Terceira e última halachá do Perek Heh de Massechet Maasrot — e também a última halachá de todo o tratado, que tem cinco perakim e vinte halachot ao todo. A Mishná traz que quem faz vinho fraco (tamed, obtido despejando água sobre o bagaço já prensado da uva) e despeja água na medida, se encontra a mesma medida, fica isento do dízimo — Rabi Yehudá obriga; se encontra mais que a medida, retira o excedente proporcionalmente de outro lugar. Os buracos de formigas junto a uma pilha de grãos já obrigada ficam obrigados, pois é sabido que as formigas arrastam o produto processado a noite toda. O alho de Baalbek, a cebola de Richpa, os grãos rachados cilicianos e as lentilhas egípcias — Rabi Meir acrescenta a colocásia, Rabi Yossei acrescenta os cartanim — ficam isentos dos dízimos e podem ser comprados de qualquer pessoa no ano sabático. E as sementes de horta não comestíveis — do luf, do alho-poró, da cebola, do nabo e do rabanete — ficam isentas dos dízimos e compráveis de qualquer pessoa no ano sabático, pois, ainda que a sua origem seja teruma, podem ser comidas.
A guemará abre com Rabi Abahu, que ora em nome de Rabi Lazar, ora em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina, condicionando a obrigação do tamed à sua fermentação, e com Rabi Yossei concluindo que isso é opinião de todos. Explica que o dízimo retirado do bagaço vendido não inclui a teruma, pois quem separa a teruma já tem em mente os grãos quebrados e os restos da palha. Traz a longa disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre nivelar a pilha do companheiro sem seu conhecimento, com o paralelo da massa de pão dividida entre mulheres para um padeiro, a distinção entre a intenção do dono e a do padeiro dependente dos compradores, e a aplicação do princípio do abandono aos buracos de formigas; a objeção de Rabi Shimon ben Lakish a partir do caso do tesoureiro do Templo; e a pergunta de Rabi Chananya sobre o que ainda está no frasco. Detalha então as definições de cada produto isento — o alho de Baalbek e a cebola de Richpa segundo Rabban Shimon ben Gamliel; os grãos cilicianos e a disputa sobre se existe algo verdadeiramente "quadrado" desde a Criação, com Rabi Berechia e Rabi Bisiná; e as lentilhas egípcias e a colocásia. Fecha com Rabi Yirmeya perguntando se o croco é permitido como rebento espontâneo, a discussão sobre o linho e a comparação com a vicia compráveis no ano sabático, e o caso final dos bredos de teruma que caíram numa horta e brotaram, julgado por Rabi Yochanan, com a réplica de Rabi Chiya bar Vava e a resposta final que fecha a Massechet Maasrot inteira.
Mishná: Quem faz vinho fraco (tamed) e despeja água na medida, e encontra a mesma medida, fica isento. Rabi Yehudá obriga. Se encontrou mais que a sua medida, retira dele, proporcionalmente, de outro lugar.
Os buracos de formigas nossas, ao lado de uma pilha já obrigada — eis que estes ficam obrigados, pois é sabido que as formigas, de coisa já processada, arrastavam a noite toda.
Alho de Baalbek, cebola de Richpa, grãos rachados cilicianos, e lentilhas egípcias — Rabi Meir diz: também a colocásia; Rabi Yossei diz: também os cartanim — ficam isentos dos dízimos e podem ser comprados de qualquer pessoa no ano sabático.
Semente da parte superior do luf, semente de alho-poró, semente de cebolas, semente de nabo e de rabanetes, e as demais sementes de horta que não se comem, ficam isentas dos dízimos e podem ser compradas de qualquer pessoa no ano sabático — pois, ainda que a sua origem seja teruma, estas podem ser comidas.
Halachá: Disse Rabi Abahu: às vezes o dizia em nome de Rabi Lazar, às vezes o dizia em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina — e isso, somente se o vinho fraco azedou. Ensinamos ali: o tamed, antes de azedar, não pode ser comprado com dinheiro do segundo dízimo, e invalida o mikvê; depois de azedar, pode ser comprado com dinheiro do dízimo e não invalida o mikvê.
A nossa Mishná é de Rabi Yehudá, pois ensinamos ali: quem faz tamed e despeja água na medida, e encontra a mesma medida, fica isento; Rabi Yehudá obriga. Disse Rabi Abahu: às vezes o dizia em nome de Rabi Lazar, e às vezes o dizia em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina — e isso, somente se azedou. Disse Rabi Yossei: isso é opinião de todos, pois até água salgada pode ser comprada com dinheiro do dízimo.
O que ele retira do bagaço a que extraiu líquidos? Dízimos! Isso quer dizer: não a teruma, pois quem separa a teruma já tem em mente, no seu coração, os grãos quebrados, o que fica nas bordas, e o que permanece dentro da palha.
Quem nivela a pilha de grãos do seu companheiro sem o seu conhecimento — Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish discordam. Rabi Yochanan diz: a pilha fica tevel. E Rabi Shimon ben Lakish diz: não fica tevel. Rabi Yochanan objetou a Rabi Shimon ben Lakish: não ensinamos assim — e do mesmo modo, mulheres que deram a um padeiro para fazer-lhes fermento, se não há na massa de cada uma delas a medida mínima, fica isenta da chalá; mas se há na de todas juntas a medida mínima, fica obrigada? Disse-lhe: isso porque quem faz uma massa com a intenção de dividi-la, a massa fica isenta da chalá.
Mas não ensinamos: um padeiro que fez fermento para dividir fica obrigado quanto à chalá? Disse-lhe: não me respondas com o caso do padeiro. Para o padeiro, a coisa não depende da sua própria intenção, mas da intenção dos compradores; a coisa depende de que talvez encontre compradores e a massa se torne tevel de imediato.
Disse-lhe: mas não se ensina — os buracos de formigas nossas, ao lado de uma pilha obrigada, eis que estes ficam obrigados? Isso implica que, ao lado de uma pilha isenta, ficam isentos! Disse Rabi Yona, disse Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan: por causa do abandono (yeush). Shmuel bar Abba disse: e isso, somente se as formigas arrastaram as pontas das espigas.
Rabi Shimon ben Lakish objetou a Rabi Yochanan: não ensinamos — se o dono os frutos dedicou ao Templo antes de terminarem de amadurecer, e o tesoureiro os terminou, e depois o dono os resgatou, ficam isentos? Ora, o tesoureiro é como "outro", e tu dizes que o que ele fez é válido? Disse-lhe: isso se explica segundo quem diz que o tesoureiro tem o status do dono, e não segundo Rabi Yossei, pois Rabi Yossei diz que o tesoureiro é diferente do dono.
Rabi Chananya, colega dos rabinos, perguntou: e mesmo que haja, em todas as massas juntas, a medida mínima, não deveria ser tratado como algo cujo trabalho não terminou, e ficar isento? Pois disse Rabi Yossei em nome de Rabi Ze'irá — Rabi Yona o dizia em nome de Rabi Ze'irá — em nome de Rabi Lazar: mesmo o que está no frasco não se tornou tevel, porque o dono está para devolvê-lo, sendo algo cujo trabalho não terminou.
O que é o alho de Baalbek? Todo aquele que tem apenas um buraco ao redor do caule. Disse Rabban Shimon ben Gamliel: todo aquele que tem apenas uma casca. O que é a cebola de Richpa? Toda aquela cujo ferrão se dissolve dentro dela. Rabban Gamliel diz: toda aquela que não tem veneno.
Quais são os grãos rachados cilicianos? São os quadrados. Ensinou Rabban Shimon ben Gamliel: não há nada quadrado desde os seis dias da Criação. Objetou Rabi Berechia: não ensinamos que o corpo da baheret (uma mancha da lepra) é como um grão rachado ciliciano quadrado? Disse Rabi Bisiná: todo grão, por si só, diz que não tem quadrado; então por que ensinamos isso? Para que o examinador o quadre. E ela — a baheret — está cheia de nós; e ela é como o buquê de pila, redonda por baixo.
Há quem queira dizer que Rabban Shimon ben Gamliel só falou quanto aos seres vivos. E assim se ensina: há quadrado nos alimentos; não há quadrado nos seres vivos.
Quais são as lentilhas egípcias? Todas cujas esferas são pontiagudas. Rabban Shimon ben Gamliel diz: todas as que não têm pedrinhas. O que é a colocásia (hakurikas)? Toda aquela cujos talos são poucos e cujos brotos são muitos. A que se assemelha? Disse Rabi Yossei: a estas koniyata.
Rabi Yirmeya perguntou: o croco (karkumin) — seria permitido como rebento espontâneo (sfichin)? Objetou Rabi Tanchum bar Yirmeya: não ensinamos — de quem é suspeito quanto ao ano sabático, não se compra linho, nem mesmo penteado? E o linho não é como lascas de madeira (que não deveriam ter essa restrição)? Disse Rabi Chinena: a restrição é por causa da sua semente.
Disse Rabi Mana: se é por causa da sua semente, não ensinamos — de quem é suspeito de vender teruma como produto comum, não se compra dele água nem sal? Podes dizer que água e sal são restritos por causa da sua semente? Não; é como multa. Também aqui, a restrição do linho é como multa.
Menachem bar Maximá, irmão de Yonatan Caifa, em nome de Rabi Ami: o linho pode ser comprado de qualquer pessoa no ano sabático. Isso se diz quando não se sabe se ele é suspeito ou não é suspeito; mas quando é coisa certa que é suspeito, é proibido.
Zugá, parente de Rabi Ba bar Zavda, em nome de Rabi Abahu: a vicia (bikya) pode ser comprada de qualquer pessoa no ano sabático. Disse Rabi Yossei: não é isso o que diz a nossa Mishná — "semente da parte superior do luf, semente de alho-poró, semente de cebolas, semente de nabo e de rabanetes, e as demais sementes de horta que não se comem"? E ensina-se sobre isso: semente de pastel-dos-tintureiros (isatis), semente de cártamo, e semente de vicia — o que implica que a própria vicia, não! Talvez isso só tenha sido dito quando não se sabe se ele é suspeito ou não é suspeito; mas quando é coisa certa que é suspeito, é proibido.
Assim se ensina, emendando a Mishná: "a semente da haste (siliyon) do luf." Certa mulher tinha bredos (yarbuzin) de teruma dentro do seu cesto; caíram numa horta e brotaram. O caso veio diante de Rabi Yochanan, que permitiu o consumo dos brotos. Disse-lhe Rabi Chiya bar Vava: não é isso a nossa Mishná — "ainda que a sua origem seja teruma, estas podem ser comidas"? Disse-lhe: babilônio! Desde que desenterraste um caco, encontraste uma pérola — e dizes: não é isso a nossa Mishná!
A Mishná traz que quem faz vinho fraco (tamed) e encontra a mesma medida de água despejada fica isento do dízimo, com Rabi Yehudá obrigando; que os buracos de formigas junto a uma pilha obrigada ficam obrigados; que o alho de Baalbek, a cebola de Richpa, os grãos rachados cilicianos e as lentilhas egípcias — com os acréscimos de Rabi Meir e Rabi Yossei — ficam isentos dos dízimos e compráveis no ano sabático; e que as sementes de horta não comestíveis ficam isentas dos dízimos mesmo vindas de teruma.
A guemará traz Rabi Abahu condicionando a obrigação do tamed à sua fermentação, e Rabi Yossei concluindo que é opinião de todos; esclarece que o dízimo retirado do bagaço não inclui a teruma; a longa disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre nivelar a pilha do companheiro sem seu conhecimento, com o paralelo da massa de pão dividida entre mulheres e o princípio do abandono aplicado aos buracos de formigas; a objeção a partir do tesoureiro do Templo; a pergunta de Rabi Chananya sobre o que ainda está no frasco; as definições detalhadas do alho de Baalbek, da cebola de Richpa, dos grãos cilicianos — com a disputa sobre se existe algo "quadrado" desde a Criação — e das lentilhas egípcias e da colocásia; a pergunta de Rabi Yirmeya sobre o croco como rebento espontâneo, e a discussão sobre o linho e a vicia compráveis no ano sabático; e fecha com o caso dos bredos de teruma que caíram numa horta e brotaram, julgado por Rabi Yochanan, e a réplica final de Rabi Chiya bar Vava.
Com esta halachá, encerra-se por completo não apenas o Perek Heh, mas TODA A MASSECHET MAASROT do Talmud Yerushalmi — cinco perakim, vinte halachot, do início ao fim.