Após estabelecer os três ikkarim no Maamar I, Albo aprofunda o primeiro: a existência de D'us. Quais são os shorashim — os derivados necessários — que qualquer religião que afirme D'us deve também afirmar? E como distingui-los dos anafim judaicos específicos?
O Maamar II do Sefer HaIkkarim tem um objetivo preciso: aprofundar o primeiro ikar — a existência de D'us — e identificar os seus shorashim. Um shoresh (raiz) é uma crença que deriva necessariamente do ikar: se afirmo o ikar, sou logicamente comprometido a afirmar também o shoresh, mesmo que o shoresh não seja tecnicamente um ikar por si mesmo. O ikar define a categoria; os shorashim definem o conteúdo mínimo consistente com essa categoria.
Para o primeiro ikar, Albo identifica quatro shorashim: a unicidade de D'us (achdut), a incorporalidade divina (beli guf), a independência do tempo (lo mukdam ve-lo me'uchar — não anterior nem posterior ao tempo, mas acima dele), e a perfeição absoluta (shlemut). Estes quatro são necessários: negar qualquer um deles é negar o primeiro ikar por implicação.
A unicidade de D'us (achdut) é o shoresh mais direto: se D'us é o Ser Necessário cuja inexistência é impossível, só pode haver um tal ser. Se houvesse dois seres necessários, cada um limitaria o outro — e um ser limitado não pode ser absolutamente necessário. A unicidade é assim uma consequência lógica do conceito de existência necessária, não apenas uma crença adicional. A fórmula do Rambam em Hilchot Yesodei HaTorah: "Ele é um, mas a Sua unicidade não é como a unicidade numérica de um item entre vários do mesmo tipo, nem como a unicidade de um indivíduo que pode ser dividido" — aponta para uma unicidade de tipo qualitativamente único, não apenas quantitativa.
A incorporalidade divina (beli guf) também decorre necessariamente: um corpo é definido por ocupar espaço, ter dimensões, ser divisível e estar sujeito ao tempo. Todas estas características são formas de limitação. O Ser Necessário — ilimitado e absoluto — não pode ter corpo. As descrições antropomórficas na Torá ("a mão de D'us", "os olhos de D'us") são, seguindo o Rambam, linguagem metafórica adaptada à compreensão humana — não afirmações literais de corporalidade divina. O Maamar II aprofunda a análise do Rambam sobre os atributos divinos: como podemos falar de D'us se Ele é radicalmente diferente de tudo o que conhecemos?
Uma das questões mais profundas da teologia medieval judaica e islâmica é o problema dos atributos: se D'us é absolutamente simples (sem partes, sem limitações), como podemos dizer que Ele é "sábio", "poderoso", "bom"? Esses termos implicam distinções e limitações que contradizem a sua simplicidade absoluta. O Rambam (Moreh Nevuchim I:50–60) resolve o problema pela teoria dos "atributos negativos" — dizer que D'us é "sábio" significa negar que Ele seja ignorante, não afirmar que Ele tem sabedoria como um atributo positivo. Albo no Maamar II aprofunda essa discussão, acrescentando a perspectiva dos atributos "de ação" (D'us age misericordiosamente, não que tenha misericórdia como qualidade interna). Esta é uma das discussões mais técnicas do Sefer HaIkkarim.
O terceiro shoresh — a independência do tempo — é talvez o mais sutil. D'us não existia "antes" do tempo e não existirá "depois" — porque o próprio tempo é uma criação. D'us existe de forma atemporal: Seu "sempre foi" e "sempre será" não são afirmações temporais mas expressões da Sua permanência ontológica fora de qualquer estrutura temporal. O quarto shoresh — a perfeição absoluta — encerra: um Ser Necessário não pode ter defeitos ou limitações, pois qualquer imperfeição seria uma forma de não-existência ou dependência que contradiria a necessidade do Seu ser. Estes quatro shorashim juntos formam o conceito de D'us que qualquer religião divina genuína deve afirmar.
A distinção alboíta entre ikar e shoresh tem consequências práticas importantes. O Rambam inclui tanto a existência de D'us quanto a Sua unicidade, incorporalidade e eternidade nos seus Treze Princípios — como se fossem todos igualmente "fundamentos". Para Albo, há uma hierarquia: a existência de D'us é o ikar (o que define a categoria "religião divina"), e a unicidade, incorporalidade etc. são shorashim (derivados necessários). Um ser humano que nega a incorporalidade de D'us enquanto afirma a Sua existência não saiu da categoria de "religião divina" — cometeu um erro grave dentro da religião. Um ser humano que nega a existência de D'us saiu da categoria inteiramente. Esta distinção é relevante para como se avalia a seriedade de diferentes erros teológicos.
A Disputa de Tortosa (1413–1414) — o pano de fundo histórico do Sefer HaIkkarim — incluiu debates sobre a natureza de D'us, o conceito de trindade cristã, e a possibilidade de incorporalidade divina. O Maamar II de Albo sobre a incorporalidade de D'us como shoresh necessário do primeiro ikar é uma resposta filosófica implícita: afirmar que D'us se tornou carne (como o dogma cristão da encarnação) é negar o shoresh da incorporalidade — e portanto, pelo argumento de Albo, saiu da categoria de "religião divina" no sentido técnico. Albo não podia fazer esta afirmação explicitamente sob ameaça de morte; mas a estrutura do argumento torna a conclusão disponível para o leitor atento.