Mei HaShiloach · Volume I · Parashá 1

Bereshit

בְּרֵאשִׁית
Rabi Mordechai Yosef Leiner de Izhbitz (1801–1854) · hebraico de domínio público · tradução original PT-BR

Quinze parágrafos sobre a primeira parashá do Sêfer Bereshit, que abre a Torá: a criação como fortalecimento dos fundamentos que sustentam o coração e a mente do homem; as cinco existências da alma, de "amon escondido" a "amon artífice", correspondentes às sefirot de Keter a Maljut; o pedido das próprias criaturas para que fosse criado o homem que as unisse ao Eterno; os céus e a terra chamados "exército" somente depois que Israel reconheceu a realeza divina; quem se torna sócio do Santo, bendito seja, na obra da criação ao proclamar "vaychulu"; as quatro árvores do Éden — agradável à vista, boa para alimento, do conhecimento e da vida — e os quatro rios que as irrigam; o ouro e as pedras preciosas da terra de Chavilá como alusão ao temor e ao amor verdadeiros; a ajuda criada em frente ao homem, à semelhança do discípulo diante do mestre; o erro da árvore do conhecimento e o salto da serpente sobre a falta do homem; a alegação de Adam sobre a mulher que lhe foi dada; o cardo e o justo em guematria; a advertência a Caim sobre o ciúme e a elevação segundo o próprio grau; o pecado que jaz à porta quando cessa a força da vida; e o segredo de tzelem e demut no livro das gerações do homem — o discurso completo, hebraico e português lado a lado.

Parágrafos

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Parágrafo 1

"No princípio D'us criou" (Bereshit 1:1). Bará (criou) é da linguagem de fortalecimento — isto é, que primeiro Ele fortaleceu e consolidou os fundamentos que pudessem receber a criação, como um rei que constrói um tesouro e fortalece os fundamentos e as paredes para que possam receber o que ele colocará dentro. E os céus e a terra são os fundamentos do mundo, e eles aludem, na alma do homem, ao coração e à mente; no momento em que o homem quer caminhar segundo a vontade do Eterno para que seja uma criatura completa, então precisa fortalecer e consolidar esses dois fundamentos — isto é, entregar o intelecto e o pensamento que estão na cabeça, e todos os desejos de seu coração, ao Eterno, e coroá-lO, bendito seja, sobre eles, para que nada atue neles senão a vontade do Eterno. E como disse o Baal Shem Tov sobre o assunto: onde o pensamento do homem pensa, ali está o homem inteiro. E este é o sentido do versículo (Mishlê 23:26): "dá-me, meu filho, teu coração", e por consequência "guardarão meus caminhos" — isto é, quando entregares teu coração ao Eterno, então terás o serviço do Eterno como principal, e todas as palavras deste mundo serão secundárias a isto; à maneira de uma parábola: um rico que tem um filho digno e sábio, e o casa conforme sua honra; e quando prepara as necessidades do casamento e prova dos alimentos que preparou, no momento em que prova do alimento lembra-se da alegria de seu filho, e o sabor, para ele, é secundário — e entenda.

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹקִים. בָּרָא הוּא מִלְּשׁוֹן חִיזּוּק, הַיְינוּ שֶׁבָּרִאשׁוֹנָה אִמֵּץ וְחִיזֵּק הַיְסוֹדוֹת שֶׁיּוּכְלוּ לְקַבֵּל הַבְּרִיאָה, כְּמוֹ מֶלֶךְ שֶׁבּוֹנֶה אוֹצָר מְחַזֵּק אֶת הַיְסוֹדוֹת וְהַדְּפָנוֹת שֶׁיּוּכְלוּ לְקַבֵּל מַה שֶּׁיַּנִּיחַ לְתוֹכוֹ, וְהַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ הֵם יְסוֹדוֹת הָעוֹלָם, וְהֵם מְרַמְּזִין בְּנֶפֶשׁ הָאָדָם עַל הַלֵּב וְהַמּוֹחַ, בְּעֵת שֶׁיִּרְצֶה הָאָדָם לֵילֵךְ עַל פִּי רְצוֹן הַש"י בִּכְדֵי שֶׁיִּהְיֶה בְּרִיָּה שְׁלֵימָה, אָז צָרִיךְ לְאַמֵּץ וּלְחַזֵּק אֵלּוּ שְׁנֵי הַיְסוֹדוֹת, הַיְינוּ לִמְסוֹר הַשֵּׂכֶל וְהַמַּחְשָׁבָה שֶׁבָּרֹאשׁ וְכָל תַּאֲווֹת לִבּוֹ לְהַש"י וּלְהַמְלִיךְ אוֹתוֹ יִתְבָּרַךְ עֲלֵיהֶם שֶׁלֹּא יִפְעוֹל בָּהֶם דָּבָר זוּלַת רְצוֹן הַש"י. וּכְמוֹ שֶׁאָמַר הַבֶּעשׁ״ט בְּדָבָר שֶׁמַּחְשָׁבָה שֶׁל אָדָם מְחַשֶּׁבֶת שָׁם הוּא הָאָדָם כֻּלּוֹ. וְזֶהוּ פֵּירוּשׁ הַפָּסוּק (משלי כ"ג,כ"ו) "תְּנָה בְנִי לִבְּךָ לִי", וּמִמֵּילָא "דְּרָכַי תִּצֹּרְנָה", הַיְינוּ כְּשֶׁתִּמְסוֹר לִבְּךָ לְהַש"י אָז תִּהְיֶה אֶצְלְךָ עֲבוֹדַת הַש"י עִיקָּר וְכָל דִּבְרֵי עוֹלָם הַזֶּה טְפֵלִים לָזֶה, עַל דֶּרֶךְ מָשָׁל עָשִׁיר שֶׁיֵּשׁ לוֹ בֵּן הָגוּן וְחָכָם וּמַשִּׂיא אוֹתוֹ אִשָּׁה לְפִי כְּבוֹדוֹ וּבְשָׁעָה שֶׁהֵכִין צָרְכֵי הַנִּשּׂוּאִין וְיִטְעַם מֵהַמַּאֲכָלִים שֶׁהֵכִין, בְּעֵת טָעֳמוֹ מֵהַמַּאֲכָל יִזְכּוֹר שִׂמְחַת בְּנוֹ וְהַטְּעִימָה אֶצְלוֹ טְפֵילָה וְהָבֵן.
Parágrafo 2

"E disse D'us: haja luz, e houve luz" (Bereshit 1:3). Consta no midrash (Bereshit Rabá, parashá 1:1): Rabi Hoshaia Rabá abriu (Mishlê 8:30): "e eu estava junto a Ele como um amon (aio), e era Suas delícias dia a dia" — amon é pedagogo, amon é oculto, amon é escondido, e há quem diga amon é "grande" (rabatá), etc.; outra explicação: amon é artífice (uman). O assunto é este: assim como se encontra no homem, desde o início de sua existência até sua chegada à perfeição final, cinco tipos de existências e graus. Na primeira, no momento da semeadura do pai e da mãe, ele está em ocultação total, que não é reconhecível por nenhuma criatura. E a segunda existência é depois que se formou no ventre de sua mãe, no momento da gestação — então começa a haver nele um pouco de reconhecimento e apreensão. E a terceira existência é quando nasce — então sua existência se completa, e é reconhecido aos olhos de todos como uma criatura. E a quarta existência é quando é desmamado do seio de sua mãe e começa a realizar ações. E a quinta existência é quando toma esposa e começa a fazer uma existência nova, para se edificar em construção e permanência para sempre — pois para este fim foi criado.

E assim são estas cinco existências na criação do mundo, que saiu do nada e da ocultação total para a revelação e a existência: no início se chamava "amon escondido", porque estava incluída em Sua própria essência, bendito seja, e não havia nenhum reconhecimento de emanação dEle, bendito seja — e esta foi a primeira existência. E quando foi emanada dEle, bendito seja, e começou a sair mais para a revelação, então foi a segunda existência, chamada "amon oculto", que é o segredo do feto, que está oculto. E depois saiu mais para a revelação, e se chama "amon pedagogo". E estas três existências são as três primeiras sefirot ocultas, que são Keter, Chochmá e Biná; e o midrash explica de baixo para cima: primeiro amon pedagogo, correspondente a Biná; depois amon oculto, que corresponde a Chochmá; depois amon escondido, que corresponde a Keter — e por ser muito oculta se chama "escondida". E depois se revelou mais, para a revelação chamada "amon grande" (rabatá) — isto é, que começou a crescer, e é o segredo do desmame do seio de sua mãe. E depois "amon artífice" (uman) — isto é, que saiu para a revelação completa, e começou por si mesma a operar existências novas segundo a vontade do Eterno. E por isso, no casamento, abençoa-se a bênção "que criou o homem à Sua imagem", e não se abençoa esta bênção no momento do nascimento — porque, ainda que o homem tenha nascido, não se completou em perfeição, apenas quando começa a se esforçar por fazer uma existência nova, e isto é quando toma esposa.

E este é o sentido de "e a terra era caos e vazio" — isto é, desde o tempo da semeadura até o tempo em que o feto é reconhecido, chama-se tohu; e desde o tempo em que é reconhecido, chama-se bohu — isto é, que se reconheceu que há alguma coisa, mas não se sabe o que é. E os nove meses se chamam "e trevas sobre a face do abismo" — porque então há expectativa e esperança de conhecer o fim disto, por isso se chama tehom (abismo). "E o espírito de D'us pairava" — isto é, no momento de sentar-se sobre a cadeira de parto, quando então está mais próximo da morte do que da vida, como consta (na Guemará, Vayikrá Rabá, parashá 27:7). "E disse D'us: haja luz" — isto é, quando se completa a salvação em plenitude. E foi dito cinco vezes "haja luz", correspondendo às cinco existências mencionadas; e a última, "e D'us chamou à luz dia", isto é, que se completou toda a intenção pela qual o Eterno criou o mundo.

וַיֹּאמֶר אֱלֹקִים יְהִי אוֹר וַיְהִי אוֹר. (בראשית רבה פרשה א',א') רַבִּי הוֹשַׁעְיָא רַבָּה פָּתַח, (משלי ח',ל') "וָאֶהְיֶה אֶצְלוֹ אָמוֹן וָאֶהְיֶה שַׁעֲשׁוּעִים יוֹם יוֹם", אָמוֹן פֶּדָגוֹג אָמוֹן מְכֻסֶּה אָמוֹן מֻצְנָע וְאִית דְּאָמְרִי אָמוֹן רַבָּתָא וְכוּ' דָּבָר אַחֵר אָמוֹן אוּמָּן. הָעִנְיָן בָּזֶה כִּי כְּמוֹ שֶׁיִּמָּצֵא בְּהָאָדָם מֵהַתְחָלַת הֲוָיָתוֹ עַד בִּיאָתוֹ לְתַכְלִית שְׁלֵמוּתוֹ חֲמִשָּׁה מִינֵי הֲוָיוֹת וּמַדְרֵגוֹת. בָּרִאשׁוֹנָה בִּשְׁעַת זְרִיעַת הָאָב וְהָאֵם אָז הוּא בְּהֶעְלֵם גָּמוּר שֶׁאֵינוֹ נִכָּר לְשׁוּם בְּרִיָּה. וַהֲוָיָה הַשְּׁנִיָּה הַיְנוּ אַחַר שֶׁנּוֹצַר בִּמְעֵי אִמּוֹ בִּשְׁעַת הָעִבּוּר אָז יָחֵל לִהְיוֹת בּוֹ קְצָת הַכָּרָה וּתְפִיסָה. וַהֲוָיָה הַשְּׁלִישִׁית הוּא כְּשֶׁנּוֹלָד אָז נִשְׁלַם הֲוָיָתוֹ וְיוּכַּר לְעֵין כֹּל שֶׁהוּא בְּרִיָּה. וַהֲוָיָה הָרְבִיעִית הוּא כְּשֶׁנֶּעְתָּק מִשְּׁדֵי אִמּוֹ וְיַתְחִיל לַעֲשׂוֹת פְּעֻלּוֹת. וַהֲוָיָה הַחֲמִישִׁית כְּשֶׁנּוֹשֵׂא אִשָּׁה וּמַתְחִיל לַעֲשׂוֹת הֲוָיָה חֲדָשָׁה לְהִבָּנוֹת בִּנְיָן וְקִיּוּם עֲדֵי עַד אֲשֶׁר לְתַכְלִית זֶה נִבְרָא. וְכֵן הוּא הַחֲמִשָּׁה הֲוָיוֹת הָאֵלּוּ בִּבְרִיאוּת הָעוֹלָם, שֶׁיָּצָא מִן הָאַיִן וְהֶעְלֵם הַגָּמוּר אֶל הַגִּלּוּי וְהַיֵּשׁ, בַּתְּחִלָּה הָיְתָה נִקְרֵאת אָמוֹן מֻצְנָע כִּי הָיְתָה נִכְלֶלֶת בְּעַצְמוּתוֹ יִתְבָּרַךְ וְלֹא הָיָה שׁוּם הַכָּרַת אֲצִילוּת מִמֶּנּוּ יִתְבָּרַךְ וְזֹאת הָיְתָה הֲוָיָה הָרִאשׁוֹנָה. וּכְשֶׁנֶּאֶצְלָה מִמֶּנּוּ יִתְבָּרַךְ וְהִתְחִילָה לָצֵאת יוֹתֵר אֶל הַהִתְגַּלּוּת אָז הָיְתָה הֲוָיָה הַשְּׁנִיָּה הַנִּקְרֵאת אָמוֹן מְכֻסֶּה וְהוּא סוֹד הָעוּבָּר שֶׁהוּא מְכֻסֶּה. וְאַחַר כָּךְ יָצְאָה יוֹתֵר לְהַהִתְגַּלּוּת וְנִקְרֵאת אָמוֹן פֶּדָגוֹג. וְאֵלּוּ הַג' הֲוָיוֹת הֵם הַשְּׁלֹשָׁה סְפִירוֹת הָרִאשׁוֹנִים הַנֶּעֱלָמִים וְהֵם כֶּתֶר חָכְמָה בִּינָה, וְהַמִּדְרָשׁ מְפָרֵשׁ מִתַּתָּא לְעֵילָא בַּתְּחִלָּה אָמוֹן פֶּדָגוֹג נֶגֶד בִּינָה וְאַחַר כָּךְ אָמוֹן מְכֻסֶּה שֶׁהוּא נֶגֶד חָכְמָה וְאַחַר כָּךְ אָמוֹן מֻצְנָע שֶׁהוּא נֶגֶד כֶּתֶר, וּלְרֹב הַעְלָמָתָהּ נִקְרֵאת מֻצְנָע, וְאַחַר כָּךְ הִתְגַּלָּה יוֹתֵר אֶל הַגִּלּוּי הַנִּקְרָא אָמוֹן רַבָּתָא הַיְנוּ שֶׁהִתְחִילָה לְהִתְגַּדֵּל וְהוּא סוֹד נֶעְתָּק מִשְּׁדֵי אִמּוֹ. וְאַחַר כָּךְ אָמוֹן אוּמָּן, הַיְנוּ כִּי יָצָא אֶל הַהִתְגַּלּוּת הַגָּמוּר וְהִתְחִילָה בְּעַצְמָהּ לִפְעֹל הֲוָיוֹת חֲדָשׁוֹת עַל פִּי רְצוֹן הַש"י. וְלָכֵן בַּחֲתֻנָּה מְבָרְכִין בִּרְכַּת אֲשֶׁר יָצַר אֶת הָאָדָם בְּצַלְמוֹ וְאֵין מְבָרְכִין זֹאת הַבְּרָכָה בִּשְׁעַת הוֹלָדָה כִּי אַף שֶׁהָאָדָם נוֹלָד לֹא נִשְׁלַם בִּשְׁלֵמוּת רַק כְּשֶׁיַּתְחִיל לְהִשְׁתַּדֵּל לַעֲשׂוֹת הֲוָיָה חֲדָשָׁה וְהוּא כְּשֶׁנּוֹשֵׂא אִשָּׁה. וְזֶהוּ פֵּרוּשׁ "וְהָאָרֶץ הָיְתָה תֹהוּ וָבֹהוּ", הַיְנוּ מִזְּמַן זְרִיעָה עַד זְמַן שֶׁיֻּכַּר הָעוּבָּר יִקָּרֵא תֹּהוּ, וּמִזְּמַן שֶׁיֻּכַּר יִקָּרֵא בֹּהוּ הַיְנוּ שֶׁהֻכַּר שֶׁיֵּשׁ אֵיזֶה דָּבָר אַךְ אֵינוֹ יוֹדֵעַ מַה הוּא. וְהַתִּשְׁעָה חֳדָשִׁים נִקְרָאִים "וְחֹשֶׁךְ עַל פְּנֵי תְהוֹם", לְפִי שֶׁאָז יֵשׁ צִפּוּי וְקִוּוּי לֵידַע הַסּוֹף מִזֶּה, עַל כֵּן יִקָּרֵא תְּהוֹם. "וְרוּחַ אֱלֹקִים מְרַחֶפֶת", הַיְנוּ בִּשְׁעַת יְשִׁיבָה עַל הַמַּשְׁבֵּר שֶׁאָז קָרוֹב לְמִיתָה יוֹתֵר מִלְּחַיִּים, כִּדְאִיתָא (בגמ') (ויקרא רבה פרשה כ"ז,ז') "וַיֹּאמֶר אֱלֹקִים יְהִי אוֹר", הַיְנוּ כְּשֶׁנִּגְמוֹר הַיְשׁוּעָה בִּשְׁלֵמוּת. וְנֶאֱמַר חֲמִשָּׁה פְּעָמִים יְהִי אוֹר נֶגֶד חֲמִשָּׁה הֲוָיוֹת הַנִּזְכָּרִים, וְהָאַחֲרוֹן "וַיִּקְרָא אֱלֹקִים לָאוֹר יוֹם", הַיְנוּ שֶׁנִּשְׁלַם כָּל הַמְכֻוָּן לַאֲשֶׁר בָּרָא הַש"י אֶת הָעוֹלָם.
Parágrafo 3

"E disse D'us: façamos o homem" (Bereshit 1:26). Isto é, porque primeiro o Eterno criou todas as criaturas, e depois, por meio de que as criaturas entenderam e reconheceram sua falta — que não tinham quem unisse sua vitalidade ao Eterno, pois por meio do homem se unem todas as coisas deste mundo ao Eterno, porque ele eleva tudo, como é sabido: que o mineral introduz sua força no vegetal, e o vegetal no animal, e o animal no ser falante (o homem); e o homem, por servir com sua força ao Eterno, então eleva todas as forças que recebeu deste mundo, mesmo a força do mineral. E quando as criaturas viram o que lhes faltava, então, com sua força, provocaram um despertar de baixo para a criação do homem. "E disse D'us: façamos o homem" — isto é, que o Eterno disse a todas as criaturas que todas dessem de sua força e se associassem à criação do homem, a fim de que o homem tivesse parte em todas elas — para que, se o homem precisasse de algo, todas se levantassem para ajudá-lo; porque, com o mal dele, também a elas seria mal, como na geração do dilúvio, e com o bem dele, também a elas seria bem.

וַיֹּאמֶר אֱלֹקִים נַעֲשֶׂה אָדָם. הַיְינוּ כִּי מִתְחִילָה בָּרָא הַש״י אֶת כָּל הַבְּרִיּוֹת וְאַחַר כָּךְ עַ״י שֶׁהֵבִינוּ הַבְּרִיּוֹת וְהִכִּירוּ חֶסְרוֹנָם שֶׁאֵין לָהֶם מִי שֶׁיְּחַבֵּר חִיּוּתָם אֶל הַש״י, כִּי ע״י הָאָדָם יְחֻבְּרוּ כָּל דִּבְרֵי עוֹלָם הַזֶּה לַהַש״י כִּי הוּא מַעֲלֶה אֶת הַכֹּל כַּיָּדוּעַ, שֶׁהַדּוֹמֵם מַכְנִיס כֹּחוֹ בַּצּוֹמֵחַ וְצוֹמֵחַ בַּחַי וְחַי בַּמְּדַבֵּר וְהָאָדָם ע״י שֶׁיַּעֲבֹד בְּכֹחוֹ אֶת הַש״י אָז יַעֲלֶה כָּל הַכֹּחוֹת שֶׁקִּבֵּל מֵעוֹלָם הַזֶּה אַף כֹּחַ הַדּוֹמֵם, וְכַאֲשֶׁר רָאוּ הַבְּרִיּוֹת מַה שֶּׁחָסַר לָהֶם אָז בְּכֹחָם פָּעֲלוּ אִתְעָרוּתָא לְעֵילָא לִבְרִיאַת הָאָדָם. "וַיֹּאמֶר אֱלֹקִים נַעֲשֶׂה אָדָם", הַיְינוּ שֶׁהַש״י אָמַר לְכָל הַבְּרִיּוֹת שֶׁכֻּלָּם יִתְּנוּ מִכֹּחָם וְיִצְטָרְפוּ לִבְרִיאַת הָאָדָם לְמַעַן יִהְיֶה לָאָדָם חֵלֶק בְּכֻלָּם, בִּכְדֵי שֶׁאִם יִצְטָרֵךְ הָאָדָם לִדְבַר מָה יַעַמְדוּ כֻּלָּם לַעֲזֹר לוֹ כִּי בְּרָעָתוֹ יֵרַע לָהֶם גַּם כֵּן כְּמוֹ בְּדוֹר הַמַּבּוּל, וּבְטוֹבָתוֹ יוּטַב גַּם לָהֶם.
Parágrafo 4

"E se completaram os céus e a terra e todo o seu exército" (Bereshit 2:1). Disse o santo Rav de Parshischa, que sua memória seja para bênção na vida do mundo vindouro: não encontramos em todo o Tanach que a criação da terra seja chamada tzavá (exército), mas desde que o povo de Israel veio ao mundo, também para a terra se fez o nome "exército". Explicou suas palavras: o assunto de "exército" é a multidão que se une sob um só que os une, isto é, sob o rei que governa sobre todos juntos. E eis que, quanto aos céus, é possível dizer a expressão "exército", porque ali se reconhece Sua realeza e Sua unidade sobre o exército dos céus, que Ele reina sobre eles e os une — por isso se diz sempre "exército dos céus". Mas neste mundo, em que os idólatras negam a providência do Santo, bendito seja, não é possível dizer sobre eles a expressão "exército", apenas a expressão "descendência" (tzetzaei), como está escrito (Yeshaiáhu 12:5): "que estende a terra e o que dela brota" — porque tzetzaeiha é linguagem de expansão. Mas quando Israel veio à terra e reconheceu que o Eterno os governa, e divulgou o nome do Eterno também neste mundo, então também a terra passou a se chamar pelo nome "exército".

וַיְכֻלּוּ הַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ וְכָל צְבָאָם. אָמַר הָרַב הַקָּדוֹשׁ מִפַּרְשִׁיסְחָא זצללה״ה, לֹא מָצִינוּ בְּכָל תַּנַ״ךְ לְהִקָּרֵא לִבְרִיאַת הָאָרֶץ צָבָא אַךְ מִשֶּׁבָּא עַם יִשְׂרָאֵל לָעוֹלָם נַעֲשָׂה לָאָרֶץ גַּם כֵּן שֵׁם צָבָא. בֵּאֵר דְּבָרָיו דְּעִנְיַן צָבָא הוּא רֹב הַמִּתְאַחֵד תַּחַת אֶחָד הַמְאַחֵד אוֹתָם וְהַיְינוּ תַּחַת הַמֶּלֶךְ הַמּוֹשֵׁל עַל כֻּלָּם בְּיַחַד, וְהִנֵּה בַּשָּׁמַיִם יִתָּכֵן לוֹמַר לְשׁוֹן צָבָא כִּי שָׁם נִכַּר מַלְכוּתוֹ וְאַחְדּוּתוֹ עַל צְבָא הַשָּׁמַיִם שֶׁהוּא מוֹלֵךְ עֲלֵיהֶם, וְהוּא מְאַחֵד אוֹתָם, ע״כ נֶאֱמַר בְּכָל פַּעַם "צְבָא הַשָּׁמַיִם", אֲבָל בָּעוֹלָם הַזֶּה אֲשֶׁר הָעכומ״ז מַכְחִישִׁים אֶת הַהַשְׁגָּחָה שֶׁל הַקב״ה לֹא יִתָּכֵן לוֹמַר עֲלֵיהֶם לְשׁוֹן צָבָא רַק לְשׁוֹן צֶאֱצָאִי' כְּמוֹ שֶׁנֶּאֱמַר (ישעיה י״ב,ה׳) "רוֹקַע הָאָרֶץ וְצֶאֱצָאֶיהָ", כִּי צֶאֱצָאִי' הַיְינוּ לְשׁוֹן הִתְפַּשְּׁטוּת, אַךְ כַּאֲשֶׁר בָּאוּ יִשְׂרָאֵל לָאָרֶץ וְהִכִּירוּ אֲשֶׁר הַש״י מוֹשֵׁל עֲלֵיהֶם וּפִרְסְמוּ אֶת שֵׁם ה׳ אַף בָּעוֹלָם הַזֶּה אָז יִקָּרֵא גַּם לָאָרֶץ בְּשֵׁם צָבָא.
Parágrafo 5

"E se completaram os céus e a terra e todo o seu exército" (Bereshit 2:1). Consta na Guemará (Shabat 119b): todo o que diz "vaychulu" (e se completaram) se torna sócio do Santo, bendito seja, na obra da criação. E o assunto é este: que o propósito principal da criação do mundo era para que Israel reconhecesse Sua realeza e Sua unidade, bendito seja Seu nome, como começou Avraham, nosso pai, que a paz esteja sobre ele, a trazer isto à existência e a proclamar em nome do Eterno, D'us da terra — e para isto espera toda alma de Israel; e sem isto não subsistiriam os céus e a terra, como consta na Guemará (Shabat 88a): se Israel recebe a Torá, bem; e se não, etc. E quem reconhece a realeza do Eterno no mundo, então ele completa a criação, porque a fala é como a ação. E quem reconhece o dia de Shabat e coroa o Eterno sobre tudo o que operou nos seis dias da obra — ainda que qual seja o valor do homem diante do Eterno — mesmo assim, o julgamento daquele homem é que os dois anjos que o acompanham, isto é, o bom instinto e o mau instinto, colocam as mãos sobre sua cabeça e lhe dizem: "afastou-se tua iniquidade, e teu pecado será expiado".

וַיְכֻלּוּ הַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ וְכָל צְבָאָם. אִיתַּא בַּגְּמָ׳ (שבת קי״ט:) כָּל הָאוֹמֵר וַיְכֻלּוּ נַעֲשֶׂה שׁוּתָּף לְהקב״ה בְּמַעֲשֵׂה בְּרֵאשִׁית. וְהָעִנְיָן בָּזֶה כִּי עִיקַּר בְּרִיאַת הָעוֹלָם הָיָה בִּכְדֵי שֶׁיַּכִּירוּ יִשְׂרָאֵל אֶת מַלְכוּתוֹ וְאַחְדּוּתוֹ יִתְ' שְׁמוֹ כְּמוֹ שֶׁהִתְחִיל אַבְרָהָם אָבִינוּ ע״ה לְהַמְצִיא זֹאת וְלִקְרֹא בְּשֵׁם ה׳ אֱלֹקֵי הָאָרֶץ וּלְזֶה יְקַוֶּה כָּל נֶפֶשׁ מִיִּשְׂרָאֵל, וּלוּלֵא זֹאת לֹא נִתְקַיְּמוּ שָׁמַיִם וָאָרֶץ כִּדְאִיתַּא בַּגְּמָ׳ (שבת פ״ח.) אִם מְקַבְּלִין יִשְׂרָאֵל אֶת הַתּוֹרָה מוּטָב וְאִם לָאו וְכוּ׳ וּמִי שֶׁמַּכִּיר מַלְכוּת הַש״י בָּעוֹלָם אָז הוּא גּוֹמֵר אֶת הַבְּרִיאָה כִּי דִּיבּוּר כְּמַעֲשֶׂה, וּמִי שֶׁמַּכִּיר בְּיוֹם הַשַּׁבָּת וּמַמְלִיךְ אֶת הַש״י עַל כָּל מַה שֶׁפָּעַל בְּשֵׁשֶׁת יְמֵי הַמַּעֲשֶׂה, אַף כִּי מַה הוּא עֶרֶךְ אֱנוֹשׁ נֶגֶד הַש״י, מ״מ מִשְׁפַּט הָאִישׁ הַהוּא שֶׁהַשְּׁנֵי מַלְאָכִים הַמְלַוִּין אוֹתוֹ הַיְינוּ הַיֵּצֶר טוֹב וְהַיֵּצֶר הָרַע הֵן מַנִּיחִין אֶת יְדֵיהֶם עַל רֹאשׁוֹ וְאוֹמְרִים לוֹ סָר עֲוֹנֶךָ וְחַטָּאתְךָ תְּכֻפָּר.
Parágrafo 6

"E fez brotar o Eterno D'us, da terra, toda árvore agradável à vista e boa para alimento, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal" (Bereshit 2:9). Neste versículo estão aludidas quatro árvores: "agradável à vista" corresponde ao justo que se ocupa de mitzvot e boas ações, que lhe são como um manto de esplendor também diante dos homens — como dar caridade e guardar a aliança — e isto se chama esplendor para quem o faz, como se explica em seu lugar. "E boa para alimento" — isto é, aquele que não é tão esplêndido em seu manto, porque não precisa se fortalecer tanto em mitzvot e boas ações, visto que é muito bom em sua própria essência; e isto se chama esplendor para ele a partir do homem — isto é, que em seu interior, e na forma humana que tem, ele é bom e belo. E "a árvore do conhecimento" é aquele que está sempre em dúvida sobre qual é a vontade do Eterno, e corresponde a todas as questões da Guemará. E "a árvore da vida" é o arrependimento verdadeiro, que cura o que veio antes.

E correspondendo a estas quatro árvores há quatro rios que as irrigam: o rio Pishon irriga a árvore boa para alimento, porque "Pishon" é linguagem de multiplicação e expansão, e quem é bom em sua raiz tem permissão de se expandir, porque tudo o que faz é a vontade do Eterno — "ele é o que rodeia toda a terra de Chavilá, onde há ouro". E o rio Guichon irriga a árvore agradável à vista, porque "Guichon" é da linguagem de modéstia — "andar sobre o ventre", de modo que seu andar não se percebe — isto é, o justo em seu manto. "E ele rodeia toda a terra de Cush" — é aquele que ainda não está em plenitude na profundeza de seu coração, e precisa se fortalecer em mitzvot e boas ações, para que dele saia o resíduo. E o terceiro rio, Chidekel, irriga a árvore do conhecimento do bem e do mal, porque "Chidekel" é linguagem (Bereshit Rabá, parashá 16:7) de "agudo e leve", como um homem que caminha sobre uma ponte e se inclina para um lado e para outro, prestes a cair — semelhante às questões da Guemará. "Ele é o que vai diante da Assíria" — isto é, correspondendo aos ciclos, porque "Ashur" é linguagem de ciclo, visto que ele está em dúvida se fazer ou não fazer, e estabelecemos que toda dúvida se decide para o rigor. E o rio Perat irriga a árvore da vida, como dizemos na Guemará (Bechorot 55b): "ele é o Perat desde o princípio", porque corresponde aos que retornam em arrependimento, e o arrependimento cura o que veio antes — isto é, a falta que há no homem desde o dia de seu nascimento; e o Perat é o primeiro rio que sai do Éden, como consta em Bechorot, e isto é o arrependimento que chega à sua fonte primeira.

וַיַּצְמַח ה' אֱלֹקִים מִן הָאֲדָמָה כָּל עֵץ נֶחְמָד לְמַרְאֶה וְטוֹב לְמַאֲכָל וְעֵץ הַחַיִּים בְּתוֹךְ הַגָּן וְעֵץ הַדַּעַת טוֹב וָרָע. בָּזֶה הַפָּסוּק נִרְמַז ד' אִילָנוֹת, נֶחְמָד לְמַרְאֶה הוּא נֶגֶד צַדִּיק שֶׁעוֹסֵק בְּמִצְוֹת וּמע"ט שֶׁהֵם לוֹ לְבוּשׁ הָדָר נֶגֶד בְּנֵי אָדָם ג"כ, כְּגוֹן נְתִינַת צְדָקָה וּשְׁמִירַת הַבְּרִית וְזֶה יִקָּרֵא תִּפְאֶרֶת לְעוֹשֶׂיהָ כְּמוֹ שֶׁמְּבוֹאָר בִּמְקוֹמוֹ. וְטוֹב לְמַאֲכָל הַיְינוּ מִי שֶׁאֵינוֹ הָדָר כ"כ עַל לְבוּשׁוֹ מִפְּנֵי שֶׁאֵינוֹ צָרִיךְ לְחַזֵּק אֶת עַצְמוֹ כ"כ בְּמִצְוֹת וּמעש"ט מֵחֲמַת שֶׁהוּא טוֹב מְאֹד בְּעַצְמוּתוֹ, וְזֶה יִקָּרֵא תִּפְאֶרֶת לוֹ מִן הָאָדָם, הַיְינוּ שֶׁבְּתוֹכוֹ וּבְצוּרַת אָדָם שֶׁלּוֹ הוּא טוֹב וְיָפֶה. וְעֵץ הַדַּעַת הַיְינוּ מִי שֶׁהוּא בְּסָפֵק תָּמִיד אֵיךְ הוּא רְצוֹן הַש"י וְהוּא נֶגֶד כָּל הָאִיבַּעְיוֹת שֶׁבַּגְּמָ'. וְעֵץ הַחַיִּים הוּא תְּשׁוּבָה אֲמִיתִּיּוֹת שֶׁמְּרַפְּאוֹת אֶת הַקּוֹדֵם. וּכְנֶגֶד כָּל אַרְבַּע אִילָנוֹת הָאֵלּוּ יֵשׁ אַרְבַּע נְהָרוֹת הַמַּשְׁקִים אוֹתָם, נְהַר פִּישׁוֹן הוּא מַשְׁקֶה אֶת הָעֵץ הַטּוֹב לְמַאֲכָל, כִּי פִּישׁוֹן הוּא לְשׁוֹן רַב וְהִתְפַּשְּׁטוּת, וּמִי שֶׁהוּא טוֹב בְּשׁוֹרְשׁוֹ מוּתָּר לְהִתְפַּשֵּׁט אֶת עַצְמוֹ כִּי כָּל מַה שֶׁעוֹשֶׂה הוּא רְצוֹן הַש"י, "הוּא הַסּוֹבֵב אֵת כָּל אֶרֶץ הַחֲוִילָה אֲשֶׁר שָׁם הַזָּהָב". וּנְהַר גִּיחוֹן מַשְׁקֶה הָעֵץ נֶחְמָד לְמַרְאֶה, כִּי גִּיחוֹן הוּא מִלְּשׁוֹן צְנִיעוּת הוֹלֵךְ עַל גָּחוֹן שֶׁאֵינוֹ נִיכָּר הִלּוּכוֹ, הַיְינוּ צַדִּיק עַל לְבוּשׁוֹ. וְ"הוּא הַסּוֹבֵב אֵת כָּל אֶרֶץ כּוּשׁ", הוּא מִי שֶׁאֵינוֹ בִּשְׁלֵימוּת בְּעוֹמֶק לִבּוֹ עוֹד וְצָרִיךְ לְחַזֵּק אֶת עַצְמוֹ בְּמִצְוֹת וּמע"ט בִּכְדֵי שֶׁיֵּצֵא מִמֶּנּוּ הַפְּסוֹלֶת. וְהַנָּהָר הַשְּׁלִישִׁי הוּא חִדֶּקֶל הוּא מַשְׁקֶה אֶת עֵץ הַדַּעַת טוֹב וָרָע, כִּי חִדֶּקֶל הוּא לְשׁוֹן (בראשית רבה פרשה ט"ז,ז') חַד וְקַל כְּאָדָם הַהוֹלֵךְ בְּגֶשֶׁר וְנוֹטֶה לְכָאן וּלְכָאן לִפּוֹל, כְּעֵין הַבְּעָיוֹת שֶׁבַּגְּמָ'. "הוּא הַהוֹלֵךְ קִדְמַת אַשּׁוּר" הַיְינוּ נֶגֶד הַתַּקּוּפוּת כִּי אַשּׁוּר הוּא לְשׁוֹן תַּקּוּפוּת בַּעֲבוּר כִּי עוֹמֵד בְּסָפֵק אִם לַעֲשׂוֹת אוֹ לֹא וְקיי"ל כָּל סְפֵיקָא לְחוּמְרָא. וּנְהַר פְּרָת הוּא מַשְׁקֶה אֶת עֵץ הַחַיִּים כִּדְאָמְרִינַן בַּגְּמָ' (בכורות נ"ה:) הוּא פְרָת דְּמֵעִיקָּרָא כִּי הוּא נֶגֶד בַּעֲלֵי תְּשׁוּבָה, וּתְשׁוּבָה מְרַפֵּאת אֶת הַקּוֹדֵם הַיְינוּ הַחֶסְרוֹן שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם מִיּוֹם הִוָּולְדוֹ, וּפְרָת הוּא הַנָּהָר הָרִאשׁוֹן הַיּוֹצֵא מֵעֵדֶן כִּדְאִיתָא בִּבְכוֹרוֹת וְהַיְינוּ תְּשׁוּבָה שֶׁמַּגִּיעַ לִמְקוֹרוֹ הָרִאשׁוֹן.
Parágrafo 7

"E o ouro daquela terra é bom" (Bereshit 2:12). "Zahav" (ouro) é linguagem de repreensão — como está escrito (Mishlê 25:12): "brinco de ouro e joia de ouro fino é o repreensor sábio", etc. — sobre isto se diz "e o ouro daquela terra é bom", como está escrito (Malachi 3:12): "porque sereis vós terra de agrado", etc., e isto alude ao grau do justo. Complemento. "Ali há o berilo e a pedra de ônix" — isto é, que em Eretz Israel há o lugar do Templo, onde está o temor verdadeiro — a isto alude o berilo; e a pedra de ônix alude ao amor verdadeiro. E isto é o que está escrito (Tehilim 5:8): "e eu, pela abundância de Tua bondade, entrarei em Tua casa; prostrar-me-ei perante Teu santo templo, em Teu temor". A letra kaf final de "beyirat'chá" (em teu temor) indica o temor verdadeiro. E eis que consta no tratado Midot (cap. 3, mishná 7): a entrada do salão tinha quarenta côvados, e sua largura vinte côvados, e havia ali cinco vigas salientes; a primeira saía um côvado de um lado e um côvado do outro, de modo que a última tinha trinta côvados — resultando que a altura e a largura do salão, e a extensão das vigas salientes, são as letras de melech (rei), porque sua entrada era de quarenta (mem) e sua largura de vinte (chaf), e a primeira viga saliente era de vinte (chaf) e a última de trinta (lamed) — para ensinar que dali saiu o temor verdadeiro. E nas vigas salientes está aludida a palavra "berilo": porque a primeira saía um côvado de um lado e um côvado do outro — eis dois (bet); e a segunda, quatro (dálet); e a terceira, seis (vav); e a quarta, oito (chet); e a quinta corresponde ao lamed, porque era de trinta côvados. E a pedra de ônix alude ao amor, porque é a pedra de Yossef, que corresponde à sefirá de Yessod, que está repleta de influência. E eis que no Zohar HaKadosh, quando quer dizer que também na sefirá de Biná se encontra alegria e influências de bênção, então a compara à sefirá de Yessod, como consta (Zohar, Shemot 135b): "porque sua fonte está no segredo da letra do sinal existente" — pois isto não está ao alcance da força humana para se compreender, porque bênção só existe em coisa oculta aos olhos, e no lugar onde se encontra Biná não é possível dizer sobre ele a expressão de bênção, visto que ela compreende tudo; mas junto ao Eterno, Biná e bênção pertencem ao Vivente dos mundos.

וּזֲהַב הָאָרֶץ הַהִוא טוֹב. זָהָב הַיְינוּ תּוֹכָחָה, [כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (משלי כ"ה, י"ב) "נֶזֶם זָהָב וַחֲלִי כָתֶם מוֹכִיחַ חָכָם" וְגוֹ', עַל זֶה אוֹמֵר "וּזֲהַב הָאָרֶץ הַהִוא טוֹב" כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (מלאכי ג',י"ב) "כִּי תִהְיוּ אַתֶּם אֶרֶץ חֵפֶץ" וְגוֹ', וְזֶה רוֹמֵז לִבְחִינַת צַדִּיק. תַּשְׁלוּם.] "שָׁם הַבְּדוֹלַח וְאֶבֶן הַשּׁוֹהַם", הַיְינוּ בְּא"י יֵשׁ מְקוֹם הַמִּקְדָּשׁ אֲשֶׁר שָׁם יֵשׁ הַיִּרְאָה הָאֲמִיתִּית, ע"ז מְרַמֵּז בְּדוֹלַח, וְאֶבֶן הַשּׁוֹהַם מְרַמֵּז עַל אַהֲבָה אֲמִיתִּית וְזש"ה (תהלים ה',ח') "וַאֲנִי בְּרוֹב חַסְדְּךָ אָבוֹא בֵיתֶךָ אֶשְׁתַּחֲוֶה אֶל הֵיכַל קָדְשְׁךָ בְּיִרְאָתֶךָ". הָאוֹת ך' שֶׁבְּיִרְאָתְךָ מוֹרָה עַל יִרְאָה אֲמִיתִּית, וְהִנֵּה אִיתָא בְּמַסֶּ' מִידּוֹת [פ"ג, מ"ז] פִּתְחוֹ שֶׁל אוּלָם מ"ם אַמָּה וְרָחְבּוֹ עֶשְׂרִים אַמָּה וַחֲמִשָּׁה אַמַּלְתְּרָאוֹת הָיוּ שָׁם, הָרִאשׁוֹנָה יָצָא אַמָּה מִזֶּה וְאַמָּה מִזֶּה, נִמְצָא הָאַחֲרוֹנָה שְׁלֹשִׁים אַמָּה, נִמְצֵאת גָּבְהוֹ וְרָחְבּוֹ שֶׁל אוּלָם וְהִתְפַּשְּׁטוּת הָאַמַּלְתְּרָאוֹת הֵם אוֹתִיּוֹת מֶלֶךְ, כִּי פִּתְחוֹ מ"ם וְרָחְבּוֹ עֶשְׂרִים וַאַמַּלְתְּרָא רִאשׁוֹנָה כ' וְאַחֲרוֹנָה למ"ד, לְלַמֵּד שֶׁמִּשָּׁם יָצְאָה הַיִּרְאָה הָאֲמִיתִּית, וּבְהָאַמַּלְתְּרָאוֹת נִרְמַז אוֹתִיּוֹת בְּדוֹלַח כִּי הָרִאשׁוֹנָה יָצְאָה אַמָּה מִזֶּה וְאַמָּה מִזֶּה הֲרֵי ב' וְהַשְּׁנִיָּה ד' וְהַשְּׁלִישִׁית וא"ו וְהָרְבִיעִית ח' וְהַחֲמִישִׁית נֶגֶד הַלמ"ד כִּי הָיְתָה שְׁלֹשִׁים אַמָּה. וְאֶבֶן הַשֹּׁהַם מְרַמֵּז עַל אַהֲבָה כִּי הוּא אַבְנוֹ שֶׁל יוֹסֵף שֶׁהוּא נֶגֶד סְפִירוֹת יְסוֹד שֶׁהוּא מָלֵא הַשְׁפָּעָה, וְהִנֵּה בַּזוה"ק כְּשֶׁיִּרְצֶה לוֹמַר כִּי גַּם בִּסְפִירַת בִּינָה נִמְצָא שִׂמְחָה וְהַשְׁפָּעוֹת בְּרָכָה, אָז מַמְשִׁיל אוֹתָהּ לִסְפִירַת יְסוֹד כְּמוֹ דְּאִיתָא (זוהר שמות קל"ה:) וּבְגִין דְּאִיהוּ מְקוֹרָהּ בְּרָזָא דְּאוֹת קְיָימָא, כִּי זֹאת אֵינוֹ בְּכֹחַ אֱנוֹשִׁי לְהַשִּׂיג כִּי בְּרָכָה אֵינוֹ רַק בְּדָבָר הַסָּמוּי מִן הָעַיִן וּבְמָקוֹם שֶׁיִּמָּצֵא בִּינָה לֹא יִתָּכֵן לֵאמֹר עָלָיו לְשׁוֹן בְּרָכָה מֵאַחַר שֶׁמֵּבִין הַכֹּל אֲבָל אֵצֶל הַש"י הַבִּינָה וְהַבְּרָכָה לְחַי הָעוֹלָמִים.
Parágrafo 8

"E ordenou o Eterno D'us ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás" (Bereshit 2:16-17). No futuro, quando for corrigido o pecado do primeiro homem, então se fará a combinação dos versículos: "de toda árvore do jardim comerás livremente, e da árvore do conhecimento do bem" — e depois — "e do mal não comerás". Isto é, que o bem que há na árvore comerá, apenas o mal não comerá. E o Eterno esclarecerá que ele não comeu senão o bem, e que o pecado não foi senão segundo seu próprio entendimento, como as cascas do alho, e não mais.

וַיְצַו ה' אֱלֹקִים עַל הָאָדָם לֵאמֹר מִכֹּל עֵץ הַגָּן אָכֹל תֹּאכֵל וּמֵעֵץ הַדַּעַת טוֹב וָרָע לֹא תֹאכַל. לֶעָתִיד כְּשֶׁיְּתוּקַּן חֵטְא אָדָם הָרִאשׁוֹן אָז יִהְיֶה צֵירֻף הַפְּסוּקִים "מִכֹּל עֵץ הַגָּן אָכֹל תֹּאכֵל וּמֵעֵץ הַדַּעַת טוֹב" וְאח"ז "וָרָע לֹא תֹאכַל". הַיְינוּ הַטּוֹב שֶׁבְּהָאִילָן יֹאכַל רַק הָרַע לֹא יֹאכַל. וְהַש"י יְבָרֵר כִּי לֹא אָכַל רַק הַטּוֹב וְהַחֵטְא לֹא הָיָה רַק לְפִי דַּעְתּוֹ כִּקְלִיפּוֹת הַשּׁוּם וְלֹא יוֹתֵר.
Parágrafo 9

"Far-lhe-ei uma ajuda em frente a ele" (Bereshit 2:18). Explicou o assunto: que assim é a vontade do Criador, bendito seja, que brote para o homem ajuda e auxílio a partir de algo que está em frente a ele, e isto é como o discípulo para o mestre — como encontramos (Bava Metziá 84a) sobre Reish Lakish diante de Rabi Yochanan, que lhe levantava vinte e quatro dificuldades e as resolvia de vinte e quatro maneiras, e por isso o ensinamento se ampliava — e não como Rabi Elazar, a quem se dizia: "há uma baraita que te apoia" — porque, quando o homem vê o que lhe é objetado, então fortalece suas palavras com mais provas, e suas palavras saem bem à luz.

אֶעֱשֶׂה לוֹ עֵזֶר כְּנֶגְדּוֹ. בֵּיאֵר הָעִנְיָן, כִּי כֵן הוּא רְצוֹן הַבּוֹרֵא יִתְ' שֶׁיִּצְמַח לָאָדָם עֵזֶר וְסִיַּעְתָּא מִדָּבָר שֶׁהוּא כְּנֶגְדּוֹ, וְהַיְינוּ כְּמוֹ הַתַּלְמִיד לְהָרַב, כְּמוֹ שֶׁמָּצִינוּ (בבא מציעא פ"ד.) עַל ר"ש בֶּן לָקִישׁ נֶגֶד ר' יוֹחָנָן דְּהָוֵי מַקְשֵׁי לֵיהּ כ"ד קוּשְׁיָתָא וּמְפָרֵק לֵיהּ כ"ד פְּרִיקִין וּמִמֵּילָא רַוְוחָא שְׁמַעְתָּא וְלֹא כְּר"א דְּאָמַר לֵיהּ תַּנְיָא דִּמְסַיֵּיעַ לָךְ, כִּי ע"י שֶׁהָאָדָם יִרְאֶה מַה שֶׁמַּקְשִׁין לוֹ אָז יְחַזֵּק דְּבָרָיו בְּיוֹתֵר רְאָיוֹת וְיֵצְאוּ דְּבָרָיו הֵיטֵב לָאוֹר.
Parágrafo 10

"E disse à mulher: é mesmo verdade que D'us disse..." (Bereshit 3:1). Está escrito (Tehilim 19:8): "a Torá do Eterno é perfeita, restaura a alma" — isto é, semelhante à devolução de um objeto perdido, porque a Torá foi dada para completar a falta que foi implantada no homem desde o dia de seu nascimento. E quando foi dito ao homem: "e da árvore do conhecimento não comerás", disto a serpente saltou sobre ele, porque assim é o caminho do inimigo: mirar na falta que se encontra em quem odeia, para prendê-lo por sua falta. E quando foi proibido ao homem comer da árvore do conhecimento, foi porque o homem tem uma falta nesta comida; e, na verdade, também o homem temia isto, pelo que o Eterno precisou estabelecer um limite para ele, como se explicará; e por isso a serpente saltou sobre ele e o fez tropeçar nisto. E isto é também o assunto do que está dito (Devarim 25:11): "quando brigarem homens... e ela agarrar suas partes íntimas" — isto é, aquele que envergonha seu companheiro pela falta que se encontra nele, e ele se envergonha por isso — sobre isto o julgamento é "cortarás sua mão" — isto é, que se tiram dele todos os seus méritos e são dados ao seu companheiro, porque em todo lugar em que se diz "kaf" (palma), não é senão a direita (Menachot 9b), isto é, todos os méritos. E assim foi o julgamento aqui sobre a serpente, que foi amaldiçoada a andar sobre o ventre — isto é, que lhe cortaram as mãos, porque mirou na falta do primeiro homem.

וַיֹּאמֶר אֶל הָאִשָּׁה אַף כִּי אָמַר אֱלֹקִים. כְּתִיב (תהלים י״ט,ח׳) "תּוֹרַת ה׳ תְּמִימָה מְשִׁיבַת נָפֶשׁ", הַיְינוּ כְּעֵין הֲשָׁבַת אֲבֵדָה, כִּי הַתּוֹרָה נִתְּנָה לְהַשְׁלִים הַחֶסְרוֹן אֲשֶׁר נִטְבַּע בָּאָדָם מִיּוֹם הִוָּלְדוֹ, וְכַאֲשֶׁר נֶאֱמַר לְאָדָם "וּמֵעֵץ הַדַּעַת לֹא תֹאכֵל", מִזֶּה קָפַץ עָלָיו הַנָּחָשׁ כִּי כֵן דֶּרֶךְ הַשּׂוֹנֵא לְכַוֵּן אֶת הַחֶסְרוֹן אֲשֶׁר נִמְצָא בְּמִי שֶּׁשּׂוֹנֵא לְלָכְדוֹ בְּחֶסְרוֹנוֹ, וּכְשֶׁנֶּאֱסַר לָאָדָם לֶאֱכוֹל מִן הָעֵץ הַדַּעַת הָיָה מִפְּנֵי שֶׁיֵּשׁ לָאָדָם חֶסְרוֹן בָּזֶה הָאֲכִילָה, וּבֶאֱמֶת גַּם הָאָדָם הָיָה מְפַחֵד מִזֶּה שֶׁהִצְרִיךְ הַש״י לְהַגְדִּיר בַּעֲדוֹ כְּמוֹ שֶׁיִּתְבָּאֵר, וְלָכֵן קָפַץ עָלָיו הַנָּחָשׁ וְהִכְשִׁילוֹ בָּזֶה. וְזֶה גַּם כֵּן הָעִנְיָן שֶׁנֶּאֱמַר (דברים כ״ה,י״א) "כִּי יִנָּצוּ אֲנָשִׁים וְהֶחֱזִיקָה בִּמְבוּשָׁיו", הַיְינוּ מִי שֶׁיְּבַיֵּשׁ אֶת חֲבֵרוֹ בְּחֶסְרוֹן אֲשֶׁר נִמְצָא בוֹ וְיִתְבַּיֵּשׁ בּוֹ, עַל זֶה הַמִּשְׁפָּט "וְקַצּוֹתָה אֶת כַּפָּהּ", הַיְינוּ שֶׁנּוֹטְלִין מִמֶּנּוּ כָּל זְכֻיּוֹתָיו וְיִנָּתְנוּ לַחֲבֵרוֹ, כִּי כָל מָקוֹם שֶׁנֶּאֱמַר כַּף אֵינוֹ אֶלָּא יָמִין (מנחות ט׳:) הַיְינוּ כָּל הַזְּכֻיּוֹת וְכֵן הָיָה הַמִּשְׁפָּט כָּאן עַל הַנָּחָשׁ שֶׁנִּתְקַלֵּל עַל גְּחוֹנוֹ תֵּלֵךְ הַיְינוּ שֶׁקָּצְצוּ אֶת כַּפָּיו לְפִי שֶׁכִּוֵּן חֶסְרוֹנוֹ שֶׁל אָדָם הָרִאשׁוֹן.
Parágrafo 11

"E disse o homem: a mulher que me deste por companhia, ela me deu, etc." (Bereshit 3:12). Porque, na verdade, o erro do primeiro homem em seu pecado brotou disto: que o Eterno disse "far-lhe-ei uma ajuda em frente a ele", porque, quando foi proibido ao homem comer da árvore do conhecimento, ele temeu muito, porque disse: certamente o Eterno não me proibiu senão porque sabe que há em mim uma falta. Mas quando o Eterno lhe criou Chavá e a deu a ele como ajuda — isto é, que ele seguisse o entendimento dela, como foi dito a Avraham, nosso pai, que a paz esteja sobre ele (Bereshit 21:12): "tudo o que Sará te disser, ouve a sua voz" — então sua mente se acalmou. E isto é o que alegou o homem: "a mulher que me deste por companhia" — isto é, que lhe era permitido comer segundo a palavra dela. Mas o assunto de seu pecado foi como consta na Guemará: um sábio que ensina uma halachá e depois vem — se antes do ato ele o disse, ouvem-no; e se depois do ato, não o ouvem (Kidushin, Assará Yuchassin, 70) — isto é, porque ele está implicado no assunto, uma vez que já praticou o ato. E assim também aqui: ainda que devesse ouvir sua voz, mesmo assim, uma vez que ela já havia praticado seu ato, não era necessário ouvi-la naquilo que lhe deu para comer. E a alegação dela foi: "a serpente me enganou, e comi" — que trouxe sedução e cobiça em seu coração, e sua suposição era que o desejo vinha do Eterno; e, na verdade, uma vez que o próprio homem chamou seu nome de "serpente", e "serpente" é enganador, como "adivinho", que engana e é hipócrita — isto é, que pode mostrar ao seu companheiro algo que lhe pareça vir do Eterno — por isso ele deveria ter se guardado para não errar, uma vez que sabia que havia ali um erro.

וַיֹּאמֶר הָאָדָם הָאִשָּׁה אֲשֶׁר נָתַתָּ עִמָּדִי הִיא נָתְנָה וְכוּ'. כִּי בֶאֱמֶת טָעוּת אָדָם הָרִאשׁוֹן בְּחֶטְאוֹ נִצְמַח מִזֶּה, כִּי הַש״י אָמַר "אֶעֱשֶׂה לּוֹ עֵזֶר כְּנֶגְדּוֹ" בְּיַעַן כִּי כַאֲשֶׁר נֶאֱסַר לְאָדָם לֶאֱכוֹל מֵעֵץ הַדַּעַת פָּחַד מְאֹד כִּי אָמַר בְוַדַּאי לֹא אָסַר לִי הַש״י רַק מִפְּנֵי שֶׁיּוֹדֵעַ שֶׁיֵּשׁ בִּי חֶסְרוֹן, אַךְ כַּאֲשֶׁר בָּרָא לוֹ הַש״י אֶת חַוָּה וְנִתְּנָה לוֹ לְעֵזֶר הַיְינוּ שֶׁיֵּלֵךְ אַחַר דַּעְתָּהּ, כְּמוֹ שֶׁנֶּאֱמַר לְאאע״ה (בראשית כ״א,י״ב) "כֹּל אֲשֶׁר תֹּאמַר אֵלֶיךָ שָׂרָה שְׁמַע בְקוֹלָהּ" וְאָז נִתְקָרֵר דַּעְתּוֹ, וְזֶה שֶׁטָּעַן הָאָדָם, "הָאִשָּׁה אֲשֶׁר נָתַתָּ עִמָּדִי", הַיְינוּ שֶׁהָיָה מֻתָּר לוֹ לֶאֱכוֹל עַל פִּי דִּבּוּרָהּ. אַךְ עִנְיַן חֶטְאוֹ הָיָה כְּמוֹ דְאִיתָא בַּגְּמָ' ת״ח שֶׁמּוֹרֶה הֲלָכָה וּבָא, אִם קוֹדֶם מַעֲשֶׂה אָמַר שׁוֹמְעִין לוֹ וְאִם לְאַחַר מַעֲשֶׂה אֵין שׁוֹמְעִין לוֹ (קדושין עשרה יוחסין ע'):‏ וְהַיְינוּ מֵחֲמַת שֶׁהוּא נוֹגֵעַ בַּדָּבָר מֵאַחַר שֶׁכְּבָר עָשָׂה מַעֲשֶׂה, וְכֵן כָּאן אַף שֶׁהָיָה צָרִיךְ לִשְׁמֹעַ בְּקוֹלָהּ מ"מ מִכֵּיוָן שֶׁכְּבָר עָשְׂתָה מַעֲשֶׂיהָ לֹא הָיָה צָרִיךְ לִשְׁמֹעַ אֵלֶיהָ בְּמָה שֶׁנָּתְנָה לוֹ לֶאֱכוֹל. וְטַעֲנָתָהּ הָיְתָה, "הַנָּחָשׁ הִשִּׁיאַנִי וָאוֹכֵל", שֶׁהֵבִיא הֲסָתָה וְחֶמְדָּה בְּלִבּוֹ וּסְבָרָתוֹ שֶׁהַחֵשֶׁק הִיא מֵהַש״י, וּבֶאֱמֶת מֵאַחַר שֶׁאָדָם בְּעַצְמוֹ קָרָא אֶת שְׁמוֹ נָחָשׁ וְנָחָשׁ הַיְינוּ רַמַּאי כְּמוֹ מְנַחֵשׁ שֶׁהוּא מְרַמֶּה וְצָבוּעַ, הַיְינוּ שֶׁיוּכַל לְהַרְאוֹת לַחֲבֵרוֹ דָּבָר שֶׁיִּדְמֶה לוֹ כִּי מֵה' הוּא, עַל כֵּן הָיָה צָרִיךְ לִשְׁמוֹר א"ע שֶׁלֹּא יִטְעֶה מֵאַחַר שֶׁיָּדַע שֶׁנִּמְצָא טָעוּת.
Parágrafo 12

"E espinho e cardo te fará brotar" (Bereshit 3:18). O assunto daquela maldição: "espinho" — isto é, os ímpios que dele se levantarão; e "cardo" — o assunto de toda controvérsia que há entre justos, mesmo as controvérsias verdadeiras mencionadas na Guemará, porque dardar (cardo), em guematria, é duas vezes tzadik (justo).

וְקוֹץ וְדַרְדַּר תַּצְמִיחַ לָךְ. עִנְיַן הַקְּלָלָה הַהוּא, קוֹץ, הַיְינוּ רְשָׁעִים שֶׁיַּעֲמוֹד מִמֶּנּוּ, וְדַרְדַּר עִנְיַן כָּל הַמַּחְלוֹקֶת שֶׁהוּא בֵּין צַדִּיקִים אַף מַחֲלוֹקֶת אֱמִתִּיּוֹת הַנִּזְכָּרִים בַּגְּמָ' כִּי דַרְדַּר בְּגִימָ' ב' פְּעָמִים צַדִּיק.
Parágrafo 13

"Não é assim: se te aperfeiçoares, serás elevado" (Bereshit 4:7). Eis que o primeiro pecado brotou no mundo por força do ciúme; e, ainda que na verdade, aos olhos, Caim tivesse um argumento justo — porque foi ele quem primeiro despertou seu espírito para trazer uma oferenda, e Hevel, seu irmão, que trouxe uma oferenda depois, parecia a Caim como "mandamento de homens ensinado" — por isso Caim teve grande queixa contra o Eterno. Mas, na verdade, Hevel não trouxe oferenda senão depois de vir primeiro ao sabor e ao segredo do serviço, e por isso não se considerou "mandamento de homens ensinado". E por isso o Eterno se revelou a Caim e lhe disse: "por que te irritaste, e por que caiu teu semblante?" — e se Caim não tivesse nenhuma queixa, o Eterno não se teria revelado a ele. E isto é: "se aperfeiçoares" teu coração, para que anseies por um serviço desejável sem nenhum ciúme e sem nenhuma inclinação — "serás elevado" — isto é, te elevarás em teus graus, cada vez mais alto; e "seet" é linguagem de sacerdócio, como está escrito (Vayikrá 9:22): "e Aharon levantou" — isto é, que sirvas conforme teu próprio anseio, mas não conforme os graus de teu irmão, porque cada homem tem seu próprio grau.

הֲלֹא אִם תֵּיטִיב שְׂאֵת. הִנֵּה הַחֵטְא הָרִאשׁוֹן נִצְמַח בָּעוֹלָם מִכֹּחַ קִנְאָה וְאַף כִּי בֶאֱמֶת לְפִי רְאוּת עַיִן הָיָה לְקַיִן טַעֲנָה צוֹדֶקֶת כִּי הוּא הָיָה הַמַּתְחִיל לְהָעִיר רוּחוֹ לְהָבִיא קָרְבָּן וְהֶבֶל אָחִיו שֶׁהֵבִיא קָרְבָּן אח״כ הָיָה נִרְאֶה לְקַיִן כְּמִצְוַת אֲנָשִׁים מְלֻמָּדָה עַל כֵּן הָיָה לְקַיִן תַּרְעוֹמֶת גָּדוֹל נֶגֶד הַש״י, אַךְ בֶּאֱמֶת הֶבֶל לֹא הֵבִיא קָרְבָּן רַק אַחַר שֶׁבָּא מִקּוֹדֶם עַל הַטַּעַם וְסוֹד עֲבוֹדָה וְעַל כֵּן לֹא נֶחְשַׁב לְמִצְוַת אֲנָשִׁים מְלֻמָּדָה. וְלָכֵן נִגְלָה הַש״י לְקַיִן וְאָמַר אֵלָיו "לָמָּה חָרָה לָךְ וּלָמָּה נָפְלוּ פָנֶיךָ" וּבְאִם לֹא הָיָה לְקַיִן שׁוּם טַעֲנָה לֹא הָיָה נִגְלָה אֵלָיו הַש״י, וְהַיְינוּ "אִם תֵּיטִיב" לִבְּךָ לִהְיוֹת מִשְׁתּוֹקֵק לַעֲבוֹדָה רְצוּיָה בְּלִי שׁוּם קִנְאָה וּבְלִי שׁוּם נְטִיָּה, "שְׂאֵת", הַיְינוּ תִּתְנַשֵּׂא בְּמַדְרֵגוֹתֶיךָ לְמַעְלָה לְמַעְלָה וּשְׂאֵת הוּא לְשׁוֹן כְּהֻנָּה כְּמ״ש (ויקרא ט',כ״ב) "וַיִּשָּׂא אַהֲרֹן", הַיְינוּ שֶׁתִּהְיֶה עוֹבֵד כְּפִי חֶשְׁקְךָ, אֲבָל לֹא כְּפִי מַדְרֵגוֹת אָחִיךָ כִּי כָל אָדָם יֵשׁ לוֹ מַדְרֵגָה בִּפְנֵי עַצְמוֹ.
Parágrafo 14

"E se não te aperfeiçoares, à porta jaz o pecado" (Bereshit 4:7). Isto é, que lhe disse: que não foi dado tempo ao homem para retornar ao Eterno senão enquanto ainda está vivo, e então o pecado ainda não está fixado, e ele pode retornar; mas "à porta" — isto é, quando a força de vida do homem se esgota, então o pecado jaz e ele não pode se levantar. E como encontramos (Bava Batra 74a) a respeito da assembleia de Coreh, que sempre dizem "Moshé é verdade, e sua Torá é verdade", e não se salvam do Guehinom — porque sua declaração não vem da profundeza de seu coração; porque, com o conhecimento com que o homem parte deste mundo, com esse conhecimento ele permanece para sempre — pois, se o tivessem dito em vida, "Moshé é verdade, e sua Torá é verdade", teriam se salvado.

וְאִם לֹא תֵיטִיב לַפֶּתַח חַטָּאת רוֹבֵץ. הַיְינוּ שֶׁאָמַר לוֹ כִּי לֹא נִתַּן זְמַן לְאָדָם לָשׁוּב לְהַש״י רַק בְּעוֹדֶנּוּ בַּחַיִּים וְאָז אֵינוֹ נִקְבַּע הַחֵטְא וְיוּכַל לָשׁוּב. אֲבָל לַפֶּתַח הַיְינוּ כְּשֶׁאָפַס כֹּחַ חִיּוּת הָאָדָם, אָז הַחֵטְא רוֹבֵץ וְלֹא יוּכַל לָקוּם וּכְמוֹ שֶׁמָּצִינוּ (בבא בתרא ע״ד.) בַּעֲדַת קוֹרַח שֶׁתָּמִיד אוֹמְרִים מֹשֶׁה אֱמֶת וְתוֹרָתוֹ אֱמֶת וְאֵינָם נִצּוֹלִין מִגֵּיהִנֹּם כִּי אֲמִירָתָם אֵינוֹ מֵעוֹמֶק לִבָּם כִּי בְּהַדֵּעָה שֶׁהָאָדָם הוֹלֵךְ מֵעוֹלַם הַזֶּה בְּזֹאת הַדֵּעָה נִשְׁאַר לְעוֹלָם, כִּי בְאִם הָיוּ אוֹמְרִים בְּחַיֵּיהֶם מֹשֶׁה אֱמֶת וְתוֹרָתוֹ אֱמֶת הָיוּ נִצּוֹלִין.
Parágrafo 15

"Este é o livro das gerações do homem: no dia em que D'us criou o homem, à semelhança de D'us o fez, etc." (Bereshit 5:1). Segredo do assunto: tzelem (imagem) e demut (semelhança). Tzelem é o corpo da vida sem nenhuma expansão — como um bebê, logo quando nasce, no primeiro instante se chama tzelem. E depois, quando começa a se expandir em seus desejos — como os desejos de comer, e por meio desse desejo ele come, e cresce nele a vida cada vez mais, até que se torna grande em espessura e estatura — esta expansão se chama demut. E assim também, na alma, a primeira gota de palavras de Torá que entra no homem se chama tzelem, e o anseio que ele tem por palavras de Torá se chama demut; e por meio do anseio, acrescentam-se a ele cada vez mais palavras de Torá. E isto é: "no dia em que D'us criou o homem, à semelhança de D'us", etc. — isto é, que este foi o propósito principal da criação do homem: que ele ansiasse cada vez mais por multiplicar as palavras de Torá. E este é o assunto (Berachot 7b): "maior é o servir da Torá do que seu estudo" — o servir da Torá se chama o anseio. E este é o sentido de "este é o livro das gerações do homem" — isto é, que, se o homem merecer estar em tzelem e demut, como se explicou, verá cada vez mais renovação de palavras de Torá, e contará seus anos e suas gerações, e prolongará seus dias.

זֶה סֵפֶר תּוֹלְדוֹת אָדָם בִּדְמוּת אֱלֹקִים עָשָׂה וְכוּ'. סוֹד הָעִנְיָן צֶלֶם וּדְמוּת, צֶלֶם הַיְינוּ גוּף הַחַיִּים בְּלִי שׁוּם הִתְפַּשְּׁטוּת כְּמוֹ תִּינוֹק תֵּכֶף כְּשֶׁנּוֹלַד בָּרֶגַע הָרִאשׁוֹן יִקָּרֵא צֶלֶם, וְאח״כ כַּאֲשֶׁר יַתְחִיל לְהִתְפַּשֵּׁט בִּרְצוֹנוֹתָיו כְּגוֹן תְּשִׁיקוּת הָאֲכִילָה וְעַל יְדֵי אוֹתָהּ הַתְּשׁוּקָה הוּא אוֹכֵל, וְנִתְגַּדֵּל אֶצְלוֹ הַחַיִּים בְּכָל פַּעַם יוֹתֵר וְיוֹתֵר עַד שֶׁנַּעֲשָׂה גָּדוֹל בְּעוֹבִי וְקוֹמָה, זֹאת הַהִתְפַּשְּׁטוּת יִקָּרֵא דְּמוּת. וּכְמוֹ כֵן בְּנֶפֶש הַטִּיפָּה הָרִאשׁוֹנָה שֶׁל ד"ת שֶׁנִּכְנֶסֶת בָּאָדָם יִקָּרֵא צֶלֶם, וְהַתְּשׁוּקָה שֶׁמִּשְׁתּוֹקֵק לְד"ת יִקָּרֵא דְּמוּת וְעַל יְדֵי הַתְּשׁוּקָה נִתּוֹסֵף לוֹ בְּכָל פַּעַם יוֹתֵר ד"ת, וְזֶה "בְּיוֹם בְּרוֹא אֱלֹקִים אָדָם בִּדְמוּת אֱלֹקִים" וְכוּ', הַיְינוּ כִּי זֶה הָיָה עִקָּר בְּרִיאַת הָאָדָם בִּכְדֵי שֶׁיִּשְׁתּוֹקֵק בְּכָל פַּעַם לְהִתְרַבּוּת ד"ת, וְזֶה עִנְיַן (ברכות ז'):‏ גָּדוֹל שִׁמּוּשָׁהּ שֶׁל תּוֹרָה יוֹתֵר מִלִּמּוּדָהּ, שִׁמּוּשָׁהּ שֶׁל תּוֹרָה נִקְרֵאת הַתְּשׁוּקָה. וְזֶה פֵּירוּשׁ "זֶה סֵפֶר תּוֹלְדוֹת אָדָם" הַיְינוּ שְׁאִם יִזְכֶּה הָאָדָם לִהְיוֹת בְּצֶלֶם וּדְמוּת כְּמוֹ שֶׁנִּתְבָּאֵר, יִרְאֶה בְּכָל פַּעַם הִתְחַדְּשׁוּת ד"ת וְיִסְפּוֹר שָׁנָיו וְתוֹלְדוֹתָיו וְיַאֲרִיךְ יָמִים.