Estabelecida a verdade — o mundo criado, do nada, por um Criador —, Saadia faz algo que marca o método racionalista: não se contenta em afirmar; passa em revista treze teorias rivais sobre a origem do mundo e refuta uma a uma. Esta parte abre a série, com a primeira delas: a de que o mundo teria sido feito de substâncias espirituais eternas.
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E, tendo eu chegado a confirmar estas três raízes pela via do exame — assim como se confirmaram nas palavras dos profetas e nos prodígios: que as coisas são criadas, que quem as criou é outro que elas, e que Ele as criou não de outra coisa —, e sendo esta a primeira opinião deste tratado (a verdadeira, fruto do exame dos princípios), convém que eu traga, em seguida, doze opiniões dos que de nós discordaram nesta crença — perfazendo treze ao todo. Em cada uma explicarei o que cada grupo alegou em favor da sua opinião, e o que a refuta; e, se houver verso da Escritura que lhe pareça apoiar, eu o esclarecerei, com a ajuda de D’us.
וכיון שהגעתי לאמת אלה השלשה שרשים בדרך העיון, כאשר התאמתו בדברי הנביאים והמופתים, והוא שהדברים מחודשים ושמחדשם זולתם, ושהוא חדשם לא מדבר, והיה זה הדעת הראשון מן המאמר הזה אשר הוא העיון להתחלות. ראוי שאביא אחריו שנים עשר דעות, למי שחלק עלינו באמונה הזאת, ויהיה הכל שלש עשרה. ואבאר בו כל מה שטען בו כל עם לדעתם ומה שסתר אותו. ואם יהיה לו דומה מן הכתוב אבארהו בגזרת השם:
Nota — o método de quem não teme o debate. Repare no gesto: Saadia não se contenta em afirmar a criação; ele se compromete a expor e refutar treze teorias rivais sobre a origem do mundo, uma a uma, apresentando cada uma com justiça antes de respondê-la. É a marca da confiança racionalista: a verdade não receia o confronto com as alternativas — ao contrário, esclarece-se ao enfrentá-las. As próximas partes percorrerão essas teorias (entre elas a eternidade do mundo, o dualismo e o acaso).
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A segunda opinião é a de quem disse que o Criador das coisas possui corpos espirituais eternos, dos quais teria feito estes corpos compostos. Alegaram isso porque supõem que uma coisa só vem de outra coisa. E, ao imaginarem como o Criador teria feito os corpos compostos a partir dos espirituais, disseram: parece-nos que Ele reuniu deles pontos minúsculos — as “partes indivisíveis” —, que imaginam mais finas do que o pó; fez deles uma linha reta, cortou-a em duas metades, juntou-as na diagonal, ... e foi assim moldando figuras geométricas (cônicas, de oito, de doze e de vinte faces) das quais teria criado a roda do fogo, a da terra, o giro do ar e todos os mares. Nisto basearam a sua crença, levados pelo princípio de não admitir o que “não está já na existência” recusando a criação do nada; e essas figuras eles se esforçaram por assemelhar às formas naturais que existem. Exporei agora o que há contra eles: há, contra estes argumentos, doze respostas — quatro que nos mostram que as coisas são criadas, e as demais, que o Criador as fez não de outra coisa; e, depois destas oito, encontro ainda quatro respostas que lhes cabem.
והדעת השני דעת מי שאמר שבורא הדברים יש לו גשמים רוחניים קדמוניים, מהם ברא אלה הגשמים המורכבים. וטען על זה, מפני שלא יהיה דבר כי אם מדבר. וכאשר עלו במחשבתם למעלה והתעסקו לדמות, איך ברא הבורא הדברים המורכבים מן הרוחניים, אמרו נדמה לנו שהוא קבץ מהם נקודות קטנות, והם החלקים אשר לא יחלקו, והם מעלים אותם במחשבתם שהם דקים עד מאד יותר דק מה שאפשר להיות מן האבק, ועשה מהם קו ישר, ואחר כן גזר הקו ההוא לשני גזרים שוים. אחר כן הרכיב מן האחד מהם על השני הרכבה אלכסונית, עד שיהיו כצורת הסמך היונית אשר היא כצורת אלף למד בערבי בלא תושבת כזה. ואחר כן סימר אותם במקום שנפגשו, ואחר כן גזר אותם ממקום הסימור ועשה האחד מהם הגלגל העליון הגדול, ועשה מן האחרת הגלגלים הקטנים. ואחר כן צייר מן החלקים ההם הרוחניים צורה אצטרובולית, וברא מהם עגלת האש. ואחר כן צייר מהם צורה שמיניית וברא ממנה עגלת העפר, ואחר כן צייר מהם צורה שתים עשרניי ושם עליה סבוב האויר, ואחר כן צייר ממנה צורה עשרימייה וברא ממנה כל הימים, וגזרו בזה ושמו בזה אמונתם. והביאם אל המאמר הזה, שלא יודו במה שאינו בנמצא. ואלה הצורות אשר טרחו בהבאתם לדמותם אל צורות הטבעים האלה הנמצאים. והנני מבאר מה שיש עליהם בשערים האלה. ואומר, שיש עליהם במאמרים האלה שתים עשרה תשובות. מהם הארבעה הראשונות, אשר הורו אותנו שהדברים מחודשים, ומהם האחרות אשר הורו אותנו שבורא הדברים בראם לא מדבר, ואחר שיסבלו אלה השמונה תשובות, אני מוצא ארבעה תשובות אחרות שיתחייבו בם:
Nota — a primeira teoria: a “matéria espiritual eterna”. Esta visão tentava evitar a criação do nada supondo que o mundo fora moldado a partir de substâncias espirituais eternas — partículas finíssimas e indivisíveis, preexistentes —, mediante uma elaborada geometria de cortes e junções. É, no fundo, uma forma de adiar o problema: em vez de aceitar que D’us criou do nada, postula-se uma “matéria” intermediária, ela mesma sem origem. Saadia mostrará, em quatro passos, que essa solução não resolve nada — apenas troca um mistério por outro mais obscuro.
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A primeira: creram em algo que não tem semelhante no que é visível — os tais “espirituais”, que imaginam como um pó mais fino do que todo fino, e como “uma parte que não se divide” — coisa que o intelecto não consegue conceber.
תחלתם שהם האמינו, במה שאין כמוהו בנראה, והם הרוחניים, אשר הם מדמים במחשבתם כאבק ושכדק מכל דק, וכחלק שאין מתחלק, וזה דבר שלא יושכל:
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A segunda: vejo que essas coisas que alegaram não podem ser quentes, nem frias, nem úmidas, nem secas — pois eles próprios dizem que delas foram criadas as quatro naturezas os elementos. E vejo, ainda, que não podem ter cor, sabor, cheiro, fronteira, medida, quantidade de muito ou pouco, lugar ou tempo — pois todas estas são atributos dos corpos, e essas coisas, para eles, existiriam antes dos corpos. Isto é mais um acréscimo ao inconcebível: fugiram de admitir “uma coisa não de outra coisa” e caíram em algo ainda mais remoto e obscuro.
והשנית אני רואה כי אלה הדברים אשר טענו, לא יתכן שיהיו חמים ולא קרים ולא לחים ולא יבשים, מפני שה אומרים שאלה הד' טבעים מהם נבראו. ואני רואה עוד, שלא יתכן להיות להם מראה, ולא טעם ולא ריח, ולא גבול ולא שיעור, ולא רוב ולא מיעוט, ולא במקום ולא בזמן, מפני שאלה הדברים הם תארי הגשמים, והדברים ההם הם אצלם קודם הגשמים, וזה תוספת למה שלא יושכל, וברחו מהיותו דבר לא מדבר, ונכנסו במה שהוא יותר רחוק ועמוק ממנו:
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A terceira: rejeito e tenho por falso que algo sem forma alguma se transforme até figurar-se na forma do fogo, da água, do ar e da terra; e que o que não tem comprimento, nem largura, nem profundidade passe a tê-los; e que o que não tem qualidade alguma venha a ter todas as qualidades que agora se veem. E, se respondem que todas essas inversões se deram porque o Criador é sábio e capaz de invertê-las e mudá-las — então a Sua sabedoria e o Seu poder bastariam para criar uma coisa do nada; e ficaríamos livres desses falsos “espirituais”.
והשלישית שאני מרחיק ואחשוב לשקר, התהפכות דבר לא מצוייר בצורה, עד שיצוייר בצורת האש המים והאויר והעפר, והצטיירות מה שאינו ארוך ולא רחב ולא עמק, עד שהיה ממנו הארוך הרחב העמוק, וכן השתנות מה שאין לו ענין, עד שיהיו לו כל הענינים הנראים עתה. ואם אצלם שנתקנו כל ההפוכים והשנוים, מפני שהבורא חכם יכול להפכם ולשנותם, חכמתו אם כן ויכלתו לברא דבר לא מדבר. וננוח מאלה הרוחניים השקרים:
Nota — o golpe decisivo: a teoria não resolve nada. Aqui está o argumento mais elegante de Saadia (terceira resposta). Os adversários precisam admitir que D’us, “sábio e capaz”, transforma uma “matéria” sem forma, sem dimensão e sem qualidade alguma em todas as formas do mundo. Ora — observa Saadia — um poder capaz disso já é, na prática, um poder de criar do nada! A “substância espiritual eterna” torna-se, então, uma complicação inteiramente supérflua: ela não poupa o milagre que se queria evitar; apenas o esconde atrás de um intermediário ininteligível. É a navalha da economia aplicada à metafísica: a hipótese mais simples (criação do nada) é também a mais sólida.
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A quarta: não se sustenta aquilo em que tanto se esforçaram — a história do cortar, juntar, compor, pregar e tornar a cortar —, pois não há prova alguma de nada disso: são apenas conjeturas. E há aí uma contradição: se, segundo eles, o Autor é capaz de transformar os “espirituais” em corpos, então pode fazê-lo num só instante, e caem por terra todos esses cortes graduais; e se só pode transformá-los aos poucos — coisa após coisa, como na obra das criaturas —, muito menos poderia transformá-los do espiritual ao corpóreo de todo. Suportaram, pois, todas essas falsidades — além de abandonarem os sinais e os prodígios — e não descansaram de apoiar-se no que não é percebido.
E chegou-me notícia de que há pessoas do nosso povo que pensaram referir-se a esses “espirituais” o verso “o Eterno me adquiriu (kanani) no princípio do Seu caminho, antes das Suas obras, desde então” (Mishlei 8:22). Examinei a questão e achei que erraram na interpretação, por quinze razões — as doze já dadas pela via do intelecto e três pela via da língua hebraica: (1) a palavra kanani indica a criação da coisa (como em “Criador (koné) dos céus e da terra”, Bereshit 14:22; e “cheia está a terra das Tuas criaturas (kinyaneicha)”, Tehilim 104:24) — se insistissem que ela implica eternidade, teriam de ter por eternos também os céus e a terra; (2) “o princípio do Seu caminho” indica o começo da criação (como em Iyov 40:19, sobre o maior dos animais: “ele é o princípio dos caminhos de D’us” — isto é, o primeiro que Ele criou na sua espécie); (3) esse tema do capítulo ama a verdade e odeia a falsidade, e convida a buscá-lo (Mishlei 8:8, 8:32) — atributos que os “espirituais” sem forma não poderiam ter. E aos que viam os “espirituais” em “a sabedoria, onde se acha?” (Iyov 28:12), mostrei que erraram ainda mais; pois a própria Escritura esclarece que essa Sabedoria se encontra junto com os quatro elementos, e não antes deles (“D’us entendeu o seu caminho ..., ao dar peso ao vento e medida às águas”, Iyov 28:23-26). O sentido não é que a Sabedoria fosse um “instrumento” eterno com que Ele criou, mas que ela é a ordem sábia que Ele pôs na criação — aquela pela qual tudo está bem disposto.
והרביעית שלא תתקיים מה שטרחו בו, מהאמנת החתוך והדבוק וההרכבה והסימור והחתוך השני, ושאר מה שנסמך אל המעשים האלה. מפני שאין ראיה מעמדת על דבר מהם, אבל הם מחשבות וסברות. אבל אני רואה שיש במלאכה הזאת סתירה, והיא, שהעושה אצלם אם הוא יכול להפוך את הרוחניים גשמים, הוא יכול להפכם ברגע אחד, ובטלו אלו החלוקים. ואם הוא אצלם אינו יכול להפכם כי אם מעט, כמעשה הברואים דבר אחרי דבר, כל שכן שלא יוכל להפכם מן הרוחניות אל הגשמיות. וסבלו אלה השקרים כלם, מלבד עזיבת האותות והמופתים, ומן ההוראה בבלתי המוחש לא נחו. והגיעני כי יש אנשים מעמנו, חשבו, כי הענין שאמר בו הכתוב (משלי ח' כ"ב) י"י קנני ראשית דרכו קדם מפעליו מאז ושאשר הפרה הוא ענין אלה הרוחניים. התבוננתי בדבר, ומצאתיו שטעו בפירוש הענין הזה, מחמש עשרה פנים השנים עשר אשר בארתים מדרך השכל, אך הג' אחרים, מדרך לשון העברים ודברי המקרא. תחלתם כי מלת קנני מורה על בריאת הדבר, כמו שאמר (בראש' י"ד כ"ב) קונה שמים וארץ. וכמו שאמר עוד (תהל' ק"ד כ"ט) מלאה הארץ קנינך. ואם הם מחזיקים שהמלה הזאת מחייבת קדמות, יחשבו גם כן כי השמים וכל אשר בהם קדמונים, ויבטלו בריאתם מרוחניים אשר היתה כוונתה אליהם. ואם תהיה אצלם מלת הקנין בשמים ובארץ מחייבם בריאתם, היא עצמה תחייב בריאת הרוחניים. והשניים שמלת ראשית דרכו מורה על ענין תחלת הבריאה, כי כמוה נאמר בגדול שבבהמות (איוב מ' י"ט) הוא ראשית דרכי אל, וכאשר ענינה שם שהוא תחלת מה שברא בבהמות יהיה גם כן ענינה הנה, כי זה הנזכר תחלת מה שברא מהדברים. ואם אינם רוצים בפירוש הזה, יחייבו שהבהמה ההיא קדמונית. והשלישיים שזה הענין הנזכר אוהב האמת ושונא השקר, כמו שאמר (משלי ח' ח') בצדק כל אמרי פי אין בהם נפתל ועקש. ומי שאהבו אוהב את החיים, ומי ששנאו אוהב המות, כמו שאמר (שם שם ל"ה) כי מוצאי מצא חיים וחוטאי חומס נפשו כל משנאי אהבו מות. והוא מצוה לבקשו ולהזהר בו. כמו שאמר (שם שם ל"ב) ועתה בנים שמעו לי והקשיבו כל אמרי פי. ואם הם הרוחניים אין נמלטות המדות האלה שיהיו להם, אם בענין פשיטותם או אחר הרכבתם, ואם נחשוב אותם להם בפשיטותם אין עמם בעת ההיא צדק ולא טוב, ולא חיים ולא מות, ול אדם נמצא שיקשם ויגיע אליהם. ואם נחשוב שהם לחם אחרי ההרכבה, החלק אשר יש לנו מהם אנחנו מגיעים אליו בהכרח, והחלק הנשאר אשר לא הורכב אי אפשר להגיע אליו, כי המורכבות יבדילו בינינו וביניו כפי דבריהם. והגיעני שאחרים חשבו, כי פרשת (איוב כ"ח י"ב) והחכמה מאין תמצא ואי זה מקום בינה, ושאר הענין שהוא תאר הרוחניים, מפני שאמר באחרונה אלהים הבין דרכה והוא ידע את מקומה. ומצאתי אלה גם כן טעו בפי' יותר מטעות הראשונים, מפני שהענין הראשון אין מפורש בו שהיא החכמה. אעפ"י שעל האמת שאין בו ספק הוא על החכמה, אבל הענין השני היה זכרון החכמה בו מפורש, ואיך הטעו עצמם בכנוייו? וראיתי עוד שהכתוב מבאר על החכמה הזאת כי נמצאת עם הארבעה יסודות לא קודם, כאשר נאמר אלהים הבין דרכה והוא ידע את מקומה, כי הוא לקצות הארץ יביט תחת כל השמים יראה; זכר השמים והארץ, ואחר כן לעשות לרוח משקל ומים תכן במדה; זכר האויר והמים, אחר כן ראה ויספרה הכינה וגם חקרה, וכבר נגלה בטול סברת שני הענינים האלה ברוחניות, אם הם על החכמה; ואין החפץ בה שהיא היתה לבורא ככלי שברא בה הדברים, אבל החפץ בה שהיא חדשה מבריאת היסודות וסעפותם, ונתבארה חכמתו שבה הכל מתוקן:
Nota — a Sabedoria não é uma “matéria” eterna. Saadia corrige uma leitura equivocada de versos célebres (Mishlei 8:22, “o Eterno me adquiriu...”; Iyov 28, “a sabedoria, onde se acha?”). Mostra, pela própria língua, que kanani significa “criou” (não “possui desde sempre”), e que a Escritura situa a Sabedoria junto à criação dos elementos, não antes dela. A conclusão é importante e bela: a “Sabedoria” pela qual o mundo foi feito não é uma substância eterna ao lado de D’us, e sim a ordem inteligente que Ele imprimiu na criação — a racionalidade que torna o mundo compreensível.
Sobre esta seção · עִיּוּן
Refutar, não apenas afirmar
O longo terceiro capítulo do Tratado I é um catálogo crítico das teorias sobre a origem do mundo — treze ao todo. O leitor moderno talvez estranhe o detalhe; mas o gesto é exemplar: Saadia trata o adversário com seriedade, expondo a sua posição antes de respondê-la. A fé racional, para ele, prova-se não por ignorar as alternativas, mas por atravessá-las.
O atalho que não atalha
A primeira teoria refutada — a da “matéria espiritual eterna” — é o protótipo de uma tentação filosófica perene: evitar o mistério da criação inventando uma matéria intermediária e sem origem. Saadia desmonta-a com economia: se essa matéria precisa ser transformada do informe ao formado por um poder ilimitado, então esse poder já basta para criar do nada — e o intermediário é inútil. O Radal e os comentadores apreciam aqui o rigor: a explicação mais simples vence.
A Sabedoria como ordem do mundo
O fecho corrige uma exegese: a “Sabedoria” de Mishlei e de Iyov não é uma entidade eterna ao lado do Criador, mas a ordem que Ele pôs na criação. É um ponto caro à tradição racionalista — o mundo é inteligível porque foi feito com sabedoria; e estudar essa ordem é, ele mesmo, um modo de conhecer o Criador.
Sobre esta tradução
Obra: Saadia Gaon (882–942), Sefer haEmunot vehaDeot, Tratado I, capítulo 3 (segmentos 1-6), na versão hebraica de Rav Yehudá Ibn Tibbon, de domínio público (ed. Leipzig, 1864; Sefaria). A redação em português é original; não se reproduz nenhuma tradução moderna protegida por direitos autorais.
O capítulo 3, muito extenso (refuta treze teorias), é apresentado em partes sucessivas; esta cobre a introdução e a primeira teoria rival. A descrição geométrica (§2) e a longa exegese bíblica (§6) foram condensadas nos pontos repetitivos (marcados com “...”), preservando-se o argumento. As notas e a seção de estudo são originais. Eventuais imprecisões são de nossa responsabilidade.