Talmud Yerushalmi · Massechet Maasrot · Perek Bet · Halachá 2
מַעַשְׂרוֹת

Quem sobe frutos da Galileia para a Judeia ou peregrina a Jerusalém: comer até chegar ao destino

Perek Bet, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Maasrot

Segunda halachá do Perek Bet de Massechet Maasrot: a Mishná ensina que quem sobe frutos da Galileia para a Judeia, ou peregrina a Jerusalém, pode comer desses frutos, sem dizimar, até chegar ao lugar aonde vai, e o mesmo na volta. Rabi Meir diz: até chegar ao lugar da parada (onde decide interromper a viagem para o Shabat). Os mascates que percorrem as aldeias podem comer até chegarem ao lugar do pernoite. Rabi Yehudá diz: a primeira casa que encontra na aldeia onde pretende pernoitar é a sua casa (e ali já se aplica a obrigação, como se fosse sua própria residência). A guemará abre com frutos colhidos não para necessidade do Shabat, sobre os quais caiu a santidade do Shabat: Rabi Yochanan diz que o Shabat os torna tevel; Rabi Shimon ben Lakish diz que não. Rabi Shimon ben Lakish objeta a partir da própria Mishná, e a resposta distingue entre pernoitar por necessidade e parar por vontade própria, confirmada pelo caso de parar numa segunda-feira. Todos concordam que o mero pernoite não torna tevel, e a guemará explica a diferença: uma pessoa pernoita em qualquer lugar por acaso, mas só para deliberadamente num lugar escolhido. Por fim, traz o caso de Rabi Yehoshua, que caminhava atrás de Rabán Yochanan ben Zakai em Bnei Chayil e recebeu frutos dos moradores das aldeias, com a explicação de Rabi Zeira sobre a exigência de limpeza de Rabi Yehoshua, a réplica de Rabi Maná, e o esclarecimento de Rabi Shimon ben Lakish em nome de Rabi Hoshaya sobre os moradores de Kfar Chananiá; e fecha com o ensinamento de Rabi Chalafta ben Shaul sobre quem quer descarregar os seus negócios na primeira casa que encontra.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַמַּעֲלֶה פֵּירוֹת מִגָּלִיל לִיהוּדָה אוֹ עוֹלֶה לִירוּשָׁלַםִ אוֹכֵל עַד שֶׁהוּא מַגִּיעַ לִמְקוֹם שֶׁהוּא הוֹלֵךְ וְכֵן בַּחֲזִירָה. רִבִּי מֵאִיר אוֹמֵר עַד שֶׁהוּא מַגִּיעַ לִמְקוֹם הַשְּׁבִיתָה. הָרוֹכְלִים הַמְחַזְּרִים בָּעַיָירוֹת אוֹכְלִין עַד שֶׁהֵן מַגִּיעִין לִמְקוֹם הַלִּינָה. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר בַּיִת הָרִאשׁוֹן הוּא בֵּיתוֹ.

Mishná: Quem sobe frutos da Galileia para a Judeia, ou sobe a Jerusalém (em peregrinação), pode comer desses frutos, sem dizimar, até chegar ao lugar aonde vai; e o mesmo na volta. Rabi Meir diz: até chegar ao lugar da parada (onde decide interromper a viagem para guardar o Shabat). Os mascates que percorrem as aldeias podem comer até chegarem ao lugar do pernoite. Rabi Yehudá diz: a primeira casa que encontram na aldeia onde pretendem pernoitar é a sua casa (e ali já se aplica a obrigação de dizimar).

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam se o Shabat torna os frutos tevel; a objeção a partir da própria Mishná
Yerushalmi · Maasrot 2:2
פֵּירוֹת שֶׁלְּקָטָן שֶׁלֹּא לְצוֹרֶךְ הַשַּׁבָּת וְקָדְשָׁה עֲלֵיהֶן הַשַּׁבָּת רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר הַשַּׁבָּת טוֹבֶלֶת. רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ אָמַר אֵין הַשַּׁבָּת טוֹבֶלֶת. מָתִיב רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ לְרִבִּי יוֹחָנָן עַל דְּתֵימַר הַשַּׁבָּת טוֹבֶלֶת וְהָתַנִּינָן הַמַּעֲלֶה פֵּירוֹת מִן הַגָּלִיל לִיהוּדָה אוֹ עוֹלֶה לִירוּשָׁלַםִ אוֹכֵל עַד שֶׁהוּא מַגִּיעַ לִמְקוֹם שֶׁהוּא הוֹלֵךְ וְכֵן בַּחֲזִירָה. וְתַנֵּי עֲלָהּ אֲפִילוּ לָן אֲפִילוּ שָׁבַת. אָמַר לוֹ בְּרוֹצֶה לִשְׁבּוֹת. תֵּדַע לָךְ שֶׁהוּא כֵן. דְּתַנֵּי עֲלָהּ אֲפִילוּ שָׁבַת בְּשֵׁינִי. וְיֵשׁ שְׁבִיתָה בְּשֵׁינִי. אֶלָּא בְּרוֹצֶה לִשְׁבּוֹת אַף הָכָא בְּרוֹצֶה לִשְׁבּוֹת.

Frutos que alguém colheu não para necessidade do Shabat, e caiu sobre eles a santidade do Shabat (pois o Shabat chegou enquanto ainda estavam com ele): Rabi Yochanan disse: o Shabat os torna tevel (sujeitos à obrigação plena dos dízimos, como se tivessem entrado em casa). Rabi Shimon ben Lakish disse: o Shabat não os torna tevel. Rabi Shimon ben Lakish objetou a Rabi Yochanan: quanto ao que dizes que o Shabat os torna tevel, não ensinamos: "quem sobe frutos da Galileia para a Judeia, ou sobe a Jerusalém, pode comer até chegar ao lugar aonde vai, e o mesmo na volta"? E se ensina sobre isso: mesmo que tenha pernoitado, mesmo que tenha guardado o Shabat ali! Disse-lhe: quando por vontade própria decide parar ali para o Shabat. Sabe que é assim, pois se ensina sobre isso: mesmo que tenha parado numa segunda-feira. E há parada obrigatória numa segunda-feira? Mas sim, quando por vontade própria decide parar; também aqui, quando por vontade própria decide parar.

02Todos concordam que o pernoite não torna tevel: a diferença entre pernoitar e parar deliberadamente
Yerushalmi · Maasrot 2:2
הַכֹּל מוֹדִין בְּלִינָה שֶׁאֵינָהּ טוֹבֶלֶת. מַה בֵּין לִינָה מַה בֵּין שְׁבִיתָה. אָדָם מְגַלְגֵּל בְּלִינָה וְאֵין אָדָם מְגַלְגֵּל בִּשְׁבִיתָה. בְּכָל מָקוֹם אָדָם לָן וְאֵין אָדָם שׁוֹבֵת בְּכָל מָקוֹם.

Todos concordam que o pernoite não torna tevel. Qual a diferença entre o pernoite e a parada deliberada para o Shabat? Uma pessoa chega a pernoitar em qualquer lugar, por acaso, sem escolher, mas uma pessoa não chega a parar para o Shabat por acaso. Em qualquer lugar uma pessoa pode pernoitar, mas nem em qualquer lugar uma pessoa para para guardar o Shabat.

03O caso de Rabi Yehoshua em Bnei Chayil, a explicação de Rabi Zeira, e os moradores de Kfar Chananiá
Yerushalmi · Maasrot 2:2
תַּנֵּי מַעֲשֶׂה בְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ שֶׁהָיָה מְהַלֵּךְ אַחַר רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּיי לִבְנֵי חַיִל וְהָיוּ בְּנֵּי אוֹתָן הָעֲיָירוֹת מְבִיאִין לָהֶן פֵּירוֹת. אָמַר לָהֶן רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ אִם לָנוּ כָּאן אָנוּ חַיָיבִין לְעַשֵּׂר. וְאִם לָאו אֵין אָנוּ חַיָיבִין לְעַשֵּׂר. אָמַר רִבִּי זְעִירָא רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ דַּעְתּוֹ נְקִיָיה. אָמַר לֵיהּ רִבִּי מָנָא וְכָל עַמָּא שַׁטְיֵי. אֶלָּא רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ דִּלְוִויָיתֵיהּ שְׁכִיחָא לֵיהּ הֲוֵ דוּ אָמַר הַלִּינָה טוֹבֶלֶת. וּשְׁאַר בְּנֵי אָדָם דְּלֵית אַלְוִויָיתֵיהּ שְׁכִיחָא לוֹן אֵין לִינָה טוֹבֶלֶת. וְהָתַנִּינָן רוֹכְלִין הַמְּחַזְּרִין בָּעַיָירוֹת אוֹכְלִין עַד שֶׁהֵן מַגִּיעִין לִמְקוֹם הַלִּינָה. מַהוּ מְקוֹם הַלִּינָה בֵּיתוֹ. רִבִּי שִׁמְעוֹן בֵּן לָקִישׁ בְּשֵׁם רִבִּי הוֹשַׁעְיָה כְּגוֹן אִילֵּין דִּכְפַר חֲנַנְיָה דְּנָפְקִין וְסַחֲרִין אַרְבַּע וְחָמֵשׁ קוּרִיָין וְעַיְילִין דָּמְכִין בְּבָתֵּיהוֹן.

Ensina-se: aconteceu com Rabi Yehoshua, que caminhava atrás de Rabán Yochanan ben Zakai a caminho de Bnei Chayil, e os moradores daquelas aldeias lhes traziam frutos. Disse-lhes Rabi Yehoshua: se pernoitarmos aqui, estamos obrigados a dizimar; e se não, não estamos obrigados a dizimar. Disse Rabi Zeira: Rabi Yehoshua é exigente quanto à limpeza (do lugar onde dorme, e por isso trata o pernoite como se fosse uma parada deliberada). Disse-lhe Rabi Maná: acaso todo o povo é louco (a ponto de não se importar também com a limpeza)? Antes, Rabi Yehoshua, a quem se costumava preparar pousada especial, para ele o pernoite tornava tevel; e para as demais pessoas, a quem não se costuma preparar pousada especial, o pernoite não torna tevel. Mas não ensinamos: "os mascates que percorrem as aldeias podem comer até chegarem ao lugar do pernoite"? O que é o lugar do pernoite? A sua própria casa! Rabi Shimon ben Lakish em nome de Rabi Hoshaya: como aqueles de Kfar Chananiá, que saem e comerciam em quatro ou cinco aldeias, e voltam e dormem em suas próprias casas.

04Rabi Chalafta ben Shaul: descarregar os negócios na primeira casa que encontra, e ali pernoitar
Yerushalmi · Maasrot 2:2
תַּנִּי רִבִּי חֲלַפְתָּא בֶּן שָׁאוּל רוֹצֶה הוּא אָדָם לְפַלֵּחַ עֲסָקָיו בַּבַּיִת הָרִאשׁוֹן שֶׁהוּא פוֹגֵעַ וְלָלוּן שָׁם.

Ensina Rabi Chalafta ben Shaul: uma pessoa quer descarregar (concluir) os seus negócios na primeira casa que encontra, e pernoitar ali (o que explica por que, segundo Rabi Yehudá, essa primeira casa já é considerada a sua própria casa).

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Bet de Massechet Maasrot: a Mishná ensina que quem sobe frutos da Galileia para a Judeia, ou peregrina a Jerusalém, pode comer sem dizimar até chegar ao seu destino, e o mesmo na volta; Rabi Meir diz até chegar ao lugar da parada para o Shabat; os mascates que percorrem aldeias podem comer até chegarem ao lugar do pernoite; e Rabi Yehudá diz que a primeira casa é a sua casa.

A guemará traz a disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre se o Shabat torna os frutos tevel, a objeção de Reish Lakish a partir da própria Mishná, e a distinção entre pernoitar por acaso e parar por vontade própria; e fecha com o caso de Rabi Yehoshua em Bnei Chayil, a explicação de Rabi Zeira, a réplica de Rabi Maná, o esclarecimento sobre os moradores de Kfar Chananiá, e o ensinamento de Rabi Chalafta ben Shaul sobre a primeira casa.