Treze parágrafos sobre a parashá Behaalotcha, terceira do Sefer Bamidbar (Números): o justo que cai e as centelhas que sobem com ele; a expiação dos levitas e o afeto por Israel; o nun invertido da arca e o temor revelado; o maná, o peixe e a carne, e o maná como semente de gad; o poder dos justos sobre o decreto; a profecia de Moshe como a lente luminosa; e o presente que vale pela vontade de quem dá, nos levitas e nos mandamentos leves e graves.
“Quando acenderes as lâmpadas” etc. (Bamidbar 8:2). Pois há vezes em que o justo cai do seu degrau, porque o Eterno, bendito seja, deseja a bondade, e todas as centelhas que caíram nas profundezas das klipot cascas, as forças impuras que envolvem a santidade — a Sua vontade, bendito seja, é que se elevem e sirvam ao Criador. E parece que, quando o justo cai, ele fica então quase no lugar das centelhas; e certamente o justo já está atado por um laço forte à raiz superior e retorna com mais elevação e mais força, e por isso as centelhas também se voltam para a sua raiz e são elevadas.
E é isto que diz o verso: behaalotcha et haneirot quando acenderes as lâmpadas, isto é, quando fizeres subir as centelhas. “Diante da menorá”: el penei hamenorá é linguagem de panah voltar-se; quando as centelhas se voltarem para a menorá, que é a Shechiná, a raiz superior, então todas se elevarão e iluminarão as sete lâmpadas.
“E dei os levitas” etc. (Bamidbar 8:19), e o versículo anterior diz “e tomei os levitas” (Bamidbar 8:18). E Rashi explicou sobre o verso “e dei”: a palavra “Israel” aparece cinco vezes no versículo, para dar a conhecer o afeto deles etc. Pois, quando alguém escolhe uma coisa entre outras, fica demonstrado que a ama mais do que as outras, já que a escolheu entre todas. E aqui, em que o Santo, bendito seja, escolheu os levitas, poderias dizer, D'us nos livre, que, tendo escolhido os levitas, o Seu amor já não está sobre Israel. Por isso a Torá escreveu “Israel” cinco vezes neste versículo, para dar a conhecer o afeto por Israel, igual ao que tem pelos levitas; e o fato de ter escolhido os levitas é apenas para expiar pelos filhos de Israel.
Para explicar por que razão, nos sacrifícios dos levitas, na parte do tomar está dito que se tome primeiro a oferta de elevação e depois a oferta pelo pecado, ao passo que na parte do fazer os sacrifícios está dito “e fará um como oferta pelo pecado e um como oferta de elevação”, com a oferta pelo pecado primeiro. A explicação é esta: meu pai e mestre, de abençoada memória, deu uma razão correta: em todos os pecados traz-se primeiro a oferta pelo pecado, chatat, e depois a oferta de elevação, olá; mas no pecado de idolatria traz-se primeiro a olá e depois a chatat. Pois dizem na Guemará uma parábola: a um rei que se quer aplacar, entra primeiro um praklit advogado, intercessor para aplacá-lo, e depois lhe trazem um doron presente. A chatat é o advogado, que expia e aplaca o Eterno, bendito seja; e depois o presente é a olá, que é inteiramente queimada, e é presente e não expia.
E meu pai, de abençoada memória, objetou: não é que a olá também expia pelo pensamento, como é sabido? E respondeu: mas em todas as transgressões o Santo, bendito seja, não une o pensamento à ação, e o pensamento não precisa de expiação; já na idolatria o pensamento se une à ação e precisa de expiação. Por isso, na idolatria a olá vem primeiro, pois expia o pensamento, que precede a ação.
Conforme isso, parece-me que o sentido aqui é este: Israel é um povo santo, semente de Avraham, Yitzchak e Yaakov, e os sacrifícios dos levitas serviram para expiar o episódio do bezerro. Ora, na verdade Israel não errou no episódio do bezerro; foi a erev rav a multidão mista que saiu do Egito junto com Israel que o fez e tinha em mente a idolatria. Israel, porém, tinha o coração voltado para o Eterno, bendito seja, e apenas quis um condutor para a geração; e por isso precisavam de expiação. E é isto que diz o verso “e tomarão” etc.: o devido seria que a olá viesse primeiro, pois ela é a expiação do pecado de idolatria; mas, na verdade, Israel é um povo santo e não tinha em mente a idolatria, apenas quis um condutor da geração, e por isso precisam de expiação. E sobre isto “e fará um como oferta pelo pecado”, isto é, o advogado que entra para expiar, “e um como oferta de elevação”, como presente diante do Eterno, bendito seja, para que nos receba com agrado, amor e bondade, pois Israel não pecou de modo algum por idolatria.
“E sucedia, quando a arca partia” (Bamidbar 10:35). Um nun hafucha nun invertido, a letra nun escrita de cabeça para baixo no rolo da Torá: pois o nun indica yirá temor reverente, e por isso é curvado; e por isso todas as letras viram o rosto, pois cada uma tem vergonha de olhar para a outra. E a regra é que a pessoa deve ser recatada no temor a D'us, como no dito “Que a pessoa seja sempre” etc.; mas, quando a pessoa quer elevar centelhas, precisa revelar o temor, e com isso a centelha também se eleva para temer o Eterno.
Ora, o caminhar de Israel pelo deserto era para elevar centelhas, e por isso foi necessário então revelar o temor a todos, para que, por esse meio, também as centelhas vissem o Eterno. E é isto “quando a arca partia”: a arca partia com Israel pelo deserto para elevar centelhas, e então é preciso revelar o temor. E esta é a alusão no nun, que indica temor e vira o rosto: revelar o temor para elevar as centelhas.
“Quem nos dará carne a comer? … Lembramo-nos do peixe” etc. (Bamidbar 11:4-5). À primeira vista não se entende que relação tem o peixe com o pedido de carne. E explicamos: no maná estavam todos os sabores que se quisesse provar nele; porém, um alimento cujo sabor lhes era conhecido, eles conseguiam, pelo pensamento, trazer para o maná e provar nele aquele sabor, ao passo que um alimento que ainda não tinham provado, não sabiam como trazer o seu sabor para o maná. Ora, a carne kasher, isto é, a que passou por abate e salga conforme o mandamento, tem um sabor diferente do da carne sem abate e sem salga. E no Egito comiam carne sem mandamento, isto é, sem abate e sem salga, e esse sabor eles conheciam; mas o sabor da carne preparada conforme o mandamento ainda não conheciam. E aqui, depois da entrega da Torá, em que fomos ordenados quanto à carne conforme esse mandamento, não sabiam como trazer esse sabor para o maná e prová-lo nele; já o sabor dos peixes provaram no maná, porque o seu sabor não mudou, pois nele não havia mandamento algum.
E é isto que disseram: “Quem nos dará carne a comer?” etc., para provar depois o seu sabor no maná. “Lembramo-nos do peixe”: o sabor do peixe podemos provar no maná, mas o sabor da carne não, como foi dito. E é por isso que o Santo, bendito seja, fará no Mundo Vindouro um banquete com o Leviatã, o boi selvagem, bar avazim aves cevadas e o vinho preservado: porque, na verdade, os filhos de Israel comerão maná como nos dias da saída do Egito, e por isso o Santo, bendito seja, fará o banquete dos justos no Mundo Vindouro com essas coisas, para que depois, quando comerem o maná, sintam o sabor dos alimentos que comeram no banquete, e na água do poço sintam o sabor de todas as bebidas, como foi na saída do Egito.
“E o maná era como semente de coentro”, zera gad (Bamidbar 11:7). Pois a pessoa que dá tzedaká caridade concede influxo ao pobre. E nossos mestres, de abençoada memória, disseram (Vayikrá Rabá 34): “Mais do que o dono da casa faz” etc. — isto é, o pobre faz pelo dono da casa mais do que este faz por ele —. Sendo assim, o pobre também concede influxo ao dono da casa. A diferença é que o dono da casa concede ao pobre algo material e o pobre concede ao dono da casa algo espiritual, a saber, que o Santo, bendito seja, lhe dá o Mundo Vindouro, santidade e pureza. E assim era com o maná: o maná concedia influxo a Israel, que comia dele, e isso é algo um pouco material; e Israel concedia ao maná algo espiritual, conforme o dito dos nossos sábios, de abençoada memória (Yomá 75a): tudo o que quisessem provar no maná, provavam. Resulta que o maná recebia deles algo espiritual, qualquer sabor que desejassem. E gad são as iniciais de gomel dalim aquele que beneficia os necessitados. E é isto “e o maná era como semente de gad”: havia no maná o aspecto de gomel dalim, em que um concede ao outro algo material e o outro lhe concede algo espiritual; assim também no maná: o maná concedia a Israel algo material e Israel concedia a ele algo espiritual. E é isto “como semente de gad”: como uma semeadura de gomel dalim, e a semeadura é chamada tzedaká, conforme o dito dos nossos sábios, de abençoada memória (Bava Kama 17a): “semeai para vós em justiça”.
Ou se pode explicar: “E o maná era como semente de gad”. Há quem se esforce para o seu sustento, como o rico, ao contrário do pobre, que não se esforça, e a quem o rico dá. Assim eram os sabores do maná: não se esforçavam, bastava o pensamento apenas; o sabor em que pensavam, era esse que havia nele. E é isto “como semente de gad”: como a semeadura que se chama tzedaká, conforme o dito do verso: “semeai para vós em justiça”.
“Fui eu que concebi” etc. “como o cuidador leva ao colo a criança de peito sobre a terra” etc. (Bamidbar 11:12) “De onde eu teria carne?” (Bamidbar 11:13). É preciso examinar que expressão é essa, al ha'adamá sobre a terra; devia ter dito el ha'adamá para a terra. E ainda: como se relaciona aqui a carne com “sobre a terra”? E parece que Moshe sempre concedia a Israel abundância e bondade, mas restringir essa abundância não era do aspecto de Moshe; por isso o maná, que desceu pelo mérito de Moshe, tinha em si todos os sabores, o que indica o seu aspecto. Ora, aqui Israel quis carne, e isto indica restrição, e o aspecto da restrição estava na Terra de Israel. E é isto que o verso alude com “sobre a terra”: eles querem dele esse aspecto, enquanto ele está no aspecto da Terra de Israel. E é isto al ha'adamá.
“E disse: Meu senhor Moshe, detém-nos! E disse Moshe” etc. “Quem dera que todo o povo do Eterno fosse de profetas” etc. (Bamidbar 11:28-29). Pois os justos podem anular o decreto e transformar o mal em bem; na verdade, porém, não podem anular o decreto senão enquanto a profecia do decreto não foi escrita pelo profeta. Mas, se a profecia já foi escrita, não é possível anular, para que não digam que o profeta profetizou e escreveu algo falso. E então, à primeira vista, como se pode rezar para anular as chevlei Mashiach as dores que precedem a chegada do Mashiach, que estão escritas nos profetas?
A resposta é que o Rambam escreveu no Sefer HaMadá, nas Leis dos Reis, que não se compreende, pelos profetas, como será antes da vinda do redentor, rapidamente, em nossos dias. Ora, como as dores do Mashiach não são compreendidas nos profetas, podemos rezar para anulá-las, já que não estão explícitas nas palavras dos profetas. E assim é de qualquer maneira: se não está escrito nem aludido neles, podemos pedir que sejam anuladas; e se está escrito e aludido nos profetas, nós agora não conseguimos compreender as palavras dos profetas, mas, quando vier o nosso Mashiach justo, rapidamente, em nossos dias, ele nos ensinará então a explicação dos profetas.
E ainda que as dores do Mashiach estejam escritas neles, quando vier o nosso Mashiach justo todo Israel será de profetas, como diz o verso “e profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas”, e todos saberão etc. E assim podemos pedir que sejam anuladas: como todo Israel será profeta, não haverá receio de que digam que o profeta profetizou falsamente; sendo todo Israel profeta, saberão que o profeta de fato profetizou, mas que os justos que viveram na geração anterior à vinda do redentor anularam esse decreto.
Ora, Yehoshua disse a Moshe kelaem detém-nos, e porque aqueles profetizaram, dizendo que Moshe morre e Yehoshua introduz Israel na terra, e anular não é possível Falta o restante. por estar escrito na Torá. Por isso Moshe lhe disse “Quem dera que todo o povo do Eterno fosse de profetas”, isto é, quando todo Israel for de profetas, poder-se-á anular o decreto mesmo que esteja escrito, pois, sendo todo Israel profeta, compreenderão que os justos podem anular o decreto mesmo que ele tenha sido dito ao profeta da parte do Eterno.
E é isto que expuseram nossos mestres, de abençoada memória (Devarim Rabá 3), sobre o verso (Devarim 9:1) “Tu atravessas hoje o Yarden” etc.: que Moshe abriu para eles uma porta para que pedissem misericórdia por ele, para que entrasse na terra, ainda que tivesse dito “eis que eu morro”. Ou seja, na profecia de Moshe todo Israel acreditava que a sua profecia era certamente verdadeira. Resulta que, mesmo que Israel pedisse a Moshe, nosso mestre, que o decreto fosse anulado, nem por isso poriam em dúvida, D'us nos livre, a sua profecia, pois Israel certamente diria que a sua profecia era verdadeira, apenas que Israel, com a sua oração, anulou o decreto, transformando-o em bem.
“E falaram Miriam e Aharon contra Moshe” etc. (Bamidbar 12:1). “Se houver entre vós um profeta do Eterno, em visão Eu me dou a conhecer a ele” etc., “em visão e não em enigmas” (Bamidbar 12:6-8). É preciso entender: devia ter dito “se houver entre vós um profeta do Eterno, em enigmas Eu me dou a conhecer a ele”, pois esta é a diferença entre a profecia de Moshe e a dos demais profetas. E parece que se encontra no Midrash e na Mechilta que, em todo lugar em que está escrito na Torá “E falou o Eterno a Moshe e a Aharon”, a profecia e a fala não vinham do Eterno senão a Moshe, e Aharon recebia a profecia de Moshe. E assim parece que também os demais profetas não receberam a sua profecia do Eterno senão por meio de Moshe, isto é, por meio da Torá de Moshe todos os profetas seguintes receberam a sua profecia.
E esta é a alusão na Guemará (Yevamot 49b): Moshe viu pela aspaklaria hame'ira a lente luminosa, pois é ele quem ilumina todos os profetas sobre como receber a sua profecia. E esta é a alusão em “Se houver entre vós um profeta do Eterno, em visão a ele”, isto é, a Moshe: por meio das profecias de Moshe dá-se a conhecer a profecia a vós.
“Pois dados, dados eles são para Mim, do meio dos filhos de Israel” (Bamidbar 8:16; o original indica 8:15). Para explicar, no verso, a expressão netunim netunim dados, dados. E parece, por modo de parábola e de figura: quando se traz um presente a um oficial de posição inferior, o próprio presente é estimado por ele; já quando se traz um presente a um grande ministro, um grande afarchas governador, o presente em si não lhe é nada querido, pois um grande governador como ele, que possui tantas dezenas de milhares de graus de riqueza e posição, será que lhe seria querido um presente tão ínfimo? Mas o que lhe é querido é a generosidade do coração do doador, que resolveu dar-lhe um presente. Resulta que o valor do afeto desse ministro está na entrega por parte do doador, isto é, em que lhe veio à mente dar-lhe um presente, e não no presente que lhe dá.
E assim é também com o Eterno, bendito seja, quanto a os levitas se aproximarem do Seu serviço: que proveito tem Ele neles? Pois diante Dele tremem todos os habitantes do mundo, e todos os serafins do alto estão diante Dele com reverência e temor, para cumprir a vontade do seu Dono e o desejo do seu Formador; querido Lhe é apenas o fato de ter vindo à mente deles aproximar-se do Seu serviço. E é isto “pois dados, dados eles são para Mim, do meio” etc.: porque a entrega que fazem, o fato de ter vindo à mente deles aproximar-se e entregar-se ao Seu serviço, isto é o que conta como entrega para Ele, como foi dito, e não o presente em si, mas a vontade que há em quem deu esse presente, que é querida ao Criador.
E por meio disto se explica a Mishná de Avot (Avot 2:1): “Sê cuidadoso com um mandamento leve como com um grave, pois não sabes o pagamento dos mandamentos”. À primeira vista a palavra shel mitzvot dos mandamentos é supérflua, e devia ter dito “pois não sabes o pagamento dele”. Ora, já dissemos sobre o dito dos nossos sábios, de abençoada memória (Shabat 63a): “Quem cumpre um mandamento conforme foi dito, não lhe anunciam má notícia”. A palavra mitzvá significa que ele cumpre a ordem do Criador, bendito seja e bendito seja o Seu nome, que lhe ordenou agir assim, e ele cumpre. Pois, na verdade, no próprio ato a pessoa faz tudo para si mesma, como disse Shlomo, o rei, que a paz esteja sobre ele: se mal ou bem, tudo faz para si; o que há é a nachat ruach satisfação do Criador por ela cumprir como Ele ordenou, por querer fazer a vontade do Criador.
E é isto “quem cumpre um mandamento conforme foi dito”: isto é, conforme se diz a palavra mitzvá, que é uma ordem do Criador, e ele a cumpre com essa intenção de cumprir o mandamento do Criador, então não lhe anunciam má notícia. Disso resulta que o essencial da satisfação do Criador está em que se cumpra a Sua ordem, por querer fazer a vontade do Criador; e por isso, segundo a parábola acima, não há diferença entre quem cumpre um mandamento grande ou pequeno. Com efeito, quanto ao ministro pequeno, para quem o presente em si é estimado, pois é essa coisa que lhe dão, há de fato diferença: quando o presente é maior, é-lhe mais querido, já que ele deseja o próprio presente. Mas não assim o governador, que não quer o presente em si, apenas a vontade do doador, que veio à mente de quem dá, de lhe dar satisfação; e, por consequência, não há diferença entre presente grande e pequeno: de um modo ou de outro quer dar-lhe satisfação.
Assim também com o Eterno, bendito seja: como o essencial da satisfação do Criador está em que se cumpra a Sua vontade, e quem age quer dar satisfação ao Criador, não há diferença, por consequência, entre o grande e o pequeno, pois a vontade é igual em todos: querer fazer a vontade do Criador. E é isto “sê cuidadoso com um mandamento leve como com um grave, pois não sabes o pagamento dos mandamentos”, isto é, que o pagamento é, em si mesmo, pela ordem; e, como o pagamento é pelo cumprimento da ordem do Criador, todo o pagamento é igual, e não podes decidir entre um mandamento leve e um grave.
E esta é a intenção do verso “E depois disso virão os levitas, e tu os purificarás e os agitarás em oferta ondulada, pois dados, dados eles são para Mim” etc. (Bamidbar 8:15-16), conforme o que escrevi acima: que o essencial que é querido ao Criador é a oferta voluntária da vontade dos que dão, e não o presente em si. Por isso é preciso que a vontade esteja em grande santidade e pureza, pois do próprio presente o Criador não tem prazer, mas da vontade de dar; e, sendo assim, é preciso que a vontade esteja em grande pureza e santidade. Esta é a intenção do verso “e tu os purificarás e os agitarás em oferta ondulada”.
E explica por que se precisa de tanta santidade na entrega dos levitas ao Eterno. Sobre isso diz o verso “pois dados, dados eles são para Mim”, como acima: que o que Lhe é querido é a entrega, e não o presente em si; e, sendo assim, é preciso que esteja em grande santidade e pureza, pois o essencial do afeto está na própria entrega; por isso é preciso que esteja em grande pureza.