Quarta halachá de Massechet Maasrot: a Mishná define, produto por produto, o momento em que cada colheita atinge seu "eixo de eira" (goren) e passa a estar sujeita aos dízimos — pepinos e abóboras quando se limpam de seu resto de flor, ou, na falta disso, quando se faz um monte; a melancia quando amadurece plenamente; as hortaliças amarradas em feixe ou postas no cesto; as romãs secas, as passas, as alfarrobas e as cebolas no monte; o grão quando se alisa; as leguminosas quando se peneiram; o vinho quando se limpa da borra; e o azeite quando desce ao poço de decantação — com a ressalva, em cada caso, de que se pode comer ocasionalmente até chegar em casa, e de que Rabi Yehudá permite colocar o azeite ainda não processado em qualquer recipiente, exceto onde há vinagre ou salmoura. A guemará estende cada cláusula: a diferença entre o feixe grande deixado no campo e o pequeno preparado para o mercado, a intenção de quem enche cestos, o monte feito no telhado, o sentido da limpeza das cebolas, a prova de Yeshayáhu sobre o grão que os animais comem sem peneira, a disputa entre Rav Chisda e Rabi Ila em nome de Rabi Yasa sobre o vento e o repouso das leguminosas, o caso de quem come azeite na véspera de Shabat e a aplicação das leis do muktzê, e por fim uma longa sugia paralela ao Talmud Bavli, tratado Shabat, sobre a diferença entre o recipiente primeiro e o segundo, o critério de yad soledet bo (a mão que recua do calor), o derramar de água fervente sobre especiarias e a opinião de Rabi Yehudá equiparando o sal à salmoura e o vinho ao vinagre.
Mishná: E qual é o "eixo de eira" para os dízimos? Os pepinos e as abóboras, desde que se limpem (do resto da flor); e se não se limpam, desde que se faça um monte. A melancia, desde que amadureça (plenamente); e se não amadurece assim, desde que se coloque no depósito. As hortaliças amarradas, desde que sejam amarradas; e se não são amarradas, desde que se encha o vasilhame; e se não se enche o vasilhame, desde que se colha tudo o que precisa. O cesto (de figos), desde que se cubra; e se não se cobre, desde que se encha o vasilhame; e se não se enche o vasilhame, desde que se colha tudo o que precisa. Quando se disse isso? Quando se leva ao mercado; mas quando se leva para casa, come-se dele ocasionalmente até chegar em casa. As romãs secas, as passas e as alfarrobas, desde que se faça um monte. As cebolas, desde que se limpem; e se não se limpam, desde que se faça um monte. O grão, desde que se alise; e se não se alisa, desde que se faça um monte. As leguminosas, desde que se peneirem; e se não se peneiram, até que se alise o monte. Ainda que se tenha alisado, tira-se dos grãos quebrados, das laterais e do que está dentro da palha, e come. O vinho, desde que se limpe (da borra); ainda que se tenha limpado, recolhe-se da parte superior do lagar e do cano, e bebe. O azeite, desde que desça ao poço de decantação; ainda que tenha descido, tira-se da prensa, do contrapeso e de entre as vigas, e coloca-se na chamitá e na tigela de servir, mas não se coloca na panela ou na caçarola enquanto estão fervendo. Rabi Yehudá diz: coloca-se em qualquer coisa, exceto naquilo que tem vinagre ou salmoura.
Isto quer dizer: quando se remove seu peksos, quando se remove seu shelqoq (termos técnicos para o resto de flor ou o pelo fino que cai do fruto ao amadurecer). Se estava removendo o peksos pouco a pouco e removendo o shelqoq pouco a pouco, não se tornaram tevel (sujeitos aos dízimos) até que removesse tudo o que precisava e removesse tudo o shelqoq que precisava. Removeu o peksos e o shelqoq enquanto o produto era propriedade do Templo, e depois o resgatou: se o amarrou num feixe grande no campo, não se tornou tevel; mas se o amarrou num feixe pequeno para o mercado, tornou-se tevel. Perguntou Rabi Ezra: mas o trabalho no campo ainda não terminou, e dizes assim? Antes, isto é: amarrou-o num feixe grande no campo, mas com a intenção de futuramente amarrá-lo num feixe pequeno para o mercado — tornou-se tevel (desde já).
Havia um único cesto, e sua intenção era encher a metade dele: assim que encheu a metade, tornou-se tevel. Se sua intenção era encher todo ele, não se tornou tevel até que enchesse todo ele. Havia dois cestos, e sua intenção era encher ambos: não se tornaram tevel até que enchesse ambos. Quando se disse isso? Quando se leva ao mercado; mas quando se leva para casa, come-se dele ocasionalmente até chegar em casa. Qual é a diferença entre quem leva ao mercado e quem leva para casa? Quando leva para casa, a coisa depende da sua intenção; mas quando leva ao mercado, a coisa não depende da sua intenção — depende da intenção dos compradores, pois talvez encontre compradores, e tornam-se tevel imediatamente.
Ensinaram: "desde que se faça um monte" — mesmo no alto de seu telhado (e não apenas no campo). Perguntou Rabi Yoná: então no campo, não se aplica? Disse Rabi Chinená: a baraita veio para te ensinar algo a mais: eu te digo que a regra vale mesmo que se faça o monte no alto de seu telhado.
"As cebolas, desde que se limpem" — desde que se remova delas o que fica grudado (a terra e as raízes que se apegam à cebola colhida; o termo exato da leitura manuscrita é incerto).
"O grão, desde que se alise" — Rabi Chananya em nome de Rabi Yochanan: desde que se corrija a face do monte. Mas não ensinou Rabi Yaakov bar Sisai: desde quando se separa a teruma da eira? Desde que se remova o forcado (que revira o grão)! Resposta: aqui fala-se de quando tem a intenção de alisar, e ali, de quando não tem a intenção de alisar. Ensinaram: mas peneira uma parte e separa a teruma do peneirado sobre o não peneirado. Disse Rabi Ila: pois assim é o costume dos donos de casa, trazerem o grão para dentro de suas casas sem esperar peneirar tudo. Qual é a razão? (Yeshayáhu 30:24): "e os touros e os jumentos que trabalham a terra comerão forragem azeda" (prova de que até os animais comem grão não peneirado, de modo que a peneira não é decisiva). Se peneirou grão que era propriedade do Templo e depois o resgatou — visto que antes podia comer dele ocasionalmente e agora não pode mais comer dele ocasionalmente, é como quem realizou a ação que completa o processamento enquanto ainda era propriedade do Templo, e está obrigado. Objetou Rabi Chinená: mas não ensinamos que quem limpou os pepinos ou fez o monte das melancias enquanto eram propriedade do Templo está isento? Disse Rabi Yudan: ali, é impossível não limpá-los e não deixá-los amadurecer; mas aqui, é possível não alisar — pois disse Rabi Ila: "e os touros e os jumentos", etc.
Aprendemos na Mishná: "mas recolhe de debaixo da peneira e come". Disse Rav Chisda: porque as leguminosas ainda carecem da ação do vento (que separa as impurezas leves). Rabi Ila em nome de Rabi Yasa: porque carecem de repouso (num monte). Mas não aprendemos: "o vinho, desde que se limpe"? Para quem diz que carecem de repouso, está bem (pois o vinho também precisa repousar); para quem diz que carecem da ação do vento, ainda falta remover sua borra (o que não se explica pelo vento). Objetou Rabi Binyamin bar Gidul: mas não aprendemos: "o azeite, desde que desça ao poço"? Para quem diz que carecem de repouso, está bem; para quem diz que carecem da ação do vento, falta ainda clarificar-se (o que também não se explica pelo vento).
"Estava comendo o azeite ocasionalmente e anoiteceu na sexta-feira à noite, ou o deu a outra pessoa — não se tornou tevel." Rabi Yirmeyá pensava dizer: isso vale apenas quando colocado na chamitá e na tigela de servir; mas quando colocado num frasco de armazenamento, tornou-se tevel. Disse Rabi Yossei: mesmo colocado num frasco, não se tornou tevel. Disse-lhe Rabi Yirmeyá: acaso o Shabat não torna tevel? Disse-lhe Rabi Yossei: acaso a compra não torna tevel (e ainda assim há isenções)? Disse-lhe, conforme aquilo que disse Rabi Yossei em nome de Rabi Zeira, Rabi Yoná e Rabi Zeira em nome de Rabi Elazar: mesmo o que está num jarro grande não se tornou tevel, pois no fim ele o devolverá — tratando-se de algo cujo processamento ainda não terminou. A força de Rabi Yirmeyá vem disto: e ainda disse Rabi Eliezer: uma pessoa pode ficar de pé junto ao muktzê (figos ou uvas postos a secar, ainda impróprios para comer) na véspera de Shabat, no ano sabático, e dizer: "a partir daqui comerei amanhã." Ele só disse isso quanto ao ano sabático — logo, quanto aos demais anos do ciclo sabático, não se pode dizer isso, pois o processamento ainda não terminou. O que faz disso Rabi Yirmeyá? Para devolvê-lo a seu lugar tu não podes, pois isso o tornaria muktzê; por isso, torna-se tevel. Uma baraita discorda de Rabi Yirmeyá: não há status de comer ocasional no Shabat. Ele a explica: contanto que se fale de algo que tenha a possibilidade de se tornar muktzê. Na opinião de Rabi Yirmeyá, não há diferença entre algo que tem muktzê e algo que não tem muktzê. Perguntou Rabi Mana: se havia um frasco cheio, colocado entre uma viga e outra do lagar de azeite, tornou-se tevel, ou, visto que está colocado num lugar onde o processamento ainda não terminou, não se tornou tevel? A questão fica sem resposta.
Até onde vale a proibição de colocar o azeite na panela ou na caçarola enquanto fervem? Rabi Yudá bar Pazi e Rabi Simon em nome de Rabi Yossei bar Chanina: até o ponto em que, se colocasse a mão dentro, ela se queimaria. Todos concordam que no recipiente segundo (aquele para o qual se despeja o líquido quente, sem estar sobre o fogo) é permitido. Qual é a diferença entre o recipiente primeiro e o recipiente segundo? Disse Rabi Yossei bei Rabi Bun: aqui a mão domina o calor, e ali a mão não domina. Disse Rabi Yoná: em ambos os casos a mão não domina, mas decretaram afastamento para o recipiente primeiro e não decretaram afastamento para o recipiente segundo. Disse Rabi Mana: aquele prato de arroz apoia meu pai (Rabi Yoná); aquele prato de grãos triturados apoia meu pai, pois tu o transferes de um lugar para outro e ele ainda está fervendo.
Esta mesma discussão — a diferença entre o recipiente primeiro e o segundo, e o critério de yad soledet bo (o ponto em que a mão recuaria do calor) — aparece quase nos mesmos termos no Talmud Bavli, Shabat 40b, onde Rav Yehudá em nome de Shmuel usa exatamente essa regra para óleo e água, e Rachava a define como o calor que queimaria a barriga de um bebê.
É permitido colocar especiarias no fundo de um recipiente e derramar sobre elas água fervente de cima? Disse Rabi Yoná: é proibido, pois o derramar equivale a um recipiente primeiro. A força de Rabi Yoná vem disto: "tanto aquele em que se cozinhou quanto aquele em que se derramou água fervente (ambos exigem quebra, segundo a Mishná de Zevachim, sobre os vasos usados em sacrifícios)." E aqui dizes assim? Disse Rabi Yossei: ali, o recipiente de barro absorve partículas do sacrifício; as especiarias não são cozidas pelo simples derramar. Objetou Rabi Yossei beRabi Bun: mas não ensinamos que o mesmo vale também para recipientes de cobre? Pode-se dizer que o recipiente de cobre absorve?
É permitido derramar água fervente junto com o jato contínuo, vindo direto da fonte? Disse Rabi Chanina, filho de Rabi Hilel: isso é objeto da disputa entre Rabi Yoná e Rabi Yossei. Rabi Yitzchak bar Gufta perguntou diante de Rabi Mana: se alguém fez isso no Shabat, está obrigado por cozinhar? Se fez isso com carne e leite, está obrigado por cozinhar? Disse-lhe: conforme aquilo que disse Rabi Zeira: o que é certamente escaldado? Tudo aquilo sob o qual o fogo se move. E aqui também: o que é certamente um prato cozido? Tudo aquilo sob o qual o fogo se move — ou seja, apenas quando há fogo diretamente por baixo no momento.
Na opinião de Rabi Yehudá: o sal é como a salmoura, e o vinho é como o vinagre (ambos "curam" o alimento tal como o vinagre e a salmoura mencionados na Mishná, entrando na mesma exceção).
Esta é a quarta halachá de Massechet Maasrot: a Mishná define o "eixo de eira" de cada produto — pepinos, abóboras, melancias, hortaliças, romãs, passas, alfarrobas, cebolas, grão, leguminosas, vinho e azeite — a partir do qual passam a estar sujeitos aos dízimos.
A guemará discute a intenção de quem amarra feixes e enche cestos, o monte no telhado, a prova de Yeshayáhu sobre o grão não peneirado, o vento e o repouso das leguminosas, o azeite comido na véspera de Shabat e a lei do muktzê, e fecha com a extensa sugia sobre o recipiente primeiro e o segundo, o critério de yad soledet bo — com paralelo no Talmud Bavli, Shabat 40b — e a opinião de Rabi Yehudá sobre sal e vinho.