Talmud Yerushalmi · Massechet Maasrot · Perek Guimel · Halachá 4 (última do perek)
תְּאֵינָה שֶׁהִיא עוֹמֶדֶת

A figueira em pé no pátio, o pátio lavrado como jardim, e a fronteira entre a Terra de Israel e o exterior — o encerramento do Perek Guimel

Perek Guimel, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Maasrot — encerramento do capítulo

Quarta e última halachá do Perek Guimel de Massechet Maasrot: a Mishná ensina que, de uma figueira em pé no pátio, come-se um fruto de cada vez, e se os juntou, fica obrigado; Rabi Shimon diz: um na mão direita, um na esquerda e um na boca; se subiu ao topo, enche o regaço e come. De uma videira plantada no pátio, toma-se o cacho inteiro — e o mesmo vale para a romã e para a melancia — palavras de Rabi Tarfon; Rabi Akiva diz: arranca bagas uma a uma do cacho, retira grãos da romã, e corta pedaços da melancia. Do coentro semeado no pátio, arranca-se folha por folha e come, e se as juntou, fica obrigado. A hortelã-do-campo, o hissopo e a segurelha que estão no pátio, se eram guardados, ficam obrigados. Uma figueira em pé no pátio mas inclinada para o jardim: come do seu modo habitual e está isento; em pé no jardim mas inclinada para o pátio: come um de cada vez, e se os juntou, fica obrigado. Em pé na Terra de Israel e inclinada para fora da Terra, ou em pé fora da Terra e inclinada para a Terra: tudo segue o tronco. E nas casas das cidades muradas, tudo segue o tronco; nas cidades de refúgio, tudo segue a copa; e em Jerusalém, tudo segue a copa.

A guemará abre tratando do tempo dado para talhar o figo pela primeira, segunda e terceira vez, com Rabi Yoná em nome de Rabi Zeirá sobre colher o segundo fruto dentro do tempo do primeiro; a pergunta de Rabi Yirmeya sobre lançar o primeiro fruto acima do espaço aéreo de dez; Rabi Lazar berabi Shimon sobre três em cada mão e na boca, medindo por si mesmo, e o episódio com seu sogro Rabi Shimon berabi Yossei bar Lakonya sobre quantos goles se deve beber da taça; o apelido que lhe dava Rabi Yehoshua ben Korchá — "vinagre filho de vinho" — por causa da fuga para Ladoceia, com o episódio de cortar os espinhos, episódio paralelo à célebre história de Rabi Shimon bar Yochai e seu filho na caverna, contada no Talmud Bavli, Massechet Shabat 33b–34a. Segue com o fruto que rolou sozinho e a questão de devolvê-lo, comparando com a lei do feixe esquecido segundo o versículo de Devarim; a Mishná de quem comia o cacho e passou do jardim ao pátio, com Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, e as explicações de Rabi Zeirá, Rabi Chiya, Rabi Ilá e Rabi Isi em nome de Rabi Yochanan; o ensino em nome de Rabi Nechemia de que o pátio lavrado é como o jardim, com a halachá fixada por Rabi Simlai, e a discussão sobre semear ou plantar a maior parte dele com Rav Chisda; a explicação de qual regra se aplica a cada caso; a longa digressão de Rabi Yirmeya diante de Rabi Zeirá sobre os mestres da agadá, chamados por Rabi Zeirá de "livros de feitiçaria", a pergunta sobre o versículo do salmo "pois a fúria do homem Te louvará", as respostas de Rabi Levi, e a conclusão de Rabi Zeirá de que nada se aprende dali. Fecha com a Mishná de que tudo o que está dentro da muralha é como as casas das cidades muradas, exceto os campos — Rabi Meir inclui também os campos —, com a derivação dos versículos sobre a casa e a muralha; a diferença entre Rabi Yehuda e Rabi Shimon sobre a casa construída na própria muralha; Rabi Chinená sobre o fruto que passou pela copa ou pelo tronco; e o ensino de Beit Shamai de que tudo é como dentro. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Guimel de Massechet Maasrot.

A Mishná · מַתְנִיתִין

תְּאֵינָה שֶׁהִיא עוֹמֶדֶת בֶּחָצֵר אוֹכֵל אַחַת אַחַת וְאִם צֵירַף חַיָיב. רִבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר אַחַת בִּימִינוֹ וְאַחַת בִּשְׂמֹאלוֹ וְאַחַת בְּפִיו. עָלָה לְרֹאשָׁהּ מְמַלֵּא חֵיקוֹ וְאוֹכֵל. גֶּפֶן שֶׁהִיא נְטוּעָה בֶּחָצֵר נוֹטֵל אֶת כָּל הָאֶשְׁכּוֹל וְכֵן בָּרִמּוֹן וְכֵן בָּאֲבַטִּיחַ דִּבְרֵי רִבִּי טַרְפוֹן. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר מְגַרְגֵּר בָּאֶשְׁכּוֹל וּפוֹרֵט בָּרִמּוֹן וְסוֹפֵת בָּאֲבַטִּיחַ. כּוּסְבָּר שֶׁהִיא זְרוּעָה בֶּחָצֵר מְקַרְטֵם עָלֶה עָלֶה וְאוֹכֵל וְאִם צֵירַף חַיָיב. סִיאָה וְהָאֵזוֹב וְהַקּוּרְנִית שֶׁבְּחָצֵר אִם הָיוּ נִשְׁמָרִין חַיָיבִין. תְּאֵינָה שֶׁהִיא עוֹמֶדֶת בֶּחָצֵר וְנוֹטָה לַגִּינָּה אוֹכֵל כְּדַרְכּוֹ וּפָטוּר. עוֹמֵד בַּגִּינָּה וְנוֹטָה לֶחָצֵר אוֹכֵל אַחַת אַחַת וְאִם צֵירַף חַיָיב. עוֹמֶדֶת בָּאָרֶץ וְנוֹטָה בְּחוּצָה לָאָרֶץ אוֹ עוֹמֶדֶת בְּחוּצָה לָאָרֶץ וְנוֹטָה לָאָרֶץ הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הָעִיקָּר. וּבְבָתֵּי עָרֵי חוֹמָה הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הָעִיקָּר. בְּעָרֵי מִקְלָט הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַנּוֹף. וּבִירוּשָׁלֵם הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַנּוֹף.

Mishná: Uma figueira que está em pé no pátio: come um fruto de cada vez, e se os juntou, fica obrigado. Rabi Shimon diz: um na sua mão direita, um na sua esquerda e um na sua boca (pode comer os três simultaneamente, sem que se considere junção). Se subiu ao seu topo, enche o regaço e come (sem restrição, pois já não está no pátio).

Uma videira plantada no pátio: toma o cacho inteiro de uma vez, e come; e o mesmo vale para a romã e para a melancia — palavras de Rabi Tarfon. Rabi Akiva diz: arranca bagas uma a uma do cacho, retira grãos um a um da romã, e corta pedaços um a um da melancia.

O coentro semeado no pátio: arranca folha por folha e come, e se as juntou, fica obrigado. A hortelã-do-campo, o hissopo e a segurelha que estão no pátio — se eram guardados, ficam obrigados.

Uma figueira que está em pé no pátio mas se inclina para o jardim: come do seu modo habitual e está isento. Em pé no jardim mas inclinada para o pátio: come um de cada vez, e se os juntou, fica obrigado. Em pé na Terra de Israel e inclinada para fora da Terra, ou em pé fora da Terra e inclinada para a Terra: tudo segue o tronco. E nas casas das cidades muradas, tudo segue o tronco. Nas cidades de refúgio, tudo segue a copa. E em Jerusalém, tudo segue a copa.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01O tempo dado para talhar o figo pela primeira, segunda e terceira vez; Rabi Yoná em nome de Rabi Zeirá sobre colher o segundo dentro do tempo do primeiro
Yerushalmi · Maasrot 3:4
תַּנֵּי נוֹתְנִין לוֹ שָׁהוּת לְפַצֵּעַ בָּהּ פַּעַם רִאשׁוֹנָה שְׁנִיָיה וּשְׁלִישִׁית. רִבִּי יוֹנָה בְשֵׁם רִבִּי זְעִירָא שֶׁאִם לִיקֵּט אֶת הַשְּׁנִיָיה בְּתוֹךְ כְּדֵי שָׁהוּת רִאשׁוֹנָה נִטְבְּלוּ שְׁתֵּיהֶן.

Halachá: Foi ensinado: dão-lhe tempo para talhar o figo (abri-lo antes de comê-lo), na primeira vez, na segunda e na terceira. Rabi Yoná em nome de Rabi Zeirá: se colheu o segundo dentro do tempo equivalente ao gasto com o primeiro, ambos se tornam sujeitos a tevel (são considerados unidos, e ele fica obrigado).

02Rabi Yirmeya: se lançou o primeiro fruto acima do espaço aéreo de dez, e colheu o segundo antes que descesse
Yerushalmi · Maasrot 3:4
רִבִּי יִרְמְיָה בָּעֵי זָרַק אֶת הָרִאשׁוֹנָה לְמַעֲלָה מֵאֲוֵיר עֲשָׂרָה לֹא הִסְפִּיקָה לֵירֵד לְמַטָּה מֵאֲוֵיר עֲשָׂרָה עַד שֶׁלִּיקֵּט אֶת הַשְּׁנִיָיה נִטְבְּלוּ שְׁתֵּיהֶן.

Rabi Yirmeya perguntou: se lançou o primeiro fruto para cima, acima do espaço aéreo de dez (palmos), e não teve tempo de descer abaixo do espaço aéreo de dez antes que colhesse o segundo, ambos se tornam sujeitos a tevel.

03Rabi Lazar berabi Shimon: três em cada mão e na boca, medindo por si mesmo; o sogro Rabi Shimon berabi Yossei bar Lakonya sobre os goles da taça
Yerushalmi · Maasrot 3:4
רִבִּי לָעְזָר בֵּירִבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר שָׁלֹשׁ בִּימִינוֹ וְשָׁלֹשׁ בִּשְׂמֹאלוֹ וְשָׁלֹשׁ בְּפִיו. רִבִּי לָעְזָר בֵּירִבִּי שִׁמְעוֹן עַל יְדֵי דַהֲוָה אָכְלָן הֲוָה מְשָׁעֵר גַּרְמֵיהּ כֵּן. רִבִּי לָעְזָר בֵּירִבִּי שִׁמְעוֹן אֲזַל לְגַבֵּיהּ רִבִּי שִׁמְעוֹן בֵּירִבִּי יוֹסֵי בַּר לַקּוֹנִיָּא חָמוֹי הֲוָה מְזַג לֵיהּ וְהוּא שָׁתֵי. מְזַג לֵיהּ וְהוּא שָׁתֵי. אָמַר לֵיהּ לֹא שְׁמָעַת מִן אָבוּךְ כַּמָּה אָדָם צָרִיךְ לְגַמּוֹת בַּכּוֹס. אָמַר לֵיהּ כְּמוֹת שֶׁהִיא אַחַת. בְּצוֹנִין שְׁתַּיִם. בְּחַמִּין שָׁלֹשׁ וְלֹא שִׁיעֲרוּ חֲכָמִים לֹא בְּיֵינָךְ שֶׁהוּא נָאֶה וְלֹא בְּכּוֹסָךְ שֶׁהוּא קָטָן וְלֹא בִּכְרֵיסִי שֶׁהִיא רְחָבָה.

Rabi Lazar berabi Shimon diz: três na sua mão direita, três na sua esquerda e três na sua boca. Rabi Lazar berabi Shimon, porque costumava comê-los assim, media a si mesmo e chegava a essa proporção.

Rabi Lazar berabi Shimon foi à casa de Rabi Shimon berabi Yossei bar Lakonya, seu sogro; este lhe misturava o vinho com água e ele bebia; misturava-lhe de novo e ele bebia. Disse-lhe: não ouviste de teu pai quantos goles a pessoa precisa dar na taça? Disse-lhe: como está (o vinho puro), um gole; misturado com água fria, dois; com água quente, três. E os sábios não mediram nem pelo teu vinho, que é excelente, nem pela tua taça, que é pequena, nem pelo meu ventre, que é largo.

04Rabi Yehoshua ben Korchá o chamava de "vinagre filho de vinho": a fuga a Ladoceia e os espinhos — episódio paralelo à história da caverna de Rabi Shimon bar Yochai e seu filho, no Talmud Bavli, Massechet Shabat
Yerushalmi · Maasrot 3:4
וַהֲוָה רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן קָרְחָה צְוַוח לֵיהּ חַלָּא בַּר חַמְרָא. אֲמַר לֵיהּ לָמָּה אַתְּ צְוַוח לִי כֵן. אָמַר לֵיהּ עַד דַּעֲרַקְתְּ וַאֲזַלְתְּ לָךְ לְלַדוֹקֵיָא. אָמַר לֵיהּ וְלֹא קוֹצִין כְּסִיחִין כִּסַּחְתִּי. אָמַר לֵיהּ וְלָא הֲוָה לֵילֵךְ לָךְ לְסוֹף הָעוֹלָם לְהַנִּיחַ בַּעַל הַּגִּינָּה שֶׁיִּקּוֹץ אֶת קוֹצִין.

E Rabi Yehoshua ben Korchá costumava chamá-lo (a Rabi Lazar berabi Shimon) de "vinagre filho de vinho". Disse-lhe: por que me chamas assim? Disse-lhe: porque fugiste e foste para Ladoceia. Disse-lhe: e não cortei os espinhos como espinhos devem ser cortados? Disse-lhe: e não era melhor para ti ir até o fim do mundo, e deixar que o dono do jardim cortasse os seus próprios espinhos (em vez de agires com excessivo rigor e teres de fugir)? (Este episódio é uma versão paralela à célebre história de Rabi Shimon bar Yochai e seu filho, escondidos na caverna, contada no Talmud Bavli, Massechet Shabat 33b–34a.)

05O fruto que rolou sozinho: devolvê-lo a um lugar isento ou a um lugar obrigado; a lei do feixe esquecido, segundo o versículo de Devarim
Yerushalmi · Maasrot 3:4
נִתְגַּלְגְּלָה מֵאֵילֶיהָ מַהוּ מַחֲזָּרָתָהּ כְּמַה דְתֵימַר תַּמָּן מַחֲזִירָן לִמְקוֹמָן וְאוֹכֵל. וְאוֹף הָכָא כֵן. תַּמָּן בְּמַחֲזִירָן בְּמָקוֹם פְּטוֹר. בְּרַם הָכָא בְּמַחֲזִירָן לְמָקוֹם חִייוּב. מַה דָמִי לָהּ הָיָה עוֹמֵד בְּרֹאשׁ הַתְּאֵינָה מַה אַתְּ עֲבִיד לָהּ כְּעוֹמֵד בָּעִיר כְּעוֹמֵד בַּשָּׂדֶה. יֵיבָא כְהָדָא הָיָה עוֹמֵד בָּעִיר וְאָמַר יוֹדֵעַ אֲנִי שֶׁהַפּוֹעֲלִין שׁוֹכְחִין עוֹמֶר שֶׁבְּמָקוֹם פְּלוֹנִי וּשְׁכָחוּהוּ אֵינָהּ שִׁכְחָה. הָיָה עוֹמֵד בַּשָּׂדֶה וְאָמַר יוֹדֵעַ אֲנִי שֶׁהַפּוֹעֲלִין שׁוֹכְחִין עוֹמֶר שֶׁבְּמָקוֹם פְּלוֹנִי וּשְׁכָחוּהוּ הֲרֵי זֶה שִׁכְחָה דִּכְתִיב בַּשָּׂדֶה וְשָׁכַחְתָּ וְלֹא בָּעִיר וְשָׁכַחְתָּ.

Se o fruto rolou por si mesmo, o que dizer quanto a devolvê-lo ao seu lugar original? Como se diz ali (noutra halachá): devolve-os ao seu lugar e come. E também aqui é assim. Ali trata-se de devolvê-los a um lugar isento; mas aqui trata-se de devolvê-los a um lugar obrigado. A que se compara isso? Se estava em pé no topo da figueira, como se há de tratá-lo — como quem está em pé na cidade, ou como quem está em pé no campo? Venha e se demonstre por isto: se estava em pé na cidade e disse "sei que os trabalhadores esquecem um feixe em tal lugar", e o esqueceram — não é esquecimento (halachicamente válido, pois o dono já tinha em mente aquele feixe). Se estava em pé no campo e disse o mesmo, e o esqueceram, isto é esquecimento (válido, e o feixe pertence aos pobres), pois está escrito: "no campo, e esqueceres" (Devarim 24:19), e não "na cidade, e esqueceres".

06A Mishná de quem comia o cacho e passou do jardim ao pátio: Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua; as explicações de Rabi Zeirá, Rabi Chiya, Rabi Ilá e Rabi Isi em nome de Rabi Yochanan
Yerushalmi · Maasrot 3:4
תַּמָּן תַּנִּינָן הָיָה אוֹכֵל אֶת הָאֶשְׁכּוֹל וְנִכְנַס מִן הַגִּינָּה לֶחָצֵר. רִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר יִגְמוֹר רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר לֹא יִגְמוֹר. רִבִּי זְעִירָה רִבִּי חִיָיה בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן אוֹ דְּרִבִּי טַרְפוֹן כְּרִבִּי לִיעֶזֶר אוֹ רִבִּי טַרְפוֹן עֲבַד עוּקְצַת הָאוֹכֶל מִתְּחִילָּתוֹ. רִבִּי אִילָּא רִבִּי אִיסִּי בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן אוֹ רִבִּי טַרְפוֹן כְּרִבִּי לִיעֶזֶר. אוֹ רִבִּי טַרְפוֹן עֲבַד אֲכִילָה שְׁתַּיִם שָׁלֹשׁ אֲכִילוֹת כַּאֲכִילָה אַחַת. מַה טַעֲמָא דְרִבִּי לִיעֶזֶר מִשּׁוּם שֶׁהִתְחִיל בּוֹ בְהֵיתֵר. אָמַר רִבִּי נָתַן לֹא שֶׁרִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר מִשּׁוּם שֶׁהִתְחִיל בּוֹ בְהֵיתֵר. אֶלָּא שֶׁרִבִּי אֶלְעָזָר אוֹמֵר יַמְתִּין עַד שֶׁיֵּצֵא שַׁבָּת אוֹ עַד שֶׁיּוֹצִיא חוּץ לַחֲצֵירוֹ וְיִגְמוֹר.

Ali (noutra Mishná) ensinamos: estava comendo o cacho e entrou do jardim para o pátio. Rabi Eliezer diz: pode terminá-lo. Rabi Yehoshua diz: não pode terminá-lo. Rabi Zeirá e Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: ou esta é a opinião de Rabi Tarfon, como Rabi Eliezer, ou Rabi Tarfon trata o ponto de apego do que se come conforme o seu início (uma vez começado licitamente, todo o cacho é tratado como uma só unidade). Rabi Ilá e Rabi Isi em nome de Rabi Yochanan: ou Rabi Tarfon concorda com Rabi Eliezer, ou Rabi Tarfon trata um ato de comer — dois, três atos de comer — como um só ato de comer. Qual é a razão de Rabi Eliezer? Porque começou nele com permissão. Disse Rabi Natan: não é que Rabi Eliezer diga isso porque começou nele com permissão; mas sim que Rabi Elazar diz: que espere até que saia o Shabat, ou até que o leve para fora do seu pátio, e então termine.

07Em nome de Rabi Nechemia: o pátio lavrado é como o jardim; a halachá fixada por Rabi Simlai; Rav Chisda sobre plantar para ornamento do pátio
Yerushalmi · Maasrot 3:4
תַּנֵּי בְשֵׁם רִבִּי נְחֶמְיָה חָצֵר שֶׁהִיא נֶעֱדֶרֶת הֲרֵי הִיא כְגִינָּה אוֹכְלִין בְּתוֹכָהּ עֲרַאי. אָמַר רִבִּי שִׂמְלַאי הֲלָכָה כְּרִבִּי נְחֶמְיָה. תַּנֵּי זָרַע רוּבָּהּ חַיָיב. נָטַע רוּבָּהּ פְּטוּרָה. אָמַר רַב חִסְדָּא וְהוּא שֶׁנְּטָעָהּ לְנוֹיָיהּ שֶׁל חָצֵר. הָדָא יְלָפָא מִן הַהִיא. וְהַהִיא יְלָפָא מִן הָדָא. הָדָא יְלָפָא מִן הַהִיא זָרַע רוּבָּהּ חַיֶיבֶת וְהִיא שֶׁתְּהֵא נֶעֱדֶרֶת. וְהַהִיא יְלָפָא מִן הָדָא שֶׁאִם הָיְתָה נֶעֱדֶרֶת שֶׁהִיא כְשֵׁירָה וְהוּא שֶׁעִידֵּר רוּבָּהּ.

Foi ensinado em nome de Rabi Nechemia: um pátio que é lavrado (cultivado como horta, não pavimentado) é como um jardim — come-se dentro dele ocasionalmente (sem ficar obrigado). Disse Rabi Simlai: a halachá é conforme Rabi Nechemia. Foi ensinado: se semeou a maior parte dele, fica obrigado; se plantou a maior parte dele (com árvores), fica isento. Disse Rav Chisda: e isso quando o plantou para o ornamento do pátio. Isto se deriva daquilo, e aquilo se deriva disto: isto se deriva daquilo — "se semeou a maior parte, fica obrigado" — e isso quando o pátio já era todo lavrado; e aquilo se deriva disto — que, se era lavrado e por isso isento como jardim, isso vale somente quando lavrou a maior parte dele.

08Qual regra se aplica a cada caso: comer do modo habitual quando em pé no jardim, comer um a um quando em pé no pátio
Yerushalmi · Maasrot 3:4
הָדָא דְתֵימַר אוֹכֵל כְּדַרְכּוֹ פָטוּר בְעוֹמֵד בְּגִינָּה. הֵן דְּתֵימַר אוֹכֵל אֶחָד אֶחָד פָּטוּר וְאִם צֵירַף חַיָיב בְּעוֹמֵד בְּחָצֵר.

Isto que se diz, "come do seu modo habitual e está isento", refere-se a quando o próprio comensal está em pé no jardim. Isto que se diz, "come um a um, e se os juntou fica obrigado", refere-se a quando está em pé no pátio.

09A digressão de Rabi Yirmeya diante de Rabi Zeirá: os mestres da agadá chamados de "livros de feitiçaria", o versículo do salmo, e o conselho final de ir gravar selos em Tiro
Yerushalmi · Maasrot 3:4
רִבִּי יִרְמְיָה בְּעָא קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא הָיְתָה נִיטֶּלֶת בְּדוקני. דֵּלֹמָא רִבִּי זְעִירָא וְרִבִּי אַבָּא בַּר כַּהֲנָא וְרִבִּי לֵוִי הֲווֹן יְתִיבִין וַהֲוָה רִבִּי זְעִירָא מְקַנְתֵּר לְאִילֵּין דַּאֲגַדְּתָא וְצָוַוח לְהוֹן סִיפְרֵי קִיסְמֵי. אֲמַר לֵיהּ רִבִּי בָּא בַּר כַּהֲנָא לָמָּה אַתְּ מְקַנְתֵּר לוֹן שְׁאַל וְאִינּוּן מֵגִיבִין לָךְ. אֲמַר לֵיהּ מַהוּ הָדֵין דִּכְתִיב כִּי חֲמַת אָדָם תּוֹדֶךָּ שֶׁאֵירִית חֵימוֹת תַּחְגּוֹר. אָמַר לֵיהּ כִּי חֲמַת אָדָם תּוֹדֶךָּ בְּעוֹלָם הַזֶּה. שֶׁאֵירִית חֵימוֹת תַּחְגּוֹר לְעוֹלָם הַבָּא. אֲמַר לֵיהּ אוֹ נֵימַר כִּי חֲמַת אָדָם תּוֹדֶֶךָּ בְּעוֹלָם הַבָּא. שֶׁאֵירִית חֵימוֹת תַּחְגּוֹר בָּעוֹלָם הַזֶּה. אָמַר רִבִּי לֵוִי כְּשֶׁתְּעוֹרֵר חֲמָתְךָ עַל הָרְשָׁעִים צִדִּיקִים רוֹאִין מַה אַתְּ עוֹשֶׂה לָהֶן וְהֵן מוֹדִין לְשִׁמְךָ. אָמַר רִבִּי זְעִירָא הִיא הָפְכָה וְהִיא מְהַפְּכָה לֹא שְׁמָעִינָן מִינָהּ כְּלוּם. יִרְמְיָה בְנִי אֵזֶל לְצוֹר צוֹר דוקניתָךְ דְּהִיא טָבָא מִן כְּלוּם.

Rabi Yirmeya perguntou diante de Rabi Zeirá (a respeito de um ensino agádico cujo início não se preservou com clareza). Talvez isto tenha ocorrido quando Rabi Zeirá, Rabi Aba bar Cahana e Rabi Levi estavam sentados, e Rabi Zeirá costumava repreender os mestres da agadá, chamando-os de "livros de feitiçaria". Disse-lhe Rabi Ba bar Cahana: por que os repreendes? Pergunta, e eles te responderão. Disse-lhe: o que significa o que está escrito: "pois a fúria do homem Te louvará; cingir-Te-ás do restante das fúrias" (Salmos 76:11)? Disse-lhe: "pois a fúria do homem Te louvará" — neste mundo; "cingir-Te-ás do restante das fúrias" — no mundo vindouro. Disse-lhe: ou diríamos: "pois a fúria do homem Te louvará" — no mundo vindouro; "cingir-Te-ás do restante das fúrias" — neste mundo? Disse Rabi Levi: quando despertas a Tua fúria contra os ímpios, os justos veem o que fazes a eles, e agradecem ao Teu nome. Disse Rabi Zeirá: este versículo vira para um lado e vira para outro — não se aprende dele coisa alguma. Yirmeya, meu filho: vai a Tiro e grava selos lá — que isso é melhor do que nada.

10Tudo o que está dentro da muralha é como as casas das cidades muradas, exceto os campos; Rabi Meir inclui também os campos
Yerushalmi · Maasrot 3:4
תַּמָּן תַּנִּינָן כָּל שֶׁהוּא לִפְנִים מִן הַחוֹמָה הֲרֵי הוּא כְבָתֵּי עָרֵי חוֹמָה חוּץ מִן הַשָּׂדוֹת. רִבִּי מֵאִיר אוֹמֵר אַף הַשָּׂדוֹת. מַה טַעֲמָא דְּרַבָּנִין וְקָם בַּיִת אֵין לִי אֶלָּא בַּיִת מְנַיִין לְרַבּוֹת בָּתֵּי בַּדִּין וּבוֹרוֹת שִׁיחִין וּמְעָרוֹת וּמֶרְחַצִּיּוֹת וְשׁוֹבְכוֹת וּמִגְדָּלוֹת. יָכוֹל אַף הַשָּׂדוֹת. תַּלְמוּד לוֹמַר בַּיִת. מַה בַּיִת שֶׁהוּא מְיוּחָד שֶׁהוּא בֵּית דִּירָה. יָצְאוּ שָׂדוֹת שֶׁאֵינָן בֵּית דִּירָה. מַה טַעֲמָא דְּרִבִּי מֵאִיר וְקָם הַבַּיִת אֵין לִי אֶלָּא בַּיִת מְנַיִין לְרַבּוֹת בָּתֵּי בַּדִּין בּוֹרוֹת שִׁיחִין וּמְעָרוֹת וּמֶרְחַצִּיּוֹת וְשׁוֹבְכוֹת וּמִגְדָּלוֹת וְהַשָּׂדוֹת. תַּלְמוּד לוֹמַר אֲשֶׁר בָּעִיר.

Ali (noutra Mishná) ensinamos: tudo o que está dentro da muralha é como as casas das cidades muradas, exceto os campos. Rabi Meir diz: também os campos. Qual é a razão dos Sábios? "E ficará de pé a casa" (Vayikrá 25:30) — não tenho senão a casa; de onde incluo as casas de prensa de azeite, os poços, as valas, as cavernas, os banhos, os pombais e as torres? Poderia pensar que também os campos se incluem; o texto ensina "casa" — assim como a casa é específica, sendo casa de morada, excluem-se os campos, que não são casa de morada. Qual é a razão de Rabi Meir? "E ficará de pé a casa" — não tenho senão a casa; de onde incluo as casas de prensa de azeite, os poços, as valas, as cavernas, os banhos, os pombais, as torres e os campos? O texto ensina "que está na cidade" (Vayikrá 25:30).

11"Que tem muralha" exclui a casa construída na própria muralha, segundo Rabi Yehuda; Rabi Shimon: a parede externa da casa é a muralha — a leitura e a grafia do versículo
Yerushalmi · Maasrot 3:4
אֲשֶׁר לוֹ חוֹמָה פְּרָט לְבַיִת הַבָּנוּי לְחוֹמָה דִּבְרֵי רִבִּי יְהוּדָה. רִבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר כּוֹתֶל הַחִיצוֹן הוּא הַחוֹמָה. רִבִּי יְהוּדָה דָּרַשׁ אֲשֶׁר לוֹ חוֹמָה. רִבִּי שִׁמְעוֹן דָּרַשׁ אֲשֶׁר לֹא חוֹמָה.

"Que tem muralha" (Vayikrá 25:30) — exclui a casa construída como parte da muralha — palavras de Rabi Yehuda. Rabi Shimon diz: a parede externa da própria casa é a muralha. Rabi Yehuda expôs conforme a leitura do versículo, "que TEM muralha" (לוֹ); Rabi Shimon expôs conforme a sua grafia, "que NÃO tem muralha" (לֹא, as mesmas letras, lidas de outro modo).

12Rabi Chinená: a regra da copa vale para o fruto que passou pela copa; se passou pelo tronco, já foi captado pelo tronco
Yerushalmi · Maasrot 3:4
אָמַר רִבִּי חִינְנָא וְהוּא שֶׁעָלָה דֶרֶךְ הַנּוֹף אֲבָל אִם עָלָה דֶרֶךְ הָעִיקָּר כְּבַר קְלָטוֹ הַעִיקָּר.

Disse Rabi Chinená: e isso (a regra de que em cidades de refúgio e em Jerusalém tudo segue a copa) é quando o fruto subiu pelo caminho da copa; mas se subiu pelo caminho do tronco, o tronco já o captou (e a ele fica vinculado).

13O ensino de Beit Shamai: tudo é como dentro; e os tanaítas antigos que seguem essa opinião
Yerushalmi · Maasrot 3:4
מַתְנִיתָא דְּבֵית שַׁמַּי דְּבֵית שַׁמַּי אוֹמְרִין הַכֹּל כְּלִפְנִים. תַּנֵּי הֶחֱזִיר אֶת הַנּוֹף מִבִּפְנִים כּוּלּוֹ כְּלִפְנִים. וְאִית בָּהֶן תַּנַּיָיא קַדְמִיָּא כְּבֵית שַׁמַּי.

A Mishná é conforme Beit Shamai, pois Beit Shamai dizem: tudo é como dentro. Foi ensinado: se devolveu a copa para dentro (virando os ramos que pendiam para fora, de volta para dentro da muralha), toda ela é como dentro. E há, entre eles, tanaítas antigos que seguem Beit Shamai.

Nota

Esta é a quarta e última halachá do Perek Guimel de Massechet Maasrot. A Mishná trata da figueira em pé no pátio, da qual se come um fruto de cada vez, e das regras de Rabi Shimon, Rabi Tarfon e Rabi Akiva para a videira, a romã e a melancia; do coentro semeado no pátio, e da hortelã-do-campo, do hissopo e da segurelha; da figueira inclinada entre pátio e jardim; e da regra de que tudo segue o tronco entre a Terra de Israel e o exterior, e nas casas das cidades muradas, mas segue a copa nas cidades de refúgio e em Jerusalém.

A guemará discute o tempo dado para talhar o figo, a pergunta de Rabi Yirmeya sobre o espaço aéreo de dez, o hábito de Rabi Lazar berabi Shimon e o episódio com seu sogro sobre os goles da taça, e o apelido dado por Rabi Yehoshua ben Korchá — episódio paralelo à história da caverna de Rabi Shimon bar Yochai e seu filho, contada no Talmud Bavli, Massechet Shabat 33b–34a. Traz o fruto que rolou sozinho e a comparação com a lei do feixe esquecido; a Mishná de quem comia o cacho e passou do jardim ao pátio; o pátio lavrado como jardim segundo Rabi Nechemia, fixado por Rabi Simlai; a digressão de Rabi Yirmeya diante de Rabi Zeirá sobre os mestres da agadá; e fecha com as leis das casas das cidades muradas, das cidades de refúgio e de Jerusalém, e o ensino de Beit Shamai sobre a copa e o tronco.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Guimel de Massechet Maasrot.