Emunot veDeot · Tratado VII · A ressurreição dos mortos · cap. 8 (conclusão)

Os Ramos da Fé — Dez Perguntas sobre a Ressurreição

עַנְפֵי הָאֱמוּנָה — עֶשֶׂר שְׁאֵלוֹת עַל הַתְּחִיָּה
Saadia Gaon (882–942) · hebraico de Ibn Tibbon (domínio público) · tradução original · PT-BR

No capítulo que encerra o Tratado VII, Saadiá responde a dez perguntas sobre os "ramos" da fé na ressurreição — quem ressuscita, se voltam a morrer, se a terra os conterá, o reconhecimento, os defeitos e a cura, o comer e o casar, a passagem ao Mundo Vindouro, a presciência e o livre-arbítrio, a recompensa, e a sorte dos vivos da salvação — e fecha com sete razões pelas quais a ressurreição consola Israel.

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E, depois de ter examinado estes pormenores, ocupei-me em investigar os ramos e as ramificações desta crença; e vi por bem escrever, do que se me apresentou, umas cinco ou dez questões, e responder-lhes a partir da Escritura, do intelecto e da tradição. A primeira questão: se um perguntador perguntar — quem e quem viverão, da nação, no tempo da salvação? — respondo e digo: todo justo e todo penitente (ba'al teshuvá). Pois quem morre sem teshuvá está entre os que recebem castigo; e assim convém também ao intelecto, pois o Criador já prometeu ao que se arrepende que o aceitará, em muitos versículos. E já se tornaram devidos todos estes “tempos marcados” (a recompensa) a todo penitente, segundo as palavras dos nossos Sábios — depois de eles contarem as espécies do pecado e as porem em quatro níveis: 1 o homem transgrediu um mandamento positivo; 2 depois transgrediu um mandamento negativo; 3 depois pecados de karet e de morte imposta pelo tribunal; 4 depois aquele por quem o Nome dos Céus foi profanado. E disseram depois: “ou seria possível que a sua morte lhe expiasse? Não — diz a Escritura: 'eis que eu abro as vossas sepulturas'”. E eis que a ressurreição dos mortos se tornou devida a todo penitente. E eu digo que são poucos, do nosso povo, os que morrem sem teshuvá.

ואחר שדקדקתי אלו הדקדוקים, התעסקתי לחקור על סעיפי האמונה הזאת ופארותיה, וראיתי לכתוב ממה שנזדמן לי מה' י' שאלות, ואשיב עליה מהכתוב והשכל והקבל'. השאלה הראשונה, אם ישאל שואל מי ומי יחיו מן האומה בעת הישועה? אשיב ואומר כל צדיק ובעל תשובה. כי מי שימות מבלי תשובה הוא מהענושים, וכן ראוי בשכל. כי כבר הבטיח הבורא את השב שיקבלהו, בכתובים רבים. וכבר התחייבו כל אלה המועדים לכל שב מדברי רז"ל, אחר שמנו מיני החטא ושמום ד' מעלו', עבר אדם על מצות עשה, ואח"כ עבר על מצות לא תעשה, ואח"כ כריתות ומיתת ב"ד, ואח"כ מי שנתחלל בו שם שמים. ואמרו אח"כ או יכול שכפרה לו מיתתו, ת"ל הנה אני פותח את קברותיכם. והנה נתחייבה תחיית המתים לכל שב, ואני אומר כי מעט הם מבני עמנו שמתים מבלי תשובה.
Nota — quem ressuscita: o justo e o penitente Saadiá abre o capítulo final do tratado com dez “ramos” (questões práticas) da fé na ressurreição. À primeira — quem ressuscita? — responde com largueza: todo justo e todo penitente (ba'al teshuvá). A teshuvá basta, pois D'us promete aceitar quem retorna; os Sábios (Yomá 86a) graduaram quatro níveis de pecado e concluíram que mesmo o mais grave é expiado e merece a ressurreição ("eis que abro as vossas sepulturas"). E acrescenta, com otimismo característico, que "poucos do nosso povo morrem sem teshuvá".
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E a segunda: morrerão eles depois de revividos? E respondo: não morrerão, mas são transferidos dos dias do Mashiach para a doçura do Mundo Vindouro. E sobre isto disseram os nossos Sábios: “os mortos que o Santo, bendito seja, está destinado a fazer viver, não tornam ao seu pó”. E a terceira: contê-los-á a terra? E digo: visto que a nossa nação saiu ao mundo dos filhos do homem há dois mil e duzentos anos e mais — o que serão como trinta e duas gerações, cada geração de cento e vinte miríades ≈ 1.200.000 de homens e mulheres, por aproximação —, se disséssemos que fossem todos iguais e que todos vivessem, não encheriam da terra senão uma parte de cento e cinquenta, mesmo pondo a cada um mais de quatro côvados para o seu lugar, a sua semeadura, os seus caminhos e os seus animais. E, fora isso: pois todos os homens das gerações serão cento e vinte miríades vezes trinta e duas, por aproximação — será o total três mil oitocentas e quarenta miríades (38.400.000); e, quando lhes destinarmos da terra duzentas parasangas por duzentas — que são uma parte de cento e cinquenta da terra — e as medirmos em côvados (em cada parasanga três milhas, cada milha quatro mil côvados, cada côvado maior, que vale dois côvados e meio e um terço do comum) — caberá a cada homem, em largura, no seu lugar, duzentos e oitenta e oito côvados. E que coisa há nisto em que os sábios se confundam?

והב' הימותו אחר כן? ואשיב כי לא ימותו, אבל מעתיקים אותם מימות המשיח אל נעימות העולם הבא. ובזה ארז"ל מתים שהקב"ה עתיד להחיותם, שוב אינן חוזרים לעפרן. והג' התכיל אותם הארץ? ואומר שמעת שיצאה אומתינו לבני העולם אלפים ומאתים שנה ועוד, יהיו כמו שנים ושלשים דור, כל דור ק"כ רבבה אנשים ונשים על דרך הקירוב. ואם נאמר אם כלם שוים וכלם יחיו, אין ממלאים מן הארץ כי אם חלק ממאה וחמשם חלק, על שנשים לכל אחד יותר מד' אמה למקומו ולזריעתו ולדרכיו ולבהמותיו. וזולת זה כי כל אנשי הדורות יהיו מאה ועשרים רבבה בשנים ושלשים על הקירוב, יהיה הכל שלשת אלפי רבבה ושמנה מאות וארבעים רבבה, וכאשר נגזור להם מן הארץ מאתים פרסה על מאתים, אשר הם חלק ממאה וחמשים מן הארץ, ונמדוד אותם אמות, בכל פרסה שלשה מילים, וכל מיל ד' אלפים אמה, וכל אמה אשר היא אמתים וחצי ושליש, יהיה לכל אדם רחב במקומו רפ"ח אמות, ואי זה דבר יש בזה בזה שיתבלבלו בו החכמים?.
Nota — o cálculo do espaço À objeção "a terra não conterá todos os ressuscitados", Saadiá responde com aritmética — um traço deliciosamente racionalista. Estima as gerações de Israel desde a sua origem (~32 gerações × ~1.200.000), chega a um total e mostra que ocupariam apenas ~1/150 da superfície terrestre, com folga de 288 côvados por pessoa. Os números são da cosmografia da época; o que importa é o gesto: nenhuma objeção "física" à ressurreição resiste ao cálculo. "Que há nisto em que os sábios se confundam?".
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E a quarta: reconhecê-los-ão os de sua casa e os seus parentes dentre os vivos? E digo: já que os profetas, os pastores e os príncipes — quando se torna necessário que os filhos do homem os reconheçam hão de ser reconhecidos —, torna-se devido, por contraste, que todos se reconheçam uns aos outros, e que cada homem se una à sua tribo, como está esclarecido na ordenação das tribos no livro de Yechezkel e em outros lugares. E a quinta: aquele que morre, dentre eles, sendo cego, ou mutilado dos seus membros, ou com os demais danos, golpes e defeitos — que será da sua condição? E digo: ele viverá primeiro com aquele defeito, até que os filhos do homem o reconheçam, a saber, que ele é ele; e depois o Criador o curará, e isso será um sinal completo — como disseram os nossos Sábios: “levantam-se no seu defeito, e depois são curados”. E por isso a Escritura antepôs “eu mato e faço viver” a “feri e eu curo”. E já disseram os profetas (Yeshayahu 35:5-6): “então se abrirão os olhos dos cegos, e os ouvidos dos surdos se abrirão; então saltará o coxo como um cervo, e cantará a língua do mudo”.

והד' אם יכירום אנשי ביתם וקרוביהם מן החיים? ואומר כי הנביאים והרועים והנסיכים כשמתחייב שיכירום בני האדם, יתחייב לעמת זה שיכירו קצתם את קצתם ושיחובר כל אדם אל שבטו, כאשר הוא מבואר בסדור השבטים בספר יחזקאל וזולתו. והה' מי שימות מהם והוא סומא או מבוטל מאבריו או בשאר הפגעים והמומין מה יהיה מענינו? ואומר, שיחיה תחלה במום ההוא עד שיכירוהו בני אדם שהוא הוא, ואחר כן ירפאהו הבורא ותהיה אות גמורה, כמ"ש רז"ל עומדין במומן ואחר כן מתרפאין, ועל כן הקדים אני אמית ואחיה מחצתי ואני ארפא, וכבר אמרו אז תפקחנה עיני עורים ואזני חרשים תפתחנה אז ידלג כאיל פסח ותרון לשון אלם (ישעיה ל"ה ה' ו').
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E a sexta: comerão, beberão e desposarão mulheres? E digo: sim — assim como o filho da viúva de Tzarfat, que o Criador fez viver por meio de Eliyahu, e o filho da sunamita por meio de Elishá, comeram e beberam, e é possível que tenham desposado mulheres. E a sétima: como serão transferidos para o Mundo Vindouro — no qual não há comer nem união conjugal —, sendo que já se conduziram com elas (essas funções) neste mundo, e contudo viverão lá? E digo: assim como Moshé, nosso mestre, a paz esteja com ele, suspendeu o comer, o beber e a união, e subsistiu sem eles quarenta dias no monte Sinai, três vezes, e viveu, como está escrito na Torá.

והששית אם יאכלון וישתון וישאו נשים? ואומר כן, כמו שבן הצרפית אשר החיהו הבורא על ידי אליהו, ובן השונמית על ידי אלישע, אכלו ושתו, ויתכן נשאו נשים. והשביעית איך יעתקו אל העול' הבא אשר אין בו אכילה ולא בעילה וכבר נהגו בם בעולה הזה ויחיו? ואומר, כמו שנהג משה רבינו עליו השלום האכילה והשתיה והבעילה ועמד בלעדיהם ארבעים יום בהר סיני שלשה פעמים וחיה, כמו שכתוב בתורה.
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E a oitava: já que os revividos nos dias da salvação são deixados à sua livre escolha no serviço a D'us, talvez escolham a rebeldia e não vivam no mundo da recompensa? Respondo a isto o que responde todo o nosso povo, a multidão dos crentes, no assunto dos justos no Mundo Vindouro: já que eles escolhem o serviço e não a rebeldia — acaso talvez venham a escolher a rebeldia? E digo: Aquele que sabe o que será antes que seja não prometeu aos justos que estarão no Mundo Vindouro a recompensa perpétua senão pelo Seu saber de que eles escolhem o serviço e não a rebeldia; assim digo: depois que Ele sabe o que será, não prometeu a ressurreição dos mortos aos justos de Israel senão depois de saber que, nos dias do Mashiach, escolherão o serviço, não a rebeldia. E a nona: têm eles, por aquele serviço que fazem nos dias do Mashiach, recompensa? E digo: sim — assim como os justos, neste mundo, têm a recompensa do seu serviço, assim os homens dos dias do Mashiach terão recompensa pelo seu serviço, pois não é possível que haja serviço sem que com ele haja recompensa. E, assim como ali no Mundo Vindouro os justos têm um acréscimo sobre o que é devido aos seus méritos anteriores, assim o que fizerem nos dias do Mashiach será um acréscimo sobre o que é devido aos seus méritos anteriores.

והשמינית כיון שהמחויים בימי הישועה הם מונחים לבחירתם בעבודה, שמא יבחרו במרי ולא יחיו בעולם הגמול? אשיב בזה, שמשיבים כל עמנו המון המאמינים בענין הצדיקים בעולם הבא, כיון שהם בוחרים בעבודה ולא במרי שמא יבחרו במרי? ואומר, כי היודע מה שהיה קודם שיהיה, לא הבטיח הצדיקים שבעולם הבא בגמול המתמיד אלא לדעתו, שהם בוחרים בעבודה ולא במרי, כן אומר אחר שהוא יודע מה שיהיה, לא הבטיח תחיית המתים לצדיקי ישראל, עד שידע כי בימות המשיח יבחרו בעבודה לא במרי. והתשיעית, אם יש להם על העבודה ההיא אשר בימות המשיח גמול? ואומר כן, כאשר יש לצדיקים בעולה הזה גמול עבודתם, כן יהיה לאנשי ימות המשיח גמול על עבודתם, שלא יתכן שתהיה עבודה שאין עמה גמול. וכאשר יש שם לצדיקים תוספת על מה שראוי לזכיותם הקודמים, כן מה שיעשו בימות המשיח תוספת על מה שראוי לזכיותם הקודמות.
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E a décima questão: acerca do povo em cujos dias a salvação vier nas suas vidas — que será da sua condição? E assim acerca dos nascidos no tempo da salvação? E respondo: visto que a Escritura não falou nisto, nem os nossos mestres receberam tradição nisto, dividiram-se em três caminhos. Há quem diga que não morrem de modo algum, e se apoia no seu dizer (Yeshayahu 25:8) “tragará a morte para sempre”. E há quem diga que morrerão e tornarão a viver, para se igualarem àqueles revividos. E há quem diga que viverão muitos anos e morrerão, e não viverão até o Mundo Vindouro. E o meu coração (que D'us te endireite) inclina-se a esta terceira afirmação, porque não achei a ressurreição dos mortos prometida nos dias da salvação senão para quem esteve no exílio; e não vi por bem acrescentar a isto coisa alguma do meu próprio coração — tanto mais que o propósito da ressurreição dos que morreram no exílio é que não lhes seja vedada esta grande salvação; mas aquele que a viu dentre os vivos e os retos já chegou ao seu desejo. Apenas que os seus dias serão longos, como de quatrocentos e quinhentos anos, de modo que o que morrer aos duzentos, naquela geração, será como aquele que morre nesta geração aos vinte — como disse (Yeshayahu 65:20): “pois o jovem morrerá aos cem anos, e o pecador, aos cem anos, será amaldiçoado”; e os dias serão como os dias dos edifícios e das plantações grandes, como disse (ali 65:22): “não edificarão, e outro habitará; não plantarão, e outro comerá; pois como os dias da árvore serão os dias do meu povo etc.”.

והשאלה העשירית על העם אשר בהם הישועה בחייהם, מה יהיה מענינם? וכן הילודים בזמן הישועה? ואשיב, בעבור שהכתוב לא דבר בזה ולא רבותינו לא קבלו בזה קבלה, נחלקו בזה על שלשה דרכים. יש מי שאומר שאין מתים כלל, ונתלה באמרו (ישעיה כ"ה ח') בלע המות לנצח. ויש מי שאומר ימותו ויחיו כדי להשתוות עם המחויים ההם. ויש מי שאומר יחיו שנים רבות וימותו, ולא יחיו עד העולם הבא. ולבי (האלהים יישירך) נוטה אל זה המאמר השלישי, מפני שלא מצאתי תחיית המתים הובטחה בימי הישועה, אלא למי שהיה בגלות. ולא ראיתי להוסיף על זה דבר מלבי, כל שכן שהעלה בתחיית המתים אשר מתו בגלות, היא שלא תמנע מהם זאת הישועה הגדולה, אבל מי שראה אותה מן החיים והישרים, כבר הגיע לחפצו. אך ימיהם יהיו ארוכים, כגון ארבע מאות שנה וחמש מאות שנה, עד שיהיה המת בן מאתים בדור ההוא, כמו שמת בדור הזה בן עשרים, כמו שאמר (ישעיה ס"ה כ') כי הנער בן מאה שנה ימות והחוטא בן מאה שנה יקולל. ומי שחטא על בני אדם והוא בן מאה שנה יקולל, ויהיו הימים כימי הבנינים והנטעים הגדולים, כמו שאמר (שם כ"ב) לא יבנו ואחר ישב לא יטעו ואחר יאכל כי כימי העץ ימי עמי וגו'.
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E, quando me firmei sobre estas coisas, aceitei-as no meu coração por fé, e escrevi-as num livro, para serem, para os filhos de Israel, uma segurança (confiança); pois vi que a nação se consolaria com elas, por causa de sete coisas. 1 Porque a ressurreição dos mortos é um grande sinal dentre os sinais manifestos do Criador, e na confiança nela há um acréscimo no crer no Seu poder. 2 E porque todos os profetas se reúnem nela — e eis que nós, hoje, ansiamos por ver sequer um deles; tanto mais todos! 3 E porque todos os reis justos e os grandes sábios se reúnem nela — nós, que ainda anelamos ver um só deles. 4 E porque os parentes de cada um deles, que por eles se enlutaram e por eles se afligiram, a eles se unirão: verá o filho o seu pai, e o irmão o seu irmão, e o amigo o seu amigo, e o sábio o seu discípulo, e os demais parentes. 5 E muitas das matérias da alma, das quais as almas dependem, se nos revelarão quando eles viverem, e nos relatarão o que passou e o que houve — da qualidade do assunto da sua morte, da sua recompensa e do seu levantar-se. 6 E porque todas as gerações dos filhos de Israel — que são as miríades cuja menção antepus — virão juntas, e haverá, na sua reunião, a majestade e o grande esplendor. 7 E porque ela é uma causa que obriga a crer no Mundo Vindouro ainda mais — pois, assim como se cumprir este tempo marcado, assim se cumprirão todos os tempos marcados do Mundo Vindouro, e os adquirimos por via de demonstração (verificação), como disse (Yeshayahu 25:9): “naquele dia se dirá: eis que este é o nosso D'us, n'Ele esperámos e Ele nos salvou”. E quão honrado é o tempo marcado em que se reúnem todos estes grandes bens! E estes bens obrigaram-me a confirmar a sua verdade, e a ser útil à nação e a endireitá-la nele. E pedi merecer ser dos que veem a salvação em vida, ou por meio do ser revivido — como recompensa pelo meu endireitar a nação. E bendito seja o D'us fiel nos Seus tempos marcados, e louvado seja!

וכאשר עמדתי על הדברים האלה, רציתים בלבי לאמונה, וכתבתים על ספר להיות לבני ישראל לבטחון, והוא שראיתי שהאומה תתישב בהם בעבור שבעה דברים. מפני שתחיית המתים אות גדולה מאותות הבורא הנגלות, ובבטחון בהיותה תוספת בהאמין ביכלתו, וכי כל הנביאים מתקבצים בה, והנה אנחנו היום מתאוים לראות אחד מהם, כל שכן כלם, וכל המלכים הצדיקים והחכמים הגדולים מתקבצים בה, עוד אשר אנחנו נכספים לראות אחד בהם, ושקרובי כל אחד מהם אשר התאבל עליהם ודאג להם, יחברם ויראה הבן אביו, והאח אחיו, והאוהב אוהבו, והחכם תלמידו, ושאר הקרובים. והרבה לדברי הנפש אשר הנפשות תלויות בהם, יגלו לנו כשיחיו. ויספרו לנו מה שעבר ומה שהיה, מאיכות ענין מותם ושכרם וקומם. ושכל דורות בני ישראל אשר הם הרבבות אשר הקדמתי זכרם יבאו יחד ויהיה לקבוצם ההוד וההדר הגדול. ושהוא סבה מחיבת להאמין בעולם הבא יותר, שנאמר כמו שיתקיים זה המועד, יתקימו כל מועדי העולם הבא, ונקנה אותם על דרך הבחינה, כמו שאמר (שם כ"ה ט') ביום ההוא הנה אלהינו זה קוינו לו ויושיענו. ומה נכבד מועד, יתקבצו בו כל אלה הטובות הגדולות. ואלה הטובות חייבו אותי לקיים אמתתו, ולהועיל לאומה ולהישירה בו. ובקשתי שאזכה להיות מן הרואים בחיות או בהחיות גמול על הישירי, ויתברך האל הנאמן במועדיו וישתבח:
Nota — as sete razões e o fecho pessoal O tratado encerra-se não com um argumento, mas com um louvor: sete razões pelas quais a ressurreição "consola" Israel — sinal do poder divino, reencontro com os profetas e sábios de todas as eras, reunião do filho com o pai e do mestre com o discípulo, revelação dos segredos da alma, e a glória de todas as gerações reunidas. Sobretudo, é a garantia do Mundo Vindouro: cumprido este "tempo marcado", todos os outros se confirmam. Note-se a posição escatológica distintiva de Saadiá (questão dez): a ressurreição da redenção é para os mortos do exílio; os vivos da salvação terão vidas longuíssimas (Yeshayahu 65:20). E o toque humano final — o seu pedido de merecer ver a salvação, "em vida ou por ser revivido". Assim se completa o Tratado VII.
✡   נִשְׁלַם הַמַּאֲמָר הַשְּׁבִיעִי   ✡

Sobre este capítulo · עִיּוּן

O método das dez perguntas

Depois de estabelecer a doutrina (caps. 1–7), Saadiá faz o que nenhum dogmático faria: enfrenta as perguntas difíceis que dela brotam — e responde a cada uma "da Escritura, do intelecto e da tradição". Algumas são metafísicas (voltarão a morrer? como passam ao Mundo Vindouro?), outras quase práticas (a terra os conterá? reconhecer-se-ão?), outras pastorais (e os deficientes? e os que estão vivos na salvação?). É um modelo de teologia que não teme o detalhe.

A escatologia distintiva de Saadiá

A décima pergunta revela a sua posição própria: a ressurreição da redenção é, em primeiro lugar, para os mortos do exílio — para que não lhes seja vedada a grande salvação. Quem a vê em vida "já alcançou o seu desejo"; e os vivos da era messiânica terão vidas longuíssimas (400–500 anos), de modo que morrer aos 200 será como morrer jovem (Yeshayahu 65:20). Saadiá distingue, assim, três etapas — exílio, ressurreição na redenção, Mundo Vindouro — com sobriedade, recusando-se a "acrescentar do próprio coração" onde a Escritura e a tradição calam.

O fecho: a ressurreição como consolo

O tratado termina num registro comovente. As sete razões não são provas, mas bens: o reencontro com os profetas e os sábios de todas as eras, o filho que reverá o pai, o mestre o discípulo; a revelação dos segredos da alma; a glória de todas as gerações reunidas; e, acima de tudo, a garantia do Mundo Vindouro. Saadiá confessa que escreveu o tratado "para ser uma segurança para Israel" — e fecha com um pedido pessoal: merecer ver a salvação, "em vida ou por ser revivido". É a teologia a serviço da esperança.

Sobre esta tradução

Obra: Saadia Gaon (882–942), Sefer haEmunot vehaDeot, Tratado VII (A ressurreição dos mortos), cap. 8 — conclusão do Tratado VII —, na versão hebraica de Rav Yehudá Ibn Tibbon, de domínio público (ed. Leipzig, 1864; Sefaria). A redação em português é original; não se reproduz nenhuma tradução moderna protegida por direitos autorais.

Citações: Yeshayahu 35:5-6; 25:8; 25:9; 65:20; 65:22; e Yomá 86a, Yechezkel 48 (as tribos), I Melachim 17 e II Melachim 4 (as crianças ressuscitadas). Notas e seção de estudo são originais.