Quinta e última halachá do Perek Alef de Massechet Maasrot: a Mishná ensina que o bolo redondo de figos (igul) atinge seu "eixo de eira" desde que se o alise; que se alisa com figos e uvas de tevel (produto ainda sujeito aos dízimos), mas Rabi Yehudá proíbe; que quem alisa com uvas não prepara o fruto para receber impureza, mas Rabi Yehudá diz que sim; que os figos secos atingem seu "eixo de eira" desde que se pisem no barril, e o celeiro (megorá), desde que se arredonde o bolo; e que, se o barril se quebrou e o celeiro se abriu enquanto ainda se pisava e se arredondava, não se pode comer do conteúdo nem ocasionalmente — mas Rabi Yossei permite. A guemará abre com Chananiá, filho de Rabi Yasa, perguntando sobre que tipo de tevel discordam Rabi Yehudá e os rabanan — se por decreto rabínico ou por lei da Torá. Traz o paralelo de Rabi Avun em nome de Rabi Yochanan com a azeitona rachada por mãos impuras e o critério de quando ela se prepara para impureza. Narra o episódio em que Rabi pediu a seu filho Rabi Shimon que trouxesse figos secos do barril, a objeção do muktzê, a razão de Rabi Shmuel bar Sisartai, e a identificação — por Rabi Zeira diante de Rabi Yasa, e depois por Rabi Yossei beRabi Bun e Rabi Yitzchak bar Bisna em nome de Rabi Yochanan — de que o caso envolvia tâmaras rachadas. Traz a distinção de Rabi Yaakov bar Zavdi em nome de Rabi Abahu entre o muktzê do Shabat, restrito a figos e uvas, e o muktzê dos dízimos, que se aplica a tudo; e a confirmação de Rabi Yossei a partir da própria Mishná. E fecha com Rabi Yochanan sobre a diferença entre as palavras do primeiro tanna e as do último quanto a se o início do processamento depende do fim, e com Rabi Elazar atribuindo a opinião do último tanna a Rabi Meir — para que a halachá, entre Rabi Meir e Rabi Yossei, siga Rabi Yossei. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Alef de Massechet Maasrot.
Mishná: O bolo redondo (igul — bolo de figos secos, prensado em forma circular), desde que o alise. Alisa-se o bolo com figos e com uvas de tevel (produto ainda sujeito aos dízimos); Rabi Yehudá proíbe. Quem alisa o bolo com uvas — o fruto não se preparou (para receber impureza pelo contato com o líquido que escorre). Rabi Yehudá diz: preparou-se. E os figos secos, desde que se pisem (no barril, para prensá-los); e o celeiro (megorá), desde que se arredonde o bolo. Se estava pisando no barril e arredondando no celeiro, e o barril se quebrou e o celeiro se abriu — não coma dele ocasionalmente. Rabi Yossei permite.
Disse Chananiá, filho de Rabi Yasa: sobre o que discordam Rabi Yehudá e os rabanan? Sobre o tevel que se tornou tevel por suas palavras (por decreto rabínico); mas quanto ao tevel que se tornou tevel por lei da Torá, também os rabanan concordam (que se proíbe alisar o bolo com ele).
Disse Rabi Mana: disse-o (o ensinamento anterior) sem atribuição (a um tanna específico). Rabi Avun em nome de Rabi Yochanan: Rabi Yudá (Yehudá) permanece em sua opinião, e os rabanan permanecem na sua — pois se ensinou: a azeitona que alguém rachou com as mãos impuras não se preparou (para receber impureza pelo líquido que dela escorre); para que absorva sal, preparou-se; para saber se já contém líquido (azeite), não se preparou. Rabi Yudá diz: preparou-se. Os rabanan dizem: verifica-se pelo seu líquido; Rabi Yehudá diz: verifica-se pelo seu próprio corpo. E aqui, os rabanan dizem: alisa-se o bolo com o líquido que escorre da uva; Rabi Yehudá diz: quando há o que é seu (quando o líquido já existe como suco próprio), alisa-se.
Disse Rabi a seu filho Rabi Shimon: sobe e traze-nos figos secos do barril. Disse-lhe: mas isso não é proibido por causa do muktzê (o que ainda não está pronto para o uso, e que por isso não se pode manipular no Shabat)? Disse-lhe: ainda estás preso a isso? Não há proibição por muktzê senão para figos e uvas apenas. Disse Rabi Shmuel bar Sisartai: porque eles ficam malcheirosos nesse meio-tempo (durante a fermentação, tornando-se por um período impróprios para comer). Rabi Zeira perguntou diante de Rabi Yasa: não seria razoável dizer que, nesse caso, tratava-se de tâmaras rachadas (e não de figos, pois as tâmaras postas a secar nunca passam por uma fase imprópria)? Disse-lhe: também eu penso assim. Veio Rabi Yossei beRabi Bun e Rabi Yitzchak bar Bisna em nome de Rabi Yochanan: tratava-se de tâmaras rachadas.
Disse-lhe (repetindo): não há proibição por muktzê senão para figos e uvas apenas. Rabi Yaakov bar Zavdi em nome de Rabi Abahu: isto se disse quanto ao Shabat; mas quanto aos dízimos, todas as coisas têm o status de muktzê (passam por uma fase em que ainda não são aptas ao uso, e por isso ainda não estão sujeitas aos dízimos). Disse Rabi Yossei: a própria Mishná já ensina isso: "os figos secos, desde que se pisem, e o celeiro, desde que se arredonde o bolo" (mostrando que, para os dízimos, até os figos secos passam por uma fase intermediária antes de se tornarem bolo).
Disse Rabi Yochanan: as palavras do primeiro tanna (o tanna anônimo da Mishná) ensinam que nem o de baixo precisa do de cima, nem o de cima precisa do de baixo (isto é, tanto o início quanto o fim da prensagem, cada um por si, já geram a obrigação dos dízimos, um não dependendo do outro). As palavras do último tanna (Rabi Yossei) ensinam que o de baixo precisa do de cima, mas o de cima não precisa do de baixo (pois, para Rabi Yossei, apenas o fim do processo — o arredondar do bolo — completa a obrigação). Disse Rabi Elazar: isto é a opinião de Rabi Meir. Disse-lhe (um colega): para que não penses que se trata de uma opinião anônima que na verdade é de Rabi Yossei, e a halachá seguisse o anônimo como regra geral — por isso é preciso dizer que é de Rabi Meir, pois entre Rabi Meir e Rabi Yossei, a halachá segue Rabi Yossei.
Esta é a quinta e última halachá do Perek Alef de Massechet Maasrot. A Mishná ensina que o bolo redondo de figos (igul) atinge seu "eixo de eira" desde que se o alise — com figos e uvas de tevel, ainda que Rabi Yehudá proíba e discorde sobre a preparação do fruto para impureza; que os figos secos atingem seu "eixo de eira" desde que se pisem no barril, e o celeiro, desde que se arredonde o bolo; e que, se o barril se quebra e o celeiro se abre no meio do processo, não se come do conteúdo ocasionalmente, exceto segundo Rabi Yossei.
A guemará discute sobre que tipo de tevel discordam Rabi Yehudá e os rabanan, traz o paralelo da azeitona rachada por mãos impuras, narra o episódio de Rabi e seu filho Rabi Shimon sobre os figos secos e o muktzê — resolvido como um caso de tâmaras rachadas —, distingue o muktzê do Shabat do muktzê dos dízimos, e fecha com a diferença entre o primeiro e o último tanna quanto à dependência entre o início e o fim do processamento, com a halachá seguindo Rabi Yossei.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Alef de Massechet Maasrot.