Mei HaShiloach · Volume IV · Parashá 5

Korach

קֹרַח
Rabi Mordechai Yosef Leiner de Izhbitz (1801–1854) · hebraico de domínio público · tradução original PT-BR

Dezesseis parágrafos sobre a quinta parashá do Sêfer Bamidbar. Na Parte I, do Volume I do Sefaria: a grande linhagem que Korach viu e a ousadia do seu coração; a talit toda de tchelet, o temor e a escolha oculta; “por que vos elevais”, a roda dos justos e a coroa dos levitas; o coração que o tomou e a oração de Moshé; “todos são santos” e o salmo dos filhos de Korach; o ponto bom sob a veste; “sede perante o Eterno” e o selo de baixo; o incensário de Aharon; os quinze mil e a luz de Aharon; as varas, o lugar de cada um e as vinte e quatro dádivas; e o levita que completa o lado esquerdo. Na Parte II, do Volume II: os sete tropeços e a mesquinhez que gera a disputa, o vento, o terremoto e o fogo, a oração como união e o filho do rei; o que é inadvertência, coisas ocultas e presunção; a ira dos sábios e a flor de lírio; o perdido e o disperso; e a honra do justo e o “E nós, o que somos?” de Moshé e Aharon — hebraico e português lado a lado.

Parágrafos

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Parte I · Sefaria Volume I
Parágrafo 1

“E tomou Korach” (Bamidbar 16:1). No Midrash (Bamidbar Rabá, parashá 18:17): viu uma grande linhagem sair dele — uma sucessão de gerações ilustres —. Foi porque viu isso que ganhou ousadia na sua alma — tornou-se arrogante —, pois tinha por certo que era o grande diante do Nome, bendito seja. E sobre isso foi dito (Mishlei 27:1): “Não te vanglories do dia de amanhã, pois não sabes o que o dia dará à luz”. Pois, ainda que o homem compreenda com certeza que tem esperança — um futuro promissor —, não deve depositar nisso a sua confiança, porque não sabe de que modo o Nome conduzirá as coisas no presente.

וַיִּקַּח קֹרַח. בַּמִּדְרָשׁ (במדבר רבה פרשה י"ח,י"ז), רָאָה שַׁלְשֶׁלֶת גְּדוֹלָה יוֹצֵאת מִמֶּנּוּ. כִּי לְפִי שֶׁרָאָה זֹאת הִרְהִיב עֹז בְּנַפְשׁוֹ כִּי בֶּטַח הוּא הַגָּדוֹל אֵצֶל הַש"י וְעַל זֶה נֶאֱמַר (משלי כ"ז,א') "אַל תִּתְהַלֵּל בְּיוֹם מָחָר כִּי לֹא תֵדַע מַה יֵּלֶד יוֹם". כִּי אַף שֶׁהָאָדָם יָבִין בֶּטַח שֶׁיֵּשׁ לוֹ תִּקְוָה. לֹא יָשִׂים בִּטְחוֹנוֹ עַל זֶה כִּי לֹא יֵדַע בַּמֶּה יַנְהִיג הַש"י בְּהַהֹוֶה.
Parágrafo 2

“E tomou Korach” (Bamidbar 16:1). Está no Midrash (Bamidbar Rabá, parashá 18:2): por que a porção de Korach vem junto à porção dos tsitsit? Porque Korach tomou um manto todo de tchelet e perguntou: “É isento ou obrigado?” — isto é, se um manto inteiramente azul precisa de franjas —. O sentido disto: o tchelet fio azul-turquesa alude ao temor; e Korach alegava que o temor do Nome estava explícito diante dele, e que compreendia que tudo está nas mãos do Céu, inclusive o temor do Céu. Sendo assim, como poderia ocorrer a um homem fazer algo contra a vontade do Nome, se a vontade e o ato, tudo, vêm d’Ele, bendito seja? E como faria algo que não fosse do Seu agrado? Por isso alegava que estava isento dos tsitsit, pois os tsitsit aludem ao temor.

Mas, na verdade, a vontade do Nome é que, neste mundo, as coisas sejam como se mostram aos olhos do homem — que ele as veja como suas, e não como determinadas do alto —. E é o que está na Guemará (Chagigá 13b): Yechezkel orou sobre a face do boi, e ela se transformou em querub — uma das quatro faces que ele viu na visão do carro divino —. Pois o boi alude a uma sabedoria sumamente clara, segundo a qual, em profundidade, tudo está nas mãos do Céu, e a escolha do homem é apenas como casca de alho — algo ínfimo —, e existe só segundo o seu próprio entendimento; pois o Nome ocultou o Seu caminho dos filhos do homem, porque deseja o serviço do homem, e, se tudo estivesse revelado diante dele, nenhum serviço brotaria nele. Por isso Yechezkel orou, e a face se transformou em querub, para que o caminho do Nome ficasse oculto e parecesse aos filhos do homem que são donos da escolha, e assim lhes viesse ao coração o serviço. É este o sentido, ali, de “querub” — aramaico: “de rosto pequeno”, isto é, de criança —.

וַיִּקַּח קֹרַח. אִיתָא בַּמִּדְרָשׁ (במדבר רבה פרשה י"ח,ב') מִפְּנֵי מָה נִסְמַךְ פָּרָשַׁת קֹרַח לְפָרָשַׁת צִיצִית לְפִי שֶׁקֹּרַח לָקַח טַלִּית שֶׁכֻּלָּהּ תְּכֵלֶת וְאָמַר פְּטוּרָה אוֹ חַיֶּבֶת. הָעִנְיָן בָּזֶה כִּי תְּכֵלֶת מוֹרָה עַל יִרְאָה וְהִנֵּה קֹרַח טָעַן שֶׁיִּרְאַת הַש"י מְפֹרֶשֶׁת לְפָנָיו וְהוּא מֵבִין שֶׁהַכֹּל בִּידֵי שָׁמַיִם אֲפִלּוּ יִרְאַת שָׁמַיִם. וְאִם כֵּן אֵיךְ יָבוֹא לְאָדָם שֶׁיַּעֲשֶׂה דָּבָר נֶגֶד רְצוֹן הַש"י כֵּיוָן שֶׁהָרָצוֹן וְהַמַּעֲשֶׂה הַכֹּל מֵאִתּוֹ יִתְבָּרַךְ וְאֵיךְ יַעֲשֶׂה דָּבָר שֶׁלֹּא לִרְצוֹנוֹ. וְעַל זֶה הָיָה טוֹעֵן שֶׁפָּטוּר מִצִּיצִית כִּי צִיצִית מְרַמְּזִין עַל יִרְאָה. וּבֶאֱמֶת רְצוֹן הַש"י שֶׁבָּעוֹלָם הַזֶּה יִהְיֶה לְעֵינֵי הָאָדָם. וְזֶה שֶׁאִיתָא בַּגְּמָרָא (חגיגה י"ג:) יְחֶזְקֵאל הִתְפַּלֵּל עַל פְּנֵי שׁוֹר וְנֶהְפַּךְ לִכְרוּב, כִּי שׁוֹר מוֹרֶה עַל חָכְמָה הַמְּבֹרֶרֶת מְאֹד וּבָעֹמֶק הַכֹּל בִּידֵי שָׁמַיִם וּבְחִירַת הָאָדָם אֵינוֹ רַק כִּקְלִפַּת הַשּׁוּם וְאֵינוֹ רַק לְפִי דַּעְתּוֹ, כִּי הַש"י הִסְתִּיר דַּרְכּוֹ מִבְּנֵי אָדָם כִּי יַחְפֹּץ בַּעֲבוֹדַת הָאָדָם וּבְאִם יִהְיֶה הַכֹּל גָּלוּי לְפָנָיו לֹא יִצְמַח בּוֹ שׁוּם עֲבוֹדָה. וְעַל יְדֵי זֶה הִתְפַּלֵּל יְחֶזְקֵאל וְנֶהְפַּךְ לִכְרוּב שֶׁיִּהְיֶה דֶּרֶךְ הַש"י נִסְתָּר וְיִדְמֶה לִבְנֵי אָדָם שֶׁהֵם בַּעֲלֵי בְּחִירָה וְעַל זֶה יָבֹא לְלִבָּם עֲבוֹדָה וְזֶה פֵּרוּשׁ (שם) כְּרוּב אַפֵּי זוּטְרָא.
Parágrafo 3

“E por que vos elevais acima da congregação do Eterno?” (Bamidbar 16:3). Eis que a alegação de Korach era que não há nenhuma elevação em Israel, de um sobre o seu companheiro, pois “no meio deles está o Eterno” — palavras do mesmo versículo —, isto é, o Nome habita no meio de todos igualmente, como se explica no Midrash (Taanit 31a): no futuro, o Santo, Bendito Seja, fará para os justos uma roda de dança, e roda quer dizer em círculo, no qual nenhum está mais perto do que o seu companheiro. E ele alegava que também agora é assim. Mas sobre isso disse Shlomo, o rei (Mishlei 20:26): “O rei sábio dispersa os ímpios e faz voltar sobre eles a roda”. Isto é: por meio do diadema, zer grinalda, diadema, e da coroa que lhes foi dada, a saber, a coroa dos levitas, quando lhes deu a elevação, sobre isso “e fez voltar sobre eles a roda” — lendo “dispersa” (mezareh) a partir de zer, e “fez voltar” como “respondeu”, sendo a “roda” (ofan) a pergunta “por quê?” que se segue —, isto é, ele lhes respondia: por que, quando vos dei elevação, não alegastes que em Israel não há elevação de um sobre o seu companheiro?

וּמַדּוּעַ תִּתְנַשְּׂאוּ עַל קְהַל ה'. הִנֵּה טַעֲנוֹת קֹרַח הָיְתָה שֶׁאֵין שׁוּם הִתְנַשְּׂאוּת בֵּין יִשְׂרָאֵל לְאֶחָד עַל חֲבֵרוֹ כִּי "בְּתוֹכָם ה'", הַיְינוּ שֶׁהַש"י שׁוֹכֵן בְּתוֹךְ כֻּלָּם שָׁוֶה בְּשָׁוֶה כְּמוֹ שֶׁמְּבֹאָר בַּמִּדְרָשׁ (גמ' תענית ל"א.) שֶׁלֶּעָתִיד יַעֲשֶׂה הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא מָחוֹל לַצַּדִּיקִים וּמָחוֹל הַיְינוּ בְּעִגּוּל שֶׁאֵין שׁוּם אֶחָד קָרוֹב יוֹתֵר מֵחֲבֵרוֹ. וְהָיָה טוֹעֵן שֶׁעַתָּה גַּם כֵּן הוּא כָּךְ, אַךְ עַל זֶה אָמַר שְׁלֹמֹה הַמֶּלֶךְ (משלי כ',כ"ו) "מְזָרֶה רְשָׁעִים מֶלֶךְ חָכָם וַיָּשֶׁב עֲלֵיהֶם אוֹפָן". הַיְינוּ שֶׁעַל יְדֵי הַזֵּר וְהַכֶּתֶר שֶׁנִּתַּן לָהֶם דְּהַיְינוּ כֶּתֶר הַלְוִיִּם וְנָתַן לָהֶם הַהִתְנַשְּׂאוּת, עַל זֶה "וַיָּשֶׁב עֲלֵיהֶם אוֹפָן" דְּהַיְינוּ שֶׁהָיָה מֵשִׁיב לָהֶם מַדּוּעַ כְּשֶׁנָּתַתִּי לָכֶם הִתְנַשְּׂאוּת לֹא טְעַנְתֶּם שֶׁאֵין בְּיִשְׂרָאֵל שׁוּם הִתְנַשְּׂאוּת לְאֶחָד עַל חֲבֵרוֹ.
Parágrafo 4

“E tomou Korach” (Bamidbar 16:1). Da expressão “Por que te arrebata o teu coração?” (Iyov 15:12) — o mesmo verbo de “tomou” —, isto é, o seu coração o tomou. E sobre isso Moshé Rabenu, a paz sobre ele, clamou na sua oração (Tehilim 90:1): “Eterno, Tu foste para nós morada, de geração em geração; antes que os montes nascessem e Tu formasses a terra”. Os montes chamam-se as forças e os anseios — “antes que os montes nascessem”: antes que as forças e os anseios fossem dados —. E sobre isso orou ao Nome, pois é Ele quem dá ao homem a força e o desejo de agir; e, sendo assim, o homem não tem obrigação alguma naquilo em que não consegue dominar o seu impulso, pois toda a sua força vem do Nome. E sobre isso disse (Tehilim 90:12): “A contar os nossos dias, faze-nos conhecer assim”, isto é, que o Nome dê ao homem força para dominar o seu desejo e não lhe dê uma paixão tão grande que a sua força diminua a ponto de não poder dominá-la, mas lhe dê a paixão na medida da sua força. “Volta, Eterno, até quando? E tem compaixão dos Teus servos” (Tehilim 90:13), isto é, que ponha no coração de Korach entendimento para que ele consiga dominar o seu desejo.

וַיִּקַּח קֹרַח. מִלְּשׁוֹן "מַה יִּקָּחֲךָ לִבֶּךָ" הַיְינוּ שֶׁלִּבּוֹ לָקַח אוֹתוֹ. וְעַל זֶה צָעַק משֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם בִּתְפִלָּתוֹ (תהלים צ',א') "ה' מָעוֹן אַתָּה הָיִיתָ לָּנוּ בְּדוֹר וָדוֹר בְּטֶרֶם הָרִים יֻלָּדוּ וַתְּחוֹלֵל אֶרֶץ". הָרִים נִקְרָאִים הַכֹּחוֹת וְהַתְּשׁוּקוֹת. וְעַל זֶה הִתְפַּלֵּל לְהַש"י כִּי הוּא הַנּוֹתֵן לָאָדָם כֹּחַ וְחֵשֶׁק לִפְעוֹל וְאִם כֵּן אֵין לָאָדָם שׁוּם חִיּוּב בְּמַה שֶּׁאֵינוֹ יָכוֹל לְהִתְגַּבֵּר עַל יִצְרוֹ, כִּי כָּל כֹּחוֹ הוּא מֵהַש"י. וְעַל זֶה אָמַר "לִמְנוֹת יָמֵינוּ כֵּן הוֹדַע" הַיְינוּ שֶׁיִּתֵּן הַש"י כֹּחַ לְהָאָדָם לְהִתְגַּבֵּר עַל חִשְׁקוֹ וְלֹא יִתֵּן לוֹ תַּאֲוָה גְּדוֹלָה שֶׁכֹּחוֹ יִקְטַן שֶׁלֹּא יוּכַל לְהִתְגַּבֵּר עַל תַּאֲוָתוֹ רַק יִתֵּן לוֹ הַתַּאֲוָה לְפִי כֹּחוֹ. "שׁוּבָה ה' עַד מָתַי וְהִנָּחֵם עַל עֲבָדֶיךָ" הַיְינוּ שֶׁיִּתֵּן בְּלֵב קֹרַח בִּינָה שֶׁיּוּכַל לְהִתְגַּבֵּר עַל חֶמְדָּתוֹ.
Parágrafo 5

“Pois toda a congregação, todos são santos, e no meio deles está o Eterno” (Bamidbar 16:3). Este é o sentido do que disse o versículo (Mishlei 12:19): “O lábio da verdade se firma para sempre, e a língua da mentira, só por um instante”. Pois o que eles disseram, a verdade, subsiste para sempre, e a mentira que havia na sua boca foi anulada de imediato. E desse versículo haverá para eles retificação no futuro — a verdade que disseram será a sua correção —. E eis que David, o rei, a paz sobre ele, ao atribuir os salmos aos filhos de Korach, pelo nome de Korach, pai deles, devolveu-o à sua regra geral — à comunidade de Israel, da qual se havia separado —. Pois, se não houvesse para eles bem nisso, não os teria atribuído a ele, o que seria um mal para eles, que o Céu nos livre, como está na Guemará (Shabat 55b): “É possível que o pecado tenha vindo à sua mão e o versículo mencione a sua linhagem?” — isto é, a Escritura não honraria com genealogia quem tivesse pecado —. E esta é uma das treze regras pelas quais a Torá é interpretada: todo assunto que estava incluído na regra geral e dela saiu etc., não podes devolvê-lo à sua regra geral até que o versículo o devolva à sua regra geral explicitamente. E David, o rei, a paz sobre ele, devolveu-o à sua regra geral explicitamente. É o que o Arizal, de bendita memória, instituiu: dizer, antes do toque do shofar, o salmo “Para os filhos de Korach” (Tehilim 47), e isso se difundiu por todas as dispersões de Israel.

כִּי כָל הָעֵדָה כֻּלָּם קְדֹשִׁים וּבְתוֹכָם ה'. זש"ה (משלי י"ב,י"ט) "שְׂפַת אֱמֶת תִּכּוֹן לָעַד וְעַד אַרְגִּיעָה לְשׁוֹן שָׁקֶר". כִּי זֹאת שֶׁאָמְרוּ אֱמֶת הוּא קַיָּם לָעַד וְהַשֶּׁקֶר שֶׁהָיָה בְּפִיהֶם נִתְבַּטֵּל תֵּכֶף. וּמִזֶּה הַפָּסוּק יִהְיֶה לָהֶם תִּקּוּן לֶעָתִיד. וְהִנֵּה דָּוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם בְּיַחֲסוֹ בְּהַמִּזְמוֹרִים בָּנָיו עַל שֵׁם קֹרַח אֲבִיהֶם, הֶחֱזִירוֹ לִכְלָלוֹ, כִּי בְּאִם לֹא הָיָה לָהֶם טוֹבָה מִזֶּה לֹא הָיָה מְיַחֲסָם לְרַע לָהֶם חַס וְשָׁלוֹם, כִּדְאִיתָא בַּגְּמָרָא (שבת נ"ה:) "אֶפְשָׁר חֵטְא בָּא עַל יָדוֹ וְהַכָּתוּב מְיַחֲסוֹ", וְזֶה אֶחָד מִי"ג מִדּוֹת שֶׁהַתּוֹרָה נִדְרֶשֶׁת בָּהֶן כָּל דָּבָר שֶׁהָיָה בַּכְּלָל וְיָצָא כוּ׳, אִי אַתָּה יָכוֹל לְהַחֲזִירוֹ לִכְלָלוֹ עַד שֶׁיַּחֲזִירֶנּוּ הַכָּתוּב לִכְלָלוֹ בְּפֵרוּשׁ. וְדָוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם הֶחֱזִירוֹ לִכְלָלוֹ בְּפֵרוּשׁ. הַיְנוּ מַה שֶּׁתִּקֵּן הָאֲרִ"י ז"ל לוֹמַר קֹדֶם תְּקִיעַת שׁוֹפָר הַמִּזְמוֹר לִבְנֵי קֹרַח וְנִתְפַּשֵּׁט בְּכָל תְּפוּצוֹת יִשְׂרָאֵל.
Parágrafo 6

“E por que vos elevais acima da congregação do Eterno?” (Bamidbar 16:3). Está escrito (Yeshayahu 51:16) — o original traz 51:15 —: “E pus as Minhas palavras na tua boca e na sombra da Minha mão te cobri”. O sentido disto: em cada alma de Israel encontra-se um ponto bom e precioso, que o Nome reservou a ela em particular; mas, neste mundo, esse ponto está num revestimento que parece o oposto, e é este o sentido de “e na sombra da Minha mão te cobri”. E eis que também para almas preciosas o Nome preparou vestes que parecem o contrário da sua preciosidade. Assim também Moshé Rabenu, a paz sobre ele: a Escritura testemunha que era muito humilde (Bamidbar 12:3), e estava no revestimento oposto — a sua aparência exterior sugeria o contrário da humildade —. E por isso alegaram contra ele que quer a elevação.

E assim também David, o rei, a paz sobre ele, cuja qualidade era fazer o bem a todo Israel e que amava Israel, como está no Midrash (Shochar Tov, Tehilim 1): “Quem busca o bem procura o favor” (Mishlei 11:27), este é David, que amava Israel; e sobre ele foi dito (Devarim 17:15): “do meio de teus irmãos porás sobre ti um rei”, isto é, aquele em quem se encontra amor por toda a comunidade de Israel. E, quanto ao revestimento, aparentava o oposto, como está (Bereshit Rabá, parashá 63:11): quando Shmuel viu David admoni ruivo, disse que talvez, que o Céu nos livre, ele fosse derramador de sangue como Esav — que também nasceu “ruivo” —; e o Nome lhe respondeu: “com belos olhos” (Shmuel I 16:12) etc.

וּמַדּוּעַ תִּתְנַשְּׂאוּ עַל קְהַל ה'. כָּתוּב (ישעיה נ"א, ט"ו) "וָאָשִׂים דְּבָרַי בְּפִיךָ וּבְצֵל יָדִי כִּסִּיתִיךָ". וְהָעִנְיָן בָּזֶה כִּי בְּכָל נֶפֶשׁ מִיִּשְׂרָאֵל נִמְצָא נְקֻדָּה טוֹבָה וִיקָרָה אֲשֶׁר חָלַק לָהּ הַש"י בִּפְרָט, אַךְ בָּעוֹלָם הַזֶּה הַנְּקֻדָּה הַזֹּאת הִיא בִּלְבוּשׁ שֶׁנִּרְאֶה לְהֵפֶךְ וְזֶה פֵּרוּשׁ "וּבְצֵל יָדִי כִּסִּיתִיךָ". וְהִנֵּה גַּם לִנְפָשׁוֹת יְקָרוֹת תִּקֵּן הַש"י לְבוּשִׁים הַנִּרְאִים הֵפֶךְ מִיַּקְרוּתָם. וּכְמוֹ כֵן מֹשֶׁה רַבֵּנוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם מֵאַחַר שֶׁהַכָּתוּב מֵעִיד עָלָיו שֶׁהָיָה עָנָו מְאֹד וְהָיָה עַל הַלְּבוּשׁ הַהֵפֶךְ. וְלָכֵן טָעֲנוּ עָלָיו שֶׁרוֹצֶה בְּהִתְנַשְּׂאוּת וְכֵן דָּוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם שֶׁהָיְתָה מִדָּתוֹ לְהֵיטִיב לְכָל יִשְׂרָאֵל וְהָיָה אוֹהֵב יִשְׂרָאֵל כִּדְאִיתָא בַּמִּדְרָשׁ (שוחר טוב מזמור א') "שׁוֹחֵר טוֹב יְבַקֵּשׁ רָצוֹן" זֶה דָּוִד שֶׁהָיָה אוֹהֵב אֶת יִשְׂרָאֵל, וְעָלָיו נֶאֱמַר (דברים י"ז, ט"ו) "מִקֶּרֶב אַחֶיךָ תָּשִׂים עָלֶיךָ מֶלֶךְ" הַיְנוּ מִי שֶׁנִּמְצָא בּוֹ אַהֲבָה לִכְלַל יִשְׂרָאֵל. וְעַל הַלְּבוּשׁ הָיָה נִרְאֶה לְהֵפֶךְ כִּדְאִיתָא בַּגְּמָ' (בראשית רבה פרשה ס"ג, י"א) בְּשָׁעָה שֶׁרָאָה שְׁמוּאֵל אֶת דָּוִד אַדְמוֹנִי אָמַר שֶׁמָּא חַס וְשָׁלוֹם הוּא שׁוֹפֵךְ דָּמִים כְּעֵשָׂו וְהֵשִׁיב לוֹ הַש"י "עִם יְפֵה עֵינַיִם" כוּ׳.
Parágrafo 7

“Tu e toda a tua congregação, sede perante o Eterno” (Bamidbar 16:16). Com estas palavras fê-los descer ao Sheol, pois estas três letras — hei, yud e vav, de heyu “sede” — são o selo de “embaixo”, como está no Sêfer Yetzirá (capítulo 1, mishná 14, segundo o Shaar HaKavanot, Sucot): “selou o embaixo com hei-yud-vav”. E, ao ver que o decreto da sentença deles havia sido selado, disse-lhes “Sede perante o Eterno”.

אַתָּה וְכָל עֲדָתְךָ הֱיוּ לִפְנֵי ה'. בְּאֵלֶּה הַדְּבָרִים הוֹרִידָם לִשְׁאוֹל, כִּי שְׁלֹשָׁה אוֹתִיּוֹת הַלָּלוּ הֵם חוֹתָם תַּחַת כִּדְאִיתָא בְּסֵפֶר יְצִירָה (פרק א' משנה י"ד ע"פ שער הכוונות סוכות) חָתַם תַּחַת בְּהי"ו וְכַאֲשֶׁר רָאָה שֶׁנֶּחְתַּם גְּזַר דִּינָם אָמַר לָהֶם "הֱיוּ לִפְנֵי ה'".
Parágrafo 8

“Vós matastes o povo do Eterno” (Bamidbar 17:6). O sentido disto: na verdade, sabiam que isto vinha do Eterno; mas a alegação deles era que, por causa do interesse pessoal neguiá a parcialidade de quem tem interesse próprio que Moshé e Aharon tinham, havia ódio contra eles — contra Korach e o seu grupo —, e por isso o Nome favoreceu Moshé e Aharon — literalmente, “elevou-lhes o rosto” —. E, por causa disso, Moshé Rabenu, a paz sobre ele, disse a Aharon “Toma o incensário” (Bamidbar 17:11), para lhes mostrar a grandeza do seu amor.

אַתֶּם הֲמִתֶּם אֶת עַם ה'. הָעִנְיָן בָּזֶה כִּי בֶּאֱמֶת יָדְעוּ כִּי מֵה' הָיְתָה זֹּאת אַךְ טַעֲנָתָם הָיְתָה, כִּי מִפְּנֵי הַנְּגִיעָה שֶׁהָיָה לְמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן שִׂנְאָה עֲלֵיהֶם מִפְּנֵי זֶה נָשָׂא הַש"י לָהֶם פָּנִים. וְעַל יְדֵי זֶה אָמַר מֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם לְאַהֲרֹן "קַח אֶת הַמַּחְתָּה" לְהַרְאוֹת לָהֶם גֹּדֶל אַהֲבָתוֹ.
Parágrafo 9

“E foram os mortos na praga catorze mil e setecentos” (Bamidbar 17:14). Eis que se encontra que toda santidade que desce a este mundo não vem de graça, mas por damin sagiin aramaico: “muito sangue”, ou “alto preço”, e por muitas almas de Israel. Como encontramos que, antes de David, o rei, a paz sobre ele, merecer conhecer o lugar do Templo, quantas almas pereceram e quanto sofrimento houve. E assim também foi este assunto antes de o mundo merecer que a alma de Aharon, o sacerdote, fosse esclarecida, pois ela não foi esclarecida até depois da disputa das varas — o episódio da vara de Aharon que floresceu —, como é sabido. E também foi por “muito sangue”, isto é, quinze mil: pois catorze mil e setecentos morreram na praga, duzentos e cinquenta na disputa de Korach, e cinquenta eram os membros da casa de Korach, Datan e Aviram.

E isto está aludido nos versículos da criação da luz: de “E disse Elokim: Haja luz” até o fim da criação da luz (Bereshit 1:3-5) encontram-se quinze alafin aramaico: “alefs” e também “milhares”; cada letra alef vale mil, para aludir a que, antes que a luz de Aharon, o sacerdote, saísse esclarecida neste mundo, faltaram quinze mil almas de Israel; e depois saiu esclarecida a luz de Aharon, o sacerdote.

וַיִּהְיוּ הַמֵּתִים בַּמַּגֵּפָה אַרְבָּעָה עָשָׂר אֶלֶף וּשְׁבַע מֵאוֹת. הִנֵּה נִמְצָא כָּל שֶׁיּוֹרֵד קְדֻשָּׁה לָעוֹלָם הַזֶּה אֵינָהּ בָּאָה בְּחִנָּם אֶלָּא בְּדָמִין סַגִּיאִין, וּנְפָשׁוֹת רַבּוֹת מִיִּשְׂרָאֵל. כְּמוֹ שֶׁמָּצִינוּ קֹדֶם שֶׁזָּכָה דָּוִד הַמֶּלֶךְ עָלָיו הַשָּׁלוֹם לֵידַע מְקוֹם הַמִּקְדָּשׁ כַּמָּה נְפָשׁוֹת נֶעֱדְרוּ וְכַמָּה צַעַר הָיָה. וְכֵן הָיָה הָעִנְיָן הַזֶּה קֹדֶם שֶׁזָּכָה הָעוֹלָם שֶׁיִּתְבָּרֵר נֶפֶשׁ אַהֲרֹן הַכֹּהֵן, כִּי לֹא נִתְבָּרֵר עַד אַחַר הַמַּחְלֹקֶת בְּהַמַּטּוֹת כַּיָּדוּעַ. וְהָיָה גַּם כֵּן בְּדָמִין סַגִּיאִין הַיְינוּ ט"ו אֶלֶף כִּי אַרְבָּעָה עָשָׂר אֶלֶף וְשִׁבְעָה מֵאוֹת מֵתוּ בַּמַּגֵּפָה, וּמָאתַיִם וַחֲמִשִּׁים בְּמַחֲלָקְתּוֹ שֶׁל קֹרַח וַחֲמִשִּׁים אִישׁ הָיוּ בְּנֵי בֵיתוֹ שֶׁל קֹרַח וְדָתָן וַאֲבִירָם. וְזֶה נִרְמָז בִּפְסוּקֵי בְּרִיאַת הָאוֹר, כִּי מִן "וַיֹּאמֶר אֱלֹקִים יְהִי אוֹר" עַד גְּמַר בְּרִיאַת הָאוֹר נִמְצָא ט"ו אַלְפִין לִרְמֹז שֶׁקֹּדֶם שֶׁיָּצָא הָאוֹר שֶׁל אַהֲרֹן הַכֹּהֵן מְבֹרָר בָּעוֹלָם הַזֶּה, נֶחְסְרוּ ט"ו אֶלֶף נְפָשׁוֹת מִיִּשְׂרָאֵל, וְאַחַר כָּךְ יָצָא הָאוֹר שֶׁל אַהֲרֹן הַכֹּהֵן מְבֹרָר.
Parágrafo 10

“E disse o Eterno a Moshé etc., e toma deles uma vara por casa paterna etc.” (Bamidbar 17:16-17). O tema das varas que o Santo, Bendito Seja, ordenou tomar depois do episódio de Korach: a vara alude à vida, como é sabido, como está escrito (Zecharya 8:4) “e cada um com o seu cajado na mão” — o cajado do ancião, sinal de longa vida —. E o Nome ordenou tomar as varas para aludir a que, no futuro, o Nome mostrará a cada um que chegará à sua parte e ao seu lugar verdadeiro na vida eterna — a vida do mundo vindouro —, e ele não cobiçará a parte do seu companheiro. Pois, antes que se esclareça a cada um a sua parte, anseia pela herança do companheiro, como foi a disputa de Korach, que queria e ansiava pela parte de Aharon, o sacerdote. E este foi o tema das varas: o Nome mostrou a cada um o seu lugar, de modo que cada um tem um bom lugar, e não se queixaram da parte de Aharon.

E o que Unkelos traduz sobre “E viram e tomaram cada um a sua vara” (Bamidbar 17:24): ve-ishtmodei aramaico: “e reconheceram” etc., e não traduziu va-chazi “e viram”, mas ve-ishtmodei. (É como dois irmãos que não se viram por muito tempo e depois se viram e se reconheceram um ao outro; assim também aqui: o Nome mostrou a cada um a parte de vida que lhe cabe, e eles a reconheceram, porque cada um a tinha visto antes de vir a este mundo. Complemento.) Isto é, compreenderam e alcançaram o esclarecimento da questão e reconheceram a profundidade da raiz de cada um. E, ainda que só se diga que floresceu a vara de Aharon, parece que todas as varas floresceram, só que na vara de Aharon os frutos amadureceram — as amêndoas, em Bamidbar 17:23 —. Pois a parte de Aharon é a perfeição neste mundo em cada ato, e não que faça um ato que depois precise de mais esclarecimento; mas as outras tribos não são assim, e o seu esclarecimento requer tempo, ainda que haja tribos cuja preciosidade é maior que a do sacerdócio, como a tribo de Yehudá; mesmo assim o seu aperfeiçoamento requer tempo.

E isto contrariava o entendimento de Aharon, pois a princípio julgava que ele era o maior, e o seu ânimo caiu com isso; por isso o Nome lhe deu as vinte e quatro dádivas do sacerdócio — os presentes devidos ao sacerdote, tratados em Bamidbar 18 —, tiradas dos bens de Israel, para lhe mostrar que todos os atos de Israel precisam ser, neste mundo, segundo os degraus de Aharon, o sacerdote, pois neste mundo o Nome escolheu o ato perfeito. E eis que está no Sêfer Yetzirá que há doze permutações do Nome Havaya, e Aharon corresponde à permutação yod-kuf-vav-kuf, pois esse Nome governa neste mundo.

וַיֹּאמֶר ה' אֶל מֹשֶׁה כוּ', וְקַח מֵאִתָּם מַטֶּה מַטֶּה לְבֵית אָב כוּ'. עִנְיַן הַמַּטּוֹת שֶׁצִּוָּה הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לִיקַּח אַחַר מַעֲשֵׂה קֹרַח, כִּי מַטֶּה רוֹמֵז עַל חַיִּים כַּיָּדוּעַ, דִּכְתִיב (זכריה ח',ד') "וְאִישׁ מִשְׁעַנְתּוֹ בְּיָדוֹ", וְצִוָּה הַש"י לִיקַּח הַמַּטּוֹת לִרְמוֹז כִּי לֶעָתִיד יַרְאֶה הַש"י לְכָל אֶחָד וְאֶחָד שֶׁיַּגִּיעַ לְחֶלְקוֹ וּמְקוֹמוֹ הָאֲמִתִּי בַּחַיִּים הַנִּצְחִיִּים וְלֹא יִתְאַוֶּה לְחֵלֶק חֲבֵרוֹ, כִּי קֹדֶם שֶׁנִּתְבָּרֵר לְכָל אֶחָד חֶלְקוֹ מִשְׁתּוֹקֵק לוֹ נַחֲלַת חֲבֵרוֹ, כְּמוֹ שֶׁהָיָה מַחְלוֹקֶת קֹרַח שֶׁהָיָה רוֹצֶה וּמִשְׁתּוֹקֵק לְחֵלֶק אַהֲרֹן הַכֹּהֵן, וְזֶה הָיָה עִנְיַן הַמַּטּוֹת שֶׁהֶרְאָה הַש"י לְכָל אֶחָד וְאֶחָד אֶת מְקוֹמוֹ שֶׁיֵּשׁ לְכָל אֶחָד וְאֶחָד מָקוֹם טוֹב וְלֹא הִתְלוֹנְנוּ עַל חֵלֶק אַהֲרֹן, וּמַה שֶּׁתַּרְגּוּם אֻנְקְלוֹס עַל "וַיִּרְאוּ וַיִּקְחוּ אִישׁ מַטֵּהוּ" וְאִשְׁתְּמוֹדְעִי כוּ' וְלֹא תַּרְגּוּם וַחֲזִי כִּי וְאִשְׁתְּמוֹדְעִי (הוּא כְּמוֹ שְׁנֵי אַחִים שֶׁלֹּא רָאוּ זֶה אֶת זֶה זְמַן כַּבִּיר וְאַחַר כֵּן רָאוּ זֶה אֶת זֶה וְהִכִּירוּ זֶה אֶת זֶה, וְכֵן בְּכָאן שֶׁהֶרְאָה הַשי"ת לְכָל אֶחָד חֵלֶק הַחַיִּים שֶׁלּוֹ וְהִכִּירוּ אוֹתוֹ יַעַן שֶׁכָּל אֶחָד רָאָה אוֹתוֹ קֹדֶם בּוֹאוֹ לָעוֹלָם הַזֶּה. תַּשְׁלוּם.) וְהַיְנוּ שֶׁהֵבִינוּ וְעָמְדוּ עַל בֵּרוּר הַדָּבָר וְהִכִּירוּ עֹמֶק שֹׁרֶשׁ כָּל אֶחָד וְאֶחָד, וְאַף שֶׁלֹּא נֶאֱמַר פְּרִיחָה רַק עַל מַטֵּה אַהֲרֹן נִרְאֶה שֶׁכָּל הַמַּטּוֹת פָּרְחוּ, רַק שֶׁעַל מַטֵּה אַהֲרֹן נִגְמַל פֵּרוֹתָיו, כִּי חֵלֶק אַהֲרֹן הוּא שְׁלֵמוּת בָּעוֹלָם הַזֶּה בְּכָל מַעֲשֶׂה וּמַעֲשֶׂה וְלֹא שֶׁיַּעֲשֶׂה מַעֲשֶׂה שֶׁיִּצְטָרֵךְ עוֹד בֵּרוּר אַחַר כָּךְ, אֲבָל שְׁאָר הַשְּׁבָטִים אֵינָם כֵּן רַק בֵּרוּרָם צָרִיךְ זְמַן, אַף שֶׁנִּמְצָא שְׁבָטִים שֶׁיַּקְרוּתָם גְּדוֹלָה מִיִּקְרַת כְּהֻנָּה כְּמוֹ שֵׁבֶט יְהוּדָה מִכָּל מָקוֹם הַשְׁלָמָתָם צָרִיךְ זְמַן, וְזֶה הָיָה נֶגֶד דַּעַת אַהֲרֹן, כִּי תְּחִלָּה סָבַר כִּי הוּא הַגָּדוֹל וְנָפַל דַּעְתּוֹ מִזֶּה, עַל כֵּן נָתַן לוֹ הַש"י כ"ד מַתְּנוֹת כְּהֻנָּה מִשֶּׁל יִשְׂרָאֵל לְהַרְאוֹת לוֹ שֶׁכָּל מַעֲשֵׂי יִשְׂרָאֵל צְרִיכִים לִהְיוֹת בָּעוֹלָם הַזֶּה עַל פִּי מַדְרֵגוֹת אַהֲרֹן הַכֹּהֵן, כִּי בָּזֶה הָעוֹלָם בָּחַר הַש"י בְּמַעֲשֶׂה שְׁלֵמָה, וְהִנֵּה אִיתָא בְּסֵפֶר יְצִירָה שֶׁנִּמְצָא י"ב צֵרוּפֵי הוי״ה וְאַהֲרֹן הוּא בְּצֵרוּף י"ק"ו"ק כִּי זֶה הַשֵּׁם שׁוֹלֵט בָּעוֹלָם הַזֶּה.
Parágrafo 11

“E o levita é quem fará o serviço” (Bamidbar 18:23). Está no Zohar (Bamidbar 178b) que o levita precisa completar o sitra smala o lado esquerdo, o lado da falta por meio do seu serviço. E é que, no momento em que vem ao homem uma paixão no coração e ele a domina com toda a sua força e se impede dela, com isso se completa nele também a falta que há nele desde o dia do seu nascimento, pois cada um tem uma falta de nascença que precisa corrigir; e sobre isso disse Yeshayahu, o profeta, a paz sobre ele (Yeshayahu 48:8): “e transgressor desde o ventre foste chamado”. E isto se chama o lado esquerdo, que o Nome deixou ao homem para que ele o corrija.

וְעָבַד הַלֵּוִי הוּא. אִיתָא בַּזוה"ק (במדבר קע"ח:) שֶׁהַלֵּוִי צָרִיךְ לְהַשְׁלִים סִטְרָא שְׂמָאלָא עַל יְדֵי עֲבוֹדָתוֹ, וְהוּא כִּי בְּעֵת שֶׁיָּבוֹא לָאָדָם תַּאֲוָה בְּלִבּוֹ וּמִתְגַּבֵּר עָלֶיהָ בְּכָל כֹּחוֹ וּמוֹנֵעַ אֶת עַצְמוֹ מִמֶּנָּה, עַל יְדֵי זֶה נִשְׁלָם בּוֹ גַּם הַחֶסְרוֹן שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מִיּוֹם הִוָּלְדוֹ, כִּי לְכָל אֶחָד יֵשׁ חֶסְרוֹן בַּתּוֹלָדָה אֲשֶׁר יִצְטָרֵךְ לְתַקְּנוֹ וְעַל זֶה אָמַר יְשַׁעְיָה הַנָּבִיא עָלָיו הַשָּׁלוֹם (ישעיה מ"ח,ח') "וּפֹשֵׁעַ מִבֶּטֶן קֹרָא לָךְ", וְזֶה נִקְרָא סִטְרָא שְׂמָאלָא שֶׁהִנִּיחַ הַש"י לָאָדָם שֶׁיְּתַקְּנוֹ.
Parte II · Sefaria Volume II
Parágrafo 12

“E tomou Korach, filho de Yitzhar etc.; pois toda a congregação, todos são santos, e no meio deles está o Eterno etc.” (Bamidbar 16:1, 3). Este é o sentido do que disse o versículo (Mishlei 12:19): “O lábio da verdade se firma para sempre, e a língua da mentira, só por um instante”: o que eles disseram, a verdade, ficou gravado nas palavras da Torá para todo o sempre, e a mentira que havia na sua boca foi anulada de imediato. E sobre isso disse o versículo (Nachum 2:1): “Belial foi todo extirpado” — beli-ol, “sem jugo”: o que não aceita o jugo do Reino do Céu —, pois no futuro não haverá mais no homem pensamentos que sejam sem o jugo do Reino do Céu, porque tais pensamentos perecerão.

O sentido disto: neste livro contam-se, até esta parashá, sete tropeços. Primeiro, os que se queixavam, sobre os quais veio a melancolia — a “bile negra”, a tristeza amarga —; segundo, os que pediram carne; terceiro, o pecado de Miriam e de Aharon, que disseram “Acaso não falou também por nós?” (Bamidbar 12:2) — e isto disseram apenas os grandes de Israel —; quarto, o pecado dos espias; quinto, “e teimaram em subir” (Bamidbar 14:44) — tentaram conquistar a Terra à força, contra a ordem —, que também isto é considerado pecado, pois, depois do pecado dos espias, deveriam ter confiado no Eterno que lhes perdoaria, e não fazer em seguida um ato com obstinação, com a força das suas próprias mãos; sexto, o apanhador de lenha — o profanador do Shabat —; sétimo, Korach e a sua congregação. E estas sete coisas são birurim dakim esclarecimentos sutis. Pois na Torá encontram-se 248 mandamentos positivos e 365 proibições, que ensinam ao homem como se conduzir nos seus atos; mas estas sete coisas são esclarecimentos sutis que todo homem precisa fazer consigo mesmo. E sobre isso foi dito (Mishlei 9:10): “O princípio da sabedoria é o temor do Eterno, e o conhecimento dos santos é discernimento”: estas coisas não foram escritas explicitamente, porque não são para as gerações, para se conduzirem por elas, como o tema da parashá dos votos, que a Torá escreveu para que o homem se imponha limites a si mesmo — por meio de um voto — na hora da necessidade, e depois lhe é permitido — passada a necessidade, a restrição se desfaz —. Por isso estas coisas não estão explícitas diante do homem, e só com sabedoria cada alma, em particular, saberá como se conduzir nelas. E isto se chama (Kohelet 1:3) “debaixo do sol”: aos olhos do homem não se vê nelas luz, e ele não sabe como se conduzir nestes assuntos; e o Nome põe o homem à prova nelas, para ver como se conduzirá, pois estas coisas são esclarecimentos sumamente sutis.

E, como neste episódio, antes que o Nome esclarecesse que a razão estava com Moshé, não estava claro diante de Israel, que ficaram de lado, com quem estava a razão; pois também Moshé Rabenu estava revestido de um corpo, que é a veste das vestes deste mundo, e então podia parecer que, que o Céu nos livre, havia também em Moshé Rabenu, em algum assunto, alguma falta. E assim a congregação de Korach foi comparada, no Midrash (Bamidbar Rabá, Korach, parashá 18:2), a um ladrão que o dono do roubo não quer divulgar — por isso o descreve só por traços elogiosos —: começou a dar os seus sinais etc.: “filho de gente de bem, de bela estatura, de belos dentes, cabelo preto e nariz bonito”. Isto é, na verdade, em todos os mundos havia dúvida sobre com quem o Nome concordaria; mas a Moshé Rabenu, a paz sobre ele, coube o siyata dishmaya auxílio do Céu, como se menciona no Targum Yonatan (Korach, Bamidbar 16:19): “e quis expulsar do mundo, com aquela riqueza, Moshé e Aharon, não tivesse sido revelada a glória do Eterno a toda a congregação” — texto aramaico; a riqueza é a de Korach —.

E contra estes sete tropeços está na Guemará (Pesachim 54b): sete coisas estão ocultas aos filhos do homem. A sexta é “a monarquia da casa de David, quando voltará”, que corresponde ao tropeço do apanhador de lenha; pois contra ele foi dado a Israel o mandamento dos tsitsit, para que haja em Israel uma alma que seja escrupulosa com a vontade do Nome até a medida de um fio de cabelo, e também o mundo inteiro concorde com a sua grandeza, como foi dito (Nachum 2:1) “Celebra, Yehudá, as tuas festas”, e como está escrito (Bereshit 49:8) “Yehudá, a ti louvarão os teus irmãos”. E é isto que foi dito (Bamidbar 6:26) “e te dê paz”: que o mundo inteiro concorde com a sua grandeza. E a sétima é “a monarquia da Pérsia, quando cairá”, que corresponde ao tropeço da disputa de Korach, pois o caráter do reino da Pérsia é a tzarat ayin estreiteza de olho: mesquinhez, inveja. Pois cada nação tem uma casca — klipá, a camada que envolve e esconde o bem — própria, e Israel precisa tomar delas todas as coisas boas e introduzi-las na santidade. Como na Babilônia havia uma casca de arrogância, conforme está na Guemará (Sanhedrin 24a) “Sim, para a Babilônia ela desceu”, quando Israel recebeu deles todo o bem que havia neles, saiu dali o Talmud Babilônico. E é isto que está escrito (Mishlei 8:15) “Por mim reinam os reis”: quando isto entra em Israel, vem cheio de santidade. Porém o essencial da arrogância e da mesquinhez era o caráter do reino da Pérsia, como está na Guemará (ali): “e o que se espalhou, espalhou-se para Elam” — o original traz “para o mundo” (laolam); o Talmud lê “para Elam” (le-Eilam) —; e diz ali: “esta é Elam, que mereceu aprender e não mereceu ensinar”. E é isto: “a monarquia da Pérsia, quando cairá”: quando for anulada do mundo a qualidade da mesquinhez, pois toda disputa vem do lado da mesquinhez que há no homem.

Como vimos que Achitofel — conselheiro de David, que depois aderiu à rebelião de Avshalom —, que era um grande sábio, como está escrito (Shmuel II 16:23) “E o conselho de Achitofel, que aconselhava naqueles dias, era como quem consulta a palavra de Deus” etc., ordenou aos seus filhos, como está na Guemará (Bava Batra 147b): não estejais em disputa e não vos rebeleis contra a monarquia da casa de David. Pois o homem precisa estar muito esclarecido quanto à mesquinhez, e só então poderá entrar numa disputa; porque quem tem muita tovat ayin generosidade de olho, o oposto da mesquinhez — e sabe com clareza que, se o Nome lhe iluminar que a razão está com o seu companheiro, de imediato ele se conformará com o companheiro e ficará submisso a ele —, a esse é permitido discordar do companheiro. E é o que está na Guemará (Chulin 89a): “O mundo não subsiste senão por mérito de quem se contém na hora da disputa”, isto é, de quem domina o seu impulso para não entrar numa disputa; por isso o mundo subsiste e se renova como uma criação nova. E assim em todos os assuntos: quando o homem se restringe para dominar o seu impulso e suportar, medida por medida — a retribuição corresponde ao ato — o Nome restringe a criação diante dele, e ela se renova como uma criação nova; pois o Nome deseja o bem de todas as criaturas e não deseja, que o Céu nos livre, o mal delas, e por isso o Nome se conduz com o homem medida por medida. E, em matéria de disputa, o homem precisa suportar, restringir-se e conter a boca.

E é o que está no Zohar (Korach 178b): “E o levita é quem fará o serviço” (Bamidbar 18:23): ele completa o lado esquerdo etc. “Qual é o sentido de ‘na Arca’? Naquela carga que carregavam no Tabernáculo” — texto aramaico —. Isto é, como está escrito (Bamidbar 7:9) “ao ombro a carregarão”, pois é preciso suportar. E ainda não se completou o esclarecimento da disputa, pois há em Israel três degraus: os de boas ações, o justo e o sacerdote. E é o que está no tratado de Avot (1:2): “Sobre três coisas o mundo se sustenta: sobre a Torá, sobre o serviço e sobre os atos de bondade”. O justo é a Torá; o sacerdote é o serviço com amor; e quem tem boas ações corresponde aos atos de bondade. E tudo isto não está esclarecido em perfeição, como encontramos que está escrito (Melachim I 19:11): “Não no vento estava o Eterno etc., não no terremoto estava o Eterno”. O ruach vento corresponde à vontade que há em quem tem boas ações; o raash terremoto é o temor que há na Torá, que corresponde ao justo; e o fogo corresponde ao sacerdote, que é o serviço com amor intenso. Por isso está escrito antes (Melachim I 18:24): “E o Deus que responder pelo fogo, esse é Deus. E respondeu todo o povo e disse: Bom é o assunto”: todos concordaram que aquele que pode agir junto ao Nome por meio do serviço com amor intenso, a esse o Eterno escolhe.

Mas depois o Nome mostrou ao profeta Eliyahu que, depois de tudo isto, o homem precisa que o Nome concorde e sele tudo isto com a Sua aprovação. E é o que está escrito (Melachim I 19:12): “E depois do fogo, uma voz de silêncio fino”. “Voz” é a chancela do Nome sobre o vento, que é a vontade de quem tem boas ações: quando vêm do Nome, então são boas; “silêncio” é a chancela do Nome sobre o terremoto; “fino” é a chancela do Nome sobre o fogo. E quando o Nome chancela estas coisas, nas quais o homem não se inclina para o lado do seu interesse pessoal, então estão esclarecidas em perfeição. Pois, mesmo em coisas como estas, quando o homem anseia por amor e temor, pode também cobiçá-las como se cobiça o desejo deste mundo, e é preciso que o Nome concorde com ele que a sua intenção é de fato para o Céu.

E tudo isto se deve a que há um véu que separa e esconde diante do homem, de modo que ele não olha para o Nome em cada particularidade de cada assunto; mas, quando os olhos do homem estiverem abertos para olhar cada coisa para o Nome, então ela estará esclarecida em cada detalhe, e então lhe será permitido orar por cada coisa, porque verá que tudo vem do Nome. Por ora este assunto está oculto, como está na Guemará (Berachot 31a): “Assim era o costume de Rabi Akiva: quando orava com a comunidade, abreviava e se retirava etc.; e, quando orava a sós, o homem o deixava num canto e o encontrava em outro; e por que tanto? Por causa das genuflexões e prostrações”. Isto é: embora aos olhos de Rabi Akiva tudo estivesse esclarecido, como aos olhos da comunidade não estava tão esclarecido, ele não se alongava na oração. Pois todas as orações que rezamos segundo a ordem fixada pelos homens da Grande Assembleia são apenas para que se revele que tudo vem do Nome, e então poderemos orar ao Nome somente, sem véu algum que separe, e então a oração estará no coração de Israel com fixidez, como está escrito (Tehilim 109:4): “E eu sou oração”, isto é, ele mesmo é a oração, pois vê sempre diante de si o Nome, e que, sem o Eterno, lhe falta tudo e não tem vida alguma senão quando se une ao Nome. E esta é a raiz da oração, que é expressão de união, como está escrito (Bereshit 30:8): “Lutas de Deus lutei” — “lutas” vem do verbo “entrelaçar”, aqui aproximado de tefilá, “oração” —.

E o sentido é como o da parábola de um rei que disse ao seu filho que não visse o seu rosto, e que, de tudo de que precisasse dele, enviasse a sua palavra por meio de um mensageiro. E ele enviava sempre, por mensageiro, muitos pedidos, e todos os pedidos não eram senão para poder ver o rosto do pai e não precisar mais lhe falar por mensageiro. Assim também todos os serviços são feitos por meio dos sacerdotes, que se chamam servos do Eterno. E não há maior em Israel do que David, o rei, a paz sobre ele, de quem está escrito (Tehilim 2:7): “Meu filho és tu”. E diz também a Guemará (Yomá 25a): “Não há assento no pátio senão para os reis da casa de David apenas” — o pátio do Templo, onde ninguém se sentava —. E isto é porque eles são chamados filhos; mesmo assim, não lhes é permitido entrar onde o sacerdote entra, porque o filho não vem com tanto temor quanto o servo. E sobre isso orou David, o rei, a paz sobre ele (Tehilim 27:4): “Habitar na casa do Eterno todos os dias da minha vida, para contemplar a suavidade do Eterno e para visitar o Seu Templo”, para que não precise do intermediário, mas peça ao Eterno face a face.

וַיִּקַּח קֹרַח בֶּן יִצְהָר וְגוֹ' כִּי כָל הָעֵדָה כֻּלָּם קְדֹשִׁים וּבְתוֹכָם ה' וְגוֹ'. זֶה שֶׁאָמַר הַכָּתוּב (משלי י"ב,י"ט) "שְׂפַת אֱמֶת תִּכּוֹן לָעַד וְעַד אַרְגִּיעָה לְשׁוֹן שָׁקֶר", שֶׁזֶּה שֶׁאָמְרוּ אֱמֶת נֶחְקַק בְּדִבְרֵי תּוֹרָה לְעוֹלְמֵי עַד וְהַשֶּׁקֶר שֶׁהָיָה בְּפִיהֶם נִתְבַּטֵּל תֵּיכֶף, וְעַל זֶה אָמַר הַכָּתוּב (נחום ב',א') "בְּלִיַּעַל כֻּלֹּה נִכְרָת", שֶׁלֶּעָתִיד לֹא יִהְיֶה עוֹד בָּאָדָם מַחְשָׁבוֹת שֶׁהֵמָּה בְּלִי עוֹל מַלְכוּת שָׁמַיִם כִּי מַחְשָׁבוֹת כָּאֵלּוּ יֹאבְדוּ, וְהָעִנְיָן בָּזֶה, כִּי בַּסֵּפֶר הַזֶּה נֶחְשְׁבוּ עַד הַפָּרָשָׁה הַזּוֹ שִׁבְעָה מִכְשׁוֹלִים א' בַּמִּתְאֹנְנִים שֶׁבָּא לָהֶם מָרָה שְׁחוֹרָה, ב' שֶׁשָּׁאֲלוּ בָּשָׂר, ג' חֵטְא מִרְיָם וְאַהֲרֹן שֶׁאָמְרוּ "הֲלֹא גַּם בָּנוּ דִבֵּר" וְזֶה אָמְרוּ רַק הַגְּדוֹלִים שֶׁבְּיִשְׂרָאֵל, ד' חֵטְא הַמְרַגְּלִים, ה' "וַיַּעְפִּילוּ" שֶׁגַּם זֶה נֶחְשָׁב לְחֵטְא, כִּי אַחַר חֵטְא הַמְרַגְּלִים הָיָה לָהֶם לִבְטוֹחַ בַּה' שֶׁיִּמְחוֹל לָהֶם וְלֹא שֶׁיַּעֲשׂוּ אח"כ מַעֲשֶׂה בְּעִקְּשׁוּת בְּעוֹצֶם יָדָם, ו' מְקוֹשֵׁשׁ, ז' קֹרַח וַעֲדָתוֹ, וְאֵלּוּ הַשִּׁבְעָה דְּבָרִים הֵמָּה בֵּירוּרִים דַּקִּים, כִּי בַּתּוֹרָה נִמְצָא רמ"ח מִצְוֹת עֲשֵׂה וּשס"ה מִצְוֹת לֹא תַעֲשֶׂה שֶׁהֵם מְלַמְּדִים אֶת הָאָדָם אֵיךְ לְהִתְנַהֵג בְּמַעֲשָׂיו, אֲבָל אֵלּוּ הַשִּׁבְעָה דְּבָרִים הֵם בֵּירוּרִים דַּקִּים שֶׁיִּצָּרֵךְ כָּל אָדָם לְבָרֵר עַצְמוֹ בָּהֶם, וְעַל זֶה נֶאֱמַר (משלי ט',י') "תְּחִלַּת חָכְמָה יִרְאַת ה' וְדַעַת קְדֹשִׁים בִּינָה", שֶׁאֵלּוּ הַדְּבָרִים לֹא נִכְתְּבוּ מְפוֹרָשׁ כִּי אֵינָם לְדוֹרוֹת לְהִתְנַהֵג בָּהֶם, כְּמוֹ עִנְיַן פָּרָשַׁת נְדָרִים שֶׁנִּכְתַּב בַּתּוֹרָה שֶׁהָאָדָם יַגְדִּיר עַצְמוֹ בְּעֵת הַצּוֹרֶךְ וְאַחַר כֵּן מוּתָּר לוֹ, וְלָכֵן אֵינָם מְפוֹרָשִׁים אֵלּוּ הַדְּבָרִים לִפְנֵי הָאָדָם וְרַק בְּחָכְמָה יֵדַע כָּל פְּרַט נֶפֶשׁ אֵיךְ לְהִתְנַהֵג בָּהֶם, וְזֶה נִקְרָא (קהלת א',ג') "תַּחַת הַשָּׁמֶשׁ", שֶׁנֶּגֶד עֵינֵי הָאָדָם אֵין רוֹאֶה בָּהֶם אוֹר וְאֵינוֹ יוֹדֵעַ הֵיאַךְ לְהִתְנַהֵג בְּעִנְיָנִים אֵלּוּ, וְהַשי"ת מְנַסֶּה אֶת הָאָדָם בָּהֶם לִרְאוֹת אֵיךְ יִתְנַהֵג בָּהֶם, כִּי אֵלּוּ הַדְּבָרִים הֵמָּה בֵּירוּרִים דַּקִּים מְאוֹד, וּכְמוֹ בַּמַּעֲשֶׂה הַזֶּה שֶׁקּוֹדֶם שֶׁבֵּירֵר הַשי"ת שֶׁהַדִּין עִם מֹשֶׁה לֹא הָיָה מְבוֹרָר לִפְנֵי יִשְׂרָאֵל שֶׁעָמְדוּ מִן הַצַּד עִם מִי הַדִּין, כִּי אֲפִילּוּ מֹשֶׁה רַבֵּינוּ הָיָה גַּם כֵּן מְלוּבָּשׁ בְּגוּף שֶׁהוּא לְבוּשׁ מַלְבּוּשֵׁי עוה"ז, א"כ יוּכַל לְהִדָּמוֹת שֶׁחָלִילָה נִמְצָא גַּם בְּמֹשֶׁה רַבֵּינוּ בְּאֵיזֶה עִנְיָן חֶסְרוֹן מַה, וּכְמוֹ שֶׁנִּמְשַׁל עֲדַת קֹרַח בַּמִּדְרָשׁ (רבה קרח פי"ח,ב') לְמִי שֶׁאֵין בִּרְצוֹן בַּעַל הַגְּנֵיבָה לְפַרְסְמוֹ הִתְחִיל נוֹתֵן סִימָנָיו וְכוּ' בֶּן טוֹבִים בַּעַל קוֹמָה וְשִׁינָּיו נָאוֹת וּשְׂעָרוֹ שָׁחוֹר וְחוֹטְמוֹ נָאֶה, הַיְינוּ שֶׁבֶּאֱמֶת בְּכָל הָעוֹלָמוֹת הָיָה סָפֵק עִם מִי יַסְכִּים הַשי"ת, אַךְ לְמֹשֶׁה רַבֵּינוּ ע"ה הָיָה סִיַּיעְתָּא דִּשְׁמַיָּא כְּמוֹ שֶׁמּוּזְכָּר בְּתַרְגּוּם יוֹנָתָן (קרח ט"ז,י"ט) וּבְעָא לְמִטְרַד בְּהַהוּא עוּתְרָא יָת מֹשֶׁה וְיָת אַהֲרֹן מִן עָלְמָא אִילּוּלֵי דְּאִתְגְּלִי אַיְקָרָא דַּה' לְכָל כְּנִשְׁתָּא, וְנֶגֶד אֵלּוּ הַז' מִכְשׁוֹלִים אִיתָא בַּגְּמָ' (פסחים נ"ד:) שִׁבְעָה דְּבָרִים מְכוּסִּים מִבְּנֵי אָדָם, וְהַשִּׁשִּׁי הוּא מַלְכוּת בֵּית דָּוִד מָתַי תַּחְזוֹר שֶׁהִיא נֶגֶד מִכְשׁוֹל מִמְּקוֹשֵׁשׁ שֶׁנֶּגֶד זֶה נִיתַּן לְיִשְׂרָאֵל מִצְוַת צִיצִית שֶׁיִּהְיֶה נֶפֶשׁ בְּיִשְׂרָאֵל שֶׁמְּדַקְדֵּק בִּרְצוֹן הַשי"ת כְּחוּט הַשַּׂעֲרָה וְגַם כָּל הָעוֹלָם יַסְכִּימוּ לִגְדוּלָּתוֹ כְּמוֹ שֶׁנֶּאֱמַר (נחום ב',א') "חָגִּי יְהוּדָה חַגַּיִךְ" וְכֵן כְּתִיב (בראשית מ"ט,ח') "יְהוּדָה אַתָּה יוֹדוּךָ אַחֶיךָ", וְזֶה שֶׁנֶּאֱמַר (במדבר ו',כ"ו) "וְיָשֵׂם לְךָ שָׁלוֹם", שֶׁכָּל הָעוֹלָם יַסְכִּימוּ לִגְדוּלָּתוֹ, וְהַשְּׁבִיעִי הוּא מַלְכוּת פָּרַס מָתַי תִּפּוֹל הוּא נֶגֶד מִכְשׁוֹל מַחְלוֹקֶת קֹרַח, כִּי אוֹפְיָהּ שֶׁל מַלְכוּת פָּרַס הוּא צָרַת עַיִן, כִּי כָל אוּמָּה יֵשׁ לָהּ קְלִיפָּה מְיוּחֶדֶת, וּצְרִיכִים יִשְׂרָאֵל לְהַכְנִיס כָּל הַטּוֹבוֹת מֵהֶם לְהַכְנִיסָם לַקְּדוּשָּׁה, שֶׁמֵּחֲמַת שֶׁהָיָה בְּבָבֶל קְלִיפָּה מִגֵּיאוּת כִּדְאִיתָא בַּגְּמָ' (סנהדרין כ"ד.) אִין לְבָבֶל נְחִית וְלָכֵן כְּשֶׁיִּשְׂרָאֵל קִבְּלוּ מֵהֶם כָּל הַטּוֹבוֹת שֶׁנִּמְצָא בָּהֶם יָצָא מִשָּׁם תַּלְמוּד בַּבְלִי, וְזֶה שֶׁכְּתִיב (משלי ח',ט"ו) "בִּי מְלָכִים יִמְלוֹכוּ" שֶׁכְּשֶׁיָּבוֹא זֹאת לְתוֹךְ יִשְׂרָאֵל הוּא מָלֵא קְדוּשָּׁה, אָכֵן עִיקַּר גַּסּוּת הָרוּחַ וְצָרַת עַיִן הָיָה אוֹפְיָהּ שֶׁל מַלְכוּת פָּרַס כִּדְאִיתָא (שם) בַּגְּמָ' וְאִישְׁתַּרְבוּבֵי דְּאִישְׁתַּרְבַּב לָעוֹלָם, וְאִיתָא (שם) זוֹ עֵילָם שֶׁזָּכְתָה לִלְמוֹד וְלֹא זָכְתָה לְלַמֵּד, וְזֶה הוּא מַלְכוּת פָּרַס מָתַי תִּפּוֹל מָתַי שֶׁיְּבוּטַּל מִדַּת הַצָּרַת עַיִן מֵהָעוֹלָם, כִּי כָל הַמַּחְלוֹקֶת הוּא מִצַּד הַצָּרַת עַיִן הַנִּמְצָא, כְּמוֹ שֶׁמָּצִינוּ שֶׁאֲחִיתוֹפֶל שֶׁהָיָה חָכָם גָּדוֹל כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (ש"ב ט"ז,כ"ג) "וַעֲצַת אֲחִיתוֹפֶל אֲשֶׁר יָעַץ בַּיָּמִים הָהֵם כַּאֲשֶׁר יִשְׁאַל בִּדְבַר הָאֱלֹהִים" וְגוֹ' וְאִיתָא בַּגְּמָ' (בבא בתרא קמ"ז.) שֶׁצִּוָּה אֶת בָּנָיו אַל תִּהְיוּ בְּמַחְלוֹקֶת וְאַל תִּמְרְדוּ בְּמַלְכוּת בֵּית דָּוִד, כִּי מְאֹד צָרִיךְ הָאָדָם לִהְיוֹת מְבוֹרָר בְּצָרַת עַיִן וְאָז יוּכַל לְהַכְנִיס עַצְמוֹ בְּמַחְלוֹקֶת, כִּי מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ טוֹבַת עַיִן מְאֹד שֶׁיֵּדַע בָּרוּר שֶׁאִם יָאִיר לוֹ הַשי"ת שֶׁהַדִּין עִם חֲבֵירוֹ אֲזַי תֵּיכֶף יִתְרַצֶּה לַחֲבֵירוֹ וְיִהְיֶה כָּפוּף תַּחְתָּיו אָז מוּתָּר לַחְלוֹק עַל חֲבֵירוֹ, וְזֶה שְׁאִיתָא בַּגְּמָ' (חולין פ"ט.) אֵין הָעוֹלָם מִתְקַיֵּים אֶלָּא בִּשְׁבִיל מִי שֶׁבּוֹלֵם אֶת עַצְמוֹ בִּשְׁעַת מְרִיבָה, וְהַיְינוּ שֶׁכּוֹבֵשׁ אֶת יִצְרוֹ לִבְלִי יִכָּנֵס בְּמַחְלוֹקֶת עַל זֶה הָעוֹלָם מִתְקַיֵּים וּמִתְחַדֵּשׁ כִּבְרִיאָה חֲדָשָׁה, וְכֵן בְּכָל הָעִנְיָנִים כְּשֶׁאָדָם מְצַמְצֵם עַצְמוֹ לִכְבּוֹשׁ אֶת יִצְרוֹ וְלִסְבּוֹל, לָכֵן מִדָּה בְּמִדָּה מְצַמְצֵם הַשי"ת אֶת הַבְּרִיאָה לְנֶגְדּוֹ שֶׁמִּתְחַדֵּשׁ כִּבְרִיאָה חֲדָשָׁה, כִּי הַשי"ת חָפֵץ בְּטוֹבַת כָּל הַבְּרוּאִים וְאֵינוֹ חָפֵץ חָלִילָה בְּרָעָתָם, לָכֵן מִתְנַהֵג הַשי"ת עִם הָאָדָם מִדָּה בְּמִדָּה, וּבְעִנְיַן מְרִיבָה צָרִיךְ הָאָדָם לִסְבּוֹל וּלְצַמְצֵם עַצְמוֹ וְלִבְלוֹם פִּיו, וְזֶה שְׁאִיתָא בַּזה"ק (קרח קע"ח:) "וְעָבַד הַלֵּוִי הוּא" הוּא אַשְׁלֵים לִסְטַר שְׂמָאלָא וְכוּ' מַאי בַּאֲרוֹנָא בְּהַהוּא מִטּוּלָּא דַּהֲווֹ נָטְלֵי בְּמַשְׁכְּנָא, וְהַיְינוּ כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (במדבר ז',ט') "בַּכָּתֵף יִשָּׂאוּ" שֶׁצְּרִיכִים לִסְבּוֹל, וַעֲדַיִין לֹא נִגְמַר הַבֵּירוּר מֵהַמַּחְלוֹקֶת כִּי יֵשׁ בְּיִשְׂרָאֵל ג' מַדְרֵגוֹת, בַּעֲלֵי מַעֲשִׂים טוֹבִים, וְצַדִּיק, וְכֹהֵן. וְזֶה דְּאִיתָא בְּמַסֶּכֶת אָבוֹת (פ"א,מ"ב) עַל ג' דְּבָרִים הָעוֹלָם עוֹמֵד עַל הַתּוֹרָה וְעַל הָעֲבוֹדָה וְעַל גְּמִילוּת חֲסָדִים, צַדִּיק הוּא תּוֹרָה, וְכֹהֵן הוּא עֲבוֹדָה בְּאַהֲבָה וּבַעַל מע"ט הוּא גְּמִילוּת חֲסָדִים, וְכָל זֶה אֵינוֹ מְבוֹרָר בִּשְׁלֵימוּת כְּמוֹ שֶׁמָּצִינוּ שֶׁכְּתִיב (מ"א י"ט,י"א) "לֹא בָרוּחַ ה' וְגוֹ' לֹא בָרַעַשׁ ה'". רוּחַ הוּא נֶגֶד רָצוֹן שֶׁיֵּשׁ בְּבַעַל מע"ט, רַעַשׁ הוּא יִרְאָה שֶׁיֵּשׁ בַּתּוֹרָה שֶׁהוּא נֶגֶד צַדִּיק וְאֵשׁ הוּא נֶגֶד כֹּהֵן שֶׁהוּא עֲבוֹדָה בְּאַהֲבָה עֲצוּמָה, וְלָכֵן כְּתִיב מִתְּחִלָּה (מ"א, י"ח,כ"ד) "וְהָיָה הָאֱלֹהִים אֲשֶׁר יַעֲנֶה בָאֵשׁ הוּא הָאֱלֹהִים וַיַּעַן כָּל הָעָם וַיֹּאמְרוּ טוֹב הַדָּבָר" שֶׁהִסְכִּימוּ כּוּלָּם שֶׁמִּי שֶׁיָּכוֹל לִפְעוֹל אֵצֶל הַשי"ת עַל יְדֵי עֲבוֹדָה בְּאַהֲבָה עֲצוּמָה בּוֹ בָּחַר ה'. אָכֵן אח"כ הֶרְאָה הַשי"ת לְאֵלִיָּהוּ הַנָּבִיא שֶׁאַחַר כָּל אֵלּוּ צָרִיךְ הָאָדָם שֶׁהַשי"ת יַסְכִּים וְיַחְתּוֹם עַל כָּל זֶה, וְזֶה שֶׁכְּתִיב (שם י"ט,י"ב) "וְאַחַר הָאֵשׁ קוֹל דְּמָמָה דַקָּה", "קוֹל" הוּא חֲתִימַת הַשי"ת עַל רוּחַ שֶׁהוּא רְצוֹן בַּעַל מע"ט שֶׁהֵם מֵהַשי"ת אָז הֵם טוֹבִים, "דְּמָמָה" הוּא חֲתִימַת הַשי"ת עַל רַעַשׁ. "דַקָּה" הוּא חֲתִימַת הַשי"ת עַל אֵשׁ, וְכַאֲשֶׁר יַחְתּוֹם הַשי"ת עַל אֵלּוּ הַדְּבָרִים שֶׁאֵין הָאָדָם נוֹטֶה בָּהֶם לְצַד נְגִיעָתוֹ אָז הֵמָּה מְבוֹרָרִים בִּשְׁלֵימוּת, כִּי אַף בְּעִנְיָנִים כָּאֵלּוּ כְּשֶׁאָדָם מִשְׁתּוֹקֵק לְאַהֲבָה וְיִרְאָה יוּכַל גַּם כֵּן לַחְמוֹד לָהֶם כְּחֶמְדַּת עוה"ז וְצָרִיךְ הָאָדָם שֶׁהַשי"ת יַסְכִּים עָלָיו שֶׁכַּוָּנָתוֹ בֶּאֱמֶת לְשֵׁם שָׁמַיִם, וְכָל זֶה הוּא מִפְּנֵי שֶׁיֵּשׁ מָסָךְ הַמַּבְדִּיל שֶׁמַּסְתִּיר לִפְנֵי הָאָדָם שֶׁאֵינוֹ מַבִּיט לְהַשי"ת בְּכָל פְּרָט עִנְיָן, אֲבָל כְּשֶׁיִּהְיֶה עֵינֵי הָאָדָם פְּקוּחוֹת לְהַבִּיט בְּכָל דָּבָר לְהַשי"ת אָז הוּא מְבוֹרָר בְּכָל פְּרָט וְאָז יִהְיֶה מוּתָּר לוֹ לְהִתְפַּלֵּל עַל כָּל דָּבָר יַעַן שֶׁיִּרְאֶה שֶׁהַכֹּל הוּא מֵהַשי"ת, וּלְעֵת עַתָּה דָּבָר זֶה נִסְתָּר וְכִדְאִיתָא בַּגְּמָ' (ברכות ל"א.) כָּךְ הָיָה מִנְהָגוֹ שֶׁל ר' עֲקִיבָא כְּשֶׁהָיָה מִתְפַּלֵּל עִם הַצִּבּוּר הָיָה מְקַצֵּר וְעוֹלֶה וְכוּ' וּכְשֶׁהָיָה מִתְפַּלֵּל בֵּינוֹ לְבֵין עַצְמוֹ אָדָם מַנִּיחוֹ בְּזָוִית זוֹ וּמוֹצְאוֹ בְּזָוִית אַחֶרֶת וְכָל כָּךְ לָמָּה מִפְּנֵי כְּרִיעוֹת וְהִשְׁתַּחֲוָיוֹת, וְהַיְינוּ אַף שֶׁנֶּגֶד עֵינֵי רַבִּי עֲקִיבָא הָיָה הַכֹּל מְבוֹרָר, אָכֵן מִפְּנֵי שֶׁלְּעֵין הַצִּבּוּר לֹא הָיָה כָּל כָּךְ מְבוֹרָר לָכֵן לֹא הִרְבָּה בִּתְפִלָּה, כִּי כּל הַתְּפִלּוֹת שֶׁאָנוּ מִתְפַּלְּלִין עפ"י סֵדֶר שֶׁסִּדְּרוּ אַנְשֵׁי כְּנֶסֶת הַגְּדוֹלָה הֵמָּה רַק שֶׁיִּתְגַּלֶּה שֶׁהַכֹּל הוּא מֵהַשי"ת וְאָז נוּכַל לְהִתְפַּלֵּל לְהַשי"ת לְבַדּוֹ וְלֹא יִהְיֶה שׁוּם מָסָךְ הַמַּבְדִּיל שֶׁאָז יִהְיֶה הַתְּפִלָּה בְּלֵב יִשְׂרָאֵל בִּקְבִיעוּת, כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (תהלים ק"ט,ד') "וַאֲנִי תְּפִלָּה", הַיְינוּ שֶׁהוּא עַצְמוֹ הוּא הַתְּפִלָּה שֶׁהוּא רוֹאֶה תָּמִיד נִכְחוֹ אֶת הַשי"ת שֶׁבִּלְעֲדֵי ה' הוּא חָסֵר מִכֹּל וְאֵין לוֹ שׁוּם חַיִּים בִּלְתִּי כְּשֶׁיִּתְחַבֵּר לְהַשי"ת, וְזֶה שׁוֹרֶשׁ הַתְּפִלָּה שֶׁהוּא לְשׁוֹן חִיבּוּר כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (בראשית ל',ח') "נַפְתּוּלֵי אֱלֹהִים נִפְתַּלְתִּי". וְהָעִנְיָן הוּא כִּמְשַׁל מֶלֶךְ שֶׁאָמַר לִבְנוֹ שֶׁבַּל יִרְאֶה פָּנָיו רַק כָּל מַה שֶׁיִּצְטָרֵךְ אֵלָיו יִשְׁלַח דְּבָרוֹ עַל יְדֵי שָׁלִיחַ, וְהָיָה מְשַׁלֵּחַ תָּמִיד ע"י שָׁלִיחַ בַּקָּשׁוֹת רַבּוֹת וְכָל הַבַּקָּשׁוֹת לֹא הָיוּ רַק שֶׁיּוּכַל לִרְאוֹת פָּנָיו וְלֹא יֻצְרַךְ לְדַבֵּר אֵלָיו עוֹד ע"י שָׁלִיחַ, וְכֵן כָּל הָעֲבוֹדוֹת הֵם ע"י כֹּהֲנִים שֶׁהֵם נִקְרָאִים עַבְדֵי ה', וְאֵין לְךָ גָּדוֹל בְּיִשְׂרָאֵל כְּדָוִד הַמֶּלֶךְ ע"ה שֶׁכְּתִיב עָלָיו (תהלים ב',ז') "בְּנִי אַתָּה" וְגַם אִיתָא בַּגְּמָ' (יומא כ"ה.) אֵין יְשִׁיבָה בָּעֲזָרָה אֶלָּא לְמַלְכֵי בֵּית דָּוִד בִּלְבַד, וְזֶה הוּא מִפְּנֵי שֶׁנִּקְרָאִים בָּנִים מִכָּל מָקוֹם אֵין רַשַּׁאי לִכְנוֹס בְּמָקוֹם שֶׁהַכֹּהֵן נִכְנָס, מִפְּנֵי שֶׁהַבֵּן לֹא יָבוֹא כָּל כָּךְ בְּמוֹרָא כְּמוֹ הָעֶבֶד, וְעַל זֶה הִתְפַּלֵּל דָּוִד הַמֶּלֶךְ ע"ה (תהלים כ"ז,ד') "שִׁבְתִּי בְּבֵית ה' כָּל יְמֵי חַיַּי לַחֲזוֹת בְּנוֹעַם ה' וּלְבַקֵּר בְּהֵיכָלוֹ", שֶׁלֹּא יִצְטָרֵךְ לַמְּמוּצָּע רַק לְבַקֵּשׁ מֵה' פָּנִים בְּפָנִים.
Parágrafo 13

“E tomou Korach” (Bamidbar 16:1). O seu coração o tomou — o coração o levou —, a ponto de não estar na sua força sair da disputa e dominar o seu impulso. Pois há assuntos em que o homem tropeça fazendo o ato conscientemente, só que não sabia que isto é proibido, e isto se chama shogueg quem erra sem intenção. E há quem tenha um engano e tropece em muitos assuntos, sem o saber, por causa desse engano, e isto se chama nistarot coisas ocultas. Mas há coisas que o homem sabe que são proibidas, só que tem grande desejo da coisa e não está na sua força salvar a sua alma disto, e isto se chama zeidim presunçosos, quem age de propósito. E por estes três orou David, o rei (Tehilim 19:13): “Os erros, quem os discerne? Das coisas ocultas, purifica-me. Também dos presunçosos guarda o Teu servo; que não dominem sobre mim”.

וַיִּקַּח קֹרַח. שֶׁלִּבּוֹ לוֹקְחוֹ עַד שֶׁלֹּא הָיָה בְּכֹחוֹ לָצֵאת מֵהַמַּחְלוֹקֶת וּלְהִגַּבֵּר עַל יִצְרוֹ, כִּי יֵשׁ עִנְיָנִים שֶׁהָאָדָם נִכְשַׁל בָּהֶם מִדַּעְתּוֹ וְרַק שֶׁלֹּא יָדַע שֶׁזֶּה אָסוּר וְזֶה נִקְרָא שׁוֹגֵג, וְיֵשׁ שֶׁהָאָדָם יֵשׁ לוֹ טָעוּת וְנִכְשַׁל בְּעִנְיָנִים הַרְבֵּה שֶׁלֹּא מִדַּעַת מֵחֲמַת זֶה הַטָּעוּת, וְזֹאת נִקְרָא נִסְתָּרוֹת, אָכֵן יֵשׁ דְּבָרִים שֶׁהָאָדָם יוֹדֵעַ שֶׁזֶּה אָסוּר רַק שֶׁיֵּשׁ לוֹ חֵשֶׁק רַב לַדָּבָר הַזֶּה וְאֵין בְּכֹחוֹ לְמַלֵּט נַפְשׁוֹ מִזֶּה וְזֶה נִקְרָא זֵדִים, וְעַל אֵלּוּ הַג׳ הִתְפַּלֵּל דָּוִד הַמֶּלֶךְ (תהלים י״ט,י״ג) "שְׁגִיאוֹת מִי יָבִין מִנִּסְתָּרוֹת נַקֵּנִי גַּם מִזֵּדִים חֲשׂוֹךְ עַבְדֶּךָ אַל יִמְשְׁלוּ בִי".
Parágrafo 14

“Pois toda a congregação, todos são santos, e no meio deles está o Eterno” (Bamidbar 16:3). Eis que, o que foi escrito na Torá, em nome dele, destas palavras, certamente ele as disse a partir do seu reconhecimento e da profundeza do seu coração, que “no meio deles está o Eterno”; pois, se fosse só da boca para fora, não teria sido escrito na Torá para sempre em nome dele. E, sendo assim, havia nele santidade preciosa. E qual era a sua falta? A sua falta estava em que lhe pareceu que a sua ira era apenas rugza de-rabanan aramaico: a ira dos sábios, ira em nome da Torá, como está escrito (Yirmeyahu 23:29): “Acaso a Minha palavra não é como o fogo, diz o Eterno?”, e diz sobre isso o Zohar (Tetzaveh 182b): “A Torá é fogo, e a Torá o aquece” — texto aramaico —. Por isso era do entendimento de Korach que todas as suas palavras eram verdade completa.

Porém, na verdade, entre a ira dos sábios e a ira que desce ao Sheol há apenas uma pequena diferença, fina entre as finas, tanto que, aos olhos de carne, nenhuma diferença se vê explicitamente; só o Nome, que conhece os segredos do coração, considerou isto pecado, e o castigo dele, como memória para os filhos de Israel que estavam ao seu redor, foi muito tempestuoso. Pois esta diferença, na sua raiz, na obra da Criação, é muito fina, como a flor de lírio de que está na Guemará (Eruvin 14a): “E não há a sua borda? Disse Rav Papa: ‘A sua borda é borda de flor de lírio’ está escrito sobre ele” — a Guemará trata do Mar de bronze do Templo, cuja borda era fina como a de uma flor de lírio (Melachim I 7:26) —. Assim também a sua falta era muito fina: quando se inclina um pouco para a esquerda, desce ao Sheol, e quando se inclina um pouco para a direita, é vida; e nisto errou Korach.

E os filhos de Korach também, no começo, pensaram assim; mas depois viram que erraram nesta diferença fina que desce ao Sheol, pois a diferença é apenas como a flor de lírio. Por isso disseram depois o salmo (Tehilim 45): “Para o regente, sobre os lírios, dos filhos de Korach, maskil, canto de amores”, pois este salmo é todo ele proveniente de um discípulo sábio.

E é o que está no Zohar (Bereshit 17a): o erro de Korach foi na obra da Criação. “E disse Elokim: Haja firmamento” (Bereshit 1:6). Aqui, em particular, há um segredo: separar as águas superiores das inferiores, no segredo da esquerda; aqui há disputa, no segredo da esquerda etc. A sabedoria de Moshé olhou para isto e prestou atenção à obra da Criação — isto é, ao modo como a disputa ali se resolveu —: na obra da Criação houve disputa da esquerda com a direita etc.; o terceiro dia entrou entre elas, separou a disputa e fez concordar os dois lados etc. De modo semelhante, a disputa de Korach com Aharon, a esquerda contra a direita — a esquerda é o lado do rigor; a direita, o da bondade —: Moshé olhou para a obra da Criação e disse que lhe cabia separar a disputa entre a direita e a esquerda etc. — texto aramaico —

כִּי כׇל־הָעֵדָה כֻּלָּם קְדוֹשִׁים וּבְתוֹכָם ה׳. הִנֵּה מַה שֶּׁנִּכְתַּב בַּתּוֹרָה דְּבָרִים אֵלּוּ עַל שְׁמוֹ בֶּטַח אָמַר זֶה מֵהַכָּרָתוֹ וְעֹמֶק לִבּוֹ שֶׁבְּתוֹכָם ה׳, כִּי אִם הָיָה רַק מִשָּׂפָה וְלַחוּץ לֹא הָיָה נִכְתַּב בַּתּוֹרָה לְעוֹלְמֵי עַד עַל שְׁמוֹ, וְאִם כֵּן הָיָה בּוֹ קְדוּשָּׁה יְקָרָה, וּמַה הָיָה חֶסְרוֹנוֹ אַךְ חֶסְרוֹנוֹ הָיָה בְּזֶה שֶׁנִּדְמָה לוֹ שֶׁכַּעְסוֹ הוּא רַק רוּגְזָא דְּרַבָּנַן כְּמוֹ שֶׁכְּתִיב (ירמיה כ״ג,כ״ט) הֲלֹא כֹה דְּבָרִי כָּאֵשׁ נְאֻם ה׳ וְאִיתָא עַל זֶה בַּזה"ק (תצוה קפ״ב:) אוֹרַיְיתָא אֶשָּׁא אִיהוּ וְאוֹרַיְיתָא קָא מַרְתְּחָא לֵיהּ, לָכֵן הָיָה בְּדַעַת קֹרַח שֶׁכׇּל דְּבָרָיו הֵם אֱמֶת גָּמוּר, אָכֵן בְּאֱמֶת בֵּין רוּגְזָא דְּרַבָּנַן וּבֵין כַּעַס הַיּוֹרֵד לִשְׁאוֹל הוּא רַק חִילּוּק קָטָן דַּקָּה מִן הַדַּקָּה, שֶׁלְּעֵינֵי בָשָׂר לֹא נִרְאָה מְפֹרָשׁ שׁוּם חִילּוּק, רַק הַשי״ת הַיּוֹדֵעַ תַּעֲלוּמוֹת לֵב חָשַׁב זֹאת לְחֵטְא וַעֲנָשׁוֹ לְזִכָּרוֹן לִבְנֵי יִשְׂרָאֵל שֶׁסְּבִיבוֹ נִשְׂעֲרָה מְאֹד, כִּי חִילּוּק זֶה בְּשָׁרְשׁוֹ בְּמַעֲשֵׂה בְּרֵאשִׁית הוּא דַּק מְאֹד כְּמוֹ פֶּרַח שׁוֹשַׁן שֶׁאִיתָא בַּגְּמָרָא (עירובין י״ד.) וְהָא אִיכָּא שְׂפָתוֹ אָמַר רַב פָּפָּא "שְׂפָתוֹ שְׂפַת פֶּרַח שׁוֹשַׁן" כְּתִיב בֵּיהּ וְכֵן חֶסְרוֹנוֹ הָיָה דַּק מְאֹד כְּשֶׁנוֹטֶה מְעַט לִשְׂמֹאל יוֹרֵד לִשְׁאוֹל וּכְשֶׁנוֹטֶה קְצָת לְיָמִין הוּא חַיִּים, וּבְזֶה הָיָה טָעוּת קֹרַח, וּבְנֵי קֹרַח גַּם כֵּן מִתְּחִלָּה סָבְרוּ כֵן אָכֵן אַחַר כָּךְ רָאוּ שֶׁטָּעוּ בְּזֶה הַהֶבְדֵּל דַּק הַיּוֹרֵד לִשְׁאוֹל שֶׁהַהֶבְדֵּל הוּא רַק כְּמוֹ פֶּרַח שׁוֹשַׁן, לָכֵן אָמְרוּ אַחַר כָּךְ הַמִּזְמוֹר (בתהלים מ״ה) "לַמְנַצֵּחַ עַל שׁוֹשַׁנִּים לִבְנֵי קֹרַח מַשְׂכִּיל שִׁיר יְדִידוֹת" שֶׁזֶּה הַמִּזְמוֹר הוּא כֻּלּוֹ מִתַּלְמִיד חָכָם. וְזֶה שֶׁאִיתָא בַּזה"ק (בראשית י״ז.) שֶׁטָּעוּת קֹרַח הָיְתָה בְּמַעֲשֵׂה בְּרֵאשִׁית, "וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי רָקִיעַ", הָכָא בִּפְרָט רָזָא לְאַפְרָשָׁא מַיִין עִלָּאִין לְתַתָּאֵי בְּרָזָא דִּשְׂמָאלָא הָכָא מַחְלוֹקֶת בְּרָזָא דִּשְׂמָאלָא וְכוּ׳ חׇכְמְתָא דְּמֹשֶׁה בְּהַא אִסְתַּכַּל וּבְעוּבָדָא דִּבְרֵאשִׁית אַשְׁגַּח בְּעוּבָדָא דִּבְרֵאשִׁית הֲוָה מַחְלוֹקֶת שְׂמָאלָא בְּיַמִּינָא וְכוּ׳ יוֹם תְּלִיתָאי עָאל בֵּינַיְיהוּ וְאַפְרֵישׁ מַחְלוֹקֶת וְאַסְכֵּים לִתְרֵין סִטְרִין וְכוּ׳ כְּגַוְונָא דָּא מַחְלוֹקֶת קֹרַח בְּאַהֲרֹן שְׂמָאלָא בְּיַמִּינָא אִסְתַּכַּל מֹשֶׁה בְּעוּבָדָא דִּבְרֵאשִׁית אָמַר לִי אִתַּחְזֵי לְאַפְרָשָׁא מַחְלוֹקֶת בֵּין יַמִּינָא לִשְׂמָאלָא וְכוּ׳.
Parágrafo 15

Está escrito (Yeshayahu 27:13): “E será naquele dia, tocar-se-á um grande shofar, e virão os perdidos na terra da Assíria e os dispersos na terra do Egito, e prostrar-se-ão ao Eterno no monte santo, em Jerusalém”. Eis que está escrito primeiro “os perdidos” e depois “os dispersos”. Pois, na verdade, “perdido” dá a entender que se perdeu por completo, e “disperso” é quem foi afastado só por um tempo; e aqui dá a entender que o perdido voltará a vir antes do disperso. Porém o perdido é aquele cujo corpo parece limpo e só na raiz da sua alma há nele uma falta, que quase não se nota. Assim como em Korach, cuja falta não parecia uma grande falta, tanto que o Midrash (Tanchuma, Korach 1) o chamou de “irmão que se rebelou, mais difícil de alcançar do que uma cidade forte” (Mishlei 18:19) — o midrash aplica o verso a Korach —: na aparência, estava limpo de qualquer desejo, e quanto à veste não havia nele defeito. E por isso ele é perdido por completo, pois não consegue alcançar a sua falta, já que, aos seus próprios olhos, é limpo e puro. Por isso, por ora, antes que se revele a explicação a partir da interioridade — a raiz interior da alma —, ele está perdido; mas, no futuro, quando o Santo, Bendito Seja, lhe revelar a diferença entre ele e Moshé Rabenu, a paz sobre ele, ele se transformará num instante, voltará a refletir, alcançará a sua falta e subirá de uma só vez, passando da escuridão para a luz.

E o disperso é aquele cujo corpo está afastado e afundado no mau impulso, e para este será muito difícil purificar o corpo e esclarecer-se, para abandonar o seu caminho e os seus desejos; por isso ele tardará em purificar a sua alma e o seu corpo antes de chegar à sua raiz. E por isso o perdido precede o disperso no retorno.

כְּתִיב (ישעיה כ"ז,י"ג) "וְהָיָה בַּיּוֹם הַהוּא יִתָּקַע בַּשּׁוֹפָר גָּדוֹל וּבָאוּ הָאוֹבְדִים בְּאֶרֶץ אַשּׁוּר וְהַנִּדָּחִים בְּאֶרֶץ מִצְרַיִם וְהִשְׁתַּחֲווּ לַה' בְּהַר הַקּוֹדֶשׁ בִּירוּשָׁלִָם". הִנֵּה כְּתִיב תְּחִלָּה "אוֹבְדִים" וְאַחַר כֵּן "נִדָּחִים" כִּי בֶּאֱמֶת אוֹבֵד מַשְׁמַע שֶׁאוֹבֵד לְגַמְרֵי וְנִדָּח הוּא שֶׁנִּדָּח רַק לִזְמַן, וְכָאן מַשְׁמַע שֶׁהָאוֹבֵד יַחְזוֹר לְהָשִׁיב לָבוֹא קוֹדֶם לְהַנִּדָּח, אָכֵן אוֹבֵד הוּא מִי שֶׁגּוּפוֹ נִרְאֶה שֶׁהוּא נָקִי וְרַק בְּשׁוֹרֶשׁ נַפְשׁוֹ יֵשׁ בּוֹ חֶסְרוֹן וְאֵינוֹ נִכָּר רַק מְעַט, וּכְמוֹ בְּקוֹרַח שֶׁחֶסְרוֹנוֹ לֹא הָיָה נִרְאֶה כְּחֶסְרוֹן גָּדוֹל שֶׁכֵּן קְרָאוֹ הַמִּדְרָשׁ (תנחומא קרח א') "אָח נִפְשָׁע מִקִּרְיַת עוֹז" שֶׁהָיָה עַל הַגָּוֶון מְנוּקֶּה מִכָּל חֶמְדָּה וְעַל הַלְּבוּשׁ לֹא הָיָה עָלָיו דּוֹפִי, וּלְזֶה הוּא אוֹבֵד לְגַמְרֵי, כִּי אֵינוֹ יָכוֹל לְהַגִּיעַ עַל חֶסְרוֹנוֹ שֶׁהֲרֵי בְּעֵינָיו נָקִי הוּא וְזַךְ, וְלָכֵן לְעֵת עַתָּה קוֹדֶם שֶׁנִּתְגַּלָּה הַבֵּיאוּר מֵהַפְּנִימִיּוּת הוּא אוֹבֵד, אֲבָל לֶעָתִיד שֶׁיְּגַלֶּה לוֹ הַקב"ה הַהֶפְרֵשׁ שֶׁבֵּינוֹ לְבֵין מֹשֶׁה רַבֵּינוּ ע"ה יִתְהַפֵּךְ בְּרֶגַע אֶחָד וְיָשׁוּב לְהִתְבּוֹנֵן וְיַגִּיעַ עַל חֶסְרוֹנוֹ וְיַעֲלֶה בְּבַת אַחַת לְהִתְהַפֵּךְ מֵחֹשֶׁךְ לְאוֹר, וְהַנִּדָּח הוּא שֶׁגּוּפוֹ הוּא מְרוּחָק וּמְשׁוּקָע בְּיֵצֶר רָע וְזֶה יִקְשֶׁה מְאֹד לְזַכֵּךְ גּוּפוֹ וּלְבָרֵר לַעֲזוֹב דַּרְכּוֹ וְחֶמְדּוֹתָיו, וְלָכֵן זֶה יְאַחֵר לְזַכֵּךְ נַפְשׁוֹ וְגוּפוֹ קוֹדֶם שֶׁיַּגִּיעַ לְשׁוֹרְשׁוֹ, וְלָכֵן הָאוֹבֵד קוֹדֵם לַנִּדָּח בִּתְשׁוּבָה.
Parágrafo 16

“E murmurou toda a congregação dos filhos de Israel, no dia seguinte, contra Moshé e contra Aharon, dizendo: Vós matastes o povo do Eterno” (Bamidbar 17:6). Isto é, era do entendimento deles que, se esta disputa não tocasse tanto a Moshé e a Aharon, não teria vindo sobre Korach e a sua congregação um castigo tão grande e pesado, pois apenas do lado de Moshé e de Aharon o Nome exigiu o seu insulto; pois sabiam que o Santo, Bendito Seja, exige a honra do justo mais do que a Sua. Como encontramos (Zohar, Beshalach 64a; Haazinu, início; Tanchuma, Toldot 12) que Faraó blasfemou e insultou e disse (Shemot 5:2) “Quem é o Eterno?” etc., e o Santo, Bendito Seja, não o exigiu dele até que ele se mostrou arrogante contra Israel, como está escrito (Shemot 9:17): “Ainda te exaltas contra o Meu povo”, e então “Eis que a mão do Eterno está sobre o teu gado” (Shemot 9:3) — o original indica apenas “ali”, isto é, o mesmo capítulo —. E assim também Yarovam — o rei que instituiu os bezerros de ouro — queimou incenso ao ídolo e a sua mão não secou, mas, quando se voltou contra o profeta Iddo, de imediato a sua mão secou (Melachim I 13:4).

Por isso murmuraram contra Moshé e Aharon, por não terem perdoado a sua honra — não terem aberto mão do próprio prestígio —. Mas, na verdade, o que irritou Moshé foi apenas a honra do Nome; pois, quanto ao interesse pessoal de Moshé e de Aharon nisso, a Torá testemunhou que, do mais fundo do seu coração, disseram (Shemot 16:7): “E nós, o que somos?”, e a palavra “o que” indica a anulação completa do seu interesse pessoal e do seu entendimento. E como está na Guemará (Chulin 89a): maior é o que foi dito de Moshé e de Aharon do que o que foi dito de Avraham, pois sobre Avraham está escrito (Bereshit 18:27) “E eu sou pó e cinza”, e sobre Moshé e Aharon está escrito “E nós, o que somos?”.

וַיִּלּוֹנוּ כָּל עֲדַת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל מִמָּחֳרַת עַל מֹשֶׁה וְעַל אַהֲרֹן לֵאמֹר אַתֶּם הֲמִתֶּם אֶת עַם ה'. הַיְינוּ שֶׁהָיָה בְּדַעְתָּם כִּי אִם לֹא הָיָה נוֹגֵעַ הַמַּחְלוֹקֶת הַזֶּה לְמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן מְאֹד, לֹא הִגִּיעַ לְקוֹרַח וַעֲדָתוֹ עוֹנֶשׁ רַב וְגָדוֹל כָּזֶה שֶׁרַק מִצַּד מֹשֶׁה וְאַהֲרֹן תָּבַע הַשי"ת עֶלְבּוֹנָם, כִּי יָדְעוּ אֲשֶׁר הַקב"ה תּוֹבֵעַ כְּבוֹד הַצַּדִּיק יוֹתֵר מִכְּבוֹדוֹ, כִּדְמָצִינוּ (זה"ק בשלח ס"ד. האזינו רפ"א. תנחומא תולדות סי"ב) פַּרְעֹה חֵרֵף וְגִדֵּף וְאָמַר (שמות ה',ב') "מִי ה'" וְגוֹ' וְקב"ה לֹא תָבַע מִנֵּיהּ עַד דְּסָרֵיב בְּהוּ בְּיִשְׂרָאֵל דִּכְתִיב (שם ט',י"ז) "עוֹדְךָ מִסְתּוֹלֵל בְּעַמִּי" (שם) "הִנֵּה יַד ה' הוֹיָה בְּמִקְנְךָ", וְכֵן יָרָבְעָם הִקְטִיר לַע"ז וְלֹא הוֹבִישׁ יָדוֹ וּכְשֶׁפָּגַע בְּעִדּוֹ הַנָּבִיא תֵּכֶף נִתְיַבְּשָׁה יָדוֹ, ע"כ הִלּוֹנוּ עַל מֹשֶׁה וְאַהֲרֹן עַל שֶׁלֹּא מָחֲלוּ עַל כְּבוֹדָם, אֲבָל בֶּאֱמֶת מַה שֶּׁחָרָה לְמֹשֶׁה הָיָה רַק מִצַּד כְּבוֹד הַשי"ת, כִּי הַנְּגִיעָה לְמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן עַל זֶה הֵעִידָה הַתּוֹרָה שֶׁמִּמַּעֲמַקֵּי לִבָּם אָמְרוּ (שמות ט"ז,ז') "וְנַחְנוּ מָה" וּתֵיבַת מָה מוֹרָה עַל בִּיטּוּל נְגִיעָתָם וְדַעְתָּם לְגַמְרֵי, וּכְמוֹ שֶׁאִיתָא בַּגְּמָ' (חולין פ"ט.) גָּדוֹל שֶׁנֶּאֱמַר בְּמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן יוֹתֵר מִמַּה שֶּׁנֶּאֱמַר בְּאַבְרָהָם דְּאִילוּ בְּאַבְרָהָם כְּתִיב (בראשית י"ח,כ"ז) "וְאָנֹכִי עָפָר וָאֵפֶר" וְאִילּוּ בְּמֹשֶׁה וְאַהֲרֹן כְּתִיב "וְנַחְנוּ מָה".