Um parágrafo sobre a parashá Behar, nona do Sefer Vayikra (Levítico): o Shabat que Moshé havia pedido a Faraó para os filhos de Israel e que, ao ser ordenado no Sinai, passa a ser guardado por ordem do Eterno e não por causa do descanso; e o ano sabático, em que a terra descansa “um Shabat para o Eterno” e não por causa do seu próprio bem — hebraico e português lado a lado.
“E a terra descansará, um Shabat para o Eterno” (Vayikra 25:2; o original traz “Vayikra 22:2”, mas o versículo está em 25:2). Pois consta nos escritos do Arizal, de bendita memória, a respeito do versículo “E tu, fala aos filhos de Israel: ‘Os Meus Shabatot guardareis’” etc. (Shemot 31:13), e consta no Tur, que no tempo da servidão no Egito Moshé, nosso mestre, a paz esteja sobre ele, pedia a Faraó que os filhos de Israel pudessem descansar um dia por semana do trabalho, e escolheu o dia de Shabat. E, na hora em que fomos ordenados sobre o Shabat, Moshé se alegrou com a dádiva da sua porção (como se diz na oração de Shabat: “Moshé se alegrou com a dádiva da sua porção”), pois, antes da ordem, já lhe havia ocorrido que este era um dia de descanso.
E este é o sentido de “E tu falarás”: pois tu, de antemão, já havias determinado descansar no Shabat. E é isto “Os Meus Shabatot guardareis”: que os filhos de Israel descansem no Shabat não por causa do descanso do seu trabalho, mas porque o Eterno, bendito seja, ordenou cessar no Shabat. E é isto também “E a terra descansará, um Shabat para o Eterno”: pois o costume do mundo é lavrar o campo um ano e deixá-lo em pousio no segundo, para que fique bom para produzir a semente. Sobre isso veio a palavra do Eterno, bendito seja: “E a terra descansará, um Shabat para o Eterno” — isto é, no ano sabático a terra descansará, mas o descanso não será por causa do bem da terra, e sim “um Shabat para o Eterno”, por ordem do Eterno, bendito seja.