Mei HaShiloach · Volume III · Parashá 9

Behar

בְּהַר
Rabi Mordechai Yosef Leiner de Izhbitz (1801–1854) · hebraico de domínio público · tradução original PT-BR

Onze parágrafos sobre a nona parashá do Sêfer Vayikra. Na Parte I, do Volume I do Sefaria: a promessa do descanso da terra e o coração em sossego; as três passagens da Shemitá, do Yovel e do juro e a confiança só no Eterno; a Shemitá como sinal e as letras grandes e pequenas; “o meu é teu” e “o teu é teu”, e o pouco de tolice; “não oprimireis” e a acusação contra o próximo; a casa da cidade murada e a língua; os levitas e o resgate perpétuo; e a pedra figurada e a entrega da alma. Na Parte II, do Volume II: o descanso da terra como alimento; ídolos, imagem, coluna e pedra figurada, com Chavakuk e o círculo; e a prostração diante do Eterno — hebraico e português lado a lado.

Parágrafos

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Parte I · Sefaria Volume I
Parágrafo 1

“E o Eterno falou a Moshe no monte Sinai, dizendo, etc. Quando entrardes, etc., a terra descansará, um Shabat para o Eterno” (Vayikra 25:1-2). É que o Nome, bendito seja, prometeu a Israel que, ao entrarem na Terra de Israel, o coração deles estaria beniyachá em sossego, em paz, pois eretz terra alude ao coração. E é este o sentido de “e a terra descansará”: que o coração deles esteja em sossego.

וַיְדַבֵּר ה' אֶל מֹשֶׁה בְּהַר סִינַי לֵאמֹר וְכוּ' כִּי תָבֹאוּ וְכוּ' וְשָׁבְתָה הָאָרֶץ שַׁבָּת לַה'. וְהוּא שֶׁהִבְטִיחַ הַש"י לְיִשְׂרָאֵל כְּשֶׁיָּבוֹאוּ לְאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל יְהִי לִבָּם בְּנַיְיחָא כִּי אֶרֶץ מוֹרָה עַל הַלֵּב, וְזֶה "וְשָׁבְתָה הָאָרֶץ" שֶׁיִּהְיֶה לִבָּם בְּנַיְיחָא.
Parágrafo 2

“Fala aos filhos de Israel, etc.: e a terra descansará, um Shabat para o Eterno” (Vayikra 25:2). O assunto das três passagens ditas aqui, a da Shemitá, a da libertação dos servos no Yovel e a do juro, é que o Nome, bendito seja, adverte Israel a não pôr a sua confiança em nada que apareça aos olhos do homem e em que ele possa confiar. Estas três coisas, Shemitá, Yovel e juro, correspondem a mundo, ano e pessoa as três dimensões da criação: espaço, tempo e alma. Pois a posse de campos e vinhas é uma posse que o homem tem no mundo e na qual pode confiar; e contra isso o Nome ordenou a mitzvá da Shemitá, isto é, que o homem não ponha a sua confiança nelas e veja que pertencem ao Eterno, porque no ano da Shemitá o homem não tem nenhum reconhecimento de posse sobre o que possui não cultiva nem colhe, e assim não exerce o seu domínio, e vê que a terra é do Eterno.

E contra a segurança que o homem tem no tempo, isto é, a confiança de juntar riqueza com o preço do tempo, ou seja, cobrando juros, disse a Torá: “não tomes dele juros”. Pois o essencial do juro é cobrar o preço do tempo, como diz a Guemará (Bava Metzia 63b): a regra do juro é que todo pagamento por netar leih aguardar-lhe, esperar por ele é proibido.

E contra a posse que o homem tem sobre a pessoa dos servos, em quem pode confiar para usá-los em todas as suas necessidades, contra isso o Nome ordenou a mitzvá da libertação dos servos no Yovel: que o homem veja que não tem posse sobre o corpo deles e precisa soltá-los em liberdade; e mesmo enquanto são servos, o Nome ordenou que não os domine com rigor com trabalho pesado e sem fim, isto é, que entenda que o corpo do servo não lhe pertence. O Nome ordenou estas três mitzvot para que se veja que, no mundo, no ano e na pessoa, o homem não tem nenhuma segurança: somente o Eterno é a segurança do homem.

Por isso, ao final destas passagens, o texto conclui: “Eu sou o Eterno, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito para vos dar a terra de Canaã” (Vayikra 25:38). É para que o homem não imagine que os seus bens diminuíram por lhe terem sido proibidas todas estas coisas. Por isso se diz: “que vos tirei da terra do Egito”, isto é, os bens que não estão na santidade são metzar e tzimtzum estreiteza e aperto, em jogo com Mitzrayim, Egito; “para vos dar a terra de Canaã”, isto é, os bens que o Nome nos concederá virão na santidade e poderemos nos expandir neles, pois o Nome dará como herança o bem na santidade, uma herança sem limites sem “metzarim”, sem estreitezas.

דַּבֵּר אֶל בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וכו' וְשָׁבְתָה הָאָרֶץ שַׁבָּת לַה'. עִנְיַן שָׁלֹשׁ פָּרָשִׁיּוֹת הַנֶּאֱמָרִין כָּאן פָּרָשַׁת שְׁמִיטָּה וּפָרָשַׁת דְּרוֹר עֲבָדִים בַּיּוֹבֵל וּפָרָשַׁת רִיבִּית, וְהוּא שֶׁהַש"י מַזְהִיר לְיִשְׂרָאֵל שֶׁלֹּא יָשִׂימוּ בִּטְחוֹנָם בְּשׁוּם דָּבָר הַנִּרְאֶה לְעֵינֵי הָאָדָם שֶׁיּוּכַל לִבְטוֹחַ בּוֹ, וְאֵלּוּ הַשְּׁלֹשָׁה דְּבָרִים שְׁמִיטָּה וְיוֹבֵל וְרִיבִּית הֵם בְּעוֹלָם וְשָׁנָה וְנֶפֶשׁ כִּי קִנְיַן שָׂדוֹת וּכְרָמִים הוּא קִנְיָן שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם בָּעוֹלָם אֲשֶׁר יוּכַל לִבְטוֹחַ בּוֹ, וְצִוָּה הַש"י נֶגֶד זֶה מִצְוַת שְׁמִיטָּה הַיְינוּ שֶׁלֹּא יָשִׂים הָאָדָם בִּטְחוֹנוֹ בָּהֶם וְיִרְאֶה כִּי לַה' הֵם, כִּי בִּשְׁנַת הַשְּׁמִיטָּה אֵין לָאָדָם שׁוּם הַכָּרַת קִנְיָן בְּקִנְיָנוֹ, וְיִרְאֶה כִּי לַה' הָאָרֶץ. וְנֶגֶד הַבְטָחָה שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם בִּזְמַן, הַיְינוּ שֶׁיֵּשׁ לוֹ מִבְטָח שֶׁיֶּאֱסֹף הוֹן מְחִיר הַזְּמַן הַיְינוּ שֶׁיִּקַּח רִיבִּית, אָמְרָה תּוֹרָה "אַל תִּקַּח מֵאִתּוֹ נֶשֶׁךְ" כִּי עִיקַּר רִיבִּית הוּא שֶׁלּוֹקֵחַ מְחִיר הַזְּמַן כְּמַאֲמַר הַגְּמָרָא (בבא מציעא ס"ג:) כְּלָלָא דְּרִבִּיתָא כָּל אֲגַר נְטַר לֵיהּ אָסוּר. וְנֶגֶד קִנְיָן שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם בְּנַפְשׁוֹת עֲבָדִים וְיָכוֹל לִבְטוֹחַ בָּהֶם שֶׁיִּשְׁתַּמֵּשׁ בָּהֶם לְכָל צְרָכָיו, נֶגֶד זֶה צִוָּה הַש"י מִצְוַת דְּרוֹר עֲבָדִים בַּיּוֹבֵל, הַיְינוּ שֶׁיִּרְאֶה הָאָדָם שֶׁאֵין לוֹ קִנְיָן בְּגוּפָם וְצָרִיךְ לְשַׁלְּחָם לַחָפְשִׁי וְגַם בְּעֵת הֱיוֹתָם עֲבָדִים צִוָּה הַש"י שֶׁלֹּא יִרְדֶּה בוֹ בְּפָרֶךְ, הַיְינוּ שֶׁיָּבִין שֶׁאֵין גּוּפוֹ שַׁיָּךְ לוֹ. וְצִוָּה הַש"י אֵלּוּ שְׁלֹשָׁה הַמִּצְוֹת הַיְינוּ שֶׁנִּרְאֶה שֶׁהָעוֹלָם וְהַשָּׁנָה וְהַנֶּפֶשׁ אֵין שׁוּם מִבְטָח לְהָאָדָם בָּהֶם, רַק ה' הוּא מִבְטָח הָאָדָם. וְלָזֶה סִיֵּם אַחַר פָּרָשִׁיּוֹת הָאֵלּוּ "אֲנִי ה' אֱלֹקֵיכֶם אֲשֶׁר הוֹצֵאתִי אֶתְכֶם מֵאֶרֶץ מִצְרָיִם לָתֵת לָכֶם אֶת אֶרֶץ כְּנַעַן", וְהוּא שֶׁלֹּא יְדַמֶּה הָאָדָם בְּנַפְשׁוֹ שֶׁנִּתְמַעֲטוּ הַשְׁפָּעוֹתָיו בְּמַה שֶּׁנֶּאֶסְרוּ לוֹ כָּל הַדְּבָרִים הָאֵלֶּה, לָזֶה נֶאֱמַר "אֲנִי ה' אֱלֹקֵיכֶם אֲשֶׁר הוֹצֵאתִי אֶתְכֶם מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם" פֵּירוּשׁ הַטּוֹבוֹת שֶׁאֵינָם בִּקְדוּשָּׁה הֵם בְּמֵצַר וְצִמְצוּם, "לָתֵת לָכֶם אֶת אֶרֶץ כְּנַעַן", הַיְינוּ הַטּוֹבוֹת שֶׁהַש"י יַשְׁפִּיעַ לָנוּ יִהְיוּ בִּקְדוּשָּׁה וְנוּכַל לְהִתְפַּשֵּׁט בָּהֶם, כִּי הַש"י יַנְחִיל טוֹבָה בִּקְדוּשָּׁה נַחֲלָה בְּלִי מְצָרִים.
Parágrafo 3

“E a terra descansará, um Shabat para o Eterno” (Vayikra 25:2). O assunto da Shemitá é um sinal para Israel de que “do Eterno é a terra e a sua plenitude” (Tehilim 24:1). E como está no Zohar (Bereshit 3b), há atvan rabrevin e atvan ze'erin letras grandes e letras pequenas, isto é, sinais maiores e menores. As letras pequenas são o Shabat, pois o Shabat é um sinal para Israel de que o Nome é quem opera tudo, e das ações do homem não se faz coisa alguma. E as letras grandes são a Shemitá, pois, quando passam sete anos, é preciso que haja um ano inteiro, o Shabat em escala maior, em que se veja que a terra é do Eterno, e que ninguém tem poder de ação, somente o Eterno, só Ele.

וְשָׁבְתָה הָאָרֶץ שַׁבָּת לַה'. עִנְיַן שְׁמִיטָּה הוּא אוֹת לְיִשְׂרָאֵל כִּי "לַה' הָאָרֶץ וּמְלוֹאָהּ", וּכְמוֹ דְּאִיתָא בַּזוה"ק (בראשית ג':) שֶׁיֵּשׁ אַתְוָון רַבְרְבִין וְאַתְוָון זְעֵירִין, אַתְוָון זְעֵירִין הוּא שַׁבָּת, כִּי שַׁבָּת הוּא אוֹת לְיִשְׂרָאֵל כִּי הַש"י הוּא הַפּוֹעֵל כָּל דָּבָר וּמִפְּעוּלּוֹת אָדָם לֹא יֵעָשֶׂה שׁוּם דָּבָר. וְאַתְוָון רַבְרְבִין הוּא שְׁמִיטָּה כִּי כַּאֲשֶׁר יַעַבְרוּ שֶׁבַע שָׁנִים יֻכְרַח לִהְיוֹת שָׁנָה שְׁלֵימָה שֶׁיִּתְרָאֶה בָּהּ כִּי לַה' הָאָרֶץ, וְאֵין לְשׁוּם אָדָם כֹּחַ פְּעוּלָּה רַק לַה' לְבַדּוֹ.
Parágrafo 4

“E contarás para ti sete semanas de anos, sete anos, etc.; e farás passar o shofar de toque, etc.; e voltareis cada um à sua propriedade, etc.; neste ano do Yovel voltareis cada um à sua propriedade” (Vayikra 25:8-13). O assunto da Shemitá e do Yovel corresponde às disposições mencionadas na Mishná (Avot 5:10): “o meu é teu, o teu é teu”. São as duas disposições do piedoso, segundo a Mishná: dar do que é seu e não reclamar o que é do outro. A Shemitá corresponde à disposição “o meu é teu”: ainda que Ele tenha dado a terra aos filhos do homem, de modo que o homem tem posse sobre a terra e pode extrair dela todos os bens do mundo, pois todas as espécies de bens do mundo estão contidas na terra, como está escrito (Kohelet 3:20): “tudo veio do pó”, no sétimo ano o homem entrega a terra ao Nome. Pois ele cessa o trabalho e a lavra da terra, que é shel reshut facultativa, deixada à iniciativa do homem, conforme a vontade do Eterno, e guarda os Seus preceitos. E a isto se chama “o meu é teu”: que o homem transfere ao Nome, bendito seja, toda a sua posse na terra.

E o Yovel corresponde à disposição “o teu é teu”, pois a mitzvá do Yovel é que cada homem volte à sua propriedade e cada um à sua família. Porque, em verdade, Deus fez o homem reto sobre a terra e repartiu uma herança a cada um, segundo o nível que lhe cabe na sua raiz a divisão original era justa e correspondia à alma de cada um; assim também colocou cada um junto à sua bandeira cada qual no lugar designado, como no acampamento do deserto e disse a respeito deles: “meus servos são”. Mas, por terem buscado muitos cálculos alusão a Kohelet 7:29, um chegou a subir, alargar a sua fronteira e comprar o seu próximo para servi-lo, e outro desceu e vendeu da sua propriedade, até vender a si mesmo. Contudo, como a palavra do Eterno permanece para sempre e não muda, Deus nos livre, pelos atos dos homens, os julgamentos do Eterno que passam sobre o homem não alcançam a profundidade da sua raiz: o Nome, bendito seja, criou um tempo para cada coisa, em que ela volte à sua propriedade, e criou o ano do Yovel para que então cada homem volte ao seu lugar e à propriedade que lhe pertence da parte do Eterno. É como se diz: “o ano do Yovel será santo para vós”, isto é, no ano do Yovel a luz da santidade do Nome, bendito seja, se revela aos olhos de todos, pelo toque do shofar no Yom Kippur é nesse dia que soa o shofar do Yovel, até que se reconheça que o que ele tem da propriedade de seus pais, por doação do Nome, bendito seja, isso permanecerá com ele; e o que lhe veio às mãos por ação humana, ainda que até agora fosse posse sua e estivesse em seu domínio, ainda assim, por não ser seu na raiz, será obrigado a devolvê-lo ao seu lugar próprio. E esta é a iluminação do Nome, bendito seja, no ano do Yovel: que fique evidente a cada coisa o lugar que lhe pertence. O texto traz “poderá”; o sentido é que se reconheça, a cada coisa, o seu lugar.

E este reconhecimento e esta compreensão vêm depois de cumprirem a mitzvá da Shemitá, isto é, depois de entregarem tudo ao Nome, bendito seja; por meio disso chegam à disposição “o teu é teu”, isto é, reconhecem a que lugar, na raiz, pertence cada uma das suas coisas, conforme o dito do Midrash (Bereshit Rabá 53:19): “todos estão na presunção de cegos até que o Santo, bendito seja, lhes ilumine os olhos”. Isto é, ainda que ao olho humano pareça que o servo pertence ao seu senhor e o campo a quem o comprou, aquele a quem o Santo, bendito seja, ilumina e abre os olhos verá que todas as ações dos homens não conseguem alterar, nem por um fio de cabelo, o que está na profundidade da vontade do Nome, bendito seja; e no Yovel essa luz se revela. E esta é a disposição “o teu é teu”, e é maior do que “o meu é teu”.

E por meio da Shemitá e do Yovel o homem verá que aquilo que obteve de bom não conforme a vontade do Nome, mas por seus próprios esforços, fazendo fortuna, isso não é dele, embora esteja em seu poder. Por isso, nesta passagem encontra-se a advertência sobre roubo, ona'á fraude, lesar o outro e juro, isto é, que no futuro se mostrará que tudo o que chegou ao homem por vias como estas não é dele.

Mas talvez venha ao coração do homem dizer: se é assim, se nada permanece seu, senão o que o Nome lhe repartiu na sua raiz, então todo o seu esforço para juntar riqueza, adquirir posses e alargar a sua fronteira é em vão, já que só permanecerá seu o que o Nome lhe repartiu. Sobre isto disse o rei Shelomo, que a paz esteja sobre ele (Kohelet 10:1): “mais preciosa do que a sabedoria e a honra é um pouco de tolice”. O sentido é: é verdade que, pela sabedoria, o homem entende que de todo o seu esforço nada lhe restará, e por isso se absteria de se esforçar neste mundo. Mas o pouco de tolice que há nele, que o levou a se esforçar e a juntar posses, embora entenda pela sabedoria que isso é apenas passageiro a “tolice” é essa disposição de se esforçar mesmo sabendo que tudo passa, ainda assim lhe permite lucrar com os seus esforços. Pois, ainda que chegue a hora de voltar à sua propriedade e de devolver cada coisa ao seu lugar, mesmo assim ele ganha, porque ao seu próximo devolverá apenas as medidas da fronteira dele; mas a divisa e o limite que o Nome, bendito seja, repartiu para distinguir entre a parte de um homem e a parte do outro, isso será acrescentado à sua própria fronteira, já que no início ele alargou a sua fronteira para dentro da do próximo e se esforçou neste mundo. Assim lhe restará uma pequena proteção uma margem de segurança também da parte do próximo, ainda que a devolva. E este é todo o sentido do esforço neste mundo, em que o homem se empenha: que lhe fique, para sempre, este reconhecimento.

וְסָפַרְתָּ לְךָ שֶׁבַע שַׁבְּתֹת שָׁנִים שֶׁבַע שָׁנִים כוּ׳ וְהַעֲבַרְתָּ שׁוֹפַר תְּרוּעָה כוּ׳ וְשַׁבְתֶּם אִישׁ אֶל אֲחֻזָּתוֹ כוּ׳ בִּשְׁנַת הַיּוֹבֵל הַזֹּאת תָּשֻׁבוּ אִישׁ אֶל אֲחֻזָּתוֹ. עִנְיַן שְׁמִיטָּה וְיוֹבֵל הוּא נֶגֶד הַמִּדּוֹת הַנִּזְכָּרוֹת בְּמַסֶּכֶת אָבוֹת (פ"ה,מ"י) שֶׁלִּי שֶׁלָּךְ, שֶׁלָּךְ שֶׁלָּךְ. שְׁמִיטָּה, הִיא נֶגֶד מִדּוֹת שֶׁלִּי שֶׁלָּךְ, הַיְינוּ אַף כִּי הָאָרֶץ נָתַן לִבְנֵי אָדָם שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם קִנְיָן בָּאָרֶץ שֶׁיּוּכַל לְהוֹצִיא לוֹ מִמֶּנָּה כָּל הַטּוֹבוֹת שֶׁבָּעוֹלָם, כִּי כָל מִינֵי טוֹבוֹת שֶׁבָּעוֹלָם נִכְלָלִים בָּאָרֶץ כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב (קהלת ג',כ') "הַכֹּל הָיָה מֵהֶעָפָר", וּבַשְּׁבִיעִית יִתֵּן הָאָרֶץ לְהַש"י, כִּי הוּא שׁוֹבֵת מִמְּלָאכָה וּמֵעֲבוֹדַת הָאָרֶץ שֶׁל רְשׁוּת עַל פִּי רְצוֹן ה׳ וְיִשְׁמוֹר פְּקוּדוֹתָיו, וְזֶה יִקָּרֵא שֶׁלִּי שֶׁלָּךְ, הַיְינוּ שֶׁהָאָדָם מַקְנֶה לְהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ כָּל קִנְיָנוֹ בָּאָרֶץ. וְיוֹבֵל הוּא נֶגֶד מִדּוֹת שֶׁלָּךְ שֶׁלָּךְ שֶׁמִּצְוַת יוֹבֵל הוּא שֶׁיָּשׁוּב אִישׁ אֶל אֲחֻזָּתוֹ וְאִישׁ אֶל מִשְׁפַּחְתּוֹ, כִּי בֶּאֱמֶת אֱלֹקִים עָשָׂה אֶת הָאָדָם יָשָׁר בָּאָרֶץ וְחִלֵּק נַחֲלָה לְכָל אֶחָד וְאֶחָד כְּפִי מַעֲלָתוֹ הַשַּׁיָּךְ לוֹ בְּשׁוֹרְשׁוֹ, וְכֵן הִצִּיב אִישׁ עַל דִּגְלוֹ וְאָמַר עֲלֵיהֶם עֲבָדַי הֵם, אַךְ מֵחֲמַת שֶׁהֵם בִּקְשׁוּ חִשְּׁבוֹנוֹת רַבִּים עַד שֶׁזֶּה יִזְכֶּה לַעֲלוֹת וּלְהַרְחִיב אֶת גְּבוּלוֹ וְלִקְנוֹת חֲבֵירוֹ לַעֲבוֹד בּוֹ, וְזֶה יֵרֵד וְלִמְכּוֹר מֵאֲחֻזָּתוֹ עַד שֶׁמּוֹכֵר עַצְמוֹ, אַךְ בְּיַעַן כִּי דְּבַר ה׳ יָקוּם לָעַד וְלֹא יִשְׁתַּנֶּה חַס וְשָׁלוֹם עַל יְדֵי מַעֲשֵׂה בְּנֵי אָדָם, אָכֵן עַל מִשְׁפְּטֵי ה׳ שֶׁיַּעַבְרוּ עַל הָאָדָם לֹא יַגִּיעוּ לְעוֹמֶק שׁוֹרְשׁוֹ, כִּי בָּרָא הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ עֵת לְכָל דָּבָר שֶׁיָּשׁוּב לַאֲחֻזָּתוֹ, וְאֶת שְׁנַת הַיּוֹבֵל בָּרָא בִּכְדֵי שֶׁאָז יָשׁוּב כָּל אִישׁ אֶל מְקוֹמוֹ וַאֲחֻזָּתוֹ הַשַּׁיָּךְ לוֹ מֵאֵת ה׳ כְּמוֹ שֶׁנֶּאֱמַר "שְׁנַת הַיּוֹבֵל קוֹדֶשׁ יִהְיֶה לָכֶם", הַיְינוּ שֶׁבִּשְׁנַת הַיּוֹבֵל יִתְגַּלֶּה אוֹר קְדוּשַּׁת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ לְעֵין כֹּל, עַל יְדֵי הַעֲבָרַת שׁוֹפָר בְּיוֹם הַכִּיפּוּרִים עַד שֶׁיּוּכַּר שֶׁמַּה שֶּׁיֵּשׁ לוֹ מֵאֲחֻזַּת אֲבוֹתָיו עַל יְדֵי נְתִינַת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ זֶה יִשָּׁאֵר לוֹ, וְזֶה שֶׁבָּא לְיָדוֹ עַל יְדֵי פְּעוּלַת אָדָם אַף שֶׁהָיָה קִנְיָנוֹ עַד עַתָּה וְהָיָה בִּרְשׁוּתוֹ עִם כָּל זֶה לְפִי שֶׁאֵינוֹ שֶׁלּוֹ בַּשּׁוֹרֶשׁ יוּכְרַח לְהַחְזִירוֹ לִמְקוֹמוֹ הַשַּׁיָּךְ. וְזֶה הוּא הֶאָרַת הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ בִּשְׁנַת הַיּוֹבֵל שֶׁיּוּכַל לְכָל אָדָם מָקוֹם הַשַּׁיָּךְ לְכָל דָּבָר. וְלָזֶה הַהַכָּרָה וְהַהֲבָנָה יָבוֹאוּ אַחֲרֵי שֶׁיְּקַיְּמוּ מִצְוַת שְׁמִיטָּה, הַיְינוּ שֶׁיִּמְסְרוּ הַכֹּל לְהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ עַל יְדֵי זֶה יָבוֹאוּ לְמִדּוֹת שֶׁלָּךְ שֶׁלָּךְ, הַיְינוּ שֶׁיַּכִּירוּ כָּל דִּבְרֵיהֶם לְאֵיזֶה מָקוֹם הוּא שַׁיָּךְ בַּשׁוֹרֶשׁ, כְּמַאֲמַר הַמִּדְרָשׁ (בראשית רבה פרשה נ"ג,י"ט) "הַכֹּל בְּחֶזְקַת סוֹמִים עַד שֶׁיָּאִיר הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא עֵינֵיהֶם", הַיְינוּ אַף כִּי לְעַיִן אֱנוֹשִׁי יִתְרָאֶה, כִּי הָעֶבֶד שַׁיָּךְ לְרַבּוֹ וְהַשָּׂדֶה לְמִי שֶׁקָּנָה אוֹתָהּ. אַךְ מִי שֶׁהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא מֵאִיר לוֹ וּמְפַקֵּחַ עֵינָיו יִרְאֶה שֶׁכָּל מַעֲשֵׂה בְּנֵי הָאָדָם לֹא יִפְעֲלוּ לְשַׁנּוֹת מֵעוֹמֶק רְצוֹן הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ אַף כְּחוּט הַשַּׂעֲרָה, וּבַיּוֹבֵל יִתְגַּלֶּה הָאוֹר הַזֶּה. וְזֶהוּ מִדּוֹת שֶׁלָּךְ שֶׁלָּךְ וְהוּא גְּדוֹלָה מִמִּדּוֹת שֶׁלִּי שֶׁלָּךְ. וְעַל יְדֵי שְׁמִיטָּה וְיוֹבֵל יִרְאֶה הָאָדָם אֲשֶׁר הִשִּׂיג טוֹבָה שֶׁלֹּא עַל פִּי רְצוֹן הַש"י רַק עַל יְדֵי הִשְׁתַּדְּלוּתָיו עָשָׂה עוֹשֶׁר, זֶה אֵינוֹ שֶׁלּוֹ אַף שֶׁהוּא בִּרְשׁוּתוֹ, וְלָכֵן בְּהַסִּדְרָה הַזֹּאת נִמְצָא אַזְהָרָה עַל גֵּזֶל וְאוֹנָאָה וְרִבִּית, הַיְינוּ שֶׁלֶּעָתִיד יוּכַל שֶׁכָּל מַה שֶּׁבָּא לְאָדָם דֶּרֶךְ עִנְיָנִים כָּאֵלֶּה אֵינוֹ שֶׁלּוֹ, רַק אוּלַי יִהְיֶה בְּלֵב הָאָדָם לֵאמוֹר אִם כֵּן הוּא שֶׁלֹּא יִשָּׁאֵר שֶׁלּוֹ רַק מַה שֶּׁחָלַק לוֹ הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ בְּשׁוֹרְשׁוֹ, אִם כֵּן הֲלֹא כָּל הִשְׁתַּדְּלוּתוֹ בְּחִנָּם לֶאֱסוֹף הוֹן וְלִקְנוֹת קִנְיָנִים וּלְהַרְחִיב גְּבוּלוֹ, מֵאַחַר שֶׁלֹּא יִשָּׁאֵר שֶׁלּוֹ רַק מַה שֶּׁחָלַק לוֹ הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ. עַל זֶה אָמַר שְׁלֹמֹה הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם (קהלת י',א') "יָקָר מֵחָכְמָה וּמִכָּבוֹד סִכְלוּת מְעָט". פֵּירוּשׁ אֱמֶת כִּי עַל יְדֵי הַחָכְמָה שֶׁיָּבִין הָאָדָם שֶׁלֹּא יִשָּׁאֵר לוֹ מִכָּל הִשְׁתַּדְּלוּתוֹ עַל יְדֵי זֶה יִמָּנַע מֵהִשְׁתַּדְּלוּת בָּעוֹלָם הַזֶּה, אַךְ סִכְלוּת מְעָט שֶׁמָּצוּי בּוֹ שֶׁגָּרַם לוֹ לְהִשְׁתַּדֵּל וְלֶאֱסוֹף קִנְיָן אַף שֶׁמֵּבִין בְּחָכְמָה כִּי אֵינוֹ רַק לְפִי שָׁעָה, עִם כָּל זֶה יוּכַל לִזְכּוֹת עַל יְדֵי הִשְׁתַּדְּלוּתָיו אַף כִּי יָבֹא הָעֵת לָשׁוּב אֶל אֲחֻזָּתוֹ, וּלְהַחְזִיר כָּל דָּבָר לִמְקוֹמוֹ, אַף עַל פִּי כֵן יַרְוִיחַ שֶׁלֹּא יַחְזִיר לַחֲבֵירוֹ רַק מִדּוֹת גְּבוּלוֹ, אֲבָל הַמֵּיצַר וְהַגְּבוּל שֶׁחָלַק הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ לְהַכִּיר בֵּין חֵלֶק אָדָם לְחֵלֶק חֲבֵירוֹ, זֶה יִהְיֶה נוֹסָף עַל גְּבוּלוֹ מֵאַחַר שֶׁבַּתְּחִילָּה הִרְחִיב גְּבוּלוֹ לְתוֹךְ שֶׁל חֲבֵירוֹ וְהִשְׁתַּדֵּל בָּעוֹלָם הַזֶּה יִשָּׁאֵר לוֹ הֲגָנָה מוּעֶטֶת גַּם מֵחֵלֶק חֲבֵירוֹ אַף שֶׁיַּחְזִירָהּ, וְזֶהוּ כָּל עֵסֶק הִשְׁתַּדְּלוּת בָּעוֹלָם הַזֶּה שֶׁהָאָדָם מִשְׁתַּדֵּל, וְיִשָּׁאֵר לוֹ זֹאת הַהַכָּרָה לְעוֹלְמֵי עַד.
Parágrafo 5

“E não oprimireis cada um ao seu próximo, e temerás o teu Deus” (Vayikra 25:17). Este versículo foi dito também a respeito de almas grandes, de elevado valor yikrei erech almas de grande estatura, preciosas: quando veem alguém fazer algo que não é conforme a vontade do Nome e querem acusá-lo e puni-lo, o Santo, bendito seja, adverte: “não oprimireis” aqui, o ato de afligir o outro por meio da acusação. E é isto que disse o rei David, que a paz esteja sobre ele: “Sentas e falas contra o teu irmão, ao filho de tua mãe lanças infâmia. Isto fizeste e eu me calei; imaginaste que eu seria como tu; repreender-te-ei e o disporei diante dos teus olhos” (Tehilim 50:20). O original indica o versículo 20; a citação prossegue no versículo 21.

“Sentas e falas contra o teu irmão, ao filho de tua mãe lanças infâmia”: como o homem é obrigado a amar o seu próximo, conforme nos foi ordenado (Vayikra 19:18): “e amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e deve pedir misericórdia em favor do seu próximo, mas ele quer acusá-lo, sobre isso o Nome dirá: “isto fizeste e eu me calei”. Isto é: se o Nome quisesse examinar, nem mesmo as ações dos justos seriam vistas como mérito aos Seus olhos, pois diante do Nome “quem será justificado” e quem dirá “purifiquei o meu coração” (Mishlei 20:9); e, apesar disso, o Nome se cala e não revela a vergonha de homem algum, ainda que peque. “Imaginaste que eu seria como tu” que Eu também desejaria acusar: pois o homem que acusa a ação do seu próximo parece a si mesmo purificado, conforme a vontade do Nome, e pensa que também a vontade do Nome é acusar o homem que pecou; por isso o acusa. E sobre isso o Nome lhe diz: “repreender-te-ei e o disporei diante dos teus olhos”, isto é, o Nome mostrará aos olhos do homem que fala contra o seu próximo, alegando que também a vontade do Nome é assim, e lhe provará que a Sua santa vontade é somente ocultar todos os pecados de Israel, como está escrito (Mikha 7:19): “e lançarás nas profundezas do mar todos os seus pecados”, isto é, que os ocultará com um grande ocultamento, para que não se revelem nem sejam vistos jamais.

E como o homem poderá dizer que o Nome deseja que se argumente contra o homem e se faça alarde do seu pecado? É verdade que o Nome ordenou repreender o próximo e afastá-lo de todo mal, tanto quanto possível; mas isso vale apenas onde se sabe que se conseguirá afastá-lo disso para o bem, ou que, pela oração, despertando misericórdia sobre ele, ele será reconduzido ao bom caminho. Mas, se não se consegue removê-lo, é preciso julgá-lo a favor e não acusá-lo. Pois ninguém pode julgar o seu próximo para o lado da culpa: talvez o impulso do próximo seja maior do que o seu, ou talvez isto lhe seja permitido, pois há muitas coisas proibidas a um homem e permitidas a outro.

וְלֹא תוֹנוּ אִישׁ אֶת עֲמִיתוֹ וְיָרֵאתָ מֵאֱלֹקֶיךָ. זֶה הַפָּסוּק נֶאֱמַר אַף בִּנְפָשׁוֹת גְּדוֹלוֹת יִקְרֵי עֵרֶךְ, כַּאֲשֶׁר יִרְאוּ בְּאָדָם שֶׁעוֹשֶׂה דָּבָר שֶׁלֹּא כִּרְצוֹן הַש"י וְיִרְצֶה לְקַטְרֵג עָלָיו וּלְהַעֲנִישׁוֹ, עַל זֶה מַזְהִיר הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא "לֹא תוֹנוּ", וְזֶה שֶׁאָמַר דָּוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם "תֵּשֵׁב בְּאָחִיךָ תְדַבֵּר בְּבֶן אִמְּךָ תִּתֶּן דֹּפִי אֵלֶּה עָשִׂיתָ וְהֶחֱרַשְׁתִּי דִּמִּיתָ הֱיוֹת אֶהְיֶה כָמוֹךָ אוֹכִיחֲךָ וְאֶעֶרְכָה לְעֵינֶיךָ" (תהלים נ',כ'). "תֵּשֵׁב בְּאָחִיךָ תְדַבֵּר בְּבֶן אִמְּךָ תִּתֶּן דֹּפִי", הַיְינוּ מֵאַחַר שֶׁאָדָם מְחֻיָּב לֶאֱהֹב אֶת חֲבֵירוֹ כַּמְצֻוֶּה עָלֵינוּ (ויקרא י"ט,י"ח) "וְאָהַבְתָּ לְרֵעֲךָ כָּמוֹךָ", וְאָדָם צָרִיךְ לְבַקֵּשׁ רַחֲמִים בְּעַד חֲבֵירוֹ, וְהוּא יִרְצֶה לְקַטְרֵג עָלָיו, עַל זֶה יֹאמַר הַש"י "אֵלֶּה עָשִׂיתָ וְהֶחֱרַשְׁתִּי", הַיְינוּ בְּאִם הַש"י יִרְצֶה לְבָרֵר אַף מַעֲשֵׂה צַדִּיקִים לֹא יִזְכּוּ בְּעֵינָיו, כִּי נֶגֶד הַש"י מִי יוּצְדַּק וּמִי יֹאמַר זִכִּיתִי לִבִּי, וְאַף עַל פִּי כֵן הַש"י שׁוֹתֵק וְאֵינוֹ מְגַלֶּה קְלוֹן שׁוּם אָדָם אַף כִּי יֶחֱטָא, "דִּמִּיתָ הֱיוֹת אֶהְיֶה כָמוֹךָ", כִּי הָאָדָם הַמְקַטְרֵג עַל מַעֲשֶׂה שֶׁל חֲבֵירוֹ יִתְרָאֶה בְּעֵינוֹ כִּי הוּא מְזֻכָּךְ כִּרְצוֹן הַש"י וְגַם רְצוֹן הַש"י כָּךְ הוּא לְקַטְרֵג עַל אָדָם הַחוֹטֵא, וְלָכֵן יְקַטְרֵג עָלָיו. וְעַל זֶה נֶאֱמַר לוֹ מֵהַש"י "אוֹכִיחֲךָ וְאֶעֶרְכָה לְעֵינֶיךָ", הַיְינוּ שֶׁהַש"י יַרְאֶה לְעֵינֵי הָאָדָם הַמְלַמֵּד חוֹב עַל חֲבֵירוֹ בְּאָמְרוֹ כִּי גַּם רְצוֹן הַש"י הוּא לָזֶה, וְיוֹכַח לוֹ הַש"י כִּי רְצוֹנוֹ הַקָּדוֹשׁ אֵינוֹ רַק לְהַסְתִּיר כָּל חֶטְאֵי יִשְׂרָאֵל כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב (מיכה ז',י"ט) "וְתַשְׁלִיךְ בִּמְצֻלוֹת יָם כָּל חַטֹּאותָם", הַיְינוּ שֶׁיַּסְתִּיר אוֹתָם בְּהֶסְתֵּר גָּדוֹל שֶׁלֹּא יִתְגַּלּוּ וְלֹא יִתְרָאוּ עוֹד, וְאֵיךְ יֹאמַר הָאָדָם שֶׁהַש"י חָפֵץ בְּלִימּוּד חוֹב עַל הָאָדָם וּלְהָפִיחַ חֶטְאוֹ, אִם אָמְנָם כִּי צִוָּה הַש"י לְהוֹכִיחַ אִישׁ אֶת עֲמִיתוֹ וּלְהַרְחִיקוֹ מִכָּל רַע כְּפִי הַיְכוֹלֶת, זֶה אֵינוֹ רַק בְּמָקוֹם שֶׁיּוֹדֵעַ שֶׁיּוּכַל לְהַסִּיעַ אוֹתוֹ מִזֶּה בְּטוֹב, אוֹ עַל יְדֵי תְּפִלָּה שֶׁיְּעוֹרֵר רַחֲמִים עָלָיו שֶׁיּוּחְזַר לַמּוּטָב, אַךְ בְּאִם לֹא יוּכַל לְהָסִיר אוֹתוֹ צָרִיךְ לִלְמוֹד זְכוּת עָלָיו וְלֹא לְקַטְרֵג עָלָיו, כִּי אֵין אָדָם יָכוֹל לָדוּן אֶת חֲבֵירוֹ לְכַף חוֹב כִּי פֶּן יֵצֶר חֲבֵירוֹ גָּדוֹל מִיִּצְרוֹ, אוֹ פֶּן הַדָּבָר הַזֶּה מֻתָּר לוֹ, כִּי יֵשׁ הַרְבֵּה דְּבָרִים שֶׁלְּאָדָם אֶחָד אֲסוּרִים וּלְאָדָם אֶחָד מֻתָּרִים.
Parágrafo 6

“E se um homem vender uma casa de moradia em cidade murada, o seu resgate será até o fim do ano da sua venda, etc.; e se não for resgatada até que se complete para ele um ano inteiro, então a casa que está na cidade murada ficará em caráter definitivo para o comprador, pelas suas gerações; não sairá no Yovel” (Vayikra 25:29-30). Esta passagem sobre as casas de cidades muradas ensina que o homem deve saber que, embora tenham sido explicados os assuntos do Yovel, de que há tempo e hora para tudo, e que, mesmo que o homem tenha pecado contra o Nome, Ele não se irará para sempre contra ele, esta passagem ensina que tudo isso vale somente quando o homem peca em coisas entre o homem e o Lugar HaMakom o Onipresente, designação de Deus e provoca o atributo do julgamento a medida de rigor, de modo que venda da sua propriedade ou seja vendido como servo: isso não será definitivo, e no ano do Yovel ele sairá e cada um voltará à sua propriedade. Mas, se provocar o atributo do julgamento por transgressões entre o homem e o seu próximo, e principalmente se pecar, Deus nos livre, envergonhando uma pessoa com a sua fala, a isto alude o versículo: “E se um homem vender uma casa de moradia em cidade murada”. Pois a língua é chamada “moradia de cidade murada”, conforme o dito do Midrash (Arachin 15b): “duas muralhas Eu te dei”. E por meio dela o homem pode, Deus nos livre, vender e perder todos os seus méritos, e o seu próximo os comprará o ofendido fica com os méritos de quem o envergonhou. Sobre isso disse o rei Shelomo, que a paz esteja sobre ele (Mishlei 25:28): “cidade rompida, sem muralha, é o homem sem domínio sobre o seu espírito”.

E o conselho adequado para isso é apaziguar o seu próximo dentro do ano, e sobre isso se diz: “dias será o seu resgate” aqui “dias” tem o sentido de um ano. “E se não for resgatada, a casa que tem muralha ficará em caráter definitivo para o comprador, pelas suas gerações”: isto é, se não apaziguar o seu próximo, os seus méritos permanecerão nas mãos do próximo para sempre. E este é o sentido da leitura e da escrita em “asher lo chomá” a palavra “lo” é escrita com o sentido de “não” e lida com o sentido de “tem”: o homem que não tem domínio sobre o seu espírito chama-se “aquele que não tem muralha”, e aquele que tem domínio sobre o seu espírito chama-se “aquele que tem muralha”. E assim todos os méritos do homem que não tem domínio sobre o seu espírito permanecem nas mãos do homem que conteve o seu espírito e se calou diante dele.

וְאִישׁ כִּי יִמְכֹּר בֵּית מוֹשַׁב עִיר חוֹמָה וְהָיְתָה גְּאֻלָּתוֹ עַד תֹּם שְׁנַת מִמְכָּרוֹ וכו' וְאִם לֹא יִגָּאֵל עַד מְלֹאת לוֹ שָׁנָה תְמִימָה וְקָם הַבַּיִת אֲשֶׁר לוֹ חֹמָה לַצְּמִיתֻת לַקֹּנֶה אֹתוֹ לְדֹרֹתָיו לֹא יֵצֵא בַּיֹּבֵל. הַפָּרָשָׁה הַזֹּאת מִבָּתֵּי עָרֵי חוֹמָה מוֹרָה שֶׁיֵּדַע הָאָדָם כִּי אַף שֶׁנִּתְבָּאֲרוּ עִנְיְנֵי יוֹבֵל שֶׁיֵּשׁ זְמַן וְעֵת לַכֹּל, וְאַף שֶׁחָטָא הָאָדָם נֶגֶד הַש"י לֹא לָעַד יִקְצֹף עָלָיו. וְהַפָּרָשָׁה הַזֹּאת מוֹרָה כִּי כָל זֶה הוּא רַק כְּשֶׁאָדָם יֶחֱטָא בִּדְבָרִים שֶׁבֵּין אָדָם לַמָּקוֹם וְיִגְרֹם מִדַּת הַדִּין שֶׁיִּמְכֹּר מֵאֲחֻזָּתוֹ אוֹ יִמָּכֵר לְעֶבֶד לֹא יִהְיֶה לִצְמִיתוּת וּבִשְׁנַת הַיּוֹבֵל יֵצֵא, וְאִישׁ אֶל אֲחֻזָּתוֹ יָשׁוּב, אֲבָל אִם יִגְרֹם לְאָדָם מִדּוֹת הַדִּין מֵחֲמַת עֲבֵירוֹת שֶׁבֵּין אָדָם לַחֲבֵירוֹ, וְעִיקָּר בְּאִם יֶחֱטָא חַס וְשָׁלוֹם וִיבַיֵּישׁ אֶת הָאָדָם בְּדִיבּוּרוֹ, וְזֶה מוֹרֶה הַפָּסוּק "וְאִישׁ כִּי יִמְכֹּר בֵּית מוֹשַׁב עִיר חוֹמָה" כִּי הַלָּשׁוֹן נִקְרָא "מוֹשַׁב עִיר חוֹמָה" כְּמַאֲמַר הַמִּדְרָשׁ (ערכין ט"ו:) "שְׁתֵּי חוֹמוֹת נָתַתִּי לְךָ", וְעַל יְדֵי זֶה יוּכַל חַס וְשָׁלוֹם הָאָדָם לִמְכֹּר וּלְהַפְסִיד כָּל זָכִיּוֹתָיו וַחֲבֵירוֹ יִקְנֶה אוֹתָם, וְעַל זֶה אָמַר שְׁלֹמֹה הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם (משלי כ"ה,כ"ח) "עִיר פְּרוּצָה אֵין חוֹמָה אִישׁ אֲשֶׁר אֵין מַעְצָר לְרוּחוֹ". וְהָעֵצָה הַיְּעוּצָה בָּזֶה כִּי יְפַיֵּיס אֶת חֲבֵירוֹ בְּתוֹךְ הַשָּׁנָה וְעַל זֶה נֶאֱמַר "יָמִים תִּהְיֶה גְאֻלָּתוֹ", "וְאִם לֹא יִגָּאֵל וְקָם הַבַּיִת אֲשֶׁר לוֹ חוֹמָה לַצְּמִיתוּת לַקּוֹנֶה אוֹתוֹ לְדוֹרוֹתָיו", הַיְינוּ שֶׁאִם לֹא יְפַיֵּיס אֶת חֲבֵירוֹ יִשָּׁאֲרוּ זָכִיּוֹתָיו בְּיַד חֲבֵירוֹ לִצְמִיתוּת עוֹלָם, וְזֶה פֵּירוּשׁ הַקְּרִי וְהַכְּתִיב מֵ"אֲשֶׁר לוֹ חוֹמָה", כִּי הָאִישׁ אֲשֶׁר אֵין מַעְצָר לְרוּחוֹ נִקְרָא "אֲשֶׁר לֹא חוֹמָה", וְזֶה שֶׁיֵּשׁ לוֹ מַעְצָר לְרוּחוֹ נִקְרָא "אֲשֶׁר לוֹ חוֹמָה", וְזֶה שֶׁיִּשָּׁאֲרוּ כָּל זָכִיּוֹתָיו שֶׁל הָאִישׁ אֲשֶׁר אֵין לוֹ מַעְצָר לְרוּחוֹ בְּיַד הָאִישׁ אֲשֶׁר עָצַר אֶת רוּחוֹ וְשָׁתַק לוֹ.
Parágrafo 7

“E as cidades dos levitas, as casas das cidades da sua propriedade, serão resgate perpétuo para os levitas” (Vayikra 25:32). Levi, isto é, aquele que serve ao Eterno. E isto porque, por meio do serviço, o homem pode recuperar tudo o que perdeu, com acréscimos de bem.

וְעָרֵי הַלְוִיִּם בָּתֵּי עָרֵי אֲחֻזָּתָם גְּאֻלַּת עוֹלָם תִּהְיֶה לַלְוִיִּם. לֵוִי הַיְינוּ הָעוֹבֵד ה', וְזֶה כִּי עַל יְדֵי עֲבוֹדָה יוּכַל הָאָדָם לְהַשִּׂיג כָּל אֲשֶׁר אָבַד, בְּהוֹסָפוֹת טוֹב.
Parágrafo 8

“E pedra figurada não poreis na vossa terra para vos prostrardes sobre ela” (Vayikra 26:1). Maskit pedra figurada, pedra de prostração indica que o homem abandone o seu juízo e o seu intelecto isto é, ceda inteiramente o próprio entendimento e entregue a sua alma por toda palavra do Eterno. E isto é proibido, como diz a Guemará (Sifrei, Shoftim, passagem 6) a respeito disto: “embora fosse querida a Mim nos dias dos patriarcas”, etc. o Sifrei fala assim do pilar de pedra, a matzevá, que foi querida nos tempos dos patriarcas e depois passou a ser detestada. O homem não precisa entregar a sua alma, a não ser pelas três coisas as três transgressões pelas quais se deve morrer em vez de transgredir: idolatria, derramamento de sangue e relações proibidas; e somente no Beit HaMikdash o Templo é que o homem pode abandonar todo o seu juízo diante do Nome.

וְאֶבֶן מַשְׂכִּית לֹא תִתְּנוּ בְּאַרְצְכֶם לְהִשְׁתַּחֲוֹת עָלֶיהָ. מַשְׂכִּית הַיְינוּ שֶׁהָאָדָם יַעֲזוֹב דַּעְתּוֹ וְשִׂכְלוֹ, וּלְכָל דְּבַר ה' יִמְסוֹר אֶת נַפְשׁוֹ, וְזֶה נֶאֱסַר כְּמוֹ דְּאִיתָא בַּגְּמָ' (ספרי שופטים פיסקא ו') עַל זֶה, "אַף עַל פִּי שֶׁהָיְתָה חֲבִיבָה עָלַי בִּימֵי הָאָבוֹת" כוּ׳, וְאֵין צָרִיךְ הָאָדָם לִמְסוֹר אֶת נַפְשׁוֹ רַק עַל הַג' דְּבָרִים, וְרַק בְּביה"מ שָׁם יוּכַל הָאָדָם לַעֲזוֹב כָּל דַּעְתּוֹ נֶגֶד הַש"י.
Parte II · Sefaria Volume II
Parágrafo 9

“E o descanso da terra será para vós alimento” (Vayikra 25:6). Eis que o Nome, bendito seja, mostra a Israel que a vida de Israel é o oposto da natureza na natureza, quem nada faz nada recebe. Pois, segundo a natureza, o homem precisa realizar ações e delas receber o influxo, e isto vale somente entre os idólatras, cuja vida não vem da contração e da cessação. Já a vida de Israel está acima da compreensão deste mundo: o essencial do influxo se recebe das contrações e da cessação, isto é, do que se cessa no sétimo ano, do trabalho da terra; e assim também do que se acrescenta do profano ao sagrado na véspera de Shabat o início antecipado do Shabat, e disso lhes vem influxo abundante. E é este o sentido de “e o descanso da terra será para vós alimento”: que da cessação recebem bom influxo, pois na cessação está guardado muito bem.

וְהָיְתָה שַׁבַּת הָאָרֶץ לָכֶם לְאָכְלָה. הִנֵּה הַשי"ת מַרְאֶה לְיִשְׂרָאֵל שֶׁהַחַיִּים שֶׁל יִשְׂרָאֵל הוּא הֵיפֶךְ מִן הַטֶּבַע, שֶׁעַל פִּי הַטֶּבַע צָרִיךְ הָאָדָם לַעֲשׂוֹת פְּעֻלּוֹת וּמִזֶּה יְקַבֵּל הַשְׁפָּעָה וְזֶה הוּא רַק בְּעכו"ם שֶׁאֵין הַחַיִּים שֶׁלָּהֶם מֵהַצִּמְצוּם וְהַשְּׁבִיתָה, אֲבָל חַיִּים שֶׁל יִשְׂרָאֵל הוּא לְמַעְלָה מִתְּפִיסַת עוֹלָם הַזֶּה, שֶׁעִיקַּר הַשְׁפָּעָה מְקַבְּלִים מֵהַצִּמְצוּמִים וְהַשְּׁבִיתָה שֶׁשּׁוֹבְתִים בַּשְּׁבִיעִית מֵעֲבוֹדַת הָאָרֶץ, וְכֵן מִזֶּה שֶׁמּוֹסִיפִים מֵחֹל עַל הַקֹּדֶשׁ בְּעֶרֶב שַׁבָּת מִזֶּה בָּא לָהֶם הַשְׁפָּעָה מְרֻבָּה, וְזֶה הוּא "וְהָיְתָה שַׁבַּת הָאָרֶץ לָכֶם לְאָכְלָה", שֶׁמֵּהַשְּׁבִיתָה יְקַבְּלוּ הַשְׁפָּעָה טוֹבָה שֶׁבְּהַשְּׁבִיתָה צָפוּן רוֹב טוֹבָה.
Parágrafo 10

“Não fareis para vós ídolos, e imagem esculpida e coluna não levantareis para vós, e pedra figurada não poreis na vossa terra para vos prostrardes sobre ela” (Vayikra 26:1). “Elilim” ídolos vem da palavra al “não”, isto é, uma obra em que não há vida; “pesel” imagem esculpida é gavvon cor, aparência exterior; e “matzevá” coluna é teimosia, de “matzav”, posição, situação: que decidas em tua mente “nesta situação eu quero precisamente, e assim é reto aos meus olhos”. Não tens permissão para escolher isso, como está escrito (Iyov 34:33): “pois tu escolherás e não eu”.

E “even maskit” chama-se, no sentido simples, o estender das mãos e dos pés: que o homem não diga “se for assim, não poderei viver”, como no caso narrado na Guemará (Taanit 23a): “traçou um círculo e ficou de pé dentro dele”, à maneira do que fez o profeta Chavakuk, a respeito de quem se diz (Chavakuk 2:1): “sobre a minha guarda estarei”. Ele disse que dali não se moveria, pois não podia suportar o governo de Nevuchadnetzar, o perverso, como está escrito ali, e isto estava na alma de Chavakuk. Mas, em verdade, também então era preciso aguardar o Nome: pois, se o Nome pode suportar, também ele era obrigado a suportar, porque são muito profundos os pensamentos do Nome. E como está escrito sobre Babel (Yirmeyahu 51:13): “rica em tesouros”. Ora, um tesouro indica algo guardado no seu interior, que não aparece na aparência exterior, ao alcance da compreensão do homem. Mesmo assim, o Nome lhe mostrou, na queda de Nevuchadnetzar, e também ele chegou a isso o sentido parece ser que Chavakuk veio a reconhecer o desígnio divino, como está escrito (Chavakuk 2:4): “e o justo viverá pela sua fé”, e como foi explicado no mesmo lugar, nesta parte da obra.

לֹא תַעֲשׂוּ לָכֶם אֱלִילִים וּפֶסֶל וּמַצֵּבָה לֹא תָקִימוּ לָכֶם וְאֶבֶן מַשְׂכִּית לֹא תִתְּנוּ בְּאַרְצְכֶם לְהִשְׁתַּחֲוֹת עָלֶיהָ. "אֱלִילִים" הוּא מִלְּשׁוֹן אַל, הַיְינוּ מַעֲשֶׂה שֶׁאֵין בּוֹ חַיִּים, "וּפֶסֶל" הוּא גָּוֶון, "וּמַצֵּבָה" הִיא עִקְּשׁוּת שֶׁתִּגְמוֹר בְּדַעְתְּךָ בַּמַּצָּב הַזֶּה אֲנִי רוֹצֶה בְּדַוְקָא וְכָךְ יָשָׁר בְּעֵינַי, אֵין לְךָ רְשׁוּת לִבְחוֹר בָּזֶה כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב (איוב ל״ד, ל״ג) "כִּי אַתָּה תִבְחַר וְלֹא אָנִי", "וְאֶבֶן מַשְׂכִּית" נִקְרָא בְּפִישּׁוּט יָדַיִם וְרַגְלַיִם, שֶׁלֹּא יֹאמַר הָאָדָם אִם יִהְיֶה כָּךְ לֹא אוּכַל לִחְיוֹת וְכָעִנְיָן שֶׁאִיתָא בַּגְּמָרָא (תענית כ״ג.) "עָג עוּגָה וְעָמַד בְּתוֹכָהּ" כְּדֶרֶךְ שֶׁעָשָׂה חֲבַקּוּק הַנָּבִיא שֶׁנֶּאֱמַר (חבקוק ב',א') "עַל מִשְׁמַרְתִּי אֶעֱמֹדָה" שֶׁאָמַר אֵינוֹ זָז מִכָּאן שֶׁלֹּא הָיָה יָכוֹל לִסְבּוֹל מִמֶּמְשַׁלְתּוֹ שֶׁל נְבוּכַדְנֶצַּר הָרָשָׁע כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב (שם) וְהָיָה בְּנַפְשׁוֹ שֶׁל חֲבַקּוּק, וּבֶאֱמֶת גַּם אָז הָיָה צָרִיךְ לְצַפּוֹת לְהַשי"ת, כִּי אִם הַשי"ת יָכוֹל לִסְבּוֹל גַּם הוּא הָיָה מֻכְרָח לִסְבּוֹל כִּי מְאֹד עָמְקוּ מַחְשְׁבוֹת הַשי"ת וּכְמוֹ שֶׁכָּתוּב עַל בָּבֶל (ירמיה נ״א,י״ג) "רַבַּת אוֹצָרֹת". וְאוֹצָר מוֹרֶה עַל דָּבָר הַגָּנוּז בְּתוֹכוֹ וְאֵינוֹ נִרְאֶה עַל הַגָּוֶון לִתְפִיסַת הָאָדָם, אַךְ מִכָּל מָקוֹם הֶרְאָה לוֹ הַשי"ת בְּמַפַּלְתּוֹ שֶׁל נְבוּכַדְנֶצַּר וְגַם הוּא בָּא עַל זֶה, וּכְמוֹ שֶׁכָּתוּב (חבקוק ב',ד') "וְצַדִּיק בֶּאֱמוּנָתוֹ יִחְיֶה" וּכְמוֹ שֶׁנִּתְבָּאֵר (שם בחלק זה).
Parágrafo 11

“E pedra figurada não poreis na vossa terra para vos prostrardes sobre ela” (Vayikra 26:1). Isto é, que o homem não entregue a sua alma por qualquer coisa. É como o caso do nefilat apayim prostração, o ato de cair com o rosto em terra, parte da oração de súplica: a respeito de Moshe e Aharon está escrito várias vezes na Torá “e caíram sobre os seus rostos”, porque estavam confiantes de que, por isso, certamente o Nome lhes responderia. Mas, quanto a todo outro homem, vem a advertência de que não faça assim: porque, para o Nome, é muito preciosa a vida de Israel, e talvez ele não tenha força para realizar o que pede isto é, a sua súplica pode não surtir efeito e possa perder a sua vida, e o Nome deseja a vida. E, como diz a Guemará (Megilá 22b): uma pessoa de peso de importância e estatura espiritual não está autorizada a cair sobre o seu rosto, a menos que seja atendida como Yehoshua bin Nun. E veja-se o Zohar (Bamidbar 120b) sobre o assunto da prostração.

וְאֶבֶן מַשְׂכִּית לֹא תִתְּנוּ בְּאַרְצְכֶם לְהִשְׁתַּחֲוֹת עָלֶיהָ. הַיְינוּ שֶׁהָאָדָם לֹא יִמְסֹר נַפְשׁוֹ עַל כָּל דָּבָר, כְּמוֹ עִנְיַן נְפִילַת אַפַּיִם, שֶׁבְּמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן כָּתוּב כַּמָּה פְּעָמִים בַּתּוֹרָה "וַיִּפְּלוּ עַל פְּנֵיהֶם", מִפְּנֵי שֶׁהָיוּ בְּטוּחִים שֶׁעַל יְדֵי זֶה בֶּטַח יַעֲנֶה לָהֶם הַשי"ת, אֲבָל אֵצֶל כָּל אָדָם בָּא הָאַזְהָרָה שֶׁלֹּא יַעֲשֶׂה כֵן, כִּי אֵצֶל הַשי"ת יָקָר מְאוֹד חַיִּים שֶׁל יִשְׂרָאֵל וְאוּלַי אֵין בְּכֹחוֹ לִפְעֹל וְיָכוֹל לְאַבֵּד הַחַיִּים שֶׁלּוֹ וְהַשי"ת חָפֵץ חַיִּים, וְכִדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (מגילה כ"ב:) אֵין אָדָם חָשׁוּב רַשַּׁאי לִיפֹּל עַל פָּנָיו אֶלָּא אִם כֵּן נַעֲנֶה כִּיהוֹשֻׁעַ בִּן נוּן, וְעַיֵּין בַּזה"ק (במדבר ק"כ:) בְּעִנְיַן נְפִילַת אַפַּיִם.