texto hebraico não cita —, isto é, para que nenhum desgarrado de Israel fique rejeitado.

אֱמֹר אֶל הַכֹּהֲנִים וְכוּ׳ לְנֶפֶשׁ לֹא יִטַּמָּא בְּעַמָּיו. כִּי הַכֹּהֵן נִבְחַר שֶׁעַל יָדוֹ יְתֻקְּנוּ וְיֵרָצוּ כָּל מַעֲשֵׂי יִשְׂרָאֵל לִפְנֵי הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא. וְלָכֵן הִזְהִיר עַל טֻמְאַת מֵת, כִּי מֵת מוֹרֶה עַל הֵיפֶךְ מִזֶּה, כְּמוֹ שֶׁנִּמְצָא בָּאָדָם נֶפֶשׁ רוּחַ וּנְשָׁמָה, וּשְׁלֵימוּת לְחַיּוּת הַנֶּפֶשׁ, אֵינוֹ רַק כְּשֶׁיִּתְחַבֵּר אֶל הָרוּחַ וְהַנְּשָׁמָה, לָכֵן בַּלַּיְלָה כְּשֶׁיִּתְפָּרְדוּ הָרוּחַ וְהַנְּשָׁמָה יִשָּׁאֵר הַנֶּפֶשׁ בְּלִי שׁוּם כֹּחַ פְּעֻלָּה, וְלָזֶה מְבָרְכִין בַּבֹּקֶר בִּרְכַּת זוֹקֵף כְּפוּפִים, כִּי כְּשֶׁיִּתְחַבְּרוּ הָרוּחַ וְהַנְּשָׁמָה לְהַנֶּפֶשׁ וְהַגּוּף יִזְקְפוּ גַּם אֶת הַנֶּפֶשׁ וְאֶת הַגּוּף שֶׁהָיוּ כְּפוּפִים מִבְּלִי פְּעֻלָּה, וּכְמוֹ שֶׁיִּמָּצֵא בָּאָדָם כֵּן הוּא בִּכְלַל יִשְׂרָאֵל שֶׁהַכֹּהֵן הוּא הָרֹאשׁ לִכְלַל יִשְׂרָאֵל וְהוּא כְּמוֹ הַמַּחְשָׁבָה לְנֶפֶשׁ הָאָדָם כֵּן הוּא לִכְלָל וְאַחֲרָיו כָּל יִשְׂרָאֵל בְּמַדְרֵגוֹת שׁוֹנִים זֶה לְמַעְלָה מִזֶּה, כְּאֵבְרֵי אָדָם הַמַּתְחִילִין מֵהָרֹאשׁ וְיִשְׁתַּלְשְׁלוּ עַד לְאֵבְרֵי הַמַּעֲשֶׂה. וּבְעֵת שֶׁהָאָדָם עֵר אָז הָרֹאשׁ הוּא הַמַּנְהִיג אֶת כָּל אֵבָרָיו, כְּמַאֲמַר הַבַּעַל שֵׁם טוֹב בְּמָקוֹם שֶׁמַּחְשֶׁבֶת שֶׁל אָדָם מְחַשֶּׁבֶת, שָׁם הוּא הָאָדָם כֻּלּוֹ. אַךְ כְּשֶׁאָדָם יָשֵׁן אֵין חִלּוּק בֵּין הָרֹאשׁ לִשְׁאָר הָאֵבָרִים, לָכֵן הִזְהִיר שֶׁלֹּא יִטַּמֵּא לַמֵּת, לְפִי שֶׁהוּא מְמֻנֶּה וְיֵשׁ בְּכֹחוֹ לְתַקֵּן כָּל הַמַּעֲשִׂים שֶׁיַּעֲשׂוּ יִשְׂרָאֵל, וּמֵת מוֹרֶה עַל הַהֵיפֶךְ כִּי לֹא יִמָּצֵא בּוֹ שׁוּם כֹּחַ פְּעֻלָּה לְתַקֵּן אֶת אֲשֶׁר עִוֵּת בְּחַיָּיו, וְהַכֹּהֵן מְיֻחָד לְתַקֵּן מַעֲשֵׂי יִשְׂרָאֵל לְבִלְתִּי יִדַּח מֵהֶם נִדָּח.
Parágrafo 4

“E na vossa terra não fareis” (Vayikra 22:24). Isto é, que não se deve zombar das criaturas do Santo, bendito seja, como a Guemará deduz (Chagigá 14b) a partir do fato de que a castração é proibida; quer dizer, a proibição de castrar, ensinada por “e na vossa terra não fareis”, é aqui entendida como proibição de zombar das criaturas. É como consta no tratado Chagigá, ali: perguntaram a Ben Zoma: “Que dizer de castrar um cão?”, e ele disse: “Tudo o que, na vossa terra, não fareis”. E: “Uma virgem que engravidou, que dizer dela para o Sumo Sacerdote? Deve-se levar em conta a opinião de Shemuel?”, e ele disse: “Para Shemuel, isso não é comum”. Shemuel admitia que uma virgem pudesse engravidar sem deixar de ser virgem; e o Sumo Sacerdote só pode casar-se com uma virgem. É que lhe fizeram essas perguntas porque viram que ele não tinha descido em paz — segundo a palavra da Guemará: “espiou e foi ferido” — e compreenderam que ele alcançara uma percepção incompleta e errara em alguma coisa. Fizeram-lhe então a primeira pergunta, receando que lhe fosse leve aos olhos zombar das criaturas do Santo, bendito seja; e foi por isso que lhe perguntaram: “Que dizer de castrar um cão?”, pois o cão é a criatura mais baixa do mundo. E perguntaram-lhe sobre a castração, isto é, se aos seus olhos fosse algo leve, a ponto de anular a existência da criatura. E ele lhes respondeu que é proibido, porque “tudo o que, na vossa terra, não fareis”, ou seja, é proibido zombar dela, pois é uma criatura do Nome, bendito seja. Depois perguntaram-lhe se o seu erro não teria sido o contrário, se na sua percepção não teria atribuído às criaturas mais força do que a que de fato existe nelas; e foi por isso que lhe perguntaram: “E uma virgem que engravidou, que dizer dela para o Sumo Sacerdote?”, porque o Sumo Sacerdote é o maior dos seres criados, e talvez ele tivesse percebido a força da existência dele mais do que a que nele se encontra. E ele lhes respondeu: “Para Shemuel, isso não é comum”, isto é, que não se perceba o Sumo Sacerdote com um excesso de existência além do que nele há, nem se seja mais rigoroso com ele do que o devido; e como, para Shemuel, o caso não é comum, a moça lhe é permitida. Mas na verdade o essencial do seu erro foi ter percebido uma grande diferença entre as águas inferiores e as águas superiores. (O hebraico traz o que segue entre colchetes, como complemento; aqui, entre parênteses: Na verdade não há distância entre elas senão a de um fio de cabelo, que é o firmamento a separá-las, porque ambas são criaturas do Santo, bendito seja, e é preciso apenas recebê-las segundo a vontade do Nome, bendito seja. Esse era o sentido do cordeiro que vem com o omer a oferta do feixe de cevada, levada no dia seguinte ao primeiro dia de Pessach: a sua oferta de farinha é dupla, dois décimos de efá, correspondendo às águas superiores e às águas inferiores, e o cordeiro alude ao firmamento que as separa. Complemento.) Como está na Guemará (Chagigá 15a): ele disse que entre as águas inferiores e as águas superiores há apenas três dedos, e disseram-lhe: “Ben Zoma ainda está do lado de fora”. E isso porque ele percebeu uma grande diferença entre o desejo mau e o desejo bom; pelo contexto, as águas inferiores e as superiores representam aqui o desejo mau e o desejo bom.

וּבְאַרְצְכֶם לֹא תַעֲשׂוּ. הַיְינוּ שֶׁלֹּא לְהִתְלוֹצֵץ עַל בְּרִיּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא כְּמוֹ דְּיָלֵיף הַגְּמָרָא (חגיגה י"ד:) מִזֶּה שֶׁסֵּרוּס אָסוּר וְהוּא דְּאָסוּר לְהִתְלוֹצֵץ, כִּדְאִיתָא בְּמַסֶּכֶת חֲגִיגָה (שם) שָׁאֲלוּ אֶת בֶּן זוֹמָא מַאי לְסָרֵיסָא כַּלְבָּא וְאָמַר כֹּל שֶׁבְּאַרְצְכֶם לֹא תַעֲשׂוּ, וּבְתוּלָה שֶׁעִיבְּרָה מַאי לְכֹהֵן גָּדוֹל מַאי לְמֵיחַשׁ לְדִשְׁמוּאֵל וְאָמַר לְדִשְׁמוּאֵל לֹא שְׁכִיחָא. כִּי אֵלּוּ הַשְּׁאֵלוֹת שָׁאֲלוּ אוֹתוֹ מִפְּנֵי שֶׁרָאוּ שֶׁלֹּא יָרַד בְּשָׁלוֹם כְּמַאֲמַר הַגְּמָרָא הֵצִיץ וְנִפְגַּע וְהֵבִינוּ שֶׁהִשִּׂיג הַשָּׂגָה בִּלְתִּי שְׁלֵימָה וְטָעָה בְּאֵיזֶה דָּבָר, וְשָׁאֲלוּ לוֹ שְׁאֵלָה הָרִאשׁוֹנָה פֶּן הָיָה נָקֵל בְּעֵינָיו לְהִתְלוֹצֵץ עַל בְּרִיּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא, וְזֶה שֶׁשָּׁאֲלוּ אוֹתוֹ מַאי לְסָרֵיסָא כַּלְבָּא, כִּי כֶּלֶב הוּא הַבְּרִיָּה הַשְּׁפֵלָה שֶׁבָּעוֹלָם. וְשָׁאֲלוּ אוֹתוֹ מַאי לְסָרֵיסָא הוּא בְּאִם נָקֵל בְּעֵינָיו בִּטֻּל הֲוָיָתוֹ וְהֵשִׁיב לָהֶם שֶׁאָסוּר כִּי כֹּל שֶׁבְּאַרְצְכֶם לֹא תַעֲשׂוּ, הַיְינוּ שֶׁאָסוּר לְהִתְלוֹצֵץ עָלָיו שֶׁהוּא בְּרִיָּה מֵהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ. וְאַחַר כָּךְ שָׁאֲלוּ אוֹתוֹ פֶּן הָיְתָה טָעוּתוֹ לְהֵיפֶךְ, פֶּן הָיָה בְּהַשָּׂגָתוֹ כֹּחַ הַנִּבְרָאִים יוֹתֵר מִמַּה שֶּׁמָּצוּי בָּהֶם, וְזֶה שֶׁשָּׁאֲלוּ לוֹ וּבְתוּלָה שֶׁעִיבְּרָה מַאי לְכֹהֵן גָּדוֹל, כִּי כֹּהֵן גָּדוֹל הוּא הַגָּדוֹל שֶׁבַּנִּבְרָאִים וּפֶן הִשִּׂיג אֶת כֹּחַ הֲוָיָתוֹ בְּיוֹתֵר מִמַּה שֶּׁמָּצוּי בּוֹ, וְהֵשִׁיב לָהֶם לְדִשְׁמוּאֵל לֹא שְׁכִיחָא, הַיְינוּ שֶׁלֹּא יַשִּׂיג אוֹתוֹ בְּיִתְרוֹן הֲוָיָה מִמַּה שֶּׁמָּצוּי בּוֹ וְלֹא יַחְמִיר נֶגְדּוֹ יוֹתֵר מֵהָרָאוּי וְלִדְשְׁמוּאֵל לֹא שְׁכִיחָא לְפִיכָךְ מֻתֶּרֶת לוֹ, וּבֶאֱמֶת עִיקַּר טָעוּתוֹ הָיְתָה מַה שֶּׁהִשִּׂיג הֶבְדֵּל גָּדוֹל בֵּין מַיִם הַתַּחְתּוֹנִים לְמַיִם הָעֶלְיוֹנִים (שֶׁבֶּאֱמֶת אֵין הֶפְרֵשׁ בֵּינֵיהֶם רַק בִּמְלֹא נִימָא שֶׁרָקִיעַ מַפְסִיק בֵּינֵיהֶם כִּי שְׁנֵיהֶם הֵם בְּרִיּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא וְרַק שֶׁצָּרִיךְ לְקַבְּלָם כְּפִי רְצוֹן הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ, וְזֶה הָיָה הָעִנְיָן בַּכֶּבֶשׂ הַבָּא עִם הָעוֹמֶר שֶׁמִּנְחָתוֹ כְּפוּלָה שְׁנֵי עֶשְׂרוֹנִים נֶגֶד מַיִם עֶלְיוֹנִים וּמַיִם הַתַּחְתּוֹנִים וְהַכֶּבֶשׂ רוֹמֵז לָרָקִיעַ הַמַּפְסִיק בֵּינֵיהֶם. תַּשְׁלוּם.) כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (חגיגה ט"ו.) שֶׁאָמַר אֵין בֵּין מַיִם הַתַּחְתּוֹנִים לְמַיִם הָעֶלְיוֹנִים רַק כְּשָׁלֹשׁ אֶצְבָּעוֹת וְאָמְרוּ לוֹ עֲדַיִן בֶּן זוֹמָא מִבַּחוּץ, וְהוּא שֶׁהִשִּׂיג הֶבְדֵּל גָּדוֹל בֵּין חֵשֶׁק רַע וּבֵין חֵשֶׁק טוֹב.
Parágrafo 5

“Quando nascer um boi, ou um cordeiro, ou uma cabra, ficará sete dias debaixo da sua mãe; e do oitavo dia em diante será aceito como oferta queimada ao Eterno” (Vayikra 22:27). No Zohar (Vayikra 91a) explica-se a razão: para que passe sobre ele um Shabat. E, por essa razão, seria adequado que fosse aceito logo depois de Shabat, ainda que tivesse nascido na véspera de Shabat. Pergunta-se, então: por que a Torá fez questão de sete dias completos? Pois bem: o Nome, bendito seja, criou seis bondades no mundo — Gedulá grandeza, Gevurá força, e assim por diante as seis qualidades divinas, que a tradição enumera em ordem a partir dessas duas — e em cada um dos seis dias da obra está incluída uma dessas bondades, como se sabe. E Shabat é o fundamento e o essencial de todas as bondades, pois Shabat indica a glória do Céu, e de Shabat se estende santidade a todos os seis dias da obra, de modo que as bondades dos seis dias estão incluídas em Shabat. E por isso a Torá fez questão de sete dias: porque o homem precisa oferecer ao Santo, bendito seja, algo completo, como a oferta, depois que passaram sobre ela os seis dias da obra, ou seja, que nesses dias estão incluídas todas as bondades, e também o dia de Shabat, isto é, coroar o Santo, bendito seja, como Rei sobre todas as bondades que se adquiriram nos seis dias da obra. Então serão oferecidos ao Eterno. Mas se não passaram sobre ele os seis dias da obra, ainda não recebeu todas as bondades da parte do Nome, bendito seja, e como poderia aproximar-se diante do Eterno algo que não é completo? E mesmo que tenha passado sobre ele um Shabat, não se encontra nele a plenitude da criação. Somente depois que passaram sobre ele os seis dias da obra e também o dia de Shabat, isto é, depois que reuniu todas as bondades e coroou o seu Criador sobre elas, então será aceito como oferta. E por isso está escrito “e no oitavo dia me darás” (Shemot 22:29), a respeito do primogênito do gado, que fica sete dias com a mãe.

שׁוֹר אוֹ כֶשֶׂב אוֹ עֵז כִּי יִוָּלֵד וְהָיָה שִׁבְעַת יָמִים תַּחַת אִמּוֹ וּמִיּוֹם הַשְּׁמִינִי וָהָלְאָה יֵרָצֶה לְקָרְבַּן אִשֶּׁה לַה'. וּבַזּוֹהַר הַקָּדוֹשׁ (ויקרא צ"א.) מְפָרֵשׁ הַטַּעַם בִּכְדֵי שֶׁיַּעֲבֹר עָלָיו שַׁבָּת אֶחָד, וּמִטַּעַם זֶה הָיָה רָאוּי לְהֵרָצוֹת תֵּכֶף אַחַר שַׁבָּת, אַף שֶׁנּוֹלַד בְּעֶרֶב שַׁבָּת, וְלָמָּה הִקְפִּידָה הַתּוֹרָה עַל שִׁבְעַת יָמִים שְׁלֵמִים. כִּי הִנֵּה הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ בָּרָא שִׁשָּׁה טוֹבוֹת בָּעוֹלָם גְּדֻלָּה וּגְבוּרָה וכו' וּבְכָל יוֹם מִשֵּׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה נִכְלַל טוֹבָה אַחַת מֵאֵלּוּ הַטּוֹבוֹת כַּיָּדוּעַ. וְשַׁבָּת הוּא הַיְסוֹד וְהָעִיקָר לְכָל הַטּוֹבוֹת, כִּי שַׁבָּת מוֹרָה עַל כְּבוֹד שָׁמַיִם וּמִשַּׁבָּת יִתְפַּשֵּׁט קְדֻשָּׁה לְכָל שֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה, וְטוֹבוֹת שֵׁשֶׁת הַיָּמִים נִכְלָלִים בְּשַׁבָּת. וְעַל יְדֵי זֶה הִקְפִּידָה הַתּוֹרָה עַל שִׁבְעַת יָמִים, כִּי הָאָדָם צָרִיךְ לְהַקְרִיב לִפְנֵי הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא דָּבָר שָׁלֵם כְּגוֹן הַקָּרְבָּן אַחַר שֶׁעָבְרוּ עָלָיו שֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה, הַיְינוּ שֶׁנִּכְלָל בָּהֶם כָּל הַטּוֹבוֹת וְגַם יוֹם הַשַּׁבָּת הַיְינוּ לְהַמְלִיךְ אֶת הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא עַל כָּל הַטּוֹבוֹת אֲשֶׁר סִיגֵּל בְּשֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה וְאָז יִקְרְבוּ לַה', וּבְאִם לֹא עָבְרוּ עָלָיו שֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה אָז לֹא קִבֵּל כָּל הַטּוֹבוֹת מֵאֵת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ וְאֵיךְ יִקְרַב לִפְנֵי ה' דָּבָר שֶׁאֵינוֹ שָׁלֵם, וְאַף כִּי עָבַר עָלָיו שַׁבָּת לֹא נִמְצָא בּוֹ שְׁלֵימוּת הַבְּרִיאָה, אַךְ כַּאֲשֶׁר עָבְרוּ עָלָיו שֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה וְגַם יוֹם הַשַּׁבָּת הַיְינוּ שֶׁסִּיגֵּל כָּל הַטּוֹבוֹת וְהִמְלִיךְ לְבוֹרְאוֹ עֲלֵיהֶם, אָז יֵרָצֶה לְקָרְבָּן וְלָכֵן כְּתִיב "וּבַיּוֹם הַשְּׁמִינִי תִּתְּנוֹ לִי".
Parágrafo 6

“Boi ou ovelha, a ele e a seu filho não abatereis no mesmo dia” (Vayikra 22:28). O Targum Yonatan ben Uziel traduz: “Assim como o nosso Pai é misericordioso, assim sede misericordiosos na terra: boi ou ovelha, a ele e a seu filho não abatereis num só dia”. E consta no Zohar (Vayikra 92b): “Se um homem pratica um ato de crueldade, assim se desperta naquele dia, etc.” E ali se explica que o mandamento serve para ensinar aos filhos de Israel qualidades de misericórdia. Ora, no tratado Meguilá consta: aquele que desceu diante de Rabá, isto é, que se pôs diante da arca para conduzir a oração, e disse: “Tu tiveste compaixão do ninho de ave”, etc. Disse Rabá: “Quanto sabe aquele erudito aplacar o seu Senhor!” Disse-lhe Abayé: “Mas ensinamos que o fazem calar” (Meguilá 25a), porque faz das medidas do Santo, bendito seja, misericórdias, quando elas não são senão decretos. Contudo, na verdade, a razão de “a ele e a seu filho” é a que traduz Yonatan ben Uziel e a que consta no Zohar: ensinar aos filhos de Israel as qualidades da misericórdia, pois todos os mandamentos são chamados no Zohar (Shemot 82b) eitin de'oraita conselhos da Torá, isto é, conselhos para ensinar aos filhos de Israel boas qualidades. Já o tratado Meguilá trata da oração, em que o homem reza ao Nome, bendito seja: se disser “Tu tiveste compaixão”, fazem-no calar. Porque na oração é proibido mencionar qualquer qualidade, entre as percepções que o homem tem do Nome, bendito seja. Pois a oração é para que o Nome ilumine os olhos do homem naquilo a que a sua mão não alcança, ao passo que, com as qualidades, está ao alcance do homem apreender alguma compreensão. E a oração dirige-se apenas ao Nome, bendito seja, para que Ele não seja descrito por nenhuma qualidade, como se menciona na Pesikta: “em tudo o que O invocamos” (Devarim 4:7) — o versículo diz “a Ele”, eilav —, e não às Suas qualidades. E quando um homem reza e menciona alguma qualidade, parece que reza, Deus nos livre, à própria qualidade, para que o salve; mas a qualidade não possui nada por si mesma, apenas aquilo que o Nome, bendito seja, mediu para ela, e é por isso que se chama midá qualidade, atributo; a palavra também significa medida, de “medir”. A oração, porém, dirige-se à Sua essência, bendito seja, a respeito da qual leit machashavá tefisá beih “nenhum pensamento O apreende”, expressão aramaica da tradição cabalística.

וְשׁוֹר אוֹ שֶׂה אֹתוֹ וְאֶת בְּנוֹ לֹא תִשְׁחֲטוּ בְּיוֹם אֶחָד. תַּרְגּוּם יוֹנָתָן בֶּן עֻזִּיאֵל הֵיכְמָא דַּאֲבוּנִין רָחֲמָא כֵּן תְּהוֹן רָחֲמִין בְּאַרְעָא תּוֹרָא אוֹ רְחֵילָא יָתַהּ וְיָת בְּרַהּ לָא תִכְּסוּן בְּיוֹמָא חַד. וְכִדְאִיתָא בַּזוה"ק (ויקרא צ"ב:) אִי עָבֵיד בַּר נָשׁ עוֹבָדָא דְּאַכְזָרִיּוּת הָכִי אִתְּעַר בְּהַהוּא יוֹמָא וכו'. וּפֵירוּשׁ שָׁם שֶׁהוּא לְלַמֵּד אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל מִדּוֹת רַחְמָנוּת, וְהִנֵּה בְּמַסֶּכֶת מְגִילָּה אִיתָא הַהוּא דְּנָחֵית לְקַמֵּיהּ דְּרַבָּה וְאָמַר "אַתָּה חַסְתָּ עַל קַן צִפּוֹר" וכו' אָמַר רַבָּה כַּמָּה יָדַע הַהוּא צוּרְבָא מֵרַבָּנָן לְרַצּוּיֵי לְמָרֵיהּ אָמַר לֵיהּ אַבַּיֵי וְהָא מְשַׁתְּקִין אוֹתוֹ תְּנַן (מגילה כ"ה.) לְפִי שֶׁעוֹשֶׂה מִדּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא רַחֲמִים וְאֵינָם אֶלָּא גְּזֵרוֹת. אַךְ בֶּאֱמֶת לְהָבִין הַטַּעַם שֶׁל אוֹתוֹ וְאֶת בְּנוֹ הוּא כִּדְמְתַרְגֵּם יוֹנָתָן בֶּן עֻזִּיאֵל וְכִדְאִיתָא בַּזוה"ק שֶׁהוּא לְלַמֵּד אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל מִדּוֹת הָרַחְמָנוּת, כִּי כָל הַמִּצְוֹת נִקְרָאִין בַּזוה"ק (שמות פ"ב:) עֵיטִין דְּאוֹרַיְיתָא הַיְינוּ עֵצוֹת לְלַמֵּד אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל מִדּוֹת טוֹבוֹת, אַךְ בְּמַסֶּכֶת מְגִילָּה אַיְירֵי בַּתְּפִלָּה שֶׁאָדָם מִתְפַּלֵּל לְהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ וְאָמַר אַתָּה חַסְתָּ מְשַׁתְּקִין אוֹתוֹ, כִּי בַּתְּפִלָּה אָסוּר לְהַזְכִּיר שׁוּם מִדָּה מֵהַשָּׂגוֹת הָאָדָם בְּהַש"י, כִּי תְּפִלָּה הוּא שֶׁהַש"י יָאִיר עֵינֵי הָאָדָם בְּמָקוֹם שֶׁאֵין יָדוֹ מַגַּעַת, וּבַמִּדּוֹת הוּא בְּכֹחַ הָאָדָם לְהַשִּׂיג אֵיזֶה תְּפִיסָה, וּתְפִלָּה הִיא רַק לְהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ שֶׁלֹּא יְתֹאַר בְּשׁוּם מִדָּה כְּמוֹ שֶׁמּוּזְכָּר בַּפְּסִיקְתָּא "בְּכָל קָרְאֵנוּ אֵלָיו" וְלֹא לְמִדּוֹתָיו, וּכְשֶׁאָדָם מִתְפַּלֵּל וּמַזְכִּיר אֵיזֶה מִדָּה נִרְאֶה כְּמִתְפַּלֵּל חַס וְשָׁלוֹם לְהַמִּדָּה שֶׁתּוֹשִׁיעַ לוֹ וְהַמִּדָּה אֵין לָהּ מִצַּד עַצְמָהּ רַק מִמַּה שֶּׁמָּדַד לָהּ הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ כִּי עַל יְדֵי זֶה נִקְרֵאת מִדָּה, וְהַתְּפִלָּה הוּא לְעַצְמוּתוֹ יִתְבָּרַךְ אֲשֶׁר לֵית מַחֲשָׁבָה תְּפִיסָא בֵּיהּ.
Parágrafo 7

“E trareis o ômer, primícia da vossa colheita, ao sacerdote” (Vayikra 23:10). Omer o feixe de cevada equivale, em guematria, a yakar precioso; ambos valem 310, como consta nos escritos do Ari, de abençoada memória. E isto porque, na primeira noite de Pessach, abriu-se para Israel uma luz grande e preciosa, e todo o bem do Nome, bendito seja, diante dos seus olhos, e depois isso se fechou. Por isso, na segunda noite, permanece no coração de cada um um clamor: clamam ao Nome “Quão preciosa é a Tua bondade, ó Deus!” (Tehilim 36:8) e querem que o Nome lhes devolva a iluminação da Sua face. Sobre isso disse o rei Shlomo, que descanse em paz, em sua profecia: “Eu amo os que me amam” (Mishlei 8:17), isto é, abrirei para vós a iluminação da minha face — e isto corresponde a Pessach, quando se abriu o amor do Nome por Israel —; “e os que me buscam me encontrarão”, isto é, depois que se esforçarem e buscarem de madrugada o bem do Nome, então se fixará em seu coração uma iluminação completa, sem interrupção. E isto é em Shavuot, pois o nun a mais em yimtza'unani “me encontrarão”, que no versículo traz um nun duplo indica os cinquenta portões de Binah discernimento, compreensão que se encontram na Torá; e em Shavuot fixa-se no coração de cada homem que se deixe conduzir pela vontade do Nome, e isso se dá por meio do mandamento da contagem do Ômer. Pois o Ômer vinha da cevada, se'orim, isto é, que sejam escrupulosos com a vontade do Nome, para que não se desviem nem um fio de cabelo, se'ará jogo de palavras entre a cevada e o fio de cabelo; e assim mereçam o discernimento e a iluminação do Nome, de modo que ela lhes seja permanente. Pois em Pessach alcançaram apenas uma iluminação momentânea, que logo se fechou, porque viram a preciosidade da luz do Nome, que é boa, e não conseguiram deixar-se conduzir pela Sua vontade. E por causa disso foi dito “uma serva viu no mar”, alusão ao dito dos Sábios de que uma serva viu, junto ao mar, o que os profetas não viram, porque todo Israel era como uma serva sob o jugo do Nome, sem poder ajustar a sua vontade à vontade do Nome. Em Shavuot, isto é, no dom da Torá, o Nome fixa o discernimento no coração de cada homem, para que compreendam em sua alma a vontade do Nome. E esse discernimento chama-se yaréach lua; a lua indica o discernimento no coração, ao passo que o sol indica a sabedoria, chochmá, aos olhos do homem — e esta são as seiscentas e treze mitzvot, pelas regras gerais das quais o homem sabe como se conduzir em cada assunto, se é proibido ou permitido. Já a lua indica o discernimento no coração do homem para santificar-se também no que lhe é permitido, de modo que tenha limite e fronteira em suas entranhas, para distinguir: até aqui é da vontade do Nome, e daqui em diante não é; e esse discernimento será necessário ao homem em todos os seus assuntos. E é o que consta na Guemará (Bereshit Rabá 6:5): “as nações do mundo contam pelo sol e Israel conta pela lua”. Pois o sol é a sabedoria que está ao alcance do homem apreender, mas a lua indica a vida, que está acima do intelecto, porque yaréach lua vem de reach cheiro: que Israel sinta, em cada coisa, o cheiro da sua raiz na vida do Mundo Vindouro. E embora a lua esteja abaixo do sol, é como consta no Zohar (Bereshit 237b): “sim, é pela lua superior que contamos” — leio aqui o aramaico ein como “sim”, o que combina com o que se segue —, pois o sol recebe luz da lua superior; e o sol superior ninguém mereceu alcançar, senão Moshe, nosso mestre, que descanse em paz.

וַהֲבֵאתֶם אֶת עֹמֶר רֵאשִׁית קְצִירְכֶם אֶל הַכֹּהֵן. עֹמֶר בְּגִימַטְרִיָּא יָקָר כִּדְאִיתָא בְּכִתְבֵי הָאֲרִ"י ז"ל וְהוּא כִּי בְּלֵיל רִאשׁוֹן שֶׁל פֶּסַח נִפְתָּח אוֹר גָּדוֹל וְיָקָר לְיִשְׂרָאֵל וְכָל טוּב הַש"י לְעֵינֵיהֶם וְאַחַר כָּךְ נִסְתָּם, וְלָכֵן בְּלֵיל שֵׁנִי נִשְׁאַר צְעָקָה בְּלֵב כָּל אֶחָד וְאֶחָד שֶׁצּוֹעֲקִים לְהַש"י "מַה יָּקָר חַסְדְּךָ אֱלֹקִים" וְרוֹצִים שֶׁהַש"י יַחֲזוֹר לָהֶם הֶאָרַת פָּנָיו, וְעַל זֶה אָמַר שְׁלֹמֹה הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם בִּנְבוּאָתוֹ (משלי ח',י"ז) "אֲנִי אוֹהֲבַי אֵהָב", הַיְינוּ שֶׁאֶפְתַּח לָכֶם הֶאָרַת פָּנַי וְזֶה נֶגֶד פֶּסַח שֶׁאָז נִפְתָּח אַהֲבַת הַש"י לְיִשְׂרָאֵל, "וּמְשַׁחֲרַי יִמְצָאֻנְנִי" הַיְינוּ אַחַר שֶׁיִּשְׁתַּדְּלוּ וִישַׁחֲרוּ לְטוּב הַש"י, אָז יִקָּבַע בְּלִבָּם הֶאָרָה שְׁלֵימָה מִבְּלִי הֶפְסֵק. וְזֶהוּ בְּחַג הַשָּׁבוּעוֹת כִּי הַנּוּ"ן יְתֵירָה שֶׁל "יִמְצָאֻנְנִי" יוֹרֶה עַל נ' שַׁעֲרֵי בִּינָה הַנִּמְצָאִים בַּתּוֹרָה, וּבְשָׁבוּעוֹת יִקָּבַע בְּלֵב כָּל אָדָם שֶׁיִּמָּשֵׁךְ אַחַר רְצוֹן הַש"י וְהוּא עַל יְדֵי מִצְוַת סְפִירַת הָעֹמֶר, כִּי הָעֹמֶר הָיָה בָּא מִן הַשְּׂעוֹרִים הַיְינוּ שֶׁיְּדַקְדְּקוּ בִּרְצוֹן הַש"י שֶׁלֹּא יִטּוּ אַף כְּחוּט הַשַּׂעֲרָה, וְעַל יְדֵי זֶה יִזְכּוּ לְבִינָה וּלְהֶאָרַת הַש"י שֶׁיִּהְיֶה לָהֶם בִּקְבִיעוּת. כִּי בְּפֶסַח לֹא הִשִּׂיגוּ רַק הֶאָרָה לְפִי שָׁעָה וְתֵיכֶף נִסְתָּם, כִּי רָאוּ אֶת יִקְרַת אוֹר הַש"י כִּי טוֹב הוּא וְלֹא הָיוּ יְכוֹלִים לְהִמָּשֵׁךְ אַחַר רְצוֹנוֹ. וְעי"ז נֶאֱמַר "רָאֲתָה שִׁפְחָה בַּיָּם" כִּי כָל יִשְׂרָאֵל הָיוּ כְּשִׁפְחָה תַּחַת עוֹל הַש"י שֶׁלֹּא יִהְיוּ יְכוֹלִים לְהַשְׁלִים רְצוֹנָם לִרְצוֹן הַש"י. וּבְשָׁבוּעוֹת הַיְינוּ מַתַּן תּוֹרָה הַיְינוּ שֶׁהַש"י קוֹבֵעַ בִּינָה בְּלֵב כָּל אָדָם שֶׁיָּבִינוּ בְּנַפְשָׁם רְצוֹן הַש"י, וְזֶה הַבִּינָה נִקְרֵאת יָרֵחַ, וְיָרֵחַ מוֹרֶה עַל בִּינָה בַּלֵּב, כִּי שֶׁמֶשׁ מוֹרָה עַל חָכְמָה לְעֵינֵי הָאָדָם, וְהֵמָּה הַתַּרְיַ"ג מִצְוֹת שֶׁיֵּדַע הָאָדָם עַל פִּי כְּלָלֵי הַמִּצְוֹת אֵיךְ לְהִתְנַהֵג בְּכָל דָּבָר אִם הוּא אָסוּר אוֹ מֻתָּר. וְיָרֵחַ מוֹרֶה עַל בִּינָה בְּלֵב הָאָדָם לְקַדֵּשׁ עַצְמוֹ אַף בַּמֻּתָּר לוֹ, שֶׁיִּהְיֶה לוֹ גְּבוּל וּתְחוּם בְּמֵעָיו לְהַבְדִּיל שֶׁעַד כָּאן הוּא בִּרְצוֹן הַש"י וּמִכָּאן וְאֵילָךְ אֵינוֹ בִּרְצוֹן הַש"י, וְזֶה הַבִּינָה יִצְטָרֵךְ לְאָדָם בְּכָל עִנְיָנָיו. וְזֶה מַה דְּאִיתָא בַּגְּמָ' (בראשית רבה פרשה ו',ה') "אֻמּוֹת הָעוֹלָם מוֹנִין לַחַמָּה וְיִשְׂרָאֵל מוֹנִין לַלְּבָנָה" כִּי שֶׁמֶשׁ הוּא חָכְמָה שֶׁיֵּשׁ בְּכֹחַ הָאָדָם לְהַשִּׂיגָהּ, אֲבָל לְבָנָה מוֹרָה עַל הַחַיִּים שֶׁהִיא לְמַעְלָה מֵהַשֵּׂכֶל, כִּי יָרֵחַ הִיא מִלְּשׁוֹן רֵיחַ שֶׁיִּשְׂרָאֵל יָרִיחוּ בְּכָל דָּבָר אֶת שָׁרְשׁוֹ מֵחַיֵּי עוֹלָם הַבָּא, אַף שֶׁהַיָּרֵחַ הוּא תַּחַת הַשֶּׁמֶשׁ אַךְ כִּדְאִיתָא בַּזוה"ק (בראשית רל"ז:) "אֵין לְסֵיהֲרָא עִלָּאָה קָא מְנֵינִין", שֶׁהַשֶּׁמֶשׁ הִיא מְקַבֶּלֶת אוֹר מִסֵּיהֲרָא עִילָּאָה, וּלְשִׁמְשָׁא עִילָּאָה לֹא זָכָה לְהַשִּׂיג רַק מֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם.
Parágrafo 8

“E contareis para vós, a partir do dia seguinte ao Shabat” (Vayikra 23:15). O sentido da contagem é este: o período, de Pessach até Shavuot, precisa de guarda — é a época em que o grão amadurece e pode ser prejudicado —, como está escrito: “as semanas, as leis da colheita, Ele nos guarda” (Yirmeyahu 5:24); e consta na Guemará (Vayikra Rabá 28:3): “Ele nos guarda de ventos maus e de orvalhos maus”. Pois aquele tempo precisa de guarda contra ventos maus e orvalhos maus; por isso o Nome, bendito seja, nos ordenou contar e aguardar, de dia em dia, o tempo do dom da nossa Torá, isto é, ao contar, mantemo-nos atentos e preparados, e assim somos guardiões do mandamento: “quem guarda o mandamento não conhecerá coisa má” (Kohelet 8:5), e por isso merecemos ser salvos.

וּסְפַרְתֶּם לָכֶם מִמָּחֳרַת הַשַּׁבָּת. עִנְיַן סְפִירָה הִיא בְּיַעַן כִּי זֶה הַזְּמַן מִפֶּסַח עַד שָׁבוּעוֹת צָרִיךְ שְׁמִירָה כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב "שְׁבֻעוֹת חֻקּוֹת קָצִיר יִשְׁמָר לָנוּ" (ירמיה ה',כ"ד), וְאִיתָא בַּגְּמָ' (ויקרא רבה פרשה כ"ח,ג') "יִשְׁמוֹר לָנוּ מֵרוּחוֹת רָעוֹת וּמִטְּלָלִים רָעִים", כִּי זְמַן הַהוּא צָרִיךְ שְׁמִירָה מֵרוּחוֹת רָעוֹת וּמִטְּלָלִים רָעִים, לָכֵן צִוָּה לָנוּ הַש"י לִסְפּוֹר וּלְצַפּוֹת מִיּוֹם לְיוֹם עַל זְמַן מַתַּן תּוֹרָתֵינוּ וְנִהְיֶה שׁוֹמְרֵי מִצְוָה, "וְשׁוֹמֵר מִצְוָה לֹא יֵדַע דָּבָר רָע" וְעַל יְדֵי זֶה אָנוּ זוֹכִין לְהִנָּצֵל.
Parágrafo 9

“A Festa das Cabanas, sete dias para o Eterno, etc. E tomareis para vós, no primeiro dia, o fruto da árvore formosa, ramos de tamareiras, ramo de árvore frondosa e salgueiros do ribeiro, e vos alegrareis, etc.” (Vayikra 23:34, 40). A sucá e as quatro espécies correspondem às dez profundidades do Sêfer Yetzirá (cap. 1, mishná 5): a profundidade das seis extremidades (que corresponde às paredes da sucá e ao seu teto, o sechach; o original traz este trecho entre colchetes, como complemento — aqui, entre parênteses), a profundidade do bem e a do seu oposto, a profundidade do princípio e a profundidade do fim. “O fruto da árvore formosa”, o etrog, corresponde à profundidade do bem, porque tem sabor e aroma: um bem que permanece para o Mundo Vindouro e cujo fruto se come neste mundo, à maneira da fórmula conhecida sobre as boas ações, cujos frutos se comem neste mundo e cujo capital permanece para o Mundo Vindouro. “Ramos de tamareiras”, o lulav, corresponde à profundidade do fim, como consta na Guemará (Taanit 29b): “para vos dar fim e esperança” (Yirmeyahu 29:11) — são as tamareiras; e também porque a tâmara é a última das sete espécies de Eretz Israel e alude a fim e esperança. “Ramo de árvore frondosa”, o mirto, corresponde à profundidade do princípio, porque tem aroma, isto é, o homem sente o cheiro da sua profundidade e do seu fundamento: para que foi criado no mundo. “Salgueiros do ribeiro”, o salgueiro, corresponde à profundidade do mal, pois não tem nem sabor nem aroma. E o sentido disso é o que consta na Guemará: “Quem entrega a sua alma para morrer pelas palavras da Torá, não se diz nenhuma halachá em seu nome” (Bava Kama 61a); parece, portanto, que desse ato não resulta ao homem nenhum proveito, nem neste mundo nem no Mundo Vindouro. Contudo, no feixe, que reúne as quatro espécies, o lulav, o mirto e o salgueiro atados juntos, é necessário que se encontre também o salgueiro, pois o feixe alude à plenitude do homem, e na plenitude do homem deve encontrar-se também esta força: poder entregar a alma para morrer, ainda que não lhe advenha proveito nem mesmo no Mundo Vindouro. E se esta força se encontrar no homem, então alcançará também as demais profundidades em plenitude. E por isso se chama “profundidade”: porque também no mal se encontra o bem. E é este o sentido de que, no futuro, o Nome, bendito seja, restituirá a todo aquele que perdeu por ter entregado a sua alma pelas palavras da Torá.

חַג הַסֻּכּוֹת שִׁבְעַת יָמִים לַה' וְכוּ' וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן פְּרִי הָדָר כַּפֹּת תְּמָרִים וַעֲנַף עֵץ עָבֹת וְעַרְבֵי נָחַל וּשְׂמַחְתֶּם וְכוּ'. הַסּוּכָּה וְהָאַרְבָּעָה מִינִים הֵם נֶגֶד עֲשָׂרָה עוֹמָקִים שֶׁבְּסֵפֶר יְצִירָה (פרק א' מ"ה) עוֹמֶק שִׁשָּׁה קְצָווֹת (הוּא נֶגֶד הַדְּפָנוֹת מֵהַסּוּכָּה וְהַסְּכָךְ. תַּשְׁלוּם.) וְעוֹמֶק טוֹב וְהִפּוּכוֹ, וְעוֹמֶק רֵאשִׁית, וְעוֹמֶק אַחֲרִית. "פְּרִי עֵץ הָדָר" הוּא נֶגֶד עוֹמֶק טוֹב לְפִי שֶׁיֵּשׁ בּוֹ טַעַם וְרֵיחַ הַיְינוּ טוֹבָה קַיֶּימֶת לָעוֹלָם הַבָּא וְאוֹכֵל פֵּירוֹת בָּעוֹלָם הַזֶּה. "כַּפּוֹת תְּמָרִים" הוּא נֶגֶד עוֹמֶק אַחֲרִית כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (תענית כ"ט:) "לָתֵת לָכֶם אַחֲרִית וְתִקְוָה" אֵלּוּ דְּקָלִים, וְגַם כִּי תְּמָרִים הוּא מִין הָאַחֲרוֹן שֶׁבְּשִׁבְעַת הַמִּינִים וְרוֹמֵז עַל אַחֲרִית וְתִקְוָה. "עֲנַף עֵץ עָבוֹת" הוּא נֶגֶד עוֹמֶק רֵאשִׁית, לְפִי שֶׁיֵּשׁ בּוֹ רֵיחַ הַיְינוּ שֶׁהָאָדָם מֵרִיחַ לְעָמְקוֹ וִיסוֹדוֹ עַל מַה נִּבְרָא בָּעוֹלָם. "עַרְבֵי נָחַל" הוּא נֶגֶד עוֹמֶק רָע כִּי אֵין בָּהּ לֹא טַעַם וְלֹא רֵיחַ וְהָעִנְיָן בָּזֶה כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא "כָּל הַמּוֹסֵר נַפְשׁוֹ לָמוּת עַל דִּבְרֵי תוֹרָה אֵין אוֹמְרִים דְּבַר הֲלָכָה מִשְּׁמוֹ" (בבא קמא דף ס"א.), וְנִרְאֶה שֶׁמִּזֶּה הַמַּעֲשֶׂה לֹא יַגִּיעַ לְהָאָדָם שׁוּם הֲנָאָה לֹא בָּעוֹלָם הַזֶּה וְלֹא בָּעוֹלָם הַבָּא, אַךְ בְּהָאֲגוּדָּה מֵהַצּוֹרֶךְ גַּם עֲרָבָה לְהִמָּצֵא כִּי אֲגוּדָּה רוֹמֵז עַל שְׁלֵימוּת הָאָדָם וּבִשְׁלֵימוּת הָאָדָם צָרִיךְ לְהִמָּצֵא גַּם הַכֹּחַ הַזֶּה שֶׁיּוּכַל לִמְסוֹר נַפְשׁוֹ לָמוּת אַף שֶׁלֹּא יַגִּיעַ לוֹ הֲנָאָה אַף לָעוֹלָם הַבָּא, וּבְאִם יִמָּצֵא בָּאָדָם זֶה הַכֹּחַ אָז יַשִּׂיג גַּם שְׁאָר הָעוֹמָקִים בִּשְׁלֵימוּת, וְעַל יְדֵי זֶה יִקָּרֵא עוֹמֶק לְפִי שֶׁגַּם בְּהָרַע יִמָּצֵא טוֹב וְהִיא שֶׁלֶּעָתִיד יַחֲזוֹר הַש"י לְכָל מִי שֶׁהִפְסִיד בִּמְסִירוּת נַפְשׁוֹ עַל דִּבְרֵי תוֹרָה.
Parágrafo 10

“E tomarás flor de farinha e a cozerás em doze pães; dois décimos de efá haverá em cada pão” (Vayikra 24:5). Eis que Israel é chamado o pão do Santo, bendito seja, o seu chalá pão, e também a porção de massa separada para o Eterno, porque sustenta a glória do Nome neste mundo, como o pão sustenta a força do homem; e por isso o Nome, bendito seja, lhes dará existência nos dois mundos. Pois do homem está escrito (Bereshit 2:7) “e formou”, vayyitzer, com dois yods letras do alfabeto hebraico; a forma comum do verbo teria um só, e isso quer dizer que ele tem existência em dois mundos; e é isso que os dois décimos aludem.

וְלָקַחְתָּ סֹלֶת וְאָפִיתָ אֹתָהּ שְׁתֵּים עֶשְׂרֵה חַלּוֹת שְׁנֵי עֶשְׂרֹנִים יִהְיֶה הַחַלָּה הָאֶחָת. הִנֵּה יִשְׂרָאֵל נִקְרָאִים חַלָּתוֹ שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא כִּי מְקַיְּמִים כְּבוֹד הַש"י בָּעוֹלָם הַזֶּה כַּלֶּחֶם הַמְקַיֵּם כֹּחַ הָאָדָם, וְעַל יְדֵי זֶה יִתֵּן לָהֶם הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ קִיּוּם בִּשְׁתֵּי עוֹלָמוֹת, כִּי בָּאָדָם כְּתִיב (בראשית ב',ז') "וַיִּיצֶר" בִּשְׁנֵי יוּדִי"ן וְהוּא שֶׁיֵּשׁ לוֹ קִיּוּם, בִּשְׁנֵי עוֹלָמוֹת, וְזֶה רוֹמְזִין הַשְּׁנֵי עֶשְׂרֹנִים.
Parágrafo 11

“No dia de Shabat, no dia de Shabat o disporá” (Vayikra 24:8). Eis o motivo pelo qual sobre o primeiro “no dia de Shabat” está escrito kadma ve'azla sinal de cantilação, cujo nome sugere “o que antecedeu e passou”, e sobre o segundo “no dia de Shabat” está o munach revi'i outro sinal de cantilação, cujo nome sugere “pousado”, “assentado”. É que o pão da proposição indica o amor do Nome, bendito seja, por Israel, segundo a palavra da Guemará (Chagigá 26b): “Vede o vosso amor diante do Onipresente”; e daí brota para Israel grande firmeza interior. E por isso o Nome, bendito seja, ordenou oferecer com o pão dois cordeiros (cf. Vayikra 23:19), pois Shabat é o interior dos seis dias da obra, como diz a Guemará (Pesachim 106a): “de quarta-feira até Shabat, é ‘antes de Shabat’; de Shabat até terça-feira, ‘depois de Shabat’” — os dias da semana se definem em relação a Shabat, que é o seu centro. E por isso o Nome, bendito seja, ordenou oferecer dois cordeiros, isto é, dar graças pelo passado e clamar quanto ao futuro. Do pão vem para Israel firmeza quanto ao tempo passado, pois certamente o Nome levará tudo a bom termo para eles; e por isso o sinal de cantilação sobre o primeiro “no dia de Shabat” é kadma ve'azla, isto é, o que antecedeu e passou, e o Nome ajudará para que seja para o bem. E sobre o segundo “no dia de Shabat” está escrito munach pousado revi'i, isto é, que, apesar de tudo isso, o homem precisa clamar quanto ao futuro, e assentar e aquietar o seu espírito até onde alcança a sua força, para não se desviar da vontade do Nome, bendito seja. E se o homem aceitar sobre si, para o futuro, ponderar todos os seus atos até onde a sua mão alcança, sem se desviar da vontade do Nome, então o Nome o ajudará também quanto ao passado, para que não tenha feito nada senão segundo a vontade do Nome.

בְּיוֹם הַשַּׁבָּת בְּיוֹם הַשַּׁבָּת יַעַרְכֶנּוּ. הַטַּעַם שֶׁנִּכְתַּב עַל בְּיוֹם הַשַּׁבָּת הָרִאשׁוֹן קַדְמָא וְאַזְלָא וְעַל בְּיוֹם הַשַּׁבָּת הַשֵּׁנִי מוּנָּח רְבִיעִי, כִּי לֶחֶם הַפָּנִים מוֹרֶה עַל אַהֲבַת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ לְיִשְׂרָאֵל כְּמַאֲמַר הַגְּמָרָא (חגיגה כ"ו:) "רְאוּ חִבַּתְכֶם לִפְנֵי הַמָּקוֹם", וּמִזֶּה נִצְמַח גֹּדֶל תַּקּוּפוּת לְיִשְׂרָאֵל, וְעַל יְדֵי זֶה צִוָּה הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ לְהַקְרִיב עִם הַלֶּחֶם שְׁנֵי כְּבָשִׂים, כִּי שַׁבָּת הוּא הַפְּנִימִיּוּת לְשֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה כְּמַאֲמַר הַגְּמָרָא (פסחים ק"ו.) "מֵאַרְבַּע וְעַד שַׁבָּת, קַמָּא שַׁבְּתָא, מִשַּׁבָּת וְעַד ג' בָּתַר שַׁבְּתָא". וְעַל יְדֵי זֶה צִוָּה הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ לְהַקְרִיב שְׁנֵי כְּבָשִׂים הַיְנוּ לָתֵת הוֹדָאָה עַל הֶעָבָר וְלִצְעֹק עַל לְהַבָּא, וּמֵהַלֶּחֶם יָבֹא תַּקּוּפוּת לְיִשְׂרָאֵל עַל זְמַן הֶעָבָר, שֶׁבֶּטַח יִגְמֹר הַש"י בַּעֲדָם לְטוֹב, וְעַל יְדֵי זֶה נִכְתַּב הַטַּעַם עַל בְּיוֹם הַשַּׁבָּת הָרִאשׁוֹן קַדְמָא וְאַזְלָא, הַיְנוּ מַה שֶּׁקָּדַם וְאָזַל וְהַש"י יַעֲזֹר שֶׁיִּהְיֶה לְטוֹב, וְעַל בְּיוֹם הַשַּׁבָּת הַשֵּׁנִי כְּתִיב מוּנָּח רְבִיעִי, הַיְנוּ שֶׁעַל כָּל זֶה צָרִיךְ הָאָדָם לִצְעֹק עַל לְהַבָּא וּלְהָנִיחַ וּלְיַשֵּׁב דַּעְתּוֹ עַד מָקוֹם שֶׁכֹּחוֹ מַגִּיעַ שֶׁלֹּא יִטֶּה מֵרְצוֹן הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ, וּבְאִם הָאָדָם יְקַבֵּל עָלָיו עַל לְהַבָּא שֶׁמְּחַשֵּׁב כָּל דְּבָרָיו עַד מְקוֹם שֶׁיָּדוֹ מַגַּעַת מִבְּלִי לְהַטּוֹת מֵרְצוֹן הַש"י, אָז הַש"י יַעַזְרוֹ עַל הֶעָבָר שֶׁלֹּא עָשָׂה שׁוּם דָּבָר רַק בִּרְצוֹן הַש"י.
Parágrafo 12

“E saiu o filho de uma mulher israelita, etc.; e o filho da mulher israelita ‘perfurou’, etc.” (Vayikra 24:10-11). Está dito no Zohar (Vayikra 106a): nakuv perfurado é aquilo que estava selado, como está dito “e abriu um buraco na sua porta” (Melachim II 12:10). Pois ele quis abrir a profundidade oculta para o futuro, isto é, abrir desde já aquilo que só se revelará no tempo vindouro: o Nome, bendito seja, purificará Israel até que não haja neles nenhum pecado, e por consequência também ele é plenamente israelita, segundo a palavra da Guemará (Yevamot 23a): um gentio ou escravo que coabita com uma filha de Israel, o filho é apto a entrar em Israel, apenas se chama “inapto”; o argumento é que o filho de mãe israelita é israelita, e assim também o blasfemo pertence ao povo. E ele quis abrir que, no futuro, o Santo, bendito seja, purificará de modo que não reste dos pecados de Israel nenhum vestígio, e ele seja como todo Israel. E, conforme diz o Zohar (Vayikra 26a): “tomou o he do Nome santo e amaldiçoou com ele, para defender a sua mãe” — o último he do Nome, pois o último he alude à ação, asiyá, isto é, o Nome, bendito seja, deseja que o homem cumpra os Seus mandamentos; e ele quis abrir, isto é, quis ensinar que o Nome pode salvar mesmo sem as obras do homem. E também a palavra da Guemará (Midrash Tanchuma, Emor 23): “saiu da passagem de cima” — a imediatamente anterior, a do pão da proposição —, “e é, porventura, costume de um rei comer pão frio?”, isto é, o que ele objetava era, ao que parece, que o bem chegue ao homem por vias fixas; pois neste mundo todos os influxos que o homem recebe do Santo, bendito seja, ele os recebe, no tempo, por meio de Shabat; no espaço, por meio do lugar do Santuário; e na alma, por meio dos patriarcas e do conjunto de Israel. E ele disse que o Nome pode salvar em qualquer lugar, em qualquer tempo e cada alma por si mesma. Também a palavra da Guemará: “veio plantar a sua tenda no acampamento de Dan”. Por isso foi escrita a passagem do blasfemo, para mostrar até onde o homem precisa afastar-se de toda espécie de queixa. Pois o blasfemo, porque se afastou do acampamento de Israel e saiu do tribunal de Moshe como condenado segundo a tradição, ele reclamou um lugar na tribo de Dan, a da sua mãe, e Moshe o julgou culpado, levantou-se e blasfemou — a sua blasfêmia foi, no fundo, uma queixa contra a conduta divina —, embora o início da sua intenção fosse para o Céu, já que queria estar plantado no acampamento de Israel: por ser israelita pelo lado da mãe, teve por isso uma boa intenção. Mas a queixa que teve depois de se afastar vinha do lado de ser homem egípcio, isto é, do lado do pai. Pois o homem de Israel, uma vez que o seu coração está apegado ao Nome e a sua intenção é para o Céu, mesmo que o Nome o afaste de algum bem, nisso mesmo será chamado servo do Eterno, ao se afastar segundo a vontade do Nome, e merecerá um grande bem. Por exemplo, o portador de defeito da descendência de Aharon: nisso mesmo mereceria um grande bem, por se ter afastado do serviço. Mas aquele cuja raiz e tronco não são de Israel, se for afastado de um bem, não conseguirá conter o seu espírito e se rebelará — literalmente, “chutará”, e daí o “chutar” que logo aparece —, como consta na Guemará (Avodá Zará 3b): no futuro o Santo, bendito seja, dará às nações o mandamento da sucá e fará sair o sol da sua bainha, e cada um chutará a sua sucá e sairá. E a Guemará objeta: “também Israel estaria isento” quem sofre desconforto na sucá está isento dela, e responde que, ainda assim, Israel não chuta. Embora a intenção deles — das nações — fosse cumprir o mandamento do Nome, se Ele os impedir, chutarão. Por isso a prova será no mandamento da sucá, pois o mandamento da sucá é: sai de moradia fixa e senta-te em moradia provisória, isto é, que o homem se deixe conduzir segundo a vontade do Nome, como Ele deseja, e não se queixe se o Santo, bendito seja, o impedir até de cumprir os Seus mandamentos, porque, já que essa é a vontade do Nome, ele cumprirá também agora os Seus mandamentos pelo fato de se ter afastado. E quem se revolta quando é impedido do mandamento, fica provado que também antes, quando quis cumprir o mandamento do Eterno, também então a sua intenção não era para o Céu. E é isto que o Nome ordenou aqui: “Faze sair o blasfemo” (Vayikra 24:14), isto é, mesmo que a sua vontade fosse fixar a sua tenda no acampamento de Israel, também então não era para o Céu. E junto a isso segue a passagem de quem fere uma alma humana e de quem fere um animal, pois assim é o caminho do Nome: depois de ordenar apedrejar o blasfemo, o que parecia medida de julgamento, e também a humilhação que ele tinha, ordenou em seguida cuidar da honra das criaturas, mesmo da honra de carne e osso, pois o aviso foi dado até a respeito da vida do animal. E por isso foi dito: “E quando um homem causar um defeito ao seu próximo” (Vayikra 24:19), “assim se lhe fará” (Vayikra 24:20), isto é, “um só julgamento haverá para vós” (Vayikra 24:22): mesmo aquele que teve queixa falsa, ainda que contra um homem, “assim se lhe fará”, isto é, que se mostre aos olhos que ele mesmo tem esse defeito. E por isso, junto à passagem da sucá, segue a passagem da menorá, isto é, que o Nome ilumine os olhos do homem e ele veja que o Nome é Quem conduz; e também a passagem do pão da proposição, que alude ao amor do Nome por Israel, isto é (Chagigá 26b): “vede o vosso amor”, pois tudo o que o Nome faz é só para o bem de Israel. Já aquele cuja raiz e tronco não são de Israel é forçado a proferir queixa contra o Nome, bendito seja, e não consegue conter o seu espírito, tendo de pô-lo para fora nos lábios, como se explica na passagem do blasfemo; e em Israel não se encontra queixa nenhuma, porque sabem que tudo é para o bem deles.

וַיֵּצֵא בֶּן אִשָּׁה יִשְׂרְאֵלִית וְכוּ' וַיִּקֹּב בֶּן הָאִשָּׁה וְכוּ'. מַאֲמַר זוה"ק (ויקרא ק"ו.) נָקוּב מַה דַּהֲוָה סָתוּם כְּמָה דְאַתְּ אָמַר "וַיִּקֹּב חוֹר בְּדַלְתּוֹ". כִּי רָצָה לִפְתֹּחַ הָעֹמֶק הַצָּפוּן לֶעָתִיד, כִּי הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ יְצָרֵף יִשְׂרָאֵל שֶׁלֹּא הָיָה בָּהֶם שׁוּם חֵטְא, וּמִמֵּילָא גַּם הוּא יִשְׂרָאֵל גָּמוּר כְּמַאֲמַר הַגְּמָרָא (יבמות כ"ג.) נָכְרִי וְעֶבֶד הַבָּא עַל בַּת יִשְׂרָאֵל הַוָּלָד כָּשֵׁר לָבֹא בְּיִשְׂרָאֵל רַק שֶׁמִּקְרֵי פָּסוּל, וְהוּא רָצָה לִפְתֹּחַ שֶׁלֶּעָתִיד יְצָרֵף הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא שֶׁלֹּא יִשָּׁאֵר מֵחֶטְאֵי יִשְׂרָאֵל שׁוּם רֹשֶׁם וְהוּא כְּכָל יִשְׂרָאֵל, וּכְמַאֲמַר הַזוה"ק (ויקרא כ"ו.) נָטַל ה' דְּבִשְׁמָא קַדִּישָׁא וְלָיֵט בָּהּ בְּגִין לְאַגָּנָה עַל אִמֵּיהּ, כִּי ה' אַחֲרוֹנָה רוֹמֵז עַל עֲשִׂיָּה וְהוּא שֶׁהַש"י חָפֵץ שֶׁהָאָדָם יְקַיֵּם מִצְוֹתָיו, וְהוּא רָצָה לִפְתֹּחַ, כִּי הַש"י יָכוֹל לְהוֹשִׁיעַ אַף בְּלֹא פְּעוּלּוֹת הָאָדָם, וְגַם מַאֲמַר הַגְּמָ' (מדרש תנחומא אמור כ"ג) מִפָּרָשָׁה שֶׁל מַעְלָה יָצָא, וְכִי דַּרְכּוֹ שֶׁל מֶלֶךְ לֶאֱכֹל פַּת צוֹנֶנֶת, הַיְנוּ כִּי בָּעוֹלָם הַזֶּה כָּל הַהַשְׁפָּעוֹת שֶׁהָאָדָם מְקַבֵּל מֵהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא הוּא מְקַבֵּל בַּזְמַן דֶּרֶךְ שַׁבָּת וּבָעוֹלָם דֶּרֶךְ מְקוֹם הַמִּקְדָּשׁ וּבַנֶּפֶשׁ דֶּרֶךְ הָאָבוֹת וּכְלַל יִשְׂרָאֵל, וְהוּא אָמַר כִּי הַש"י יָכוֹל לְהוֹשִׁיעַ בְּכָל מָקוֹם וְכָל זְמַן וּלְכָל נֶפֶשׁ בִּפְנֵי עַצְמוֹ. גַּם מַאֲמַר הַגְּמָ' מִפָּרָשָׁה שֶׁל מַעְלָה יָצָא, בָּא לִיטַּע אָהֳלוֹ בְּמַחֲנֵה דָן, עַל זֶה נִכְתַּב פָּרָשַׁת הַמְקַלֵּל לְהַרְאוֹת עַד הֵיכָן צָרִיךְ הָאָדָם לְהַרְחִיק עַצְמוֹ מִכָּל מִינֵי תַּרְעוֹמוֹת, שֶׁהַמְקַלֵּל לְפִי שֶׁנִּתְרַחֵק מִמַּחֲנֵה יִשְׂרָאֵל וְיָצָא מִבֵּית דִּין שֶׁל מֹשֶׁה מְחֻיָּב וְעָמַד וְגִדֵּף, אַף שֶׁתְּחִלַּת כַּוָּנָתוֹ הָיְתָה לְשֵׁם שָׁמַיִם שֶׁרָצָה שֶׁיִּהְיֶה נָטוּעַ בְּמַחֲנֵה יִשְׂרָאֵל, לְפִי שֶׁהָיָה אִישׁ יִשְׂרְאֵלִי מִצַּד אִמּוֹ עַל יְדֵי זֶה הָיָה לוֹ כַּוָּנָה טוֹבָה, רַק הַתַּרְעוֹמוֹת שֶׁהָיָה לוֹ אַחַר שֶׁנִּתְרַחֵק, הָיָה מִצַּד שֶׁהָיָה אִישׁ מִצְרִי, כִּי אִישׁ יִשְׂרָאֵל אַחַר שֶׁלִּבּוֹ דָּבוּק בְּהַש"י וְכַוָּנָתוֹ לְשֵׁם שָׁמַיִם, אַף אִם הַש"י יִדְחֶה אוֹתוֹ מֵאֵיזֶה טוֹבָה, בָּזֶה עַצְמוֹ יִקָּרֵא עוֹבֵד ה' בְּמַה שֶּׁמַּרְחִיק עַצְמוֹ עַל פִּי רְצוֹן הַש"י וְיִזְכֶּה לְטוֹבָה גְּדוֹלָה, כְּגוֹן בַּעַל מוּם מִזֶּרַע אַהֲרֹן, בָּזֶה עַצְמוֹ הָיָה זוֹכֶה לְטוֹבָה גְּדוֹלָה בְּמַה שֶּׁהִרְחִיק עַצְמוֹ מֵהָעֲבוֹדָה, אַךְ מִי שֶׁאֵין שָׁרְשׁוֹ וְגִזְעוֹ מִיִּשְׂרָאֵל בְּאִם יְרֻחַק מִטּוֹבָה אָז לֹא יוּכַל עֲצֹר רוּחוֹ וְיִבְעַט כְּמוֹ דְּאִיתָא בַּגְּמָרָא (עבודה זרה ג'.) כִּי לֶעָתִיד יִתֵּן לָהֶן מִצְוַת סֻכָּה וְהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא יוֹצִיא חַמָּה מִנַּרְתִּיקָהּ וְכָל אֶחָד בּוֹעֵט בְּסֻכָּתוֹ וְיוֹצֵא, וּפָרִיךְ יִשְׂרָאֵל נַמִּי פְּטוּרִין וּמְשַׁנֵּי בִּעוּטָא לָא מְבַעֲטֵי, אַף כִּי כַּוָּנָתָם יִהְיֶה לְקַיֵּם מִצְוַת הַש"י אַךְ בְּאִם יִמְנָעֵם יִבְעֲטוּ, וְלָכֵן יִהְיֶה הַבְּחִינָה בְּמִצְוַת סֻכָּה, כִּי מִצְוַת סֻכָּה הוּא צֵא מִדִּירַת קֶבַע וְשֵׁב בְּדִירַת עֲרַאי הַיְנוּ שֶׁיִּמָּשֵׁךְ הָאָדָם אַחַר רְצוֹן הַש"י כְּפִי רְצוֹנוֹ יִתְבָּרַךְ וְלֹא יִתְרַעֵם בְּאִם הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא יִמְנְעוֹ אַף מִלַּעֲשׂוֹת מִצְוֹתָיו, שֶׁמֵּאַחַר שֶׁזֶּה רְצוֹן הַש"י יְקַיֵּם גַּם עַתָּה מִצְוֹתָיו בְּמַה שֶּׁפֵּרֵשׁ עַצְמוֹ, וּמִי שֶׁמְּבַעֵט כַּאֲשֶׁר יִמָּנַע מִן הַמִּצְוָה, מוּכָח שֶׁגַּם קֹדֶם כְּשֶׁרָצָה לְקַיֵּם מִצְוַת ה' גַּם אָז לֹא הָיְתָה כַּוָּנָתוֹ לְשֵׁם שָׁמַיִם, וְזֶה צִוָּה הַש"י כָּאן "הוֹצֵא אֶת הַמְקַלֵּל" הַיְנוּ הֲגַם שֶׁרְצוֹנוֹ לִקְבֹּעַ אָהֳלוֹ בְּמַחֲנֵה יִשְׂרָאֵל גַּם אָז לֹא הָיְתָה כַּוָּנָתוֹ לְשֵׁם שָׁמַיִם. וְנִסְמַךְ לָזֶה פָּרָשַׁת מַכֵּה נֶפֶשׁ אָדָם וּמַכֵּה בְּהֵמָה, כִּי כֵן דֶּרֶךְ הַש"י אַחֲרֵי שֶׁצִּוָּה לִרְגֹּם אֶת הַמְקַלֵּל שֶׁהָיָה נִרְאֶה כְּמִדּוֹת הַדִּין וְגַם בִּזְיוֹנוֹ שֶׁהָיָה לוֹ, אַחַר זֶה צִוָּה לְהִזָּהֵר בִּכְבוֹד הַבְּרִיּוֹת אַף בִּכְבוֹד בָּשָׂר וָדָם כַּאֲשֶׁר נֶאֱמַר הָאַזְהָרָה אַף עַל נֶפֶשׁ בְּהֵמָה, וְלָזֶה נֶאֱמַר "וְאִישׁ כִּי יִתֵּן מוּם בַּעֲמִיתוֹ כֵּן יִנָּתֶן בּוֹ" הַיְנוּ "מִשְׁפָּט אֶחָד יִהְיֶה לָכֶם" אַף מִי שֶׁהָיָה לוֹ תַּרְעוֹמוֹת שֶׁל שֶׁקֶר אַף עַל אָדָם, "כֵּן יִנָּתֶן בּוֹ", הַיְנוּ שֶׁיִּתְרָאֶה לָעַיִן כִּי הוּא בְּעַצְמוֹ יֵשׁ לוֹ זֶה הַמּוּם. וְעי"ז נִסְמַךְ לְפָרָשַׁת סֻכָּה פָּרָשַׁת מְנוֹרָה הַיְנוּ שֶׁהַש"י יָאִיר עֵינֵי הָאָדָם וְיִרְאֶה כִּי הַש"י הוּא הַמַּנְהִיג, גַּם פָּרָשַׁת לֶחֶם הַפָּנִים שֶׁרוֹמֵז עַל אַהֲבַת הַש"י לְיִשְׂרָאֵל הַיְנוּ (חגיגה כ"ו:) "רְאוּ חִבַּתְכֶם" שֶׁכָּל מַה שֶּׁהַש"י עוֹשֶׂה הוּא רַק לְטוֹבַת יִשְׂרָאֵל, אַךְ מִי שֶׁאֵין שָׁרְשׁוֹ וְגִזְעוֹ מִיִּשְׂרָאֵל מֻכְרָח לְהוֹצִיא תַּרְעוֹמוֹת עַל הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ וְלֹא יוּכַל לַעֲצֹר רוּחוֹ רַק לְהוֹצִיאוֹ עַל שְׂפָתוֹ, כְּמוֹ שֶׁמְּבֹאָר בְּפָרָשַׁת מְקַלֵּל וּבְיִשְׂרָאֵל לֹא נִמְצָא שׁוּם תַּרְעוֹמוֹת כִּי יוֹדְעִים שֶׁהַכֹּל לְטוֹבָתָם.
Parágrafo 13

Nesta parashá há cinco passagens até as passagens das festas, isto é, cinco seções antes do capítulo dos tempos fixados (Vayikra 23), e elas correspondem a cinco espécies de queixa que pode haver no coração do homem contra as medidas do Santo, bendito seja. A primeira passagem é a dos nafshot met contato com almas de mortos, isto é, impureza do morto: corresponde à queixa que há no coração do homem contra a morte e a carência que se encontram no mundo. A segunda passagem é a do portador de defeito: pode encontrar-se em seu coração queixa contra as medidas do Santo, bendito seja, depois de ter sido plantado na linhagem de Aharon e de ser digno de oferecer ao Eterno e de O servir — por que criou nele um defeito que o impede dessa santidade? Pois a santidade do sacerdote que serve é incalculável. Vemos que o Nome, bendito seja, nos ordenou comer matzot, e quanta santidade há nesse comer; quanto mais o comer das oferendas santas do Céu, como encontramos na Guemará (Pesachim 57a) que o Pátio do Templo bradou: “Que entre e encha o seu ventre das oferendas santas do Céu”. Vê-se daí quão caro é aos olhos do Eterno o comer das oferendas santas; e quanto mais o sacerdote que serve: quanta santidade se encontra nele em seu serviço ao Eterno! Por isso, quando se encontra um defeito no sacerdote, pode encontrar-se nele queixa, pois, embora o comer das oferendas santas lhe seja permitido, do serviço do Nome ele está afastado. A terceira passagem é a do sacerdote que se contaminou, o sacerdote que ficou impuro e por isso não pode comer das oferendas santas. Pois certamente o sacerdote que estava preparado para servir ao Eterno se guardava antes disso e purificava o seu coração o quanto podia, para que não lhe ocorresse nenhum tropeço, nem mesmo em pensamento, e quanto mais da impureza do corpo. E depois lhe aconteceu algo pelo qual ficou afastado do serviço do Nome e do comer das oferendas santas, e o seu clamor se agigantou: por que o Nome não o ajudou, para que não ficasse afastado do Seu serviço? A quarta passagem é a dos defeitos do sacrifício, os animais com defeito, impróprios para o altar: há clamor no coração dos donos do animal — por que o Nome lhes concedeu um bem e uma posse tais que eles não possam oferecê-los a Ele? A quinta passagem é a do sacrifício de agradecimento — o sacrifício de gratidão, que devia ser comido no mesmo dia —, de que se disse: “naquele dia será comido” (Vayikra 22:30). Isto é, o homem é obrigado a dar graças pelo passado e a clamar quanto ao futuro, para não confiar no dia de amanhã, mas estar sempre em oração e em temor; e por isso é proibido deixar dele sobra para o segundo dia. E encontra-se então clamor no coração dos homens: por que o Nome não lhes dá uma firme confiança, para que possam fazer todas as suas coisas com a segurança de que o Nome os ajudará? Sobre isso disse o rei David, que descanse em paz (Tehilim 92): “Salmo, canção para o dia de Shabat”, isto é (Tamid 33b), para o futuro, para o dia que é todo Shabat; “É bom dar graças ao Eterno” (Tehilim 92:2), isto é, o Santo, bendito seja, ensinará discernimento a Israel e os fará compreender que todas as coisas foram apenas para que o homem tenha bem. E sobre isso foi dito “e cantar ao Teu Nome, Altíssimo” (Tehilim 92:2), pois onde o Nome conduz acima do intelecto do homem, então se chama Elyon Altíssimo. E, em correspondência às cinco passagens, Ele deu a Israel cinco passagens de festas, que são firmeza para o homem e ampliação do seu ânimo, para que nele não se encontre nenhuma queixa. Em correspondência à primeira passagem foi dada a passagem de Pessach, pois Pessach é o início da iluminação de que o Nome é Quem dá vida a Israel. Shavuot corresponde à passagem do portador de defeito, pois no dom da Torá foram curados todos os portadores de defeito, e Shavuot indica que o Nome curará tudo, para que seja para o bem. Rosh Hashaná corresponde à passagem do impuro, pois tamê impuro é tristeza, como se explicou (acima, no segundo ensinamento sobre “Fala aos sacerdotes”) — o hebraico traz esta remissão entre colchetes; aqui, entre parênteses —; e por isso há em Rosh Hashaná o mandamento do toque do shofar, para que não chegue ao homem uma notícia da qual lhe advenha tristeza. Yom Kippur corresponde aos defeitos do sacrifício, quer dizer, à queixa dos donos dos animais impróprios, pois no momento em que Israel abandona todos os bens e prazeres deste mundo para cumprir a vontade do Nome, então vem força e fortalecimento para todos os bens e posses deles. E, em correspondência ao sacrifício de agradecimento, isto é, ao fato de o homem precisar estar sempre em temor, foi-lhes dado o mandamento da sucá, isto é, que o Nome proteja o homem e o envolva; e a Festa das Cabanas é chamada “tempo da nossa alegria”, isto é, que o Nome dará alegria ao homem com a Sua promessa de que não o abandonará.

בְּהַסִּדְרָה הַזֹּאת יֵשׁ חָמֵשׁ פָּרָשִׁיּוֹת עַד פָּרָשׁוֹת הַמּוֹעֲדוֹת, וְהֵם נֶגֶד חֲמִשָּׁה מִינֵי תַּרְעוֹמוֹת שֶׁיּוּכַל לְהִמָּצֵא בְּלֵב הָאָדָם עַל מִדּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא, הַפָּרָשָׁה הָרִאשׁוֹנָה הוּא מִנַּפְשׁוֹת מֵת, הוּא נֶגֶד תַּרְעוֹמוֹת שֶׁיֵּשׁ בְּלֵב הָאָדָם עַל הַמִּיתָה וְהַהֶעְדֵּר הַמָּצוּי בָּעוֹלָם, וּפָרָשָׁה הַשֵּׁנִית הִיא מִבַּעַל מוּם שֶׁיּוּכַל לְהִמָּצֵא בְּלִבּוֹ תַּרְעוֹמוֹת עַל מִדּוֹתָיו שֶׁל הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא אַחַר אֲשֶׁר הִתְנַטַּע בְּגֶזַע אַהֲרֹן וְהָיָה רָאוּי לְהַקְרִיב לַה' וְלַעֲבֹד אוֹתוֹ, לָמָּה בָּרָא בּוֹ מוּם שֶׁיִּמְנַע אוֹתוֹ מִזֶּה הַקְּדֻשָּׁה, כִּי קְדֻשַּׁת כֹּהֵן הָעוֹבֵד אֵין לְשַׁעֵר, כְּמוֹ שֶׁנִּרְאֶה שֶׁצִּוָּה לָנוּ הַש"י אֲכִילַת מַצּוֹת כַּמָּה קְדֻשָּׁה יֵשׁ בָּזֶה הָאֲכִילָה, וְכָל שֶׁכֵּן אֲכִילַת קָדְשֵׁי שָׁמַיִם, כְּמוֹ שֶׁמָּצִינוּ בַּגְּמָרָא (פסחים נ"ז.) שֶׁצָּוְחָה הָעֲזָרָה "יִכָּנֵס וִימַלֵּא כְּרֵסוֹ מִקָּדְשֵׁי שָׁמַיִם", נִרְאֶה מִזֶּה אֵיךְ יָקָר הוּא בְּעֵינֵי ה' אֲכִילַת קָדָשִׁים, וְכָל שֶׁכֵּן הַכֹּהֵן הָעוֹבֵד כַּמָּה קְדֻשָּׁה יִמָּצֵא בּוֹ בַּעֲבוֹדָתוֹ לַה', וְלָזֶה כַּאֲשֶׁר יִמָּצֵא מוּם בְּכֹהֵן יוּכַל לְהִמָּצֵא בּוֹ תַּרְעוֹמוֹת, כִּי אַחֲרֵי גַּם אֲכִילַת קָדָשִׁים הֻתְּרָה לוֹ, אַךְ מֵעֲבוֹדַת הַש"י הוּא מְרֻחָק. וּפָרָשָׁה הַשְּׁלִישִׁית הִיא מִכֹּהֵן שֶׁנִּטְמָא, כִּי בֶּטַח הַכֹּהֵן שֶׁהָיָה מוּכָן לַעֲבֹד אֶת ה' הָיָה מְשַׁמֵּר עַצְמוֹ קֹדֶם לָכֵן וְזִכֵּךְ אֶת לִבּוֹ כְּפִי יְכָלְתּוֹ שֶׁלֹּא יֶאֱרַע לוֹ שׁוּם תַּקָּלָה אַף בְּמַחְשַׁבְתּוֹ, וְכָל שֶׁכֵּן מִטֻּמְאַת הַגּוּף, וְאַחַר כָּךְ אֵרַע לוֹ דָּבָר שֶׁיְּרֻחַק עַל יָדָהּ מֵעֲבוֹדַת הַש"י וּמֵאֲכִילַת קָדָשִׁים וְגָדְלָה צַעֲקָתוֹ מַדּוּעַ לֹא עָזַר לוֹ הַש"י שֶׁלֹּא יִהְיֶה מְרֻחָק מֵעֲבוֹדָתוֹ. וּפָרָשָׁה הָרְבִיעִית הוּא מִמּוּמֵי קָרְבָּן שֶׁיֵּשׁ צְעָקָה בְּלֵב בְּעָלָיו מַדּוּעַ יַנְחִיל לוֹ הַש"י טוֹב וּרְכוּשׁ כָּזֶה שֶׁלֹּא יוּכַל לְהַקְרִיבוֹ אֵלָיו. וּפָרָשָׁה הַחֲמִישִׁית הוּא מִזֶּבַח תּוֹדָה שֶׁנֶּאֱמַר בָּהּ "בַּיּוֹם הַהוּא יֵאָכֵל", הַיְנוּ שֶׁהָאָדָם מְחֻיָּב לָתֵת הוֹדָאָה עַל לְשֶׁעָבַר וְלִצְעֹק עַל לְהַבָּא שֶׁלֹּא יִבְטַח עַל יוֹם מָחָר רַק שֶׁיִּהְיֶה תָּמִיד בִּתְפִלָּה וּבְיִרְאָה, וְעַל יְדֵי זֶה נֶאֱסַר לְהוֹתִיר מִמֶּנּוּ לְיוֹם שֵׁנִי וְיִמָּצֵא צְעָקָה בְּלִבְבוֹת בְּנֵי הָאָדָם, מַדּוּעַ לֹא יִתֵּן לָהֶם הַש"י מִבְטַח עֹז שֶׁיּוּכְלוּ לַעֲשׂוֹת כָּל דִּבְרֵיהֶם בְּבִטָּחוֹן שֶׁהַש"י יַעְזְרֵם, וְעַל זֶה אָמַר דָּוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם (תהלים צ"ב) "מִזְמוֹר שִׁיר לְיוֹם הַשַּׁבָּת" הַיְנוּ (תמיד ל"ג:) לֶעָתִיד לְיוֹם שֶׁכֻּלּוֹ שַׁבָּת "טוֹב לְהֹדוֹת לַה'", הַיְנוּ שֶׁהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא יוֹרֶה בִּינָה לְיִשְׂרָאֵל וִיבִינֵם כִּי כָל הַדְּבָרִים לֹא הָיוּ רַק לְמַעַן יוּטַב לָאָדָם, וְעַל זֶה נֶאֱמַר "וּלְזַמֵּר לְשִׁמְךָ עֶלְיוֹן" כִּי בִּמְקוֹם שֶׁהַש"י יִנְהַג לְמַעְלָה מִשֵּׂכֶל הָאָדָם אָז יִקָּרֵא עֶלְיוֹן. וְנֶגֶד הַחֲמִשָּׁה פָּרָשִׁיּוֹת נָתַן לָהֶם לְיִשְׂרָאֵל חֲמִשָּׁה פָּרָשׁוֹת מוֹעֲדוֹת וְהֵם תַּקּוּפוּת לָאָדָם וְהַרְחָבוֹת דַּעְתּוֹ לְבַל יִמָּצֵא בּוֹ שׁוּם תַּרְעוֹמוֹת. וְנִיתַּן לָהֶם נֶגֶד פָּרָשָׁה רִאשׁוֹנָה פָּרָשַׁת פֶּסַח, כִּי פֶּסַח הוּא הַתְחָלַת הֶאָרָה שֶׁהַש"י הוּא הַנּוֹתֵן חַיִּים לְיִשְׂרָאֵל. וְשָׁבוּעוֹת הוּא נֶגֶד פָּרָשַׁת בַּעַל מוּם כִּי בְּמַתַּן תּוֹרָה נִתְרַפְּאוּ כָּל בַּעֲלֵי מוּמִין וְשָׁבוּעוֹת יוֹרֶה כִּי הַש"י יְרַפֵּא הַכֹּל שֶׁיִּהְיֶה לְטוֹב. וְרֹאשׁ הַשָּׁנָה הוּא נֶגֶד פָּרָשַׁת טָמֵא, כִּי טָמֵא הוּא עַצְבוּת כַּמְבֹאָר (לעיל ד"ה אמור ב') וְעַל זֶה הוּא בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה מִצְוַת תְּקִיעוֹת שׁוֹפָר שֶׁלֹּא יָבֹא לָאָדָם שְׁמוּעָה שֶׁיַּגִּיעַ לוֹ מִמֶּנָּה עַצְבוּת. וְיוֹם הַכִּפּוּרִים הוּא נֶגֶד מוּמֵי הַקָּרְבָּן כִּי בְּעֵת שֶׁיִּשְׂרָאֵל עוֹזְבִים כָּל טוֹבוֹת וַהֲנָאוֹת עוֹלָם הַזֶּה כְּדֵי לְקַיֵּם רְצוֹן הַש"י, אָז יָבֹא כֹּחַ וְחִזּוּק לְכָל הַטּוֹבוֹת וְהָרְכוּשׁ שֶׁלָּהֶם. וְנֶגֶד תּוֹדָה הַיְנוּ שֶׁהָאָדָם צָרִיךְ לִהְיוֹת תָּמִיד בְּיִרְאָה, נֶגֶד זֶה נִיתַּן לָהֶם מִצְוַת סֻכָּה הַיְנוּ שֶׁהַש"י יָגֵן עַל הָאָדָם וְיַקִּיף אוֹתוֹ, וְחַג הַסֻּכּוֹת נִקְרָא זְמַן שִׂמְחָתֵנוּ הַיְנוּ שֶׁהַש"י יִתֵּן שִׂמְחָה לְהָאָדָם בְּהַבְטָחָתוֹ שֶׁלֹּא יַעֲזֹב אוֹתוֹ.
Parte II · Sefaria Volume II
Parágrafo 14

“E ele tomará por mulher uma virgem” (Vayikra 21:13). Pois o Sumo Sacerdote precisa receber, em todos os seus assuntos, de uma fonte, isto é, de algo ainda não usado, como a virgem, imagem do que é intocado; e em cada assunto o Santo, bendito seja, lhe mostra novidades. E também em cada oração o Sumo Sacerdote precisa renovar alguma coisa.

וְהוּא אִשָּׁה בִּבְתוּלֶיהָ יִקָּח. כִּי הַכֹּהֵן גָּדוֹל צָרִיךְ לְקַבֵּל בְּכָל עִנְיָנָיו מִמָּקוֹר וּבְכָל עִנְיָן מַרְאֶה לוֹ הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא חֲדָשׁוֹת וְגַם בְּכָל תְּפִלָּה צָרִיךְ הַכֹּהֵן גָּדוֹל לְחַדֵּשׁ דָּבָר.
Parágrafo 15

“Comerá o pão do seu Deus, das oferendas santíssimas e das santas; mas até o véu não entrará, e ao altar não se achegará, etc.” (Vayikra 21:22-23). Isto foi dito em resposta à queixa que há no coração dos portadores de defeito da descendência de Aharon: por que foram afastados do serviço? Pois todos os inaptos e impuros cuja falta vem do lado do homem, esses reconhecerão como justo o julgamento sobre si; mas quem nasceu com um defeito tem queixa no coração, no sentido de “vai ao artesão que me fez” resposta de quem, zombado por seu aspecto, remete a queixa ao Criador. E sobre isso foi dito “o pão do seu Deus”, etc., isto é, que no teu interior nada te faltará, pois ele come das oferendas santas e o seu íntimo nada perde. Mas, da parte do Eterno, vem toda a ordenação sobre a descendência de Aharon: quantos portadores de defeito se encontrarão entre eles! Ou seja, quem nasce com defeito é assim por determinação divina, e não por culpa sua. E se subiu a Ele a vontade, bendito seja, de afastá-lo do serviço, ele não se queixará de nada, pois aceita a vontade do Nome, porque nisso se cumpre a vontade do Nome, bendito seja. Mas em seu interior ele não está afastado, e comerá das oferendas santas; apenas “até o véu não entrará, e ao altar não se achegará”, e com isso cumpre o mandamento do Eterno como se o fizesse em ato e em serviço, segundo consta no Zohar (Vayeshev 181a).

לֶחֶם אֱלֹהָיו מִקָּדְשֵׁי הַקֳּדָשִׁים וּמִן הַקֳּדָשִׁים יֹאכֵל אַךְ אֶל הַפָּרֹכֶת לֹא יָבֹא וְאֶל הַמִּזְבֵּחַ לֹא יִגַּשׁ וְגוֹ'. זֶה נֶאֱמַר נֶגֶד הַתַּרְעוֹמֶת שֶׁיֵּשׁ בְּלֵב הַבַּעֲלֵי מוּמִין מִזֶּרַע אַהֲרֹן לָמָּה נִתְרַחֲקוּ מֵעֲבוֹדָה. כִּי כָל הַפְּסוּלִים וְהַטְּמֵאִים אֲשֶׁר זֶה הַחֶסְרוֹן הוּא מִצַּד אָדָם הֵם יַצְדִּיקוּ עֲלֵיהֶם הַדִּין, אֲבָל מִי שֶׁנּוֹלַד בַּעַל מוּם יֵשׁ לוֹ תַּרְעוֹמוֹת בַּלֵּב כְּעִנְיַן לֵךְ לָאֻמָּן שֶׁעֲשָׂנִי, וְעַל זֶה נֶאֱמַר "לֶחֶם אֱלֹהָיו" וְגוֹ', הַיְנוּ שֶׁבַּפְּנִימִיּוּת שֶׁלְּךָ לֹא תֶּחְסַר דָּבָר אַךְ מֵה' כָּל מִשְׁפַּט זֶרַע אַהֲרֹן כַּמָּה בַּעֲלֵי מוּמִין יִמָּצְאוּ בָּהֶם, וְאִם עָלָיו עָלָה רְצוֹנוֹ יִתְבָּרַךְ לְהַרְחִיקוֹ מֵעֲבוֹדָה לֹא יִתְרַעֵם כְּלוּם כִּי בָּזֶה נִשְׁלַם רְצוֹנוֹ יִתְבָּרַךְ, אֲבָל בַּפְּנִימִיּוּת שֶׁלּוֹ אֵינוֹ מְרֻחָק וְיֹאכַל קָדָשִׁים, אַךְ אֶל הַפָּרֹכֶת לֹא יָבֹא וְאֶל הַמִּזְבֵּחַ לֹא יִגַּשׁ שֶׁבָּזֶה מְקַיֵּם מִצְוַת ה' כְּמוֹ בְּמַעֲשֶׂה וַעֲבוֹדָה כִּדְאִיתָא בַּזה"ק (וישב קפ"א.).
Parágrafo 16

“E contareis para vós, a partir do dia seguinte ao Shabat” (Vayikra 23:15). O sentido da contagem é este. Na noite da redenção do Egito, o Santo, bendito seja, revelou-se em Sua glória e em Sua própria essência e os redimiu, e o influxo foi muito grande, porque, da perspectiva do Nome, concluíram-se então todas as redenções, até a redenção final, pois todas as redenções estão incluídas na primeira redenção, isto é, a redenção do Egito contém em germe a redenção final, como dizemos na oração: “e fez sair o Seu povo Israel do meio deles para a liberdade eterna” da bênção que segue o Shemá, à noite. E conforme consta no Zohar (Vayakhel 216b): “E por isso é preciso mostrar uma redenção que contém quatro redenções, as quatro expressões de redenção do Egito: “farei sair, livrarei, resgatarei, tomarei” (Shemot 6:6-7), etc.; e por isso se deve mencionar, nessa redenção, quatro vezes ‘verdade’ emet, na bênção da redenção até ‘auxílio de nossos pais’, etc.; e dali em diante, outras quatro vezes ‘verdade’”. Isto é, para aludir a que, na raiz, saímos de todos os quatro exílios. Porém, não estava então ao alcance da capacidade de apreensão de Israel alcançar e conhecer, em sua apreensão, a luz que o Nome fizera brilhar para eles. Por isso o Nome ordenou “e contareis para vós”, isto é, que enumereis e conteis o que alcançamos, isto é, o que assimilamos daquela luz; assim contareis cinquenta dias, até que, no dia de Atzeret o dia de encerramento, Shavuot, compreendereis o que alcançastes. É como um pai que andava com o seu filho pequeno e achou um tesouro de pedras preciosas e pérolas, e não estava na capacidade do filho, nem em sua compreensão, entender o valor daquelas coisas preciosas; e o pai lhe ordenou que as recolhesse como pudesse carregar. O filho perguntou ao pai qual era o valor delas, e o pai lhe respondeu: “Agora não é hora de me ocupar contigo e de te informar o valor; por ora, sê forte e firme, meu filho, e toma tudo o que puderes, com vigor e rapidez; e quando chegares à tua casa, contarás e enumerarás o que alcançaste, e então te informarei o valor”. Assim, a cada ano o Nome faz brilhar a Sua luz, acima da apreensão do homem, na primeira noite de Pessach; e depois, no decorrer dos dias da contagem, o homem reflete e vai reconhecendo em sua apreensão, pouco a pouco, até que, no dia de Atzeret, o homem compreende o valor dessa luz. (Veja na parashá Mishpatim, neste volume, o tema de “faremos e ouviremos”.)

וּסְפַרְתֶּם לָכֶם מִמָּחֳרַת הַשַּׁבָּת. עִנְיַן הַסְּפִירָה הוּא שֶׁבְּלֵיל גְּאֻלַּת מִצְרַיִם שֶׁנִּגְלָה הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא בִּכְבוֹדוֹ וּבְעַצְמוֹ וּגְאָלָם, וְגָדְלָה הַהַשְׁפָּעָה מְאֹד כִּי אֵצֶל הַשי"ת נִגְמַר אָז כָּל הַגְּאֻלּוֹת עַד גְּאֻלָּה אַחֲרוֹנָה, כִּי כָל הַגְּאֻלּוֹת נִכְלָלִים בִּגְאֻלָּה רִאשׁוֹנָה, כְּמוֹ שֶׁאָנוּ אוֹמְרִים בַּתְּפִלָּה "וַיּוֹצֵא אֶת עַמּוֹ יִשְׂרָאֵל מִתּוֹכָם לְחֵירוּת עוֹלָם", וְכִדְאִיתָא בַּזה"ק (ויקהל רט"ז:) וּבְגִין דָּא בָּעֵי לְאַחֲזָאָה פֻּרְקָנָא דְּאִית בֵּיהּ אַרְבַּע גְּאֻלּוֹת וְכוּ' וְעַל דָּא אִית לְאַדְכָּרָא בְּהַהִיא גְּאֻלָּה ד' זִמְנִין אֱמֶת עַד עֶזְרַת אֲבוֹתֵינוּ וְכוּ' וּמִתַּמָּן וּלְהַלְאָה אַרְבַּע זִמְנִין אָחֳרָנִין אֱמֶת, וְהַיְנוּ שֶׁהוּא לְרַמֵּז שֶׁבַּשֹּׁרֶשׁ יָצָאנוּ מִכָּל הָאַרְבַּע גָּלֻיּוֹת, אָכֵן לֹא הָיָה אָז בְּכֹחַ תְּפִיסַת יִשְׂרָאֵל לְהַשִּׂיג וְלֵידַע בִּתְפִיסָתָם אֶת הָאוֹר שֶׁהֵאִיר לָהֶם הַשי"ת, לָכֵן צִוָּה הַשי"ת "וּסְפַרְתֶּם לָכֶם", הַיְנוּ שֶׁתִּסְפְּרוּ וְתִמְנוּ מַה שֶּׁהִשַּׂגְנוּ כֵּן תִּסְפְּרוּ חֲמִשִּׁים יוֹם עַד שֶׁבְּיוֹם הָעֲצֶרֶת תִּתְבּוֹנְנוּ מַה שֶּׁהִשַּׂגְתֶּם, כְּמוֹ אָב הַהוֹלֵךְ עִם בְּנוֹ הַקָּטָן וּמָצָא מַטְמוֹן מֵאֲבָנִים טוֹבוֹת וּמַרְגָּלִיּוֹת וְלֹא הָיָה בְּכֹחַ הַבֵּן וּבִתְפִיסָתוֹ לְהָבִין עֵרֶךְ יַקְרוּת הַדְּבָרִים הַיְקָרִים, וְאָבִיו צִוָּה לוֹ לְקַבֵּל אוֹתָם כְּמוֹ שֶׁיּוּכַל שְׂאֵת, וְשָׁאַל אוֹתוֹ הַבֵּן מַה הוּא עֵרֶךְ יַקְרוּתָם, וְהֵשִׁיב לוֹ אָבִיו עַתָּה אֵין עֵת לַעֲסֹק עִמְּךָ וּלְהוֹדִיעֲךָ עֵרֶךְ יַקְרוּתָם רַק כָּעֵת חֲזַק וֶאֱמַץ בְּנִי וְקַח כָּל מַה שֶּׁתּוּכַל בְּהִתְחַזְּקוּת וּבִמְהִירוּת, וּבְבוֹאֲךָ לְבֵיתְךָ תִּסְפֹּר וְתִמְנֶה מַה שֶּׁהִשַּׂגְתָּ וְאָז אוֹדִיעֲךָ עֵרֶךְ יַקְרוּתָם, וְכֵן בְּכָל שָׁנָה וְשָׁנָה מֵאִיר הַשי"ת אוֹרוֹ הַלְמַעְלָה מִתְּפִיסַת אָדָם בְּלֵיל א' שֶׁל פֶּסַח, וְאַחַר כָּךְ בְּמֶשֶׁךְ זְמַן יְמֵי הַסְּפִירָה יִתְבּוֹנֵן הָאָדָם וּמַכִּיר בִּתְפִיסָתוֹ מְעַט מְעַט עַד שֶׁבְּיוֹם הָעֲצֶרֶת מִתְבּוֹנֵן הָאָדָם עֵרֶךְ יַקְרוּת הָאוֹר הַזֶּה (ועיין בפ' משפטים בחלק זה בענין נעשה ונשמע).
Parágrafo 17

“E fareis, no dia em que elevardes o ômer, um cordeiro sem defeito, etc.; e a sua oferta de farinha será de dois décimos de efá, etc.; e a sua libação, de vinho, um quarto de him” (Vayikra 23:12-13). O sentido do cordeiro que vem com o ômer, e cuja oferta de farinha é dupla dois décimos de efá, o dobro do que cabe a um cordeiro; já o vinho da libação é o de sempre, um quarto de him, é que o Nome mostrará a Israel que há na Sua divindade o bastante para conceder o bem a toda criatura e a todo corpo, o suficiente para a sua falta, sem que ninguém invada o limite do seu próximo — cada criatura recebe o que lhe falta, sem tirar do outro. E por isso as suas libações não eram duplas.

וַעֲשִׂיתֶם בְּיוֹם הֲנִיפְכֶם אֶת הָעֹמֶר כֶּבֶשׂ תָּמִים וְגוֹ' וּמִנְחָתוֹ שְׁנֵי עֶשְׂרֹנִים וְגוֹ' וְנִסְכֹּה יַיִן רְבִיעִית הַהִין. עִנְיַן כֶּבֶשׂ הַבָּא עִם הָעֹמֶר שֶׁמִּנְחָתוֹ כְּפוּלָה הוּא, שֶׁהַשי"ת יַרְאֶה לְיִשְׂרָאֵל שֶׁיֵּשׁ דַּי בֶּאֱלֹקוּתוֹ לְהַשְׁפִּיעַ טוֹב לְכָל בְּרִיָּה וּלְכָל גְּוִיָּה דֵּי מַחְסוֹרָהּ מִבְּלִי שׁוּם הַשָּׂגַת גְּבוּל אֶחָד לְרֵעֵהוּ וּנְסָכָיו לֹא הָיוּ כְּפוּלִין.
Parágrafo 18

“No sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós um repouso solene” (Vayikra 23:24). E o seu Targum a tradução aramaica é neyachá repouso, descanso. O sentido disso é o que consta na Guemará (Rosh Hashaná 10b): Rabi Eliezer diz: em Tishrei o mundo foi criado, etc.; em Rosh Hashaná saiu Yosef da prisão; em Rosh Hashaná cessou o serviço a servidão dos nossos pais no Egito. Ora, no Egito nenhum escravo podia fugir dali, como consta (Mechilta, Yitro, parashá 1). Porém, quando veio o tempo da renovação do mundo, então se despertou a bondade primeira, como está escrito: “Lembra-Te das Tuas misericórdias, Eterno, e das Tuas bondades, pois são desde sempre” (Tehilim 25:6); e assim está escrito: “Pois eu disse: o mundo será edificado com bondade” (Tehilim 89:3), porque a criação do mundo se deu sem nenhum despertar da parte do homem, mas apenas da parte do Nome, bendito seja. E por isso, no momento em que essa bondade primeira se despertou, cessou a servidão de Yosef, o justo, e cessou o serviço dos nossos pais. E é este o neyachá repouso: a cada ano desperta, nesse tempo, a bondade da criação do mundo, como disse o Baal Shem Tov, de santa memória, sobre o versículo “Para sempre, Eterno, a Tua palavra está firme nos céus” (Tehilim 119:89) — isto é, que a palavra “Haja luz” continua sustentando a existência do mundo a todo instante. Por isso, quando a cada ano desperta essa bondade e o desejo do Nome, bendito seja, então há repouso para o conjunto de Israel.

בַּחֹדֶשׁ הַשְּׁבִיעִי בְּאֶחָד לַחֹדֶשׁ יִהְיֶה לָכֶם שַׁבָּתוֹן. וְתַרְגּוּמוֹ נְיָחָא, הָעִנְיָן בָּזֶה כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (ראש השנה י':) רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר בְּתִשְׁרֵי נִבְרָא הָעוֹלָם וְכוּ' בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה יָצָא יוֹסֵף מִבֵּית הָאֲסוּרִין בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה בָּטְלָה עֲבוֹדָה מֵאֲבוֹתֵינוּ בְּמִצְרַיִם, וְהִנֵּה בְּמִצְרַיִם לֹא הָיָה עֶבֶד יָכוֹל לִבְרֹחַ מִשָּׁם כִּדְאִיתָא (מכילתא יתרו פר' א') אָכֵן כַּאֲשֶׁר בָּא זְמַן חִדּוּשׁ הָעוֹלָם אָז נִתְעוֹרֵר הַחֶסֶד הָרִאשׁוֹן כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב (תהלים כ"ה,ו') "זְכֹר רַחֲמֶיךָ ה' וַחֲסָדֶיךָ כִּי מֵעוֹלָם הֵמָּה", וְכֵן כָּתוּב (תהלים פ"ט,ג') "כִּי אָמַרְתִּי עוֹלָם חֶסֶד יִבָּנֶה" שֶׁבְּרִיאַת עוֹלָם הָיָה בְּלִי שׁוּם הִתְעוֹרְרוּת מִצַּד הָאָדָם וְרַק מִצַּד הַשי"ת, וְלָכֵן בְּעֵת שֶׁהִתְעוֹרֵר זֶה הַחֶסֶד הָרִאשׁוֹן אָז בָּטַל הַשִּׁעְבּוּד מִיּוֹסֵף הַצַּדִּיק וּבָטְלָה עֲבוֹדָה מֵאֲבוֹתֵינוּ, וְזֶה הוּא נְיָחָא שֶׁבְּכָל שָׁנָה וְשָׁנָה מִתְעוֹרֵר אָז הַחֶסֶד מִבְּרִיאַת עוֹלָם כְּמוֹ שֶׁאָמַר הַבַּעַל שֵׁם טוֹב זללה"ה עַל פָּסוּק (תהלים קי"ט,פ"ט) "לְעוֹלָם ה' דְּבָרְךָ נִצָּב בַּשָּׁמַיִם", כִּי מַאֲמַר "יְהִי אוֹר" מְקַיֵּם תָּמִיד קִיּוּם הָעוֹלָם, וְלָכֵן כְּשֶׁנִּתְעוֹרֵר בְּכָל שָׁנָה זֶה הַחֶסֶד וְחֵפֶץ הַשי"ת אָז הוּא נְיָחָא לִכְלַל יִשְׂרָאֵל.
Parágrafo 19

“E o Eterno falou a Moshe, dizendo, etc.: e tomarão para ti azeite de oliva puro, etc.; e tomarás flor de farinha e a cozerás, etc.” (Vayikra 24:1-2, 5). É isto que diz o verso, onde “luz” e “verdade” são lidas como a menorá e o pão da proposição: “Envia a Tua luz e a Tua verdade, elas me guiarão, me levarão ao Teu monte santo e às Tuas moradas” (Tehilim 43:3). “A Tua luz” indica a menorá, como consta na Guemará (Shabat 22b): é a lâmpada ocidental, na qual se punha azeite na mesma medida das suas companheiras, e dela se acendia, e com ela se terminava; e é testemunho de que a Presença Divina repousa em Israel. E daí resultará grande temor, porque a lâmpada ocidental atesta a presença divina, pois “quem dirá: purifiquei o meu coração” (Mishlei 20:9) diante do Nome, bendito seja? Porque, quando o homem vê que a Presença Divina repousa em Israel, vem-lhe daí grande anulação de si e temor. “E a Tua verdade” indica o pão da proposição, que alude a amor e afeição: pois, no pão da proposição, o Nome mostra que ama muito Israel e quer sempre o seu bem, como consta na Guemará (Chagigá 26b): levantavam-no e o mostravam aos que subiam em peregrinação, dizendo-lhes: “Vede o vosso amor diante do Onipresente: a sua retirada é como a sua disposição” — segundo a explicação usual, o pão retirado estava tão fresco quanto o pão posto, sinal de que o amor do Eterno não esfriava. E daí virá grande firmeza interior a Israel; e é isto: “me levarão ao Teu monte santo e às Tuas moradas”.

וַיְדַבֵּר ה' אֶל מֹשֶׁה לֵּאמֹר וְגוֹ' וְיִקְחוּ אֵלֶיךָ שֶׁמֶן זַיִת זָךְ וְגוֹ' וְלָקַחְתָּ סֹלֶת וְאָפִיתָ אֹתָהּ וְגוֹ'. זֶה שֶׁאָמַר הַכָּתוּב (תהלים מ"ג,ג') "שְׁלַח אוֹרְךָ וַאֲמִתְּךָ הֵמָּה יַנְחוּנִי יְבִיאוּנִי אֶל הַר קָדְשְׁךָ וְאֶל מִשְׁכְּנוֹתֶיךָ". "אוֹרְךָ" מוֹרֶה עַל הַמְּנוֹרָה כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (שבת כ"ב:) זוֹ נֵר מַעֲרָבִי שֶׁנּוֹתֵן בָּהּ שֶׁמֶן כְּמִדַּת חַבְרוֹתֶיהָ וּמִמֶּנָּה הָיָה מַדְלִיק וּבָהּ הָיָה מְסַיֵּם וְהוּא עֵדוּת שֶׁהַשְּׁכִינָה שׁוֹרָה בְּיִשְׂרָאֵל, וּמִזֶּה יִתְחַיֵּב גֹּדֶל יִרְאָה כִּי מִי יֹאמַר זִכִּיתִי לִבִּי נֶגֶד הַשי"ת, כִּי כֵּיוָן שֶׁהָאָדָם רוֹאֶה שֶׁהַשְּׁכִינָה שׁוֹרָה בְּיִשְׂרָאֵל יָבוֹא לוֹ מִזֶּה גֹּדֶל הִתְבַּטְּלוּת וְיִרְאָה, "וַאֲמִתְּךָ" מוֹרֶה עַל לֶחֶם הַפָּנִים שֶׁרוֹמֵז עַל אַהֲבָה וְחִבָּה שֶׁבְּלֶחֶם הַפָּנִים מַרְאֶה הַשי"ת שֶׁאוֹהֵב מְאֹד אֶת יִשְׂרָאֵל וְרוֹצֶה תָּמִיד בְּטוֹבָתָם כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (חגיגה כ"ו:) שֶׁמַּגְבִּיהִין אוֹתוֹ וּמַרְאִין בּוֹ לְעוֹלֵי רְגָלִים לֶחֶם הַפָּנִים וְאוֹמְרִים לָהֶם "רְאוּ חִבַּתְכֶם לִפְנֵי הַמָּקוֹם סִלּוּקוֹ כְּסִדּוּרוֹ", וּמִזֶּה יָבוֹא גֹּדֶל תַּקּוּפוּת לְיִשְׂרָאֵל, וְזֶה הוּא "יְבִיאוּנִי אֶל הַר קָדְשְׁךָ וְאֶל מִשְׁכְּנוֹתֶיךָ".
Parágrafo 20

“E tomarás flor de farinha” (Vayikra 24:5). É como consta no Midrash (Tanchuma, Tetzaveh 5): “e peneirarás para mim, dentro dela, um só pão fino, belo, peneirado e escolhido”, e ali se diz que isto é a respeito do Cântico dos Cânticos — o ponto é o que há de mais fino e escolhido. E assim é o assunto aqui: depois de todo o procedimento das ofertas das festas, está escrito o procedimento do pão da proposição na expressão “e tomarás flor de farinha”, que é peneirada e escolhida. Pois o pão da proposição abrange olam, shaná, nefesh mundo, ano, alma: as três dimensões da realidade segundo o Sêfer Yetzirá, isto é, espaço, tempo e alma. Como está escrito: “sobre a mesa pura, diante do Eterno” (Vayikra 24:6): este é o lugar escolhido do mundo o espaço. E está escrito: “no dia de Shabat, no dia de Shabat o disporá diante do Eterno, continuamente” (Vayikra 24:8): este é o escolhido do tempo e do ano. E depois está escrito: “e será para Aharon e para os seus filhos, e o comerão em lugar santo, pois é santo dos santos para ele, das ofertas queimadas do Eterno, estatuto eterno” (Vayikra 24:9): este é o escolhido da alma. E em cada um está escrito o Nome Havayá, bendito seja, e com isso foram incluídas todas as criaturas. E daí se mostrará a Israel o seu amor diante do Nome, bendito seja, como consta na Guemará (Chagigá 26b).

וְלָקַחְתָּ סֹלֶת. כָּעִנְיָן שֶׁאִיתָא בַּמִּדְרָשׁ (תנחומא תצוה ה') וְסַלֵּית לִי מִתּוֹכָהּ גְּלֻסְקָא אַחַת יָפָה מְנֻפָּה וּמְעֻלָּה וְשָׁם אִיתָא זֹאת עַל שִׁיר הַשִּׁירִים, וְכֵן הָעִנְיָן בְּכָאן אַחַר כָּל מַעֲשֵׂה הַקָּרְבָּנוֹת שֶׁל הַמּוֹעֲדִים כְּתִיב מַעֲשֵׂה לֶחֶם הַפָּנִים בִּלְשׁוֹן "וְלָקַחְתָּ סֹלֶת" שֶׁהוּא מְנֻפֶּה וּמְעֻלֶּה, כִּי לֶחֶם הַפָּנִים הוּא כּוֹלֵל עוֹלָם שָׁנָה נֶפֶשׁ, כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב "עַל הַשֻּׁלְחָן הַטָּהֹר לִפְנֵי ה'" זֶה הַמָּקוֹם הַמֻּבְחָר מֵהָעוֹלָם וּכְתִיב "בְּיוֹם הַשַּׁבָּת בְּיוֹם הַשַּׁבָּת יַעַרְכֶנּוּ לִפְנֵי ה' תָּמִיד" שֶׁזֶּה הוּא הַמֻּבְחָר מֵהַזְּמַן וְשָׁנָה, וְאַחַר כָּךְ כְּתִיב "וְהָיְתָה לְאַהֲרֹן וּלְבָנָיו וַאֲכָלֻהוּ בְּמָקוֹם קָדֹשׁ כִּי קֹדֶשׁ קָדָשִׁים הוּא לוֹ מֵאִשֵּׁי ה' חָק עוֹלָם" זֶה הוּא הַמֻּבְחָר מֵהַנֶּפֶשׁ, וּבְכָל אֶחָד כְּתִיב שֵׁם הוי״ה בָּרוּךְ הוּא וּבָזֶה נִכְלְלוּ כָּל הַבְּרוּאִים, וּמִזֶּה יִתְרָאֶה לְיִשְׂרָאֵל חִבָּתָם לִפְנֵי הַשי"ת כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (חגיגה כ״ו:).